Fiction
33 Personagens e abandonos
Notas iniciais
Okay, mesmo que no início eu me apresentasse bastante contra as investidas de Marco para sair, encontrava-me de certa forma ansioso pelos planos no moreno que dirigia pelas ruas de Trost com um sorriso ladino e óculos escuros. Eu tinha a plena certeza que não iríamos tomar um café ou até mesmo somente isto, afinal o advogado fora redundante ao pedir que eu me arrumasse.
Encarei a rua pelo vidro aberto do carro sentindo a brisa fresca bagunçar meu cabelo. Mirava uma vez ou outra o telefone em um pedido mudo de que Levi me enviasse algo, mas sabia que isso não iria acontecer tão cedo. Não, eu não estava querendo transparecer que as palavras de Marco não me tocaram de certa forma, mas acima de tudo eu era pai e nada jamais mudaria. Claro que eu entendia, pois desde que descobri estar grávido do meu pequenino anjo toda a minha vida passou a ser integralmente sobre ele. Meus sonhos, meus pensamentos, meu motivo de levantar todas as manhãs. Tudo.
Sim, às vezes eu saia, mas eram casos tão raros que eu podia contar no dedo já que a maioria acabou com uma boa noite de sexo e comigo saindo de um quarto de motel no meio da madrugada. Suspirei de forma audível encarando o lado de fora e ouvi a risada nasalada de Marco que chegava aos meus ouvidos de forma rouca e divertida.
—Já está arrependido?
—Sinceridade?
—Não... _ele me encarou por cima dos óculos escuros e eu sorri revirando os olhos _Nós já estamos chegando.
—É uma cafeteria bem longe _comentei voltando a prestar atenção na rua e Marco deu mais uma de suas risadinhas cativantes.
—É um café bem especial.
Concordei sem saber se o mesmo ainda me fitava. Olhei o carro impecavelmente arrumado e que cheirava ao moreno ao meu lado e neguei com a cabeça voltando a aproveitar a brisa fresca que o automóvel me proporcionava. Depois um curto trajeto o mesmo dobrou e eu percebi uma movimentação diferente próxima a um parque ecológico bem famoso da cidade, o carro perdeu velocidade e logo o moreno estacionava em uma vaga e olhava para mim com um sorriso doce nos lábios fartos e levemente vermelhos.
—Sua cafeteria especial é aqui?
—De certa forma é uma delas _ele falou de forma enigmática e saiu do carro e bufando eu o segui. Aquela tarde não estava tão fria o que era ótimo para aquela primavera congelante de Trost. Marco deu a volta atravessamos a rua caminhando em direção à entrada do lugar.
Armin já tinha me convidado alguns pares de vezes para vim aqui e trazer Lian, mas infelizmente eu sofria de um grave caso de preguiça regada a esquecimento de memória. Assim que passamos pelos enormes portões de ferro em bronze com folhas desenhadas do metal o cheiro de grama fresca invadiu as minhas narinas e eu sorri de forma suave. O lugar estava cheio de pessoas até onde eu podia enxergar, mas tinha quase certeza que próximo ao lago onde havia um pequeno píer provavelmente estaria ainda mais. Até mesmo nos parques montados para as crianças se divertirem _Armin me contara que o Parque era enorme e depois do píer uma tinha uma estrada de ferro por onde o metrô passava.
Os postes do mesmo material do portão estavam enfeitados com pequenas bandeiras coloridas. Marco andava mais a minha frente e eu o segui até alcançarmos a entrada para as quadras de esporte onde alguns jovens se aventuravam atrás de bolas.
—Espero que você não tenha me forçado a vim aqui jogar basquete _comentei divertido e o moreno olhou para mim sorrindo.
—Vamos para próximo do píer. Nossa cafeteria começa lá.
