Fight Like A Girl
6 Actually, I Care A Lot
Notas iniciais
Capítulo 6 — Na Verdade, Me Importo Muito
Ao abrir lentamente os olhos, Buttercup por um momento não sabia onde estava. Viu Butch deitado à sua frente, desacordado. Tudo veio à tona como uma tempestade de areia. Ela veio visitá-lo e estava dormindo no mesmo quarto dele, perdendo a noção de tempo. Seu rosto começou a ficar vermelho e ela levantou-se num pulo, tentando sair do quarto de fininho, como se nada tivesse acontecido.
Ao olhar para o relógio da cabeceira de Butch que marcava 20:00, ela pensou que talvez fosse melhor ir para casa. Mas antes que conseguisse sair sem ninguém vê-la, ao abrir a porta, deu de cara com os irmãos de Butch, juntamente com o professor Simon.
— Buttercup? – o professor parecia confuso, diferente dos irmãos do garoto. Os dois já sabiam que ela estava ali há um bom tempo.
— E-Eu já tô de saída! – ela foi logo dizendo, tentando esconder a vergonha que recaiu sobre ela.
— Há quanto tempo está aí? – indagou o mais velho.
— Pelo menos há umas três horas. – sorriu Boomer, o irmão loiro de Butch.
— C-Como você…?
— Ah, eu e o Boomer viemos ver nosso irmão, mas quando vimos vocês dormindo tão profundamente, não queríamos atrapalhar… – complementou Brick.
Buttercup fraquejou as pernas. Então os irmãos de Butch viram que ela estava ali dormindo com ele? Aquilo era vergonhoso demais para ser descrito em palavras, ainda mais na frente do treinador.
— Mestre, eu posso explicar! – dizia ela, toda corada para o professor Simon.
— Como assim? Você não fez nada de errado, Buttercup! Pelo contrário, veio ver seu colega machucado.
— E peguei no sono… – Buttercup terminou, murmurando.
— Grande coisa. O que importa é que nosso garoto vai ficar bem. Agora vamos deixá-lo descansar. – Simon disse e levou todos os jovens adultos com ele.
Virado de costas para eles na cama, estava um Butch muito envergonhado e com o rosto todo corado. Ele não estava dormindo desde que seu mestre e seus irmãos haviam chegado.
“Agora me lembro de tudo… A Buttercup veio me ver e acabou adormecendo comigo…”— Pensava ele, sentindo o coração acelerar. “Ela é mesmo especial…”
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Saindo do quarto de Butch e saindo do hospital, a única coisa que Buttercup tinha na cabeça era cuidar do colega ferido, mesmo que não pudesse ajudar em muita coisa.
— Bom, nos vemos amanhã, Buttercup. Treino normal às 09:00, certo? – avisou o mestre Simon, com um sorriso. – Depois do treino, eu e a equipe viremos ver o Butch. Gostaria de vir conosco?
— Pela cara dela, acho que quer sim. – Brick deu risada ao observar a expressão tímida, mas preocupada de Buttercup.
— N-Não responda por mim, cabeça de cenoura! – ela respondeu, com raiva. – T-Tá bom, eu venho junto.
— Excelente! Agora vamos para casa. Você passou um bom tempo lá, não foi, Buttercup?
— É.
— Então, até amanhã, bom descanso. E não se preocupe tanto com o Jojo. Ele vai se recuperar logo. Ele é forte.
— Eu não tô preocupada… – dizia ela, desviando o olhar.
— Ah, claro – Simon sorriu, pensando em como Buttercup ficava fofa ao reagir dessa forma. – Boa noite, meninos. O irmão de vocês ficará bom logo.
— Sabemos. O Butchzão é duro na queda. – riu Brick, juntamente com Boomer. – Boa noite, senhor. Obrigado por tudo.
— Boa noite! – Boomer fez uma reverência.
Buttercup foi para casa mais confusa do que nunca. Cada vez que pensava sobre Butch, seu coração ficava apertado e quando se lembrava que dormiu perto dele no quarto de hospital, seus batimentos ficavam alterados.
“Por que esse moleque mexe tanto comigo? Não consigo pensar direito em nada sabendo que ele não está bem? O que é isso? Que merda!”
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— Ela parece ser bem especial, como o Butch disse. – Boomer começou quebrando o silêncio. – Ela parece sentir o mesmo por ele.
— O jeito como ela se preocupa com ele é fofo, né? – Brick disse. – Aqueles caras da academia não deviam falar aquelas coisas dela. Ela é gente boa.
— Com certeza amanhã ela vai junto para cuidar dele. – Boomer achava aquilo o ápice da fofura.
— É – concordou Brick, chutando pedrinhas pelo caminho, com as mãos no bolso do moletom cor de vinho. – Ela finge que não se importa, mas no fundo, é a que mais se importa. Claro, nós também, lógico.
— Sim. Ela pode ser durona, como o Butch disse, mas tem um coração muito bom. – concordou o loiro, arrepiando-se com o vento frio que encontrou seu rosto.
— Eu diria que… Esses dois ainda vão acabar namorando – Brick disse, fitando a lua cheia que pairava sobre eles.
— Eu ia dizer a mesma coisa! Eles são perfeitos juntos, né?
— Aham. Caramba, Boomer, falou igual à prima Cecília agora! “Ai, que perfeitos!” – Brick imitou uma voz feminina toda esganiçada, matando Boomer de rir.
— Nem é assim! “Ai, gente, como esses dois são fofos! Eu shippo horrores!” – Boomer imitou a tal prima e foi a vez de Brick cair na risada.
E assim foi o resto do caminho para casa dos Jojos, rindo que nem dois condenados.
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No apartamento 203, uma certa morena não conseguia pregar o olho. Toda hora lembrava-se da queda de Butch. Quem diria que tudo aquilo aconteceu há apenas algumas horas. De manhã, o moreno estava saudável e pronto para a competição. Agora estava em uma cama de hospital. Como as coisas mudam em questões de segundos…
— Porra, Buttercup! Durma!! – ela mesma se xingava.
Lembrou-se que havia cochilado no hospital e que talvez por isso não conseguia dormir. Foi se arrastando até a cozinha, sentindo as pernas ainda trêmulas de preocupação e foi beber leite.
Estava com uma regata de pijama que estava ficando pequena (mas não conseguia se desfazer, revelando sua barriga esculpida e o short do conjunto. Para ela, estava um calor dos infernos. Porém, lá fora tinha vento, mas ela sentia-se toda quente.
— Que calor do caramba – comentou ela, suando frio. – Cadê esse maldito leite?
Assim que pegou a caixa de leite, sentiu-se tonta. Tudo começou a girar e de repente, a morena apagou. Caiu desacordada ao lado do leite derramado.
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Na manhã seguinte, Buttercup não foi ao treino. Ainda estava desacordada. O professor Simon estranhou a ausência dela e foi procurar se informar. Ligou para o celular da morena, que só caía na caixa postal. Alguma coisa devia ter acontecido para ela não poder vir ao treino. Ela estava tão animada no dia anterior.
Antes que pudesse pensar mais alguma coisa, alguém chegou na academia. Era Butch, que estava mancando e com dificuldade, conseguiu adentrar o recinto. Estava com um gesso no pé machucado.
— Meu garoto! Como está? – Simon cumprimentou o Jojo, batendo na mão dele.
— Tô melhor. – respondeu o de olhos verdes. – Eu rompi os ligamentos, por sorte, não quebrei o pé. Mas não poderei lutar no campeonato.
— Ah não, mano! – George foi o primeiro a reclamar. – Que merda, né?
— Ano que vem eu participo, de boa. – sorriu Butch, olhando em volta. – Ué, cadê a Butter?
— Ela não veio hoje, o que me deixou preocupado – disse Simon. – Ela nunca falta.
O coração de Butch falhou algumas batidas. Estava com mal pressentimento que assolava cada vez mais seu ser.
— Precisamos ver o que aconteceu! – disparou Butch. – Me passe o endereço dela, mestre, por favor!
Simon pegou o contrato da garota e anotou o endereço dela em um papel. Butch pegou o papel e saiu mancando o mais rápido que podia.
— Eles se amam – foi tudo o que Freddie disse.
— Eu pra mim, o Butch tá pegando a mina – comentou George, cheio de malícia.
— Bora focar, galera! O campeonato tá logo aí! Só mais dois dias! George, você é o que mais precisa se concentrar! – o mestre Simon o repreendeu e conseguiu que se calasse.
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Butch enfim chegou à residência da Utonium. A porta estava trancada então ele pulou a janela, mesmo com dificuldade. Achou que seria por uma boa causa. Assim que chegou na cozinha, quase perdeu o chão. Encontrou a garota que o visitou na noite passada desacordada no chão, ao lado de um leite derramado, que já estava azedo.
— Buttercup! – ele não se importava mais com nada, só precisava entender o que aconteceu com ela.
Como a morena não respondeu, ele a pegou no colo com um pouco de dificuldade por causa de seu pé e foi mancando até a porta da frente, onde encontrou as irmãs da morena.
— Quem é você?! O que faz com a nossa irmã?! – queria saber a ruiva.
— Desculpa, mas é que… A Buttercup não foi no treino e quando eu cheguei aqui ela estava desmaiada!
— O QUE? – gritaram as garotas em uníssono.
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