Fiction
15 O Rei de um castelo de Vidro
Notas iniciais
Eu não tenho mais as palavras certas, essa é a verdade. Meus sentimentos parecem sempre tão míseros e enjoativos que já não os aguento mais nem dentro de mim mesmo, e isso é tão ridículo, pois se não for eu mesmo a senti-los, se não for eu mesmo a presencia-los, como poderei ter certeza de que ainda sou eu.
Sou um triste soneto romancista, perdido entre a dor extrema de um amor que vive apenas dentro de um ser triste e quebrado, autor de uma dor quebradiça e tenebrosa, que seduz e cega qualquer pobre coitado.
Sou o rei de um castelo de vidro rachado. Sou o todo de um nada abandonado, e sinto-me pequeno com tanta luz ao meu redor. Um dia sim, oh um dia já fui completo, um dia fui chamado de sol, senhor de compaixão e admiração por se levar tudo com leveza, mas hoje sou uma casca vazia.
E as desculpas ensaiadas ficam aqui, presas dentro de mim. Quantas palavras não sufocaram aqui comigo? Quantas vezes não ousei dizer que mudaria tudo, mas simplesmente repeti os mesmos passos?
Não tenho mais o ardor da juventude, e nem intensidade aflorada no período tão gostoso e desequilibrado da vida, onde sonhar era divertido e hoje apenas significa um momento durante o sono.
[... Mas aos pombais as pombas voltam, e eles aos corações não voltam mais... ¹].
Estou perdido em mim mesmo, e não sei por onde voltar...
Sempre foi engraçado pensar nas pessoas ao meu redor como apenas figurantes de uma dia a dia. Pessoas que me olham e dão simples sorrisos gentis e que gostam da imagem refletida diante de seus olhos, mas não entendem a mínima fração de estar quebrado.
Por que sim, eu estava quebrado e sabia disto. Não dava sorrisos verdadeiros e escondia-me atrás de brincadeiras e desculpas falsas e pungentes. Mas havia ele... Todos tinham sua formula de escape, todos cresceram enquanto eu me afeiçoei dia após dia ao passado.
Porque é muito mais fácil viver com ele, do que seguir adiante...
Queria fazer melhor. Queria tomar decisões e no dia seguinte não desistir delas. Desejava fervorosamente o que não me pertencia, os olhos escondidos do mundo e que tanto assolavam minhas noites e dormitavam em meu ser.
E era tão fácil cair...
Tão fácil se entregar
E tão fácil se arrepender;
As mentiras que insistia em criar, as frases ensaiadas em minha autodefesa. Como uma criança com medo, inventando histórias mirabolantes para não descobrirem que havia quebrado algo importante.
Era humano, deveria gritar e deixar de sentir-se tão culpado por me entregar a momentos tão doces e ansiados. Encilhando a mente ao que não devia e remoendo o sabor que sentia sobre os meus lábios. Queria mais...
Precisava de mais. E tão vergonhoso era saber que ao invés de se preocupar com seu filho, estava fantasiando como um tolo adolescente pelo pai do mesmo.
Lian... Este era o peso em sua cabeça, que o trazia para mais próximo da razão. Poderia perder seu filho dentre algumas horas, e não era tolo o bastante para não saber que aquele pedaço de papel já havia abrido o arrombo que imaginava.
E como um ser humano mesquinho, gostaria de saber que ele estava tão sem chão quanto havia passado sua vida inteira. Queria que Levi sofresse o mesmo que ele, e que o beijasse e acariciasse como antes, mas também queria soca-lo e gritar com o mesmo, culpa-lo e fazê-lo se sentir mal.
E queria fugir para longe com o seu filho. Esquecer que uma simples semana destruiu seu mundo montado e remontado por cinco anos. Precisava de seu filho ali consigo, o vendo sorri e dizer que era o melhor pai do mundo, encher seu ego com mentiras e continuar a se achar o dono da verdade.
Mas não era...
E o destino tão esperto o fazia cobiçar por mais, por muito mais que poderia ser oferecido a si. E como bom pecador ele havia se desviado e agora pagava o preço por sua ambição emocional e sem razão.
