Notas iniciais
Mais um capitulo, esse saiu quentinho ainda agora... ja devem ter percebido que o ritmo esta melhor, não? Finalmente consegui calar minha fonte de estresse constante o/ Viva o novo ano e a faculdade(finalmente) Mais uma vez obrigada a todos que leem e comentam minha história Boa leitura

–Damon, a mamãe esta muito doente... – dizia a moça deitada na cama, o rosto pálido, cada vez mais pálido, a cada instante mais pálido... Tão bonita, o cabelo castanho mal cuidado e ondulado jogado de um lado da cama, o rosto sereno, um olhar que esconde uma coragem silenciosa – Me desculpe, Damon... Você vai ter que ficar com o papai, ok?

–Eu não gosto dele... Mãe... – respondia o garotinho entre soluços, pequeno para os seus sete anos, mas com o mesmo tom de cabelo e um olhar que a mãe considerava ser sua mais preciosa herança.

–Você não precisa ser bonzinho com ele, afinal eu sei com quem me casei.

–Ele nunca sequer me olhou no rosto, ele só... – Damon não conseguia dizer em voz alta os seus pensamentos, a Mãe deveria saber que é doloroso demais, pesado demais, cada uma dessas palavras. Para sua sorte ela lhe lançou um olhar compreensivo. Era sempre assim, pareciam se comunicar por telepatia.

–Eu sei. Por isso eu te amo por três pessoas... Não, cinco... Não existe outra pessoa que o ame mais que eu, acredite.

–Mas você vai morrer.

E a mãe o sondou por dentro, como sempre fazia antes de dar qualquer conselho ou solução, ate que parou e embora ainda respirasse ficou tão imóvel como um cadáver, por que pela primeira vez não soube o que dizer, sua culpa a assolava. Não deveria ter se casado com aquele vigarista. Mas como ela imaginaria que Damon nasceria de um homem assim? Não, a resposta não é essa, se não tivesse se casado com aquele vigarista nunca teria Damon e sua vida nunca teria sentido.

–É estranho perder a vida quando finalmente se encontra o seu significado...

Fiction City – Yellow days

Quando o taxi parou a frente da joalheria em meio a carros de policia e uma ambulância, a mulher baixinha no interior do carro teve que reprimir todos os seus pensamentos caóticos e desesperados para conseguir contar o dinheiro a ser entregue. Precisou repetir mentalmente que seu sobrinho estava bem infinitas vezes antes de conseguir sair do carro. Precisou lutar para que um policial a deixasse passar.

–É meu sobrinho! Meu sobrinho esta aqui!Preciso falar com ele!Vocês sabem...

Mas não havia nenhum garoto, exceto uma mancha vermelha disforme na entrada da loja. Sangue e diamantes. Sangue e brincos. Sangue e... Não conseguiu reprimir o seu grito de terror em meio aos puxões dos policiais. Sentia seu corpo perder as forças, enquanto era levado, levado... Sentiu-se sentar. Ah!Uma ambulância...

–Acalme-se senhora, por favor. Ainda não conseguimos identificar o corpo, como pode ver, teremos que fazer um exame de DNA, por favor, sente-se... Carlos, traga... O que prefere? Água? Café?

–Nenhum dos dois, obrigada. Quero saber do meu sobrinho.

–Nós fizemos uma busca por ele na casa, não encontramos nada. Aparentemente há trinta minutos houve um chamado para uma ambulância aqui... E houve claramente uma tentativa de roubo mal sucedida... Como pode ver os ladrões não conseguiram levar nada. Tem certeza que seu sobrinho estava em casa...? Como se chamava?

–Damon... Oh! Damon... – e o policial não conseguiu arrancar mais nada de Marta, que chorava cheia de remorso, deveria ter convidado Damon, mesmo ele odiando... Devia ter ficado em casa, quem sabe... Devia ter previsto que isso aconteceria... Ele também devia ter previsto – Aquele irmão idiota... E sua joalheria mais idiota ainda... Damon... Não. Você fugiu, não é? Por favor, não seria a primeira vez que você não ouve o que digo.

***

Etzel olhou para o garoto inconsciente deitado na cama de hotel imunda sem remorso algum, embora tenha sido ela quem havia desferido o golpe que o derrubou. Inclinou uma das sobrancelhas. Que idéia absurda... Voltar para casa?

–Olha aqui, tenho que voltar ou Tia Marta vai ficar insuportável durante semanas, imagina ela chegar e dar de cara com aquele idiota e suas jóias todas ensacadas?

Uma família, hum?

–Agora eu sou a ultima guardiã e estou acompanhada do idiota mais fraco da cidade.

Parecia improvável... Será que o que Fuji tinha dito era verdade? Sobre os guardiões? Sobre o seu despertar, sete anos antes?

Cruzou as pernas e pousou os braços num arco, concentrando-se primeiramente na sua respiração, depois em tudo o que o garoto loiro havia dito. Primeiramente sobre os guardiões, faria sentido levando em consideração a sua decisão atual...

Se é que ela se decidiu...

Ainda se lembrava do que seu pai dissera sobre sua personalidade, não, o certo não seria personalidade... Sobre a sua natureza... Como uma delicada balança, ele sempre dizia.

A cidade esta adormecida, nem viva e nem morta. Por que há dez anos ela decidiu deixar o destino dos humanos com os humanos. Ela se fragmentou antes de partir e deixou dois fragmentos com duas crianças para que elas decidissem o futuro.

É provável que ela não aprovasse a interferência dos guardiões... Como Sonja interferiu hoje...

Sonja... Sonja... A Sonja...!

–Ela me abandonou,o seu dever, nosso juramento, a memória dos nossos pais... – e a noite da cidade recebeu mais um novo som, em meio a gritos, a sons de televisão, a freadas... Uma voz entre cortada, algo que não necessitava de palavras, feito apenas de sentimentos. A noite ouviu o choro de quem havia perdido um elo forte e precioso.

Mesmo que Damon não soubesse da dor que a guardiã passava, conseguia ouvir um choro dentro do seu sonho que também não cessava.

Olhou ao redor, não conseguia ver nada, exceto uma névoa que ocultava tudo. Andava distraidamente quando uma voz conhecida falou, lembrava o som da voz da sua mãe e ao mesmo tempo não. Trazia-lhe a memória algo desagradável.

Cuidado, você vai cair.

Parou no instante seguinte, ao perceber que o seu próximo passo cairia no nada, sentou-se no chão da mesma forma distraída enquanto o choro recomeçava. A névoa começava a se mover, lentamente, calmamente... Como as fumaças de um velho cachimbo e aos poucos podia ver ao seu redor.

Agora entendia onde estava. Aparentemente se encontrava no terraço de um enorme arranha céu, tão gigante que provavelmente seria impossível existir na realidade e a névoa de pouco tempo atrás seria apenas uma nuvem de passagem.

A poucos metros podia ver de onde vinha o choro. Uma moça muito bonita, a pele cor de castanhas e os cabelos hora cacheados hora ondulados pelo vento, com uma cor que impressionou o garoto, tão branco que poderia ter sido confundido com a nuvem que havia passado.

–Obrigado por me avisar – disse sem jeito, numa sincera gratidão.

–Não foi nada – disse a moça, levantando o rosto, um sorriso triste. E pode olhar seus olhos, mais impressionantes que o cabelo, por lembrarem exatamente a cor do céu naquele instante – Você pode me consolar?

–Eu não sei como fazer isso... – E era verdade nenhuma das mulheres que conheceu eram muito de chorar e nenhuma delas diria para ele, Damon, consolá-las.

–Não quer saber por que estou chorando? – perguntava, o rosto se contorcendo em tristeza.

–Na verdade... Não gosto de me meter nos problemas dos outros, deve ter um motivo para chorar então... – mas a sua resposta lhe pareceu grossa, pelo simples fato de ser dirigida para aquela moça bonita, de repente não queria que ela chorasse mais... – Por que esta chorando?

E os lábios da moça tomaram os contornos de um sorriso, tão bonito quanto um anjo poderia fazê-lo e ele foi se transformando num sorriso ingênuo digno de uma criança ao ver um doce, o que não durou muito, pois no instante seguinte havia se tornado outro...

E novamente Damon sentia aquele arrepio na espinha...

Aquele novo sorriso, tão terrível quanto o da morte ao contar sua coleção de almas.

–Estou chorando... – e seus olhos não eram mais azuis, mas sim amarelos, como um sol quente no verão – Por que os quero todos mortos.

–Damon! Acorde! Damon!

E lá estava o rosto de Etzel, rígido como uma pedra, como sempre... Ah! Exceto por uma pequena flexão de sobrancelha que...

–Damon! Você esta bem...?Estava suando e se remexendo todo...

Os olhos... Ela havia chorado?Decidiu que não iria tentar consolar alguém por um bom tempo... Deu uma boa desculpa para a sua indiferença, já que sabia que Etzel jamais pediria seu consolo. Por isso respondeu apenas que estava bem, não, estava tudo bem, só a nuca doía um pouco, é. Culpa sua, certo?Como assim faria de novo?Não vou voltar para casa. Você acha que Fuji vai voltar lá?

Mas aquele mesmo rosto, aquele sorriso e olhos assustadores começaram a enfeitar seus pesadelos daquela noite em diante.

Notas finais
Versão 2.