Fiction
5 異なる diferente
Notas iniciais
Eu tenho o velho costume de vasculhar o passado...
Lembrar-me de cada erro que eu cometi, cada besteira que eu disse. Mas a pior parte é lembrar-me de como tudo sempre parecia tão forte, tão intenso...
Não sei muito bem o dia em que os meus olhos começaram a secar, ou quando eu comecei a esquecer da dor no meu peito. Mas elas sempre estiveram ali, como uma cicatriz, ou melhor, uma ferida não cicatrizada que apenas estava esperando o momento certo para gotejar novamente...
Suspirei encarando o teto branco. A noite caia fria e lentamente. O dia agitado, apenas me fazia ter certeza absoluta que meus sentimentos pareciam não terem sidos apagados. Não que eu esperava que como mágica eles sumisse, mas eu apenas...
Eu apenas não sei o que pensar...
Fechei os olhos pesadamente, tentando apagar aquela aproximação. Fazer aqueles toques, e aquele sorriso sumirem, e esperar que o eco da voz dele fosse sumindo pouco a pouco. Eu sei que tenho sentimentos por ele, só os esperava que não fossem tão intensos.
Só que eu já não sou um adolescente, eu não vou levantar se cair de novo. Eu vou simplesmente me afundar e disto eu tenho certeza. É como se eu sentisse tudo e ao mesmo tempo nada, como se os sentimentos que batiam em meu coração fossem os mesmos de anos atrás, mas quanto mais eu penso, começo a sentir apenas um mar de emoções vazias.
E agora havia o Lian em minha linha de raciocínio. Por ele, não poderia cair-nos mesmos erros, pois ele não suportaria. Eu deveria tentar ao menos esperar encontrá-lo de novo e ver se os sentimentos que tive foram pelo impacto que as lembranças traziam, ou se era apenas emoções reprimidas.
Olhei para o pequeno que dormia sobre mim, com suas feições tranquilas, com os cabelos negros cobrindo um lado de seu rosto, deixando a pele alva exposta. Lian era exatamente como o senpai em aparência, mas sua personalidade mesmo que meio bruta, era doce.
Talvez um dia até o senpai já tenha sido assim, mas isto eu nunca saberia. Eu não sabia nada sobre ele, além das coisas bobas de anos atrás. Mas apenas de imaginá-lo meigo, me fazia querer saber quais coisas poderiam mudar uma pessoa a ponto de torna-la daquele modo...
Uh... Como se eu pudesse falar algo contra, afinal eu já não era um jovem animado e alegre, apenas um psicólogo melancólico. Meus dedos embrenharam-se nos cabelos negros, fazendo um leve afago, coisa que eu sabia que o menor adorava.
“Então se você me ama me deixe ir...
E fuja antes que eu saiba
Meu coração ainda permanece triste demais para se importar
Não consigo destruir o que não existe
Me entregue a meu destino
Se eu estou sozinho, não tenho o que odiar.
Eu não mereço ter você...
Meu sorriso foi tomado há muito tempo atrás
Se eu posso mudar, espero nunca saber”
Fechei os olhos, eram estes pequenos momentos que me faziam esquecer qualquer dor. Sentir Lian em meus braços era tão reconfortante e caloroso. E talvez, pensando nisto agora, ele poderia ficar como ‘ele’ no futuro... Mas isto não me agradaria, talvez não de um todo. Jamais gostaria de imaginar o meu pequeno moreno tão frio como o senpai. Só que eu não podia julgá-lo, afinal quem sou eu, que nunca estive ao seu lado nos momentos difíceis, ou compartilhou esta dor, para ao menos tentar crucifica-lo.
Sentir o pequeno se remexer sobre mim e suspirei fechando os meus olhos. Estava cansado, e estava na hora de descansar a minha mente... Para talvez, ter um dia melhor...
*.*.*
Meus olhos pesaram mais uma vez naquela noite, meu corpo estava exausto do dia, e ainda mais das atividades “extras” que acabei por fazendo. Ouvi a respiração do meu lado, da garota que havia encontrado do bar.
Ela tinha cabelos castanhos e olhos verdes. E ao pensar em olhos, aquelas belas orbes verdes vieram à tona, junto com aquele jeito submisso. Aquilo me deixava extremamente excitado, apenas de ver aquele rostinho de tal forma.