Tão confuso, e ao mesmo tempo tão certo. Fora assim que minuto após minuto havia transcorrido. Como se cada segundo demorasse um século e cada hora estivesse passando rápida demais.
Falando e pensando coisa com coisa. Suspirando e perdendo a linha de raciocínio com simples linhas de um documento, ou entre conversas e consultas. Estava forçando-me a esquecer dos segundos desfrutados em minha sala, lançando a tola aposta de esquecer, e como gostaria que tal coisa acontecesse, apreciaria não pensar que estava tão ansioso e temeroso e que queria, sem negar, provar um pouco mais daqueles lábios.
Porque era fraco...
E porque estava terrivelmente apaixonado por Levi Rivaille;
~*~
Tarde demais para continuar
Uma nova vez meus olhos percorreram a extensão da parede, cujo relógio estava pendurado. Meu coração palpitava dentro da caixa torácica, delatando o meu nervosismo com o final do expediente, e o céu escuro as minhas costas apenas aumentava o volume sobre os meus pensamentos.
Mesclando meus pensamentos coerentes, com a doce fantasia que teimava em continuar a idealizar. Esperando desesperadamente que os segundos voassem e ao mesmo tempo estancassem no lugar, e que tudo pudesse ser mudado.
O som estridente do alarme retirava-me novamente das divagações, olhando atentamente a hora que indicava o final de mais um dia de trabalho, tal dia desperdiçado e embolado pela confusão emocional. Um erro grave...
Levantei preguiçosamente como sempre, sentindo o peso do dia sobre os ombros doloridos. O casaco que recaia sobre meu corpo nunca pesou tanto, e o cachecol jamais havia se parecido tanto com uma cobra me sufocando.
E com passos preguiçosos e uma máscara estava finalmente fora daquela sala. Daquele lugar onde as lembranças de entrega e pesar residiam, cumprimentou as garotas que saiam e algumas poucas que entravam para o novo turno.
E com passos tão lerdos e contados a contra gosto, encontrava-me fora do ar quente de minha sala. Sendo beijado pela brisa fria de uma noite de inverno. Enrolando não apenas minhas ações, mas meus pensamentos também, sendo banhado pelo tédio emocional que vinha em ondas, camuflando o nervosismo, assim como minhas luvas não mostravam meus dedos suados e os nódulos brancos pelo aperto.
Um pecador com medo do julgamento final, tão ultrajante pensar em mim mesmo como tal, mas como não rir de meus atos e medos de agora, quando horas atrás estava entre os braços do meu ceifeiro?
Eu sou um mendigo e um eleitor
Eu sou acusado e acusador
Mas nada é incondicional
Não precisei mais do que um par de minutos para enxergar aquele maldito carro estacionado no final da rua, a minha espera, e também não precisei nem me mover para saber que o frio que subia pela minha coluna não se devia do inverno.
Caminhei da melhor forma que pude até o cenário de meus pesadelos e com todo orgulho que reuni abri a porta, adentrando ao espaço confinado e com a mistura de odores de café e de Levi.
__Vamos para o meu apartamento _falei colocando o sinto e sem nem ao menos o encarar.
Não ouvi nenhuma reclamação, nem um suspiro, mas sabia que ele estava me encarando seriamente. Podia sentir o leão enfurecido do moreno ao meu lado, mas estava cansado de ser o elo frágil e se fosse para lutar com um leão, um domador eu o seria.
O carro logo deu partida por entre as ruas frias, desta vez não me fixei na paisagem, apenas fechei os olhos e ensaiando cada acusação que iria desferir contra ele. Não era mais um adolescente, e não era sobre um pobre amor proibido que se tratasse tudo aquilo.
Era sobre Lian, e por ele eu teria coragem de enfrentar um exercito inteiro. Estava na hora de parar de sentir-me como um pobre adolescente largado e lembrar-me que era um homem, e melhor, era pai e responsável pela coisa mais maravilhosa em minha vida, era a parte em um milagre e por ele batalharia.
Eu só tenho a mim mesmo para culpar
Eu me pergunto por que, eu nunca pergunto por quê.