Estranhei as falas do outro e dando um suspiro prossegui caminhando com o mesmo. Passamos por uma espécie de auditório em que algumas pessoas andavam de patins; uma pista de skate cheia de adolescentes e o parquinho para as crianças que corriam em meio ao areal e riam divertidas _local que anotei mentalmente para trazer Lian. E depois andarmos um bom espaço de terreno do local avistei o lago brilhando enfrente a um espaço verde gramado cheio de barracas e stands. Assim que nos aproximamos o bastante ouvi uma batida eletrônica doce e divertida ecoando de forma suave pelo local. Havia várias repartições em barracas fechadas e abertas e as pessoas andavam rindo e encantadas pelo lugar. Olhei surpreso em volta e notei um palco improvisado do lado direito das barracas e do píer por onde a música soava.
—Certo. O que está acontecendo aqui? _olhei para Marco que passou a mão no cabelo e sorriu para mim.
—É meio que um festival?
—Festival? _perguntei confuso olhando ao redor percebendo os cartazes coloridos e até mesmo nos postes de luz _Que festival exatamente?
—Jean realmente não falou sobre isso com vocês? _Marco me olhou curioso e eu neguei mesmo sabendo que ele provavelmente falará e eu não tinha prestado atenção. Mas não é como se fosse de proposito, Jean falava muita merda então às vezes eu apenas me desligava e não ouvia o que ele falava—É o primeiro festival de honras da universidade dele. Os alunos junto com o concelho iriam fazer uma mostra à população dos cursos de artes hoje.
—Mostra?
—Sim. Está vendo as barracas? Todas elas estão com algum tipo de arte diferente. Esse festival é para incentivar a cultura local de Trost e prestigiar o departamento de artístico da universidade. Todo o dinheiro arrecadado com o lugar será usado exclusivamente nos cursos do departamento. Pelo que fiquei sabendo haverá concursos de dança e música e até mesmo um desfile de moda.
—Uou. Sério? _sorri encarando o outro que concordou.
—Então Eren preparado para tomar um café de realidade? _Marco me olhou e eu sorri assentindo com o mesmo que segurou em meu pulso direito e nos levou para o meio da multidão.
Visitamos as barracas onde artistas pintavam de forma viva e até mesmo caricaturas das pessoas das formas mais simples até as mais impressionantes, depois nos esprememos por onde o que eu julgava ser o departamento de teatro que produzia uma peça rápida brincando com as pessoas. Era incrível. Os poemas, as cantorias, as danças e tudo o mais. Marco me explicava uma coisa ou outra ou então riamos e nos mentíamos no meio de explicações pela metade das apresentações nos stands e depois discutíamos as lacunas imaginando o resto.
Mal notei o tempo voando e logo a tarde caia e os tons escuros das primeiras horas da noite apareciam colorindo o céu que incentivou as luzes coloridas que atravessavam o festival a se ligarem. As pessoas começaram a se aglomerar próximo do palco e antes mesmo que eu pudesse perguntar qualquer coisa ao meu acompanhante Marco me puxara para o meio delas, esbarrando e empurrando as mesmas até estarmos próximo de onde os modelos desfilariam _e era um espaço enorme fora do palco. Eu nunca tinha ido a um desfile, mas aquela passarela parecia grande demais.
—Eren tem algum problema em sujar essa sua roupa? _Marco perguntou próximo do meu ouvido e eu dei uma risada confusa o encarado.
—Não, por quê?
—O desfile irá dar o início ao show eletrônico.
—Nossa! _olhei ao redor e vendo uma esquipe de televisão se instalando enfrente ao palco _É realmente um evento bem grande.
—Sim. Você tem hora para voltar? _ele perguntou divertido e eu revirei os olhos o empurrando com os ombros.
—Não irei passar a noite metido no meio de adolescentes bêbados Marco _o mesmo deu uma gargalhada.
—Certo, certo _ele falou rindo.
Ficamos ali em meio a uma conversa despojada e alegre até que as luzes do local se apagaram e o desfile se iniciara e me pegando de surpresa de todas as formas possíveis dançarinos se postaram nas bordas da passarela pintados de inúmeras cores e logo uma batida alegre e viva iniciava e fazia os mesmos dançarem chamando a atenção do público com os movimentos leves e imponentes. O grupo dançava de forma bela e logo uma espécie de peça teatral muda se iniciou em meio ao baile. Sorri surpreso com os jogos de luzes e os movimentos bem cronometrados dos dançarinos e atores.
As luzes voltaram a baixar e os dançarinos fizeram últimos movimentos e logo vários universitários passaram a gritar quando a primeira modelo apareceu no início da plataforma caminhando de forma impecável e divina. Marco assoviou do meu lado e eu ri do mesmo que me puxava para perto de si para evitar a as pessoas ao nosso redor. O desfile foi se passando e tocando músicas animadas e logo o show eletrônico se iniciou e para me deixar ainda mais surpreendido um tiro de tira foi jogado para cima de toda a multidão.
Era um show de cores. Marco pegou em minha mão e sorrindo de lado me convidou para dançar ao qual eu aceitei de bom grado. Pulamos e gritamos no ritmo de músicas que eu nem conhecia enquanto nos melecavam com tintas secas e molhadas e nos tornávamos uma aquarela viva cheia de juventude e alegria. Era tão bom aquele momento ali: pulando e me deixando levar como um jovem da idade que eu possuía e entendi com bases e diretrizes o que Marco me explicava em casa. No final eu era como aqueles caras e aqueles caras eram como eu.
Dançamos grudado um no outro rindo e não podia me negar que mesmo coberto de tintar aquele maldito advogado não deixava de ser um homem lindo e envolvente demais e com um sorriso em meio à multidão e cobertos de tinta eu o puxei para um beijo.
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Esfreguei os meus olhos e bocejei sentindo uma pontada em minhas costas com a posição nada boa em que me encontrava em meio às crianças que agora dormiam enfrente a televisão. Nina dormia em meu sofá, embolada em meio aos meus cobertores e Lian estava com a cabeça em meu colo ressonando de forma calma. Os créditos finais do filme infantil rodavam e eu poderia imaginar a risada de Hanji ao ouvir que eu assistira do inicio ao o mesmo.
Estralei meu pescoço e encarei o pequeno moreno que dormia e sorri acariciando seus fios negros. Com algum esforço coloquei a cabeça do pequenino sobre uma almofada sobre as cobertas ao qual eu cobri o chão para o mesmo se deitar. Peguei a louça que eles sujaram e levei a cozinha botando tudo na lava louças e indo guardar os brinquedos que os dois deixaram jogados pelo local. A noite já caia e eu realmente não fazia ideia de que horas Eren viria buscar o pequenino, mas sabia que seria logo. Limpei o balcão da cozinha e após limpar tudo umas duas vezes escutei o som de passinhos incertos e me virei encarando a minha pequena miniatura agarrado a uma pelúcia e coçando os olhos com um biquinho emburrado nos lábios.
—O que aconteceu Lian? _perguntei para o mesmo que ergueu os braços e eu sorri de maneira terna o pegando em meu colo enquanto ele escondia seu rosto na curva do meu ombro direito.
—Pesadelo.
—Está com medo? _perguntei baixinho acariciando suas costas e cheirando o seu pescoço sorrindo como um bobo _Quer me contar sobre o pesadelo?
O menor negou e se agarrou em minha blusa. Eu sorri e caminhei com o mesmo em direção à sala onde a loirinha ainda dormia e desliguei a televisão que estava parada no início do filme pedindo para dar play.
—Tô com medo ainda... _ouvi o murmúrio do menor e parei no meio da sala olhando para as costas de Lian que continuava com o rosto escondido.
—Sabe às vezes eu tenho pesadelos também _comentei sorrindo e caminhando com o mesmo para um dos cômodos próximo da sala para mostrar algo ao pequenino _É difícil voltar a dormir depois, não é? _Lian concordou e eu abri à porta avistando o meu velho amigo das horas de solidão próximo a janela e caminhei com o pequenino no colo me sentando com o mesmo _Lian você pode virar rapidinho?
O moreninho grunhiu e concordou tirando o seu rosto da curva do meu ombro e encarou o instrumento surpreso e curioso. O menor me olhou por algum tempo e eu sorri o sentando no banco enfrente ao instrumento onde eu me pus ao seu lado.
—O que é isso?
