Fiction

19 Ninguém disse que seria fácil


Notas iniciais
Heey aqui estou eu. Não morri, estou muito contente com os meus babys novos que comentaram e com os meys babys que já comentam. Espero que não me matem viu kkk fiquem agora com Fiction 19 promete ewe

Uma fé cega.

Nós corremos lado a lado,

Fazemo-nos na cor da cera,

E colorimos os lábios com o vermelho amargo.

As luzes vermelhas e o barulho estridente assustavam todos em meio a porta do hospital, enquanto o vento gelado e incessante batia contra todos que tentavam trazer os vitimados do acidente na rodovia 67 para dentro das áreas de traumas.

Engoli em seco, enquanto olhava pelo vidro uma vez mais naquele dia conturbado e angustiante, enquanto um pequeno choro próximo a mim me trazia de volta a realidade. Concentre-se Eren...
Caminhei em direção a uma adolescente com o braço em uma tipoia e os cabelos cobertos de neve, os lábios roxos e que chorava copiosamente.

__Olá _falei me abaixando enfrente a jovem de rosto em forma de coração e olhos magoados que segurava o cobertor distribuído pelos bombeiros, às vítimas resgatadas _Sou o psicólogo Eren Jaeger.

__Você é m-médico...? _ela perguntou passando a mão boa coberta com um curativo nos olhos inchados _Não é meio novo para isto?

__Um pouco _Falei sorrindo e a mesma concordou _Você está acompanhada de alguém de maior?

__S-Sim... N-Não... Eu não sei mais... _Ela voltou a chorar e eu coloquei a mão sobre o seu ombro, chamando sua atenção _M-Minha irmã estava dirigindo, e-ela não queria ir hoje. D-Disse que o clima estava ruim para irmos para... E então o deslizamento veio do nada e eu só lembro-me da Anna gritando comigo para me manter encolhida e com o celular em mãos e depois... Frio...

Engoli em seco enquanto via a jovem contar o seu depoimento. Este era mais uma história entre as dezenas que havia atendido desde as cinco horas da manhã, quando uma tempestade inesperada no final do inverno ocasionou um deslizamento na rodovia 67, onde os bombeiros, policiais e o Recon Corps estão trabalhando incansavelmente.

Já se tinha em média de mais ou menos 45 carros vitimados em mais ou menos 1 quilometro de terreno coberto. Todos os chefes de departamento haviam sido convocados com urgência, mas apenas uma das clinicas estava trabalhando a todo fervor sem o ‘manda chuva’. A neurologia estava sem o seu chefe.

Erwin assim como todos os responsáveis pela diretoria parecia tenso. Algo muito complicado estava se desenrolando ali, mas parecia ser algum tipo de segredo que ninguém falava, além das expressões e gestos bruscos causados pelo nervosismo.

Eu também, assim como os outros médicos havíamos sido acionados para o auxilio mental dos vitimados socorridos sem ferimentos maiores, como o caso da jovem. A psicologia/ psiquiatria estava lotada de crianças e adultos levemente sedados.

__Como é o seu nome?

__Christiane...

__Okay Christiane, sua irmã me pareceu ser uma mulher bem corajosa e carinhosa com você. Não perca as esperanças, porque do mesmo jeito que ela lutou para você se proteger, ela está batalhando na sala de cirurgia. Seus pais moram com vocês?

__M-Meu pai apenas, minha mãe faleceu.

__Irei ligar para o seu pai enquanto você é acompanhada para a psicologia e se acalma _Ela me olhou assustada e eu sorri já imaginando a pergunta _Não irei te dopar, apenas mantê-la longe do caos que a clínica de traumas se encontra, e perguntarei sobre a sua irmã.

Uma das enfermeiras que me acompanhavam levou a garota, enquanto eu ligava para o pai dela. Havia perdido a conta de pessoas que ajudava as pessoas com as noticias sobre cirurgias ou falecimento de alguém.

Sai para o lado de fora, recebendo o vento frio no rosto, enquanto encerrava a ligação para um pai desesperado que já vinha ver como as filhas estavam. Entrei e após me informar sobre o estado de Anna _estabilizado, mas com o pé direito amputado por gangrena _fui até o refeitório pegar um copo de café para ir até a psicologia.

Quando notei a doutora Hanji sentada em uma das mesas nervosa e meio angustiada. A morena olhou para mim por um tempo, os olhos brilhando de curiosidade _totalmente indisfarçada_ além do fato dela parecer estar me rondando desde que cheguei ao hospital, estava começando a me assustar.