As coisas mais fáceis são tão difíceis
__Você terá que me dizer o resto do caminho _ouvi a voz rouca e aveludada e meus olhos abriram-se sem intenção. Continuei sem encará-lo, percebendo que já estava em meu bairro e que por tal deveria ter divagado muito mais tempo do que o necessário.
__Siga enfrente até a Rua 13 e de lá já poderá visualizar o meu prédio.
Levi seguiu enfrente, assim como o havia dito e logo estávamos na avenida agitada enfrente ao prédio. Depois de uma pequena confusão com o movimento incessante dos carros ali, ele estacionou enfrente ao prédio.
Respirei fundo olhando para o prédio e sentindo o meu corpo estremecer. Estava agitado e ansioso, queria brigar e descarregar tudo que havia dentro de mim, mas ao mesmo tempo estava temeroso.
Abri a porta do carro e logo estava andando em direção ao salão quente do prédio, ouvindo os passos polidos e elegantes atrás de mim. Com alguns acenos de cabeça e sorrisos falsos subi para o andar de meu apartamento recém-alugado.
__O lugar ainda não está totalmente mobilhado e com toda certeza deve estar uma bagunça total, espero que não se incomode _falei abrindo a porta e vendo o lugar amplo com pequenos objetos embrulhados e caixas com minhas coisas.
Havia um pequeno sofá e uma mesinha de centro no meio da sala, soltei o ar que estava mantendo preso desde que sai no corredor e liguei a luz do cômodo, andando até a janela em seguida e abrindo a varanda, me deparando com a imensa visão brilhante da cidade.
__Você mora em um lugar assim? _a voz trouxe-me de volta da linda visão dos pontinhos ao longe. Virei-me para o moreno que olhava tudo sem demonstrar qualquer emoção, mas podia se perceber sua indignação.
__Não, irei me mudar para cá em minha folga.
__Então porque me trouxe aqui? _ele perguntou arqueando uma sobrancelha fina.
__Aqui está ótimo para uma conversa particular. Espere-me aqui, voltarei rapidamente _engoli em seco e passei por ele o mais rápido que pude e segui para o apartamento de Armin mais nervoso do que gostaria.
Parei enfrente a porta e como se finalmente o ar voltasse aos meus pulmões, percebi o que estava prestes a fazer. Uma corrente elétrica atravessava o meu corpo por inteiro, e meu coração batia aceleradamente, estava com medo, não mais o mesmo medo insano de ontem, mas um medo divertido e incontrolável que me fazia querer gargalhar.
Estava ficando louco...
Abri a porta do apartamento do loiro e deixei minhas coisas no pequeno corredor de entrada, seguindo em direção ao cômodo quente da sala, onde podia ouvir o barulho da televisão e doces risadas.
__Oh! Parece que vocês se esqueceram de mim... _falei abrindo um sorriso, enquanto vi Jean, Armin e Lian comendo comida italiana sentados no chão e vendo algum filme infantil.
__Papa! _Lian falou sorrindo com o rostinho todo sujo de massa. E caminhei até ele e lhe dei um beijo na testa, e o mesmo abriu aquele sorriso infantil.
__Olá meu amor, como foi o seu dia?
__Muito divertido! Eu brinquei com a Nina, e ela me apresentou para o senhor coelho, um brinquedo dela muito fofo e depois nós fizemos a nossa tarefa e a professora me deu um biscoito a mais por ser um bom menino. Na hora da merenda eu sentei com as outras crianças e ficamos brincando de trocar o nosso lanche e...
__Lian seu pai não vai fugir de você, respire antes de falar anão _Jean falou apertando o nariz de Lian que lhe mostrou a língua.
__Você está com ciúme porque ele não falou de você Jean, assuma _Armin falou olhando para a televisão e eu gargalhei _Desculpe Eren, mas as crianças de casa estavam morrendo de fome depois de brincarem no parquinho, mas compramos pra você.