Apenas não expulsei a mulher que dormia ao meu lado _sem nem tendo tomado um banho _por educação. Só que eu não dormiria ao seu lado, nunca fiz isso e não começaria agora durante todos estes anos.
Levantei-me ainda nu, andando pelo quarto de hospedes, peguei minhas roupas e a as dela e sair do quarto, andando em direção ao meu. Coloquei as roupas dentro de um cestinho para ir lavar depois, e então segui ao banheiro.
Assim que a água tocou o meu corpo, não pude não conter um longo suspiro de satisfação. Passei a mãos pelos meus cabelos que estavam grudados na testa. O vapor subia por cima do boxe, deixando o ambiente quente.
Encosteis-me a parede de vidro reforçado em negro fumê, enquanto a agua deslizava pelo meu abdômen. Meus olhos seguiram-se para o teto, e o meu peito tão pesado batia de forma lenta. E novamente olhos jades vieram a minha tona, trazendo-me sensações tão alucinantes sem nem ao menos um contato mais íntimo.
Jaeger parecia conter uma chave, que me prendia aquela noite nos vestiários do colégio. O gosto da pele dele ainda era tão vivo e intenso na minha pele, e o seu sabor... Por tudo que é mais sagrado, eram estes tipos de pensamentos que faziam-me sair no meio da noite atrás de qualquer uma que quisesse ser comida, mas nenhuma transa era tão ou quanto boa como aquela cujo meu corpo teimava em recorda-se.
Nem mesmo com minha ex-mulher. Talvez por ele tiver sido o único homem com quem tenha me deitado, não que eu tenha atração por qualquer outro. Não é como se eu não tivesse feito ele vim para o mesmo hospital que eu por apenas querer fuder o garoto, não mesmo _mas não que fosse má ideia.
Eu tinha uma divida com ele. Estava sufocado naquele dia com tudo, e ele me ajudou a esquecer das coisas, o noivado, o meu patriarca, a escola e toda aquela merda ao meu redor.
Peguei uma loção para meus cabelos, fazendo logo eles espumarem para retirar aqueles resquícios de suor. Novamente me ensaboei, e logo depois de ficar por mais alguns minutos debaixo do jato quente do chuveiro, sair pegando a toalha branca.
Enxuguei-me no banheiro mesmo, e logo voltei ao meu quarto, vestindo uma boxe negra e uma calça de moletom. Peguei as roupas sujas e fui para a lavanderia dar um jeito naquilo. Voltei para a sala, jogando-me no sofá branco enorme.
Olhei para o meu apartamento, ele era enorme. Com uma sala extremamente espaçosa com paredes em bege quase cinzento e uma estante negra com a parede de fundo branca atrás. Uma Tv plana enorme, um sofá em L cinza, uma mesinha de centro de madeira negra com algumas peças de vidro em formato de esferas negras.
Espalhadas pelo local havia pequenas mesinhas com algumas fotos, e uma que dividia a cozinha da sala com um telefone fixo. Haviam alguns quadros na parede, alguns discos de vinis antigo que eu colecionava, fotos que a Hanji fez questão de pendurar, e uma janela enorme de vidro com uma cortina cinzenta, com uma sacada com suportes de madeira negra para segurança.
A mesma janela estava aberta, fazendo a o vento frio de a noite bater nas cortinas que dançavam graciosamente. Suspirei olhando para o local tão solitário e vazio. Acho que o meu único arrependimento de todo o meu casamento, seria não ter tido nenhum filho.
Mesmo que eu sempre preferisse estar só, eu não deixava de ser um ser humano, que tinha vontade de ser saudado ao chegar em casa. Receber um abraço apertado de uma criança, ou um beijo de alguém que realmente se importasse comigo e eu com ela.
Meu casamento era apenas mais um dos negócios que fora importo a mim, não havia sentimentos meus envolvidos ali, e quando Petra achou que eu a traia por não voltar cedo para casa, ou preferir está fora da mesma, só vimos uma solução para um contrato sem amor: Divorcio.
Agora ela estava noiva de um antigo conhecido meu, e amigo dela, Auruo. Não havia ficado chocado nem nada do tipo, na verdade estava feliz por ela ter encontrado o amor. Assim ela realizaria seus sonhos de um casamento com amor, filhos e carinho.
Quanto a mim...
“... Você deveria sorrir.”
