Fiction City
10 Shackles of Yesterday II
Notas iniciais
Desde já agradeço quem acompanha a minha história e principalmente a quem comenta, sempre tocando nos pontos negativos e positivos hehe
Obrigada
Bom, sem mais delongas,
Boa leitura
As viaturas estacionaram em frente ao banco, freando sem pressa sob o asfalto. Os policiais que saíram delas ainda se perguntavam quem estaria por trás daqueles roubos no meio da noite, sempre no mesmo horário. Já devia ser o décimo... Não, agora seria o décimo primeiro roubo no mês.
Mas quando abriram as portas de armas em punho, não se mostraram surpresos ao ver o cofre lacrado, intocado.
Sim, como nas outras vezes...
Mesmo sabendo que se encontravam alguns metros abaixo do solo... Aquele sentimento, como das outras vezes...
O policial da esquerda, junto a um funcionário do banco abriu a porta gigantesca e mecanizada, a tecnologia criada pelos humanos para proteger seus bens preciosos e a ironia que nunca deixava de impressioná-los, pois, logo atrás do cofre vazio havia um imenso buraco, como se a terra tivesse aberto por vontade própria um enorme túnel, levando gentilmente o bandido até o cofre. Como das outras vezes não havia nenhuma gravação, nenhuma digital ou pista, o ladrão parecia ter se materializado dentro do cofre.
Restava apenas notificar o roubo misterioso e contar os prejuízos...
Do lado de fora, dividindo os sons da noite com as sirenes das viaturas existia o som do assovio do mendigo, que passeava do outro lado da rua carregando um pesado carrinho de compras, sujo e coberto de papelão. Ao lado do mendigo, uma bela garota ruiva o acompanhava, com um aspecto tão impecável que poderia ridicularizar seu acompanhante não fossem seus movimentos parecidos com os de um guarda costas.
–Você parece bem animado, Fuji.
–Você acha, Lucy? É, eu ando tendo sonhos maravilhosos.
Shackles of Yesterday II
–Então, esse é o lugar? – perguntava Etzel, desconfiada.
A guardiã olhava ao redor e parecia desmotivada, esperava encontrar um prédio, um beco ou um armazém abandonado, algo que lembrasse de imediato a própria cidade, um monumento, quem sabe?
Mas lá estavam eles, em meio a uma densa floresta, nos limites da cidade. Não, no limite exato. Não havia lugar mais distante do centro.
–O que esse lugar tem de tão importante?
–Bem... – dizia o garoto, desconcertado. Essa era a primeira vez que mostrava esse lugar a alguém e o rosto de Etzel já demonstrava o por que nunca o havia feito antes, descrença, desconfiança, preconceito, dúvida, descrença de novo... Como poderia explicar? Suspirou, respirando o ar puro que o rodeava – Esse lugar não parece ter parado no tempo?Sabe, toda a cidade está sempre em movimento, viva, mas aqui é como se ela nem existisse...
Era isso. Mesmo agora que seus sentidos estavam despertos, desde aquela noite do roubo na loja, o mundo ao seu redor não havia ficado tão silencioso... Aquele pesadelo de olhos amarelos parecia um sonho bobo, não havia como aquilo ser realidade.
Isso...
–Você disse alguma coisa?
–Hã?Não.
Eu posso... fazer...
Esquecer.
–Etzel, não tem graça.
–-Eu não disse nada. – a guardião suavizava sua expressão, algo em seu rosto comprovava que dizia a verdade e ao mesmo tempo, uma luz nos olhos, meio extasiada... Einstein teria aquele olhar durante suas descobertas.
Um pressentimento ruim, sua mente implorava algo que seu corpo já percebia.
–Tenho que sair daqui.
–Não vou deixar – e a garota segurava seu braço com força, os olhos com o mesmo brilho, porem agora adicionada em sua expressão e voz um tom de desafio – Você escondeu alguma coisa aqui. Alguma coisa importante.
–Não sei do que está falando.
–Talvez ainda não, e nunca vai saber se fugir.
Nome...
Olá... meu... é...
Havia vindo aquele lugar tantas vezes nesses anos, então por que agora?
–Me deixe ir – e o garoto soltou o próprio braço com velocidade, mas de forma mais veloz a guardiã o derrubou ao chão, se levantou antes que imobilizasse os seus dois braços. Ambos agora se encaravam.
Etzel sabia de algo. Ela sabia o que viria a seguir.
–Devo lembrá-lo Damon, que eu não sou a sua guardiã. Não tenho intenção de ser boazinha e nem protegê-lo. A única a quem eu protejo é a cidade.
–Não ligo pra essas baboseiras.
Agora sentia um cheiro diferente, que cheiro era aquele? Era da mesma floresta, só que trazia uma fragrância de flores...
A experiente guardiã já aproveitava aqueles segundos de desatenção, desferindo um chute no estomago do garoto, que desviou por pouco, recebendo um pouco do ataque sob as costelas direitas. Ela estava pegando leve, tinha certeza, aquela velocidade não era a mesma do outro dia... Porém, era rápida o suficiente.
E sua visão ficava embaçada. Aquelas flores amarelas... O que eram elas? De onde havia as visto antes...?
Não viu o segundo golpe, mas sentiu quando suas costas experimentaram a dureza do chão. No entanto não era mais a Etzel que estava a sua frente, mas sim um pequeno garoto magro e loiro que sorria angelicalmente. Parecia ter uns onze anos ou mais.
No instante seguinte sentiu sua boca se mover e ouviu sua própria voz, bem mais fina.
–Quem é você?
–Olá, meu nome é Fuji. – e o sorriso do garoto se fechava em seguida – Qual é o seu nome?
–Damon. – E sua boca se movia de novo, com a mesma voz fina.
–Quantos anos você têm?
–Sete.
–Nossa! Parece que sou... Três... Não, Quatro anos mais velho que você! – o pequeno Fuji dizia isso fazendo as contas nos dedos, mostrando o resultado perto do seu rosto – Em, me diz Damon? Você consegue ouvir a voz da cidade, não é?
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