Fight Like A Girl

2 Nice To (Meet) Beat You


Notas iniciais
Prazer em derrotá-lo (conhecê-lo) é o nome do capítulo. Fiz um trocadilho com as palavras meet (conhecer) e beat (vencer, derrotar).

Era quase chegada a hora de começar a treinar para realizar seu grande sonho. A garota de olhos verdes acordou com o coração acelerado, sem lembrar direito o motivo repentino por trás disso. Aí lembrou-se que estava matriculada em uma escola de lutas e artes marciais e já abriu um largo sorriso.

Ligou seu Spotify em uma playlist aleatória de rock e começou a treinar golpes de luta que via na televisão. Tinha colocado massa de panqueca na frigideira, mas ficou distraída demais para prestar atenção ao seu café da manhã. Ficou tão empolgada socando e chutando o ar que nem percebeu a campainha tocando.

Desmanchando seu sorriso vitorioso, ela foi se arrastando até a porta da frente, sendo surpreendida pelas irmãs.

— Que barulheira é essa cedo, Buttercup? – quis saber Blossom, com um olhar reprovador. – E que cheiro de queimado é esse?

— Bom, eu tava TENTANDO fazer meu café da manhã – respondeu a morena, com uma cara feia. – Mas pelo visto falhei miseravelmente, de novo.

— Isso a gente já sabia – Bubbles deu uma risada que irritou Buttercup, cerrando os dentes. – Queremos saber o porquê da música alta já cedo.

Lembrando que estava toda empolgada por estar matriculada em uma escola de luta, Buttercup ficou envergonhada e não queria contar a verdade para as irmãs, que com certeza, zoariam com a cara dela.

— Nada em especial – a morena deu de ombros, indiferente. – Por que? É proibido agora?

— Não – respondeu a loira, paciente. – Mas não às 07:30 da manhã de domingo, né?!

A morena nem tinha se tocado que era tão cedo e acabou se sentindo mal por ter acordado as duas. Mas como sempre, se fez de durona e simplesmente respondeu:

— E daí?

— Para de esconder o jogo, Butter. O que foi que aconteceu de bom? Te conheço há quase dezenove anos. Você sempre coloca música alta quando está empolgada. – Blossom cruzou os braços, ainda desconfiada da irmã mais nova.

“Ela tinha que me conhecer tão bem?”— Pensou Buttercup, sem ação.

— Eu conto se prometerem não rir.

As irmãs loira e ruiva se entreolharam e deram um pequeno sorriso uma para a outra.

— Não prometemos nada – sorriu Bubbles, seguida por Blossom assentindo. – Mas pode contar.

— Tá, suas chatas – bufou Buttercup, enfim cedendo. Desligou a música alta para poderem conversar.

As três sentaram-se no sofá de Buttercup. A cena estava engraçada, pois as três estavam de pijama. Elas eram vizinhas do mesmo prédio. Blossom estava com sua camisola pink com um coração vermelho no centro e seu chinelo aberto na frente em um tom de rosa mais claro. Já Bubbles estava com um pijama de manga curta e shorts azul-claro e pantufa de coelhinho branco. Já Buttercup… Estava simplesmente com uma calça larga e uma camiseta mais larga ainda, andando de pé no chão pela casa, sem chinelo.

As três franziram o nariz pelo cheiro de queimado que impregnou na casa inteira.

— Eu tô empolgada porque finalmente vou realizar meu sonho – confessou Buttercup.

— De lutar? – arriscou Blossom.

A morena de cabelo curto afirmou, sendo aplaudida pelas irmãs.

— Morreu por dizer a verdade? – Blossom provocou.

— Doeu? – Bubbles entrou na brincadeira.

— Sim e sim – Butter mostrou a língua para as meninas que sorriram. – Só sei que… Eu tô feliz pra caramba.

— Parabéns, Buttercup, estamos muito orgulhosas de você! – Bubbles abraçou a irmã mais velha, que por incrível que pareça, retribuiu o carinho.

— Sabemos que você quer isso há muito tempo. Parabéns, Butter! Lute pelos seus direitos, garota! – Bloss também abraçou a morena, que sorria de orelha a orelha.

— Valeu – respondeu Buttercup. – Literalmente, vou “lutar” pelos meus direitos.

As três caíram na risada. Já que Buttercup tinha queimado seu café da manhã, Blossom a convidou para tomar café em sua casa, como uma boa irmã mais velha que cuida da irmãzinha que fez meleca.

— Não sirvo pra cozinhar, mas sirvo pra comer – Butter riu nasalado. – Valeu, irmã. Você sempre me salva de morrer de fome.

— Nada. Mas você precisa aprender a cozinhar, Butter. Eu não sou eterna, sabia? E quando eu não estiver ao seu lado?

— Credo, vira essa boca pra lá… – disse a morena, enfiando comida na boca e falando de boca cheia. – Espero que você dure bastante ainda.

Com um olhar de reprovação, Blossom estendeu um guardanapo para Buttercup, como quem diz “Pára de fazer nojeira!” A mais nova pareceu entender e se comportou melhor depois daquilo.

Naquela tarde, fazia muito calor. Buttercup havia saído para comprar seus equipamentos e roupas para lutar. Entrou em uma loja de equipamentos esportivos que ficava perto de sua antiga casa, onde morava com seu pai abusivo. Olhou para a casa. Lembranças nem tão felizes invadiram sua mente. Só saiu do transe quando viu outras crianças brincando no quintal.

— Não tenho boas lembranças desse lugar – murmurou. – Infelizmente, meu pai não era tão bom pra mim.

Após afastar aqueles pensamentos pessimistas, entrou na loja e ficou de boca aberta com a variedade de produtos que encontrou. Tudo que ela sonhava de artigos esportivos tinha naquela loja. Era tão grande, que até tinha dois andares.

— Será que eu morri e fui pro céu? – ela estava boquiaberta. – Meu Deus, isso aqui é o paraíso!

Um homem simpático de uns 35 anos veio sorrindo para atendê-la.

— Olá, mocinha! Seja bem-vinda à Sports Life! Posso ajudá-la?

— Sim. Er… Gostaria de ver artigos de Muay Thai.

— Imaginei. Eu reconheço uma lutadora quando vejo uma. Me acompanhe, por favor!

Buttercup sorriu. Enfim, alguém sensato.

“Uma lutadora, eu?”— Ela não podia estar mais feliz.

Ela sabia que precisaria de protetor bucal, bandagem, luva de boxe e meia especial. Ela já tinha uma garrafinha de água. Faltavam as roupas especiais.

Escolheu o protetor bucal azul, luvas verdes e pretas, bandagens pretas e meias pretas. Pediu por roupas especiais e por sorte, estavam com 30% de desconto. Comprou três calções e duas regatas. Já tinha outras cinco regatas em casa mesmo. Comprou dois tops pretos que também estavam na promoção.

Ela estava saindo feliz da vida da loja, quando esbarrou em um garoto fisicamente parecido com ela, só um pouco mais alto e com corte de cabelo arrepiado para cima. Suas coisas logo se espalharam pelo chão.

— Foi mal! – ela logo se desculpou e se ajoelhou para pegar suas coisas.

— Eu que peço desculpas. – disse o garoto, esboçando um tímido sorriso e se ajoelhando ao lado dela para ajudá-la. – Deixe que eu te ajudo.

Antes que pudesse dizer que iria recolher sozinha, o garoto se apressou e pegou todas as coisas dela.

— Você é a garota nova da Kick Warriors, né? Eu te vi ontem. – disse ele, devolvendo as coisas para Buttercup, que ficou sem ação por um momento.

— Hã… Sou. Obrigada.

— Vai ser um prazer treinar com você, Buttercup. – sorriu ele, revelando ter um sorriso deslumbrante.

— Como você sabe meu nome? Quem é você? Não é um stalker, né?

O garoto sorriu.

— Ouvi o professor te chamando assim. Desculpa por te assustar. Não sou stalker, sou só um simples aluno de Muay Thai. A propósito, me chamo Butch. Prazer. – ele estendeu a mão para ela.

“Tomara que não esteja me zoando.”— Pensou a morena, toda desconfiada, olhando para a mão de Butch.

— Hm… Prazer, Butch. – ela resolveu apertar a mão dele. “Essa mão é maior do que a minha. É forte também. E tão quente…”

Assim que saiu do transe e voltou a si, Butch já estava indo embora, dizendo que era muito bom ter uma garota na academia. Geralmente só homens treinavam lá, mas Buttercup estava prestes a mudar essa realidade.

— Hm… Butch, né? – sorriu ela, toda desafiadora. – Isso vai ser interessante.