A voz daquele garotinho ecoava em minha mente repetida vezes naquele dia. Eu não continha a mínima vontade de fazer o mesmo, mas apenas de lembrar-me do moreno mais alto me pedindo para manter distancia. Um sorriso crescia dentro de mim, ou mesmo quando eu o vi atrás de Erwin, só apenas não o fiz por... Eu ser eu.
O sorriso dele para com o elogio de Erwin mostrava-se mais uma vez, e por Deus. Como eu sentir raiva com um misto de nostalgia ao vê-lo, mesmo não sendo para mim. Suas feições em minha direção eram de vazio _algo que me remoía por dentro.
__Realmente... Por que estou pensando neste merda que se intrometeu na minha vida?
~*~
O sol adentrava pela janela fechada, demorei alguns minutos para me acostumar com a claridade e então olhei para o despertador sobre o criado mudo, marcando 07h30min, engoli em seco sentando-me e olhei para o quarto, encontrando o mesmo vazio.
__Lian? _sai da cama indo até o banheiro, mas não havia ninguém. Engoli em seco e sai do quarto, correndo para a sala, deparando-me com o pequeno moreno todo fardado e sentado no sofá ao lado de Jean.
__Ohayo Papa _o menor falou abrindo um lindo sorriso. Olhei para suas vestes e para a bolsa com seus materiais que havia comprado ontem noite. Dei um longo suspiro e passei a mão nos cabelos castanhos.
__Seu filho acorda mais cedo que você... Que belo exemplo _Jean falou zombando e eu o encarei.
__Só não lhe dou uma boa resposta, por que tem criança na sala...
__Eu não sou criança! _o menor inflou suas bochechas levemente rosadas de raiva e eu sorri.
__Você se arrumou sozinho querido? _Falei me abaixando em sua frente e o mesmo me abraçou pelo pescoço dando um beijo na minha testa.
__Sim, o papa estava dormindo tão bem que não quis acordá-lo. Consegui colocar minha gravata direitinha! _ele falou para o laço azul que enfeitava seu pescoço, na camisa branca de botões com mangas curtas. Um short negro e sapatos sociais.
__Estou vendo _Falei passando a mão pelo seu cabelo, que se dividia um pouco mais a esquerda, fazendo um pouco de cabelo cair sobre seus olhos em uma pequena franja _Já tomou café?
__Sim, eu fiz o café Eren... _Armin surgiu trajando uma camisa cinza, com uma calça social e tênis _Você não deveria ir se arrumar?
Concordei e voltei para o quarto, seguindo direto para o banheiro. Às vezes sentia-me frustrado por Lian ser tão independente, desde sempre ele procurou a aprender a fazer as coisas só, eu deveria sentir-me orgulhoso, afinal muitos pais desejam que seus filhos sejam assim, mas não posso evitar quere-lo um pouquinho mais como o meu bebezinho.
A água meio fria desceu pelo meu corpo, acordando-me de vez. Sentia-me cansado, passei parte da noite em claro, e ainda havia tido um susto pela manhã. Mas ao ver aquele pequeno ser sorrindo vitorioso ao me mostrar sua gravatinha, não pude evitar em dar um sorriso bobo.
Terminei o meu banho mais rápido, afinal estou atrasado. Coloquei uma calça jeans azul, uma blusa negra e um moletom de mesma cor. Penteei meus cabelos rapidamente, e depois de terminar desci para a sala, onde Jean retrucava algo com Lian.
__Pelo menos eu não tenho cara de cavalo! _Lian falou inflando as bochechas.
__E pelo menos eu não sou um anão! _Jean falou mostrando a língua.
__Eu não sou anão! Estou apenas me desenvolvendo de forma mais demorada do que as outras crianças da minha idade! _Lian falou com o rostinho levemente vermelho e juntando as lindas sobrancelhas negras.
__Uma ótima forma de dizer que você é, mas baixo do que as outras crianças, e que vai crescer ainda mais lento do que elas...
__Posso ser até baixinho, mas pelo menos eu não sou um cara de cavalo que invade o quarto do tio Armin! _ o menor falou fazendo todos na sala se surpreenderem. Armin corou extremamente.
__Eu-Eu não fui fazer nada lá!
__Só roubar o perfume do tio Armin _o pequeno falou cruzando os bracinhos e virando o rosto _Só esperou o tio Armin sair do quarto...