—Piano _falei olhando para o mesmo que abraçava a pelúcia e olhava o instrumento curioso _Quando eu não consigo voltar dormir eu venho aqui e toco no mesmo.
—E como faz pra ele funcionar? _o menor coçou os olhos e eu sorri acariciando seu cabelo.
—Quer que eu toque para você? _o mesmo concordou e eu me voltei para as teclas em minha frente. Inspirei de maneira funda e de forma delicada iniciei o dedilhado sobre o mesmo. Sabia que não precisava tocar as notas mais complexas de alguma música clássica para o mesmo, pois seus olhos brilhavam surpresos e alegres com apenas o dedilhado e algumas notas ao acaso que eu produzia em sinfonia.
Toquei por mais algum tempo e então parei me virando para o menor que possuía um enorme sorriso em seus lábios e as perninhas cruzadas.
—Você gostou? _perguntei e o mesmo concordou _Quando você for maior eu te ensino a tocar.
—Sério?! _os olhos verdes me olharam surpresos e eu concordei acariciando sua cabeça _Obrigado zangado-san.
—Quer ouvir mais? _novamente concordou e eu peguei o mesmo o colocando em meu colo e com um pedido para que ele apertasse uma tecla sempre que eu repetisse a junção de algumas notas, voltei a tocar com a “ajuda” de Lian que sorria extremamente feliz em apenas apertar aquela tecla, mal sabendo ele que seus sorrisos aqueciam o meu peito de uma forma doce e boba.
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Encostei meu corpo por sobre o batente do píer e inspirei profundamente aquele cheiro bom de liberdade. Marco estava ao meu lado segurando duas garrafinhas de água já vazias, completamente sujo de tinta enquanto olhávamos o lago parado e as pessoas pulando.
—Bom acho que pode ser enquadrado como força do momento _eu falei empurrando o moreno que deu uma gargalhada.
—Ótimo momento pelo visto _ele falou me encarando e eu revirei os olhos rindo _Como está se sentindo?
—O psicólogo sou eu _comentei rindo e fazendo o mesmo me acompanhar.
A verdade é que mesmo depois do beijo inesperado ao qual eu dera no advogado _que correspondera de bom grado _ nós ficamos por mais algum tempo rindo e pulando em meio à multidão e depois fomos tomar um ar apreciando brisa do píer.
—Isso poderia me render um processo de assédio? _perguntei fazendo um biquinho e Marco me empurrou de leve rindo.
—Se eu não consentisse, com toda certeza.
—E você consentiu? _perguntei o olhando com um sorriso de lado e o moreno me encarou com os olhos franzidos e lambeu os lábios de forma rápida.
—Eu beijei de volta, não?
—Se eu perguntasse como foi você acharia estranho? _perguntei em meio a um devaneio fazendo o outro ri novamente _Você ri muito Marco.
—Eu não posso estar feliz? Alegre?
—Com apenas um selinho? Você é um homem bem simples, não?
—Não são as coisas simples que são as melhores_ Ele me olhou com intensidade e acariciou meu rosto ao qual eu sorri para o mesmo negando.
—Eu sou tudo menos simples Marco.
—E eu sou tudo menos um homem simples Eren.
—Então no final somos homens complexados?
—No final somos seres humanos com seus segredos e problemas misteriosos demais _ele comentou olhando em direção à multidão que pulava ao som da batida eletrônica.
—Sabe às vezes você se faz parecer ser uma daqueles personagens de filme que faz o personagem ver o mundo de outra forma _comentei também me virando _Não que os seus monólogos sejam irritantes ou pouco interessantes, mas acho realmente engraçado.
—Sério? E o que acontecem com estes personagens?
—São deixados de lado, pois o principal percebe que ou ama muito a si mesmo e se sente livre, ou notam que sempre foram apaixonados por outras pessoas e correm atrás delas.
—E você vai me abandonar?
—Eu não vou amar você Marco _Falei sério e o mesmo encarou sorrindo de maneira suave _Eu entendi suas indiretas desde o começo. Desde que você adentrou naquele bistrô senhor advogado, mas eu não sou um personagem principal estúpido de uma comédia romântica. Talvez drama¹... _comentei fazendo o mesmo rir _Mas eu posso te dizer com todas as letras que não passarei a te amar ou mesmo amar outra pessoa.
—Não é uma forma meio amarga de pensar?
—Sinceramente? Não _eu o encarei _Eu já vi crimes cometidos por “amor” e já até sofri muito por uma grande paixão não correspondida, mas acho que dificilmente posso dizer que amei outra pessoa a não serem meus amigos ou a minha família.
—E por isso você não...
—Não entenda mal, não estou falando que não acredito em amor Marco. Eu amo meu filho. Amo Jean e Armin. Amo meus pais e minha irmã e sou amado por eles, mas posso dizer com certeza que não amarei outra pessoa a este ponto jamais. Não com interesse físico no meio... Estranhamente no final eu não creio neste tipo de amor carnal. Pessoas se gostam, dizem que se amam, mas no final é apenas paixão exacerbada, mas amor é outra história.
—Sinto como se tivesse levando um fora _Marco comentou e eu gargalhei o empurrado.
—Eu estou dizendo que não poderei amá-lo Marco, mas quem sabe eu não me apaixono por você e termino tudo depois de três meses?
—Três meses?
—Tempo que a paixão dura. Por favor, não tenho planos de enamorar você.
—Por quê? _ele me olhou fazendo um biquinho.
—Porque eu só quis namorar um homem em toda a minha vida _comentei sorrindo de forma estúpida ao me lembrar de Levi _E hoje só amarei um único homem pelo resto da minha vida, meu filho. Não me meterei em relacionamentos que no final exigirão coisas de mim que jamais vou dar.
—E se eu não exigir nada de você?
—Você vai _comentei o olhando com um sorriso _Você quer amar e quer se amado, mas eu não posso fazer isso por você. Posso te dar algumas noites e beijos em encontros bobos de casais. Posso pegar em sua mão e até te prometer a lua, mas no final jamais irei te amar e isso irá machucar você.
—Mesmo você falando isso eu não quero desistir de você _ele comentou se aproximando e acariciando o meu rosto.
—Lógico. Somos seres humanos e quando notamos a palavra desafio temos a tendência a cometer burrices para provar que conseguimos ganhar. Eu sou o seu atual desafio e você quer jogar com o meu coração mesmo sem chances de ganhar.
—E se eu ganhar? _ele perguntou e eu ri imaginando as frases bem feitas que passassem por sua cabeça do tipo: Nunca diga nunca e neguei _E se mesmo se eu for perder eu quiser jogar?
—Fique a vontade Marco, mas esse é um jogo de uma vez só.
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Tinha arrumado Lian que comia um cereal de maneira calma no balcão da cozinha enquanto eu iniciava o preparo do jantar. Eren havia ligado a pouco avisando que estava vindo busca-lo e eu tinha me posto a arrumá-lo enquanto iniciava os preparos para o jantar entre eu e a loirinha que ainda ressonava em meio aos cobertores, mas agora em seu quarto. Hanji ligara a pouco falando que possivelmente aparecia por aqui e eu sabia que ela só queria fugir de algum encontro com o marido em sua própria casa.
—Então trolls não vivem nos boieiros de rua? _Lian perguntou e eu ri enquanto cortava algumas verduras e encarei _Sério?
—Sim, mas tem insetos e roedores “malvados” que podem te machucar ou deixar você dodói _falei e o mesmo concordou voltando a levar a colher aos lábios.
Fazia algum tempo que o moreninho estava me perguntando sobre algumas coisas. E eu respondia da melhor maneira que podia e às vezes ria das coisas tão fantasiosas que o mesmo dizia. “Então o sol não é amarelo porque reflete o ouro dos duendes?”
—Meu tio Jean vai ficar triste de saber disso _o pequeno Jaeger comentou triste negando com a cabeça e eu ri _Não vou contar para ele não ficar triste, mas obrigado zangado-san.
—De nada Lian.
—Meu papai vai demorar? _encarei os olhos jades que miravam de forma fixa e divertida o cereal.
—Não. Logo ele vai chegar e você vai poder ir para a sua casa.
Dei um suspiro um pouco desanimado, mas logo abanei a cabeça de leve sabendo que aquele era apenas um dos primeiros de muitos encontros que teria com o menino. Estava empolgado e até me sentia como uma pessoa totalmente diferente do que eu geralmente era, mas não estava realmente descontente com o andar das coisas. Ouvi o som da campainha e depois de pedi para Lian ficar quietinho caminhei até onde o interfone tocava e o pressionei.
“Sim?”
“Sou eu Levi” Ouvi a voz de Eren e sorri para o mesmo.
“Certo vou abrir o portão. A porta está aberta”.
Abri o mesmo e depois do carro do mesmo entrar fui até a cozinha e peguei Lian em meu colo o sentando por sobre o balcão e limpando a sua boca suja de leite. Ouvi a porta bater e logo Eren atravessa a minha porta usando uma bermuda bege e uma camisa de botões azul marinho e os cabelos molhados jogados para trás.
—Boa noite _Jaeger comentou e Lian se virou para o mesmo abrindo um sorriso largo.
—Papa!
—Meu deus Lian o que fizeram com o seu rosto? _Eren comentou se pondo ao meu lado e tirando uma migalha de cereal da resta do mesmo _Você ao menos acertou algo na boca meu amor?
—Pode ter certeza que acetou _eu comentei entregando o pano de pratos na mão do Jaeger mais velho e fui até onde cozinhava _Tem um banheiro no corredor se você quiser ir lavar o rosto dele.
—Tem algum problema fazer isso na cozinha? _Eren perguntou pegando o moreninho nos braços e eu o encarei negando _Vou fingir que você não está com TOC, rezando para que eu ir ao banheiro limpá-lo.
Eren saiu com Lian pelo corredor e eu dei uma risada nasalada ouvindo o moreno mais novo explicar para o pai onde o banheiro era. Coloquei tudo o que precisava no fogo o deixando no mais baixo para não ter risco de queimar e logo dos dois Jaeger's voltavam para o meu campo de visão. Eren colocou o mais novo no chão que correu até a sala e se aproximou de mim fazendo o cheiro de sândalo chegar até mim.
—Espero que ele não tenha dado trabalho _o mais novo comentou e eu ri negando.
—Ele é muito mais tranquilo do que a Nina.
—Ele não passou mal, não é?
—Não eles brincaram bastante. Lancharam e até dormiram vendo um filme, mas Lian acabou tendo um pesadelo e desde então está me fazendo companhia_ Eren me olhou surpreso e antes que pudesse falar algo Lian abraçou suas pernas pedindo colo, o que foi concedido.
—Acho melhor se despedir meu amor _Eren comentou beijando o rosto, agora, limpo do menor que sorriu para mim.
—Tchau zangado-san e obrigado por me deixar ficar com o senhor e a Nina.
—Está tudo bem _Me aproximei do mesmo acariciando seu cabelo e a criança encostou sua bochecha em minha mão me fazendo sorri. Olhei para Eren que me encarava e engoli em seco pela aproximação e o mesmo sorriu concordando com a cabeça.
Caminhei com os dois até o carro e após Eren colocar o menor na cadeira e guardar os brinquedos e objetos da criança eles partiram. Senti um aperto no peito e com um suspiro triste voltei para a minha cozinha que recendia a sândalo. Foi após de a comida ficar pronta e Hanji ligar avisando que estava vindo que o meu celular vibrou sobre o balcão me chamando a atenção.
“Lian não para de falar de como você é incrível. Sinceramente estou com ciúmes, mas parabéns pelo primeiro passo Zangado-san”.
20 horas e 30 minutos
P/P/P
Dei um sorriso para o celular e ouvi a buzina do carro de Hanji e fui abrir o portão.
“Você fez do nosso filho a criança mais doce que existe neste mundo. Sinceramente? Obrigado por tê-lo tido Eren Jaeger. E obrigado por me deixar chegar perto.”
“Boa noite pirralhos”
10 horas e 33 minutos
Dr. Rivaille mal educado desgraçado
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