Aproximei-me de sua mesa e ela sorriu.

__Eren...

__Drª Smith... _sorri meio incerto e ela deu uma risadinha nasalada.

__Hanji, eu nunca gostei muito do sobrenome do meu marido.

__Por quê? Desculpe a pergunta.

__É simples demais para mim _ela sorriu mais confiante e eu sorri _Desculpe, sei que não tive muitas oportunidades para vir conhecê-lo como se deveria, além dos seus trabalhos na cardiologia.

__Tudo bem Hanji, não tive muito tempo para socializar com os demais médicos também _Falei colocando o copo com café sobre a mesa.

__Ouvi dizer que está ajudando os parentes com as noticias pesadas.

__Ah... Sim. Não é o melhor trabalho do mundo, ainda mais quando envolve noticia com crianças _Ela me olhou compadecida.

__Entendo... Você tem um filho, não?

__Sim...

__Lian, não é? Nina sempre me fala muito sobre ele e sempre vejo você saindo com ele na hora da saída _ela falou tamborilando os dedos.

Ela estava nervosa, como se estivesse com medo de falar algo que não deveria. Sabia sim que Lian era amigo da sobrinha de Levi, descobri no mesmo dia em que o mesmo estava indo busca-la, mas nunca havia visto Hanji no local.

__Eles realmente se dão bem.

__Sim _ela sorriu alegre _Nina é... Como um dia de primavera, mas ela sempre teve dificuldades para fazer amigos. Fico feliz por nossos filhos estarem dando-se tão bem.

__Eu também _Sorri alegre para a morena que parecia mais calma e agora me olhava de forma avaliativa. Como se estivesse examinando-me.

__Estou realmente cansada hoje. Acabei pegando dois plantões seguidos com esta tempestade. E para piorar a neurologia está um caos com apenas os médicos secundários.

__Realmente percebi que o hospital estava trabalhando a todo vapor, mas que a neurologia estava meio desesperada sem o chefe clínico responsável _Falei girando o copo de café sobre a mesa.

__Não sei onde Levi estava com a cabeça quando decidiu deixar tudo _olhei para ela por um momento surpreso. Como assim ele havia largado tudo? Levi havia ido embora do hospital?

Será que este era o motivo por não ter recebido noticias dele?

Ele estava fugindo, ou algo mais grave estaria ocorrendo? Talvez por isto a morena esteja tão apreciava e angustiada e por tal estava tentando falar com o psicólogo “amigo”.

Para onde ele teria ido? Estava na cidade ou fora da mesma?

__Desculpe perguntar, mas onde é que...

__Doutora Hanji! _um grito da porta do refeitório nos assustou e a morena sorriu para mim.

__Já estou indo. Obrigada pela conversa Eren, prometo lhe visitar como se deve outro dia _ela acenou com os dedos e saiu correndo.

Abri a boca para responder, mas estava realmente paralisado com a notícia de que Levi havia saído do hospital. Talvez minha chegada tenha causado um impacto na carreira do mesmo, sabia pelas revistas que ele havia sacrificado praticamente tudo em sua vida por sua carreira médica.

Repreendi-me logo por tal coisa. Não tinha culpa se Levi estava sendo covarde, mesmo que soubesse que homens como ele não fugiam, e se ele não estava mais no hospital deveria ser algo grave...

Neguei com a cabeça e saí do refeitório com o copo de café agora morno em mãos, sem nenhuma vontade de toma-lo, mas tendo que ingeri-lo para poder me manter firme. O final se semana que havia começado agradável, havia se transformado em um fracasso, com Lian chateado comigo e indo dormir com Armin.

Jean também estava afastado, sabia que devia desculpas a ele pela minha estupidez do outro dia, mas doía-me pensar que deveria ter que deixar Lian se aproximar de Levi de forma bondosa. E ainda havia tido o susto de acordar e saber que a mesma rodovia que sua mãe iria pegar havia sido soterrada por neve.

Felizmente mamãe não havia nem cogitado a ideia de sair da cama antes das 07h00min para viajar. Sorri lembrando-me que Miksa era exatamente assim quando não envolvia trabalho, uma verdadeira preguiçosa.

Estava andando pelos corredores movimentados quando avistei um homem de terno de estatura baixa e cabelos meio grisalhos e olhos severos falando com Erwin ao longe, eu podia notar a tensão no loiro maior e a raiva no senhor.

“... Você é um inútil que não consegue nem supervisionar os seus...”.