__Horas seu anão! Fica espiando os outros! _Jean falou raivoso e Lian o encarou.
__Mas o titio que disse para eu esperar... O senhor tem problema de memória agora, é? Deve ter haver com a sua cara de cavalo...
Jean resmungou e então me encarou, e eu não evitei cair na gargalhada, chamando a atenção de todos. Armin suspirou começando a rir também, e Jean ficou resmungando algo ao lado de Lian que nos encarava sem entender.
__Esse é o meu garoto _eu falei pegando Lian no colo e o mesmo sorriu alegremente em minha direção _Vamos?
O pequeno desceu dos meus braços e foi pegar sua mochila, enquanto eu andava até a porta. Armin dava risadas de Jean, enquanto dizia para o mesmo parar de brigar com uma criança. Lian chegou próximo dos garotos e deu um beijo na testa de Jean que ficou encarando a criança.
__Tchau tio... Eu deixo o senhor usar o meu perfume também _o pequeno falou dando um lindo sorriso, que fez Jean corar e sorrir o mesmo afagando seus cabelos _Tchau tio Armin!
Lian veio até mim e eu sorri pegando sua mão e indo para o elevador. O pequeno realmente tinha um temperamento meio irritadiço, mas não passava de um garotinho fofo e meigo. E por deus, como eu queria morder sua bochecha quando ele fazia estas coisas!
Suspirei me abaixando até o menor, e colocando o seu casaco nele. O mesmo pegou suas amadas luvas dentro do bolso, colocando-as, juntamente com um gorrinho cinza. Peguei Lian no colo e logo estava me encaminhando em direção à estação.
O pequeno olhava tudo impressionado, com seus lindos olhos verdes brilhantes. E assim que o nosso trem chegou, ele sentou-se em uma cadeira em minha frente e ficava sorrindo para mim de forma alegre.
__Papa o senhor vai trabalhar hoje? _o pequeno me olhou com olhos expectantes, fazendo a sua linda covinha aparecer próxima aos lábios e eu sorri.
__Somente amanhã, mas o papai está trabalhando próximo a sua escola _eu falei me abaixando e arrumando alguns fios de cabelos que saiam da touca _Você está com frio?
__Não, mas o que o papa vai fazer hoje? _ pequeno me olhou inclinando a cabeça um pouquinho e eu sorri acariciando sua bochecha, enquanto segurava-me no banco, já que o trem balançava um pouco.
__Vou ver a nossa nova casa...
Logo nossa parada foi anunciada e assim descemos. Lian ia ao meu lado olhando admirado para as coisas cujo passávamos. O menor realmente estava encantado com a cidade, afinal tudo era bem diferente de como era na América.
Avistei ao longe o prédio onde Lian ficaria, e sentir um aperto no peito. Sempre sentia isso nos primeiros dias de aula do menor. Ele sempre foi uma criança surpreendente, nunca foi de causar-me tanto trabalho, além de ser muito experta e meiga.
E assim que adentramos ao local, o mesmo saiu correndo e indo em direção a sua professora. Meu peito estava apertado, enquanto eu olhava o pequeno moreno correr de costas. Suspirei passando a mão nos meus cabelos e quando iria me virar, sentir um aperto nas minhas pernas e vi os orbes verdes e um lindo sorriso branco e em minha direção. As bochechas levemente coradas.
__Ashiteru papa! _o mesmo me soltou e voltou a correr, me deixando ali, parado no meio da entrada com o rosto corado.
“... Você sem duvidas é a melhor coisa que já me aconteceu”.
~*~
O dia encaminhou-se lentamente. Assim que o papa havia me deixado no colégio, fui levado por uma mulher de cabelos loiros para uma sala, onde várias crianças me olharam fascinadas. Muitas vieram falar comigo, mas eu não gostava muito de multidão e acabava por dar respostas rápidas.
Na hora do lanche, algumas meninas me puxaram para sentar-me com elas, e eu fui. Elas ficavam me fazendo perguntas e eu dava respostas mínimas. Uma linda mulher de cabelos loiros curtos e olhos azuis brilhantes, junto com uma morena entraram no refeitório nos saudando.
Ela parecia um anjo. A mesma veio até mim, dando-me as boas vindas e falando que eu era a coisa mais “Kawaii” que ela já viu na vida. Colocou-me no colo, e ficou brincando com o meu cabelo, até eu ter que ir para a sala novamente.
