Fiction

34 Lanterna dos afogados


Notas iniciais
Por favor leiam as notas finais Galera eu realmente fiquei em dúvida em fazer um especial sobre o dia dos pais, pois ano passado muitos de vocês ficaram chateados e tristes porque haviam perdido os pais ou como o meu ele não presta. Eu sei como é Okay e por isso neste especial eu não usei o Levi e sim o Eren, pois o nosso querido Jaeger aqui faz o papel da maioria das grandes mães do mundo: ele é PAI E MÃE do Lian. E achei que eu deveria falar dele e não fazer um cliché do Lian sobre o Levi, certo? Faz um bom tempo uma de vocês meus amores me pediu alguns especiais de como foi a vida do Eren durante o crescimento do Lian e acho que esse especial é algo como pedido. Espero que gostem, eu já tinha o escrito a um bom tempo e dedico esse especial a todas as mães que são pais e que nos dão força. E as avós/ tias/ tios/ avôs que lhe amam e fazem esses papeis por vocês, certo? Aproveitem o especial e amo oces ♥

Na maior parte das vezes, aquilo que você mais quer é aquela coisa que você não pode ter. O desejo nos parte o coração, nos esgota. O desejo pode ferrar com tua vida. E por mais duro que seja querer muito uma coisa, as pessoas que sofrem mais são aquelas que sequer sabem o que querem.”

Grey's Anatomy

Abri os meus olhos lentamente sentindo o meu corpo reclamar pela falta de descanso. Remexi-me por entre os cobertores e estremeci ao tira-los de cima de mim, sendo banhado com o ar frio que circula o quarto. Podia ouvir a chuva caindo pela janela em mais um dia comum de Londres. Fitei o chão e com um pouco de esforço me pus de pé, ignorando o arrepio que subiu pela minha espinha, e caminhei em direção ao corredor escuro do apartamento. O mesmo era banhado por um azul cinzento e às vezes as luzes dos postes eram refletidas no chão.

Ainda sentia o meu corpo ligeiramente fraco, mas assim como Pixis me avisara a minha recuperação seria longa, mas não seria impossível. Bocejei me arrastando até o quarto do lado e abrindo a porta branca dando de cara com o quarto azul cheio de brinquedos e um berço posto no meio do mesmo e sorri de forma gentil vendo certa pessoinha chutando o ar e resmungando em uma língua que eu jamais entenderia, mas nem por isso amava menos. Aproximei-me e enormes olhos de um castanho bastante claro, a mostra viva de que o pequeno estava puxando a cor dos meus olhos, fitaram-me de maneira curiosa.

—Você podia deixar o papai dormir mais uns dois pares de hora, não é meu amor? _Comentei o pegando no colo e como se soubesse a criaturinha deu uma risadinha fofa e apertou suas diminutas mãos em minha camisa de malha fria.

Andei com Lian em meu colo até a sala do pequeno apartamento que dividia com Mikasa, que provavelmente ainda ressonava, e me sentei em uma poltrona pegando a manta azul com desenhos de dinossauro que estava por ali e cobrindo o pequenino bebê para evitar friagem no mesmo. Aquele verão londrino era realmente estranho, mesmo que o sol saísse por boa parte do dia, as chuvas sempre seriam tão frias como as do inverno.

Mikasa sempre falava que era pelo meu costume as estações de Trost e que logo eu me acostumaria e claro que eu sabia disso, mas não podia evitar sentir uma pontada de medo de um dia realmente me acostumar a isto. Estava em meus agora plenos 16 anos e infelizmente por conta da minha condição e de não ter ninguém para tomar conta do meu filho estudava em casa. Minha mãe havia me dito para continuar a estudar e finalizar os meus estudos por uma prova colegial que caso eu passasse finalizaria meu médio.

Lian estava aninhado por sobre o meu peito, sempre achei incrível o quanto aquele pequenino serzinho poderia ser tão malditamente perfeito, mesmo sendo filho de um idiota apaixonado e praticamente aberração. O moreninho sempre ficava bem quieto com sua cabeça encostada em meu peito ouvindo o bater do meu coração e brincando com seus dedinhos gordinhos. Os cabelos que antes eram de um castanho, agora era de um negro escuro, iguais aos dele.

No dia anterior havia saído para ir ao mercado e comprar algumas coisas e vi a bela revista de fofocas com uma foto do grande filho da casa Rivaille que casara há poucos dias e que já iria servir ao exercito em uma demonstração de patriotismo e força de vontade cívica. Era tão doloroso ler aquelas coisas _principalmente sobre o casamento do mesmo com sua namorada. Não podia contar para minha irmã que tinha lido ou mesmo visto algo do tipo ou ela piraria e diria palavras duras que eu estava cansado de ouvir, de pensar e de sentir.

Meus olhos arderam e eu pisquei com força evitando pensar demais e me concentrando no bebê que estava quietinho e de olhos fechados ressonando contra o meu corpo de maneira pacifica. Lian normalmente acordava próximo do nascer do sol e assim que eu o pegava e o deitava sobre mim o mesmo caia em um sono pesado até às nove da manhã. Já eu não tinha tanta sorte de poder voltar ao mundo dos sonhos e iniciava aquela rotina entediante e cansativa.

Fazia o café, esperava Mikasa sair, arrumava a casa, fazia o almoço, cuidava de Lian e então iniciava uma maratona de estudo extensiva. Pixis havia me perguntado alguns dias atrás quando levei o pequeno moreno para uma consulta rotineira se planejava cursar algo depois de me formar e era como se um grande espaço em branco em minha cabeça surgisse. O que eu faria? O que eu seria? O que me faria feliz e me permitiria esquecer meus pensamentos quebrados?

Era tanta coisa para um garoto de apenas 16 anos que de forma irônica estava tendo seu primeiro dia dos pais com aquele pequenino serzinho que assim que se fizera presença acarretara mudanças profundas em minha vida. Jamais tinha sentido raiva de Lian e sabia que nunca sentiria nada além de um amor profundo, mas não podia evitar se sentir rancor e raiva de Levi. Talvez pelo coração partido. Talvez por ter-me usado, mas eu apenas sentia tanta raiva. Suspirei de forma irritava ao ver que mais uma vez o meu querido senpai inundava minha cabeça com sua presença. Às vezes sonhava que ele corria atrás de mim, pedindo perdão e aceitando Lian, em outras vezes apenas via as paredes do vestiário e via-me sozinho enfrente ao espelho com uma enorme barriga.

Inspirei profundamente para evitar as lágrimas acumuladas enquanto fitava a janela aberta da sala que mirava para outros prédios. O som de carros passando na rua já era mais audível, mas nenhuma daquelas coisas parecia acalmar a angustia que me açoitava até sentir uma pequenina mão apertar a minha camisa com tanta força que arranhou o meu peito. Fitei Lian que era tão pequeno, mas já tão parecido com o pai, que dormia com a boquinha vermelha aberta e o cabelo preto caindo sobre a testa enquanto me apertava.

O meu maior confidente daqueles meses de angustia. O meu maior presente em meio a toda dor e caos e naquele momento ao invés de chorar sorri. Porque no fim eu tinha Lian. Porque no fim aquele era o meu primeiro dia dos pais ao lado da pessoa que mais amava em todo o universo.

Porque no fim Lian é a minha lanterna em meio à escuridão.

Notas finais
Gente tenho um aviso para dar e preciso que leia Okay? https://spiritfanfics.com/perfil/lae_piripchi/jornal/anuncio-fiction-6231920