O homem mais baixo virou o rosto e me encarou e pude notar a semelhança incrível entre Levi e aquele senhor, e copo um passe de mágica notei que aquele ali em minha frente era nada mais que o avô de Lian, Thierry Rivaille. Erwin se moveu e veio até a porta e eu sussurrei um pedido de desculpas e o mesmo concordou fechando a porta.

Balancei a cabeça meio desnorteado e comecei a andar mais rápido. Algo estava acontecendo, isto não era mais uma duvida me aproximei novamente da sala de espera onde alguns pacientes eram tratados, claro os que apenas precisavam de curativos superficiais, algo que eu poderia fazer.

Voltei a me concentrar em meu trabalho de ajudar as pessoas com palavras e algodão. Algo mísero para a dor delas, mas tão preciso quanto arrancar um dente. Passei algum tempo correndo da recepção dos familiares, para a ajuda de noticias extremamente difícil e sedimento de algumas pessoas.

Mas mesmo assim conseguia notar como a neurologia parecia perdida. E como uma farpa que incomoda, mas não doí, não conseguia parar de pensar que se Levi estivesse ali, não estariam todos como baratas tontas.

__Eren! _ouvi Erwin gritar enquanto entrava agora pela clínica de trauma onde uma mulher de cabelos negros manchados de rubro continha um corte enorme no crânio, e duas crianças corriam atrás da maca desesperadas chamando pela mãe. Senti o meu coração falhar naquele momento.

Corri até os pequenos, os segurando sem nenhuma força, enquanto os mesmos estendiam os bracinhos para a mãe e choravam muito. Ouvi Erwin gritar por uma sala de cirurgia e por um neurologista, enquanto os meninos agora se debatiam.

__Não me importa se Ryan está descansando eu preciso de um neurologista agora!

Olhei por um momento para as crianças, quando um dos garotinhos me espaçou e saiu correndo desesperado, mas uma maca iria acertá-lo em cheio, quando o pequeno foi puxado para trás. Foi quando avistei os cabelos negros desalinhados e o rosto pálido da minha farpa olhando para o menor.

__Tsc... Não posso sumir por 48 horas...

Por algum motivo idiota eu sorri para a piada sem humor do moreno mais baixo, feita na hora errada. Assim como por algum motivo que eu não conseguiria explicar, sentir um alívio em meu peito em vê-lo ali...

Eu devia apenas dizer para você ir embora, porque eu,

Sei exatamente onde isso vai parar, mas eu,

Fico vendo a gente dar voltas e voltas todas às vezes [...].

~*~

Fechei os olhos ainda de forma estática. Sentia o meu coração retumbando na caixa torácica, o peso sobre os meus olhos, mas intenso do que nunca, e a leve chama ardida sobre o meu consciente, além da culpa e a dor.

__Esta é toda a verdade... _a voz mais velha e autoritária me acordou de meu torpor. Ergui os olhos para a figura atrás da grande mesa, onde várias fotos, registros e observações médicas estavam postas.

__Isso é...

__Loucura? _Pixis gargalhou eu engoli em seco, pegando um foto do Jaeger acariciando uma barriga de cinco meses e meio _Eu mesmo ainda não acredito.

__Por que isto foi mantido em segredo? _falei engolindo em seco.

__Seu pai... O pai de Eren; são grandes figuras no meio cientifico e, além disso... _o homem branco com ar mais cansado falou _Eren disse que jamais deixaria ninguém chamar o pequeno Lian de aberração, ou desprezá-lo. O garoto ama muito o filho Levi.

__Entendo.

Peguei uma foto da criança que sorria para a câmera no colo do Jaeger, com o cabelo negro como a noite e belos olhos verdes inocentes e brilhosos. Sorri acariciando a foto e sentindo como se estivesse sendo sufocado.

>>

Saí da sala de cirurgia, já me preparando para a próxima. Aquele lugar estava uma loucura, e eu sabia que aquele olhar maníaco do Erwin quando cheguei significava, e também sabia que não sairia ileso pela minha pequenina traquinagem.

Caminhei a passos largos, podia notar a correria de todos e o pânico causado nas pessoas com o jornal ligado falando sobre o 36º carro resgatado, e que muitas vítimas ainda encontravam-se desaparecidas.

Havia visto do lado de fora como o hospital estava trabalhando naquela maldita tempestade. E para piorar a neurologia havia ficado um caos, e isto iria repercutir drasticamente na diretoria, mas não me importava com aqueles babacas agora.