__Armin comprou pra você... _Jean falou fazendo um biquinho e olhando para a televisão.
__Tio Min, mas eu sou a única criança da casa! _Lian falou entortando a cabeça e o loiro lhe sorriu.
__Espera... Você me chamou de criança?! _Jean perguntou ofendido.
__Antes de vocês começarem a discutir, Armin você pode vim até na cozinha comigo e me mostrar onde está o jantar? _perguntei olhando o loiro que franziu a testa e se levantou.
Andamos até o cômodo e vi a comida sobre a mesa. Apertei minhas mãos nuas uma contra a outra e encarei o loiro que se encostava à parede e me olhava analiticamente.
__Por Deus Armin não me olhe assim, preciso falar sobre algo sério com você e para tal preciso do seu apoio...
__Sabe que o tem há anos, mas porque você parece está se preparando para correr uma maratona?
__Eu... Bem... Conversei com o... Bem você sabe quem _ eu passei a língua por entre os lábios nervosamente e Armin mudou o peso de um pé para o outro.
__E ai?
__E ai que agora ele está no meu apartamento e eu vou contar tudo... _fechei os olhos e ouvi o som de Armin cair sentado no chão.
__Você o que?! _ele exclamou alto e eu fui até ele.
__Ele viu a droga do exame e bem, eu preciso de ajuda agora.
__Como esse exame saiu assim tão rápido? E o que você quer que eu faça?! _Armin perguntou exasperado.
__Armin ele é o filho do dono da maior rede de hospitais e laboratórios do país, e bem preciso que mantenha Lian aqui com você a amanhã o leve o mais rápido que conseguir para a casa da minha mãe...
__Você vai escondê-lo? Eren isso é...
__Não, eu estou me preparando para a guerra. Peça para o Jean ligar para o Marcos para mim, porque você pode ter certeza que desta guerra eu volto vitorioso!
~*~
Assim que o pirralho saiu da sala, acabei por deixar o ar que mantinha preso nos pulmões escapar. Não havia percebido que estava tão nervoso, mas o que parecia me tirar do sério era em como ele parecia calmo demais perante toda aquela maldita brincadeira.
Estava com raiva, e como eu estava. Calma era a última coisa que no momento poderia me passar pela cabeça, queria respostas e as queria agora, mas o bastardo do Jaeger parecia estar brincando comigo.
Sentei-me no maldito sofá e fiquei encarando as paredes brancas, enquanto sentia a brisa fria adentrar no recinto. Já havia pensando em tantas maneiras de ter acabado naquela situação, mas nenhuma parecia ser certa ou lógica.
Sim, eu não era o tipo de namorado fiel, dormi com muitas garotas e me certifiquei de sempre usar preservativo com elas e ter a certeza que nenhum tipo de imprevisto poderia ter acontecido. Um erro? Falta de atenção?
Oh isso poderia explicar muita coisa, mas então o que esta criança estaria fazendo com o Jaeger? Onde ele entrava nesta história?
Tantas perguntas e tão poucas respostas. Maldito ano, maldita vontade de rever aqueles olhos! Tudo isto por me sentir culpado, todo mundo deve ter um ou outro erro que se arrepende e ao invés de caça-los, aprende com eles, mas não, eu tinha que ir atrás de um entre tantos e abrir a caixa de pandora.
Ouvi passos do outro lado da porta e logo o maldito moreno alto adentrou ao cômodo carregando uma caixa grande. Os olhos verdes novamente não se fixaram em mim, e isso estava começando a me irritar.
Estou acordando
Eu sinto isso em meus ossos
O suficiente para fazer meu sistema explodir
Bem-vindo à nova era
O moreno andou até uma poltrona do outro lado da sala e colocou a caixa entre a única coisa que nos separava. Meus olhos foram do mais novo a caixa, onde o mesmo o abriu e começou a retirar uma série de pastas hospitalares lacradas e as pôs em minha frente.
__Antes de te mostrar qualquer coisa, eu quero que você me escute _Eren falou de forma calma e eu o encarei. Havia raiva e magoa em seu olhar, mas tinha outra coisa ali, algo que me lembrava do menino de cinco anos atrás, a mesma coisa que me hipnotizou: Desafio.
__Vamos, estou louco para ouvir sua história Jaeger... _o encarei com o mesmo olhar e o mesmo abriu um sorriso cínico _Quem é a mãe daquela criança, e como você acabou com o meu filho?
__Seu filho? _ele deu uma risada de escarnio e respirou fundo _Primeiro senhor Rivaille, você não tem a noção do que é ser pai, ou melhor, você não faz ideia de como ser um. Lian pode até ter o seu maldito sangue, mas isso nunca te tornará pai dele, pode ter certeza disto.
__Como você ousa?!
__Cale-se, você não queria ouvir meu faz de contas? Então aja como o riquinho educado e estúpido que é e me deixe falar... _o moreno remexeu nos fios castanhos e me encarou raivoso _Lian não é filho de nenhuma mulher com quem você já dormiu doutor, pode ter certeza disto.
__Então ele é filho de quem? Ou por acaso meu esperma evoluiu de fluidos seminais para um ser vivo?
__Oh, mas ele evoluiu, mas não da estúpida chacota que você está falando. Você como médico deve conhecer vários casos de pessoas hermafroditas e sobre síndrome Adrenogenital², corrija-me se estiver errado.
__Sim, conheço. Fiz um estudo sobre esta síndrome, e já tratei alguns raros pacientes que se apresentavam com hermafroditismo³, mas o que isto tem haver com isto? _perguntei já sem entender nada do que ele estava querendo chegar.
Ele estava o que, querendo estudar meu conhecimento sobre o ramo médico? Por favor, não era nenhum especialista nos dois assuntos, mas tinha conhecimento o bastante sobre os casos raros, mas não impossíveis.
__O que eu vou falar agora é uma informação sigilosa e que não saiu em jornal ou estudo algum em nome do meu pai, mas caso tenha as suas duvidas, pode ligar para o Pixis e ver com ele sobre o novo tema de pesquisa dele.
__Pare de me enrolar e diga...
__Eu fui o portador de Lian por sete meses e meio... _ele falou apertando uma mão na outra.
__Portador? O que você...? _engoli e seco e dei uma gargalhada seca _Você acha que sou algum tipo de idiota para acreditar que você, um homem engravidou?! Por deus, essa sua tentativa de me enrolar é patética...
Eu o encarei e ele me olhava seriamente, e podia enxergar muito em a amargura naqueles olhos verdes tão brilhantes. Ele respirou fundo e negou com a cabeça e abriu a primeira pasta e a empurrou em minha direção.
__Há quase cinco anos atrás eu me envolvi “romanticamente” com um garoto da minha escola, cujo continha uma paixonite. Depois de uma corrida, eu transei com esse garoto nos balneários do colégio interno onde estudava, você reconhece esta historinha? _ele perguntou sarcástico _Depois de ser inocentemente usado e humilhado pelo meu querido senpai, eu fugi do local e me escondi na escola durante uns três meses e alguns dias e durante este tempo comecei a ter mal estares e outras coisas.
‘Em um destes dias, os meus colegas de quarto encontraram-me desmaiado em meu dormitório e fui levado à enfermaria, onde fui informado de que estava com a pressão extremamente alta. Minha mãe, que era enfermeira soube do caso e me levou a um médico amigo dela para alguns exames de rotina.
No meu exame de sangue foi descoberto que eu, milagrosamente, estava gravido, mas é como você disse não é? Como um homem pode engravida?! Então refiz o teste umas cinco vezes, e em todas às vezes o mesmo resultado aparecia.
Fiz um exame em segredo, e foi descoberto que eu possuía um útero dentro de mim, e dois ovários. Foi quando minha mãe resolveu jogar uma pequena bomba na minha vida e contar-me que eu era um Hermafrodita, e que inconsequentemente eles haviam “escolhido” o sexo do bebê.
O médico chocado com tudo, disse que aquilo era demais somente para ele, então eu fui mandando para a clínica de Pixis, aonde os dois médicos amigos do meu pai iriam ‘cuidar’ do meu problema, foi quando nós saímos, eu e minha irmã, da escola e eu fiquei em quarentena como bem investigou senhor Rivaille.
Os hermafroditas por si só nascem esteróis, então aquilo já era algo bem surpreendente. Foi quando foi descoberto que essa minha condição iniciou a síndrome Adrenogenital. Onde o individuo acaba tendo uma má formação dos genitais, afetando outras coisas do gênero.
Só que por eu ter tomado testosterona durante a minha infância, algo que meus pais me davam sem eu saber, acabei tendo o corpo mais formado no lado masculino e por si só a gestação era complicada e de risco, pelo fato do meu corpo não ser preparado para a gestação, só que por eu conter um útero não foi impossível.
Eu passei por um período extremamente delicado, meu corpo acabou por ficar extremamente debilitado durante o período de gestação e eu somente aguentei os sete meses e meio, acabando por ter Lian antes do tempo previsto. ’
Ele falou tudo olhando para o chão, enquanto batia o pé. Nunca olhando nos meus olhos, a cada palavra tão magicamente estudada e bem posta, sentia uma vontade insaciável de rir e chama-lo de louco, mas ao pousar os meus olhos sobre as pastas foi como sentir um calafrio subir pelo meu corpo.
Terminei de escutá-lo e peguei as pastas, lendo as fichas médicas do Jaeger, tudo bem feito e bem escrito. Havia anotações sobre o quadro, fotos e muitas outras coisas fantasiosamente inacreditáveis.
Registros não só dos médicos, como dos enfermeiros e dos familiares. Cada pequena coisa documentada e posta ali. Cd’s com vídeos eram sempre mencionados e a cada final de pasta havia pelo menos três em uma.
Olhei do Jaeger para as fotos, confuso e descreditado daquelas palavras. Tudo era muito bem posto, mas eu não podia negar que talvez aquilo tudo não passasse de besteiras e históricos genéticos manipulados por algum profissional.
__Você quer mesmo que eu acredite nisso?
__Não, eu quero que você me deixe em paz _ele falou me encarando amargo _E que suma da minha vida e da do meu filho.
__Você acha que eu sou algum tipo de idiota Jaeger? Acha que eu vou acreditar na sua historinha tão...
__O problema é seu Rivaille, se quer acreditar ou não, mas pode ter certeza que esses registros são de Pixis, se quiser pode ir falar com ele, ou com o doutor Albert, que foi o meu primeiro médico. Os dois até hoje estudam isto a fundo, e regularmente eu e Lian fazemos exames para saber como andam as coisas.
__Isso tudo é...
__Loucura? Pois seja bem vindo ao meu mundo. Se você fosse estúpido ao suficiente e me deixasse em paz estaria tudo bem, nunca precisei de você ou do seu nome para cuidar do meu filho.
__Do que você...?
__Eu estou falando que você é tão obcecado em ser o certo, que esquece que o mais errado é você. Vivi cinco anos longos criando uma criança maravilhosa e que é inteligente o suficiente para saber que somos apenas eu e ela _Ele falou trincando o maxilar.
__Você quer jogar a culpa de tudo em cima de mim, é isso?! Quer que eu seja idiota o sufi ente para cair nesse seu joguinho de mentiras e ainda por cima crer que tudo nesta história é culpa do malvado aqui. Por favor... _levantei-me irritado _VOCÊ ACHA QUE EU SOU QUEM?!
__Quer saber, quem, você é ou quem deixa de ser basta pra mim. Não me importo com você, nem com o que acha me importo com o meu filho. Quer que eu faça um teste de paternidade como você? Oh eu o faço com todo o gosto seu babaca!
__Você é patético Jaeger e...
__Chega! Pegue o que quiser desta droga de caixa, ou a leve toda. Vá embora agora da minha casa e suma da minha frente seu infeliz, e vá viver transando e usando os outros como bem entender, mas suma agora da minha frente!
~*~
Oh como eu estava com raiva. Meus olhos ardiam, e o meu coração parecia estar quebrando. Cada pensamento meu para ser forte se esfumaçando, enquanto aquele homem tão belo destruía cada sonho e esperança meu.
Eu o vi pegar a caixa e sair do apartamento. Joguei-me no sofá, sentindo as lágrimas grossas verterem sobre mim...
Eu até poderia vencer esta batalha, mas Levi Rivaille sempre venceria a guerra dentro de mim...
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