Fiction City

9 Shackles of Yesterday I


Notas iniciais
Desde já peço desculpas pelo atraso astronomico, se alguem ainda ler isso, seria demais pedir algum comentário... Por isso, apenas aproveite o/

Corre! Corre! Corre!Foge.O pão. Não deixa cair, Fuji! O pão, seu burro!

Ahh... Ainda se lembrava disso? Daqueles dias?Sem comida, sem abrigo, sem casa, sem teto...

Todo o dia...

Corre!Pega o dinheiro! Deixa essa velha ai no chão, seu idiota! O dinheiro você pegou, né?

Tentando sobreviver...

Me dê um pouco de dinheiro moço, vamos. Eu e meu irmão não temos ninguém por nós!

Você viu Fuji?Só têm otários nessa cidade! Olhe só quantas carteiras! Não fique com essa cara, eles tem tanto e nós nada. A culpa é deles.

Quando foi mesmo?Que começou a ouvir aquela voz estranha?Ela te entendia, não é?A voz da cidade veio a sua procura. Há sete anos. Sempre criado nas ruas, é claro que só poderia ser um filho da cidade. Por isso, quando ela lhe perguntou: Fuji, o que acha dos humanos?

Não pensou sequer uma vez antes de responder:

Eu os odeio.

Fiction City — Shackles of Yesterday I

–Damon, você não está nem se esforçando... – dizia a ruiva, sentada perfeitamente ereta numa caixa em meio ao lote abandonado. Ao seu redor haviam milhares de outras coisas largadas, de lixo em decomposição à um garoto, deitado sob o chão imundo, respirando com dificuldade.

Seu peito subia e descia, se acalmando aos poucos. Calma que durou pouco, pois ao ouvir o comentário da guardiã levantou os braços para o céu lançando junto um profundo olhar de desagrado. Respirava fundo, como se empurrasse algo para cima.

Uma força invisível.

De inicio seus braços estavam quase que totalmente esticados, mas no instante seguinte a força invisível já vencia a batalha, esmagando-o sob seu peso. Seus braços foram recuando, até que acabou na mesma posição inicial respirando com a mesma dificuldade.

E a garota balançava a cabeça demoradamente. Ação que, prontamente, ele ignorou.

–Parece que vou ser triturado!

–Você não consegue nem mudar o tempo! Francamente, afinal o que você controla nessa cidade?

–Da ultima vez, cacos de vidro. – daquela vez quando o ladrão entrou na loja. Lembrava disso muito bem, o único problema é que Etzel também, e não só se lembrava como já havia a arquivado como a única “façanha” que Damon “diz” ter realizado.

–Cacos de vidro... Sim, me lembro.

Damon percebeu que a conversa já havia acabado entre os dois, por isso, olhou para o céu azul e límpido, depois de duas semanas de treinamento não havia conseguido fazer surgir uma única nuvem negra, não importa o quanto desejasse chover, o quanto forçasse... Era como se algo o barrasse.

–Talvez ele esteja me barrando... – disse isso com a vaga idéia de um céu azul enorme irritado por ele tentar mandar em suas nuvens.

Etzel o olhava fixamente.

–Sim, ele poderia...

–O céu...?- Damon respondia com seu olhar mais surpreso, se uma cidade pode ter consciência por que não...?

–Não, seu tolo!Estou falando do Fuji, mas pra isso ele precisaria de contato corporal... Eu não o vi te tocando ao menos uma vez naquela noite... Acredite, se ele tivesse, nós estaríamos com um grande proble... Espere! Aquela foi a primeira vez que você o viu?

–É, acho que sim.

–Então... Ah! Tenho uma idéia... – e a garota saiu andando, pulando bolos de lixo gosmento no caminho, quando olhou para trás – O que está esperando, Damon?! Vamos!

**

–Aquele realmente não era o meu sobrinho? – perguntava a mulher baixinha, olhando esperançosa para um policial.

–Não, senhora. A análise identificou o corpo como sendo de Antônio Ferreira, um jovem de 24 anos, procurado por diversos roubos a lojas desde o mês passado... Acreditamos que sua joalheria deveria ser um dos seus alvos. Segundo...

–Já começaram as buscas pelo Damon?

–Sim, senhora. É de conhecimento da polícia que ambos, a senhora e o seu sobrinho, sofriam com várias tentativas de seqüestro e ameaças. Por isso a polícia não descarta o envolvimento de dois ou mais na tentativa de roubo...

–Assim como a polícia não descarta que Damon possa ser o assassino do bandido,certo? – isso quem disse foi uma terceira voz, vinda de trás, de forma que tia Marta se assustou de inicio com a chegada do estranho. Ao vê-la questionando-o com os olhos, se apresentou – Sou o detetive Thales, prazer. Eu estou investigando o suposto seqüestro do seu sobrinho.

–Thales, você não estava com o caso dos roubos de banco? – perguntou o primeiro policial, num tom curioso.

–Bem, sim. Mas aquele tipo de coisa continua um mistério... Quem conseguiria quebrar uma parede daquela espessura em apenas alguns segun...?

–Com licença – e Marta segurava o braço do detetive – Como assim não descartam que Damon possa ser o assassino? Como assim “suposto” seqüestro? Não estão achando que um garotinho de catorze anos cometeu aquela atrocidade?! Damon jamais faria isso!Pelo amor dos Deuses!– respirou fundo, dizendo a ultima parte num sussurro – Aquele homem nem tinha mais o formato de um corpo...

O detetive Thales dirigiu um olhar significativo para o colega antes de olhar para a mulher.

–Ainda não sabemos... Por isso gostaria de lhe fazer algumas perguntas... – acenou com a cabeça, se despedindo do primeiro policial e com outro aceno, indicou a direção da sala de interrogatório.

**

–Damon... Você nasceu nessa cidade? – perguntava despreocupadamente a guardiã, ou assim queria fazer parecer, pensava Damon, na verdade não havia motivos para desconfiar de Etzel... Talvez essa sensação viesse do fato de que odiava lembrar-se do passado...

–Não, nasci numa cidade vizinha.

–Qual delas?

–Nueva.

–Hmm... E sua família? Aquele dia você falou de sua Tia... Ainda está preocupado com ela?

–-É claro – respondia Marta – Claro que o aceitei.

–Então você simplesmente aceitou cuidar daquele garoto? E quanto ao seu irmão?

–Meu pai e eu... Nós praticamente não reconhecíamos a existência um do outro.

–E quanto a sua mãe?

–A mãe dele sempre foi muito doente... Ela sempre amou o filho. Mas sabia que ia morrer cedo, mesmo antes de se casar com o meu irmão. Até hoje não entendo bem o por que...

–Quantos anos ele tinha quando ela morreu?

–Eu tinha seis anos, eu não me lembro muito bem dos meus sete anos... Quando dei por mim já estava aqui nessa cidade, junto com a Tia Marta.

–Como assim não se lembra?

–Não lembro...

–Quando você se mudou para cá, sentiu alguma coisa diferente?

–Diferente? Diferente como?Acho que não...

–Como eu te disse, durante a primeira semana, Damon foi um garoto normal, uma gracinha, lia livros, brincava... Só que na segunda ele simplesmente desapareceu. Quando voltou havia voltado ao normal. Talvez nem se lembre disso...

–Interessante... Não são muitos os garotos que se aventuram dessa forma na cidade, pelo menos com essa idade. Me conte um pouco mais sobre isso, Damon por acaso tem um lugar favorito na cidade? Um ponto de encontro, quem sabe? – essa ultima pergunta pegou a mulher de surpresa.

–Eu tenho um lugar importante, sim.

–Sei. Vamos para lá então.

–Você não queria ir para outro lugar? – de novo aquela desconfiança, por que será...?



Ah. Como eu odeio olhar para o passado.

Notas finais
Obrigada a todos que leem e comentam essa minha história, o proximo cap já está a caminho o/