__Como ela está? _uma voz suave, cansada e altiva falou ao meu lado e eu vi o Jaeger e suas olheiras e aparência praticamente destruída pelo trabalho excessivo parado próximo ao bebedouro. E mesmo assim ele continua lindo...

__Está viva, mas não tenho certeza que ficará sem sequelas _Falei engolindo em seco.

As palavras de Pixis vinham como ondas, sabia que devia muito aquele garoto, o problema era que as palavras pareciam fugir apenas de enxergar aqueles malditos olhos.

__Como estão as crianças?

__Com a tia, estão dormindo com um sedativo leve, mas fiquei de levar alguma informação. Parece que ela é mãe solteira e o pai não liga para as crianças... _Ele falou olhando para o teto e eu respirei fundo.

__Precisamos conversar...

__Não agora.

__Não agora... _sorri de lado e o mesmo me encarou curioso _Você marca o local.

__Vou precisar da presença de um advogado? _ele perguntou meio seco e eu ouvi o meu Pager.

__Não... _falei me virando _Bandeira branca.

Eu devia apenas dizer para você ir embora, porque eu

Sei exatamente onde isso vai parar, mas eu

Fico vendo a gente dar voltas e voltas todas às vezes

~*~

“Desmoronamento em Trost na rodovia 67 mata até agora 23 motoristas...”.

Respirei fundo enquanto ouvia no celular de um garoto no trem anunciando mais uma morte. As linhas de trem haviam sido interditadas e por tal ninguém havia conseguido ir trabalhar. Estava cansado de correr no frio e com neve até o pescoço naquela segunda feira macabra e esquisita.

Perdi uma reunião _que fora remarcada por tal_ para o fechamento dos blocos em construção. O carro estava nas mãos de Jean e Eren havia sido chamado com emergência, o que havia deixado o chateado Lian preocupado e culpado.

E nem estava próximo de casa ainda. Havia ficado três horas preso na estação, pois a tempestade acabou piorando e adentrando a cidade de forma cruel, e apenas agora com a diminuição anunciada na meteorologia é que as pessoas haviam sido liberadas para voltar aos lares.

Poucas lojas estavam abertas, a maioria eram os supermercados trabalhando com o mínimo de funcionários, outras eram os pequenos cafés que continham multidões dentro de suas paredes quentes e confortáveis. Por deus, como eu estava sucumbindo a entrar em meio aquele amontoado de pessoas suadas, apenas para aquecer as drogas das pontas dos meus dedos.

Faltava apenas à merda de um quarteirão e eu sabia que ficaria com uma gripe por pelo menos uma semana se não tomasse um banho quente e uma bebida de acompanhamento imediatamente. Corri por entre as ruas brancas, com o vento batendo contra a minha nunca o mais rápido que consegui até avistar o prédio em que morava.

O carro de Jean estava estacionado bem enfrente o que era estranho, já que tínhamos a garagem do prédio, mas preferia ter pensamentos dentro da minha casa e embaixo do chuveiro de preferência. Subi o mais rápido humanamente possível com frio até meu apartamento e depois de errar o buraco da fechadura umas cinco vezes e fazer a velha piadinha, estou ruim de buraco em _patético, eu entrei em casa para minha felicidade, bem aquecida.

Deixei tudo jogado e estava correndo o mais rápido o possível para o meu quarto, quando vi o pequeno Lian dormindo confortavelmente na sala com a televisão ligada. Olhei na cozinha e percebi duas taças de vinho sujas, o que era muito estranho.

Eren e Jean estavam se embebedando em algum lugar e não me esperaram?

Eren já havia chegado?

E porque não me esperaram?!

Neguei com a cabeça e segui em rumo ao meu quarto _após claro me certificar que Lian estava totalmente sendo afogado por lençóis quentinhos e não poderia cair_ quando escutei duas risadas, e uma me era bem desconhecida por sinal.

“Shiii o pequeno está dormindo”

“Mais podemos brincar ainda...”.

“Não sei se é...”.

“Qual é... Sei que vai gostar. Está com medo do seu pai chegar?”

Franzi o cenho, era uma voz feminina _asquerosa e enjoativa_ que vinha do quarto de Jean. Abri a porta e encontrei o mesmo jogado na cama, com uma morena sobre ele apenas de roupas íntima.

__Puta que *****

__Armin! _Jean gritou me vendo na porta.

Engoli em seco enquanto via o moreno se levantar _só com as calças_ enquanto a morena se cobria com um dos lençóis da cama. Sorri amargo, sentindo o meu peito se partir em mínimos pedacinhos, enquanto saia daquele cômodo.

Droga de tempestade.

Droