Fiction
35 C 35 - Especial de Natal
Notas iniciais

Friiiiiiiiiiio
Seu corpinho inteiro tremia dentro das roupas de frio que sua nee-chan lhe obrigara a usar. Abria e fechava as mãozinhas dentro das suas novas luvas de inverno _presente dado por sua irmã, que fazia pá com a toquinha em sua cabeça. Estava entediado encarando a neve que acumulava por sobre a grama do jardim interno da mansão enrolado em uma manta quentinha. Zoe-nee lhe prometera bolo e chocolate quente e por isso lhe deixara sozinho no corredor aberto da casa e mesmo tendo lhe prometido ficar quieto e espera-la, estava totalmente ansioso para comer. Sabia que não deveria estar ali e por isso tinha que se manter em silêncio e quietinho para que os criados não lhes descobrissem e os dedurassem. Mal podia acreditar que faltavam pouquinhas horas para o seu aniversário, estava muito ansioso e só esperava que dessa vez seu pai não se esquecesse da data.
Ocorria na mansão naquele momento uma festa de véspera de natal _que todo o ano seu otou-sama dava_, mas nem ele, ou Hanji, tinham permissão de participar. Ouviu passos rápidos na madeira do corredor e conseguiu ver sua irmã mais velha andando rápido. A castanha se jogara do seu lado e logo se cobrira com a manta e abraçava o menor que esperou sua nee-chan retirar um pote com um bom pedaço de bolo da festa junto de uma garrafa térmica de dentro da sacola que trazia.
A mais velha abrira a garrafa e entregara nas mãos no moreninho que risonho levou a boca, mas foi impedido por um peteleco em sua testa. Os olhos cinzentos grandinhos brilharam em chateação e fazendo um bico perguntou a irmã o motivo da implicância.
—Ouch! Por que fez isso nee-chan? Dóóói... _reclamou fazendo um biquinho e recebendo um sorriso da mais velha.
—Porque está quente Levi e você vai queimar a língua se não soprar _explicou de maneira paciente para o mais novo que bufou emburrado.
—Eu não ia queimar a minha língua!
—Claro que ia. Você ia beber sem nem soprar, que nem quando fomos tomar sopa.
—Mas isso é diferente onee-chan! E nem conta mais, pois faz muuuuuito tempo.
—Foi semana passada _a castanha sorriu para o biquinho do irmão _Só estou cuidando de você. Como uma boa irmã mais velha.
— Mais eu era mais novo maninha, agora eu sou mais velho.
—Ainda nem é seu aniversário.
—Mas falta beeem pouquinho _falou mostrando com os dedinhos.
O menor olhou para a garrafa entre seus dedos e soprou como sua irmã lhe mandara para depois beber do líquido gostoso. Ficaram ali comendo e conversando, e muitas das vezes o outro ficava admirado da sua irmã contar sobre o que estudava em sua escola e só podia pensar que ela com toda certeza era muito muuuito inteligente. Assim que terminaram se colocou entre as pernas da outra que lhe fazia cafuné e ficavam encarando o céu escuro daquela noite de véspera.
Todo ano havia uma queima de fogos e para o menor era a coisa mais incrível que existia. Eram varias explosões brilhantes e coloridas e sua irmã lhe prometera trazê-lo para vê-las do jardim naquela noite __, pois assim não passariam a véspera em branco, mas claro que Zoe não dissera isso ao menor, que de tão distraído ouvindo as histórias da outra se surpreendera com um brilho verde cortando o manto negro sobre suas cabeças.
—ÓOooo—exclamou boquiaberto o mais novo enquanto olhava as luzes eclodindo no céu.
Finalmente era seu aniversário. E teria beijinhos de sua mamãe pela manhã e abraços quentinhos, mas estava muito feliz por estar ali só com sua irmã.
—Levi... _a castanha chamara baixinho o mais novo que a encarou _Feliz aniversário. A maninha ama muito você. O menor abriu um lindo sorriso infantil que fazia seus olhos brilharem e seus dentinhos aparecerem. E se afundando contra os braços de sua irmã respondera:
—Eu também te amo Hanji-nee
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