Desta vez sentei-me um pouco mais afastado deles, para escutar a hora da historinha. O lugar era bem legal, mas as crianças pareciam-me irritantes de mais, além de que elas estavam completamente sujas e eu sentia nojo.
__Oi? _ouvi uma voz feminina e vi uma garotinha de cabelos loiros e olhos chocolates falar abaixada em minha frente, com um lindo sorriso na face _Eu sou Nina, e você?
__Lian Jaeger
__Seu nome é bem bonito _ela falou abrindo ainda mais um sorriso e eu sorri para ela _Você quer brincar comigo?
Concordei, e logo eu estava ao lado da loira brincando com blocos de montar, onde fizemos um enorme castelo. Ela brincava com uma boneca estranha que dizia ser um... Titã? Quanto a mim, brincava com um soldado que havia ganhado do tio Jean, já que ele não quis me dar uma vassoura no outro dia.
A garotinha estava sempre sorrindo, e às vezes parava para me falar um relato sobre alguma coisa relacionada à ciência. Pelo que parece a mãe dela é uma médica, assim como o pai, cujo ela falava abrindo largos sorrisos.
Contei a ela que o meu papa iria trabalhar em um hospital também, e que o meu Tou-san estava trabalhando para o papai Noel. Na verdade, todas as noites de natal, eu sempre escrevia cartinhas para o meu Tou-san, mas ele nunca me respondia.
Só que eu sei que é por que ele é bem ocupado levando alegria para as crianças, por isso não me importo. Eu o amo muito, assim como o meu papa que era o melhor pai do mundo. Ele sempre sorria para mim, e me dava abraços apertados.
Mesmo que para mim fosse meio difícil ficar longe dele quando estava na escola, eu sabia que tinha que me acostumar por ele não ter que se preocupar comigo em seu trabalho, mas na verdade eu preferia está em casa brincando com ele.
Às vezes ele olhava triste para as coisas, mas eu sabia que era por que ele sentia falta do meu Tou-san. Foi o que a tia Annie, namorada da tia Mikasa me falou uma vez. Ela era uma loira seria, mas que eu amava muito, sempre brincava comigo.
Não entendi muito bem o motivo por termos nos mudado, mas eu sentiria falta das minhas tias. Só que aqui estava a minha vovó, que sempre me dava um monte de doces e comidas gostosas, meus tios estranhos e minhas novas tias do colégio.
__Neh Lian-kun... _ouvi a loirinha me chamar e eu a encarei, a mesma sorriu para mim _Agora você é meu amigo, e eu vou ficar com você, ok? Não tenha meda... _ela se aproximou sussurrando no meu ouvido _Eu te protejo da tia Ymir, ela parece chata, mas é só algumas vezes...
Concordei dando um sorriso para ela. Logo a aula estava acabando e eu estava me arrumando para esperar o meu papa. Nina estava pronta me esperando sentada em uma cadeira, enquanto balançava as pernas.
__Meu tio vem me buscar hoje... _ela comentou sorrindo _Ele se parece com você, mas é um ‘kawaii’, assim como você...
__Tsc...
Ela pegou na minha mão, e ficamos sentados em um banquinho do lado de fora, com uma tia que ficava de olho. Nina me falava sobre um monte de coisas que gostava, e percebia que tínhamos até alguns gostos em comum.
__Nina... _uma voz grossa falou e eu olhei para o homem baixinho e de cabelos negros. Ele me olhou meio surpreso e olhou para a loira.
__Tio! _Nina se jogou nos pés dele que olhou para a mesma que sorriu para mim _Lian, esse é o meu titio, e tio esse é o...
__Anãozinho _ele falou me encarando e eu bufei.
__Tsc... Já conheço um dos setes anões, como vai senhor zangado? _falei me pondo de pé e o mesmo cerrou os olhos.
__Sendo um anão conhece todos, não é?
__Pelo menos eu sou simpático, zangado-san... _Falei cruzando os braços e fazendo um biquinho.
__Oh! Pode se ver... Assim como o Feliz...
__Está vendo! O senhor conhece os sete anões por que convive com eles... Cuidado com a bruxa má... _falei sorrindo e o mesmo ergueu uma sobrancelha.
__Eu como ela no café da manhã... _ele falou dando um sorriso de canto e eu sorri para ele.
__O senhor deveria aprender rir... Parece que está morrendo... _foi quando avistei entrando pelo portão o meu papa, que respirava ofegante _PAPA!!
