Fight Like A Girl
5 Because I Needed To See You
Notas iniciais
Capítulo 5 — Porque Eu Precisava Te Ver
No dia seguinte, Buttercup amanheceu com os músculos doloridos, mas não podia estar mais orgulhosa de si mesma. Naquele dia, uma terça-feira chuvosa, ela iria treinar apenas às 18:00, pois iria estudar para o vestibular da mesma universidade de suas irmãs.
Pretendia cursar educação física e ajudar outras mulheres a libertarem suas lutadoras interiores. Não gostaria que nenhuma garota sofresse preconceito como ela mesma sofreu. Portanto, faria o que fosse possível para realizar mais esse sonho.
O dia do torneio se aproximava, e os competidores treinavam arduamente. Butch nunca faltava aos treinos e sempre treinava com muita dedicação. Porém, faltando três dias para a competição, um acidente aconteceu…
Jojo treinava com George, Mattew e Freddie. Buttercup continuava a ser parceira de Neil, o garoto tímido do primeiro dia. Mas os olhos dela sempre seguiam os movimentos precisos de Butch, que de vez em quando também se pegava observando-a.
Em um dos movimentos, Butch se desequilibrou e caiu sobre o pé esquerdo, seguido de um urro de dor. A academia inteira parou tudo o que estava fazendo e voltaram sua atenção ao jovem.
— Butch! O que aconteceu? – o professor, que estava prestando atenção em Neil e Buttercup, ficou horrorizado com o grito de dor do garoto.
— Eu caí em cima do meu pé – disse, entre gemidos. – Tá doendo pra caramba, cara!
— Vamos chamar a ambulância, cara, relaxa – George queria acalmar o amigo, mas no fundo estava muito preocupado.
Buttercup observou Jojo deitado no tatame, gemendo de dor e com o pé bastante inchado. Começou a ter muita pena dele.
“Nossa, faltando tão pouco para o torneio, ele foi se machucar… Coitado, não merece isso. Tava indo tão bem…”
Tanto o professor quanto os alunos estavam todos preocupados com Butch, que teve que sair de maca do local, por não conseguir pisar com o pé machucado. O treino, que já estava quase no fim, foi encerrado com antecedência pelo incidente. Buttercup pegou suas coisas e foi correndo atrás de Butch no hospital, para onde havia sido encaminhado.
Assim que Jojo havia saído e a garota também, os demais, que estavam estarrecidos com o ocorrido, começaram a bombardear Simon de perguntas.
— Mestre, o Butch vai ficar bem, né? – indagou Freddie, com os olhos arregalados.
— Vai sim – respondeu o professor, pálido de susto.
— Ele vai poder disputar com a gente, né? Não foi nada sério, né? – perguntava Mattew, com uma pontinha de esperança.
O professor Simon deu um sorriso um tanto triste.
— Não sei, filho. Só o tempo dirá.
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Buttercup corria implacavelmente até o hospital. Estava ainda suada do treino e coberta apenas por uma jaqueta fina. Apesar de ser quase outono, ainda fazia calor.
— Com licença, eu quero ver o paciente que acabou de chegar. O nome dele é Butch Martin Jojo. – disse a garota esbaforida na recepção.
— Nome, por favor.
— O que importa meu nome?! Eu quero ver o Butch!
— Não grite, por favor. – pediu a secretária, com cara de antipática. – A senhorita é parente dele?
— Bom, não exatamente, mas eu-
— Então, infelizmente, não pode entrar.
Buttercup espumava de raiva por dentro. O que custava deixá-la ver seu amigo por uns minutos? Estava morrendo de preocupação e ao lembrar-se da feição de dor do garoto, sentia seu coração apertar cada vez mais.
— Por favor, é urgente. – pedia Utonium, insistentemente. – Preciso vê-lo.
A secretária, com muita preguiça, voltou a olhar para ela.
— Você é a namorada do Sr. Jojo?
O rosto de Buttercup ficou instantaneamente vermelho com a repentina pergunta. Se dissesse que era namorada dele, quem sabe ela a deixasse entrar.
— B-Bom, s-sou.
— Por que não disse logo? Quarto 12, corredor B. – respondeu a secretária, esboçando o mínimo sorriso.
Buttercup agradeceu e rumou para o quarto de Butch, correndo. Estava com vergonha do que disse anteriormente, mas era o único jeito de entrar. Não havia nada de errado.
“Eu disse aquilo só para entrar aqui. Não tem nenhum outro motivo. Não tem. Eu preciso vê-lo. Não sei porquê, mas eu preciso.”
Chegando ao corredor B, a garota avistou o quarto 12, o qual Butch se encontrava. Seu coração estava quase parando, tamanha era sua preocupação. Ela queria abrir a porta, mas estava muito nervosa. E se ele perguntasse o que ela estava fazendo ali? Não tinha uma boa resposta para isso. "Porque eu precisava te ver” não parecia muito certo de se dizer. Ele podia pensar que ela era uma esquisitona. E se estivesse muito machucado? Ela pensou em muitas coisas, até que a porta abriu sozinha.
— Doutor, oi, eu posso ver o Butch?
— Você é da família?
— E-Er… – ela estava pensando se falava que era namorada dele ou não, mas nem precisou.
— Buttercup! Entre! – Butch gritou lá de dentro do quarto. Parecia feliz e aliviado por vê-la.
Ignorando tudo e todos, a garota entrou no quarto e por impulso, abraçou o rapaz, que ficou desconcertado.
— Sabe o quanto fiquei preocupada? Você está bem? – indagava ela, enquanto tinha Butch nos braços, mesmo sentado.
— Desculpa por te preocupar. – ele disse, todo sem jeito. – Eu ainda estou com dor, mas pelo menos, eles vão ver o que aconteceu comigo, se quebrei o pé ou algo assim.
— Que alívio… – os olhos verdes dela continham lágrimas, que ela não queria deixar escapar. Butch percebeu e ficou comovido.
— O professor mandou você vir me ver?
— Na verdade… Eu vim porque quis. – confessou a garota, toda envergonhada. – Eu senti, por algum motivo, que precisava te ver.
O coração de Butch começou a acelerar assim que ela disse isso. O garoto sorriu.
— Obrigado por se preocupar. Tô bem feliz que você veio. – ele sorriu, genuinamente feliz.
A morena corou e desviou o olhar por alguns segundos.
— Bom, agora que eu vi como você está, melhor eu ir-
— Espera. – o lutador segurou o pulso da garota com delicadeza. – Fica mais um pouco. Vou morrer de tédio se ficar aqui sozinho.
Buttercup não sabia se deveria ficar. Mas Butch fez a cara do gato de botas, implorando para que ela o fizesse companhia. Concluiu então que não teria problema ficar mais um pouco.
— Acho que não faz mal se eu ficar mais um pouco…
Butch sorriu, vitorioso.
Os dois conversaram por um longo tempo. Antes que percebessem, ambos caíram no sono. Buttercup dormiu sentada na cadeira e apoiada sobre o corpo do garoto. Assim que os irmãos de Butch chegaram, encontraram os dois dormindo e resolveram não incomodá-los.
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