Gritei para o mesmo que sorriu, mas logo ele olhou para mim e seu sorriso desapareceu.
~*~
O dia havia passado com uma rapidez para mim, que mal consegui chegar a tempo na hora de pegar Lian. Corri o máximo que pude, e mesmo assim estava para morrer sem ar, mas a única coisa que não jamais imaginei ao chegar lá era ver aquele homem próximo ao meu filho.
Senti o pânico tomar controle de cada parte do meu corpo, e um frio na colunar subir. Olhei para Lian que sorria abertamente pera o mais velho que deixou seus olhos recaírem sobre mim.
O pequeno veio correndo até mim, abraçando minhas pernas e com ele uma linda garotinha loira me encarou dando um belo sorriso.
__Papa essa é a Nina, minha colega de sala... _o pequeno falou e a loira sorriu fazendo uma reverencia. Logo Rivaille veio a passos curtos em nossa direção, com seus olhos cravados nos meus _E esse é o zangado-san, tio da Nina...
Meu sangue pareceu esquentar na veia ao ver os olhos azuis cinzentos caírem sobre Lian. Meus punhos se cerraram e eu trinquei meus dentes, encarando aquele homem. Abaixei-me e acariciei a cabeça do pequeno.
__Lian, você pode ir chamar a sua tia Christa para mim? Papa vai ficar aqui...
__Mas eu não sei onde.
__Eu levo você _a loirinha falou sorrindo e pegando na mão do meu pequeno e olhou para o homem _Eu já volto...
O mesmo concordou e vimos às crianças correndo em direção ao prédio do colégio. Tudo ao meu redor parecia girar, e um medo devastador crescia de forma aguda por dentro de mim. Ouvi o suspiro do homem, mas continuei a encarar a ida das crianças.
__Então você é pai... _ele falou e eu sorri amargamente o encarando seriamente. Virei-me com uma rapidez incrível e puxei o mesmo pelo casaco negro que usava, os olhos azuis que tanto amei no passado me olhavam sérios.
__Cale a boca, você não tem a mínima descencia para fala alguma coisa com o meu filho. Não se aproxime dele, ou eu não me responsabilizo por meus atos. Você pode brincar comigo, achando que sou o tolo estúpido de anos atrás, mas eu só te digo... Não ouse tocar suas mãos nojentas no meu filho! Não ouse abrir sua boca mentirosa para ele... Ou eu tenho coragem suficiente para mata-lo... _o mesmo me olhou sério e então abriu um longo sorriso cínico.
__Então a garotinha tem pulsos firmes? Acha mesmo que uma ameaça dessas me assusta? Cresça e apareça seu pedaço de merda...
__Não me importo nem um pouco com o que você acha, só estou lhe dando um aviso... Não se aproxime de nós! _eu o soltei e comecei a andar em direção ao prédio.
Precisava sair de perto daquele homem, com olhos tão misteriosos. Mesmo sentindo a raiva e o misto de medo que se apoderava de mim, sentia o formigamento nas palmas das minhas mãos que havia tocado nele.
“Eu não vou deixar você nos magoar de novo...”.
~*~
Meus olhos caíram sobre o garoto que saia a passos rápidos e raivosos atrás das crianças. Sentia uma raiva enorme da audácia daquele pirralho por ter me dito aquelas palavras, mas aqueles olhos... Não eram dóceis como anos atrás, e muito menos submissos como ontem.
Era raivoso de uma forma que jamais vi, e sentia-me excitar apenas de ver aquele garoto tão determinado. Meu corpo formigava em vontade de pegá-lo e possuí-lo, fazê-lo ver que apenas eu poderia ter o poder...
Ele não era nem o mínimo do que lembrava... Era muito mais interessante.
I'm not the same as yesterday
Ooh...It's hard to explain
How things have changed
But I'm not the same as before
And I know there's so much more ahead
I can barely believe that I'm here
And I won't surrender quietly
Step up and watch me go
Eu não sou o mesmo de ontem
Uh... É difícil explicar
Como as coisas mudaram
Mas eu não sou o mesmo de antes
E eu sei que tem muita coisa pela frente
Eu mal posso acreditar que estou aqui
E eu não vou me entregar em silêncio
Dê um passo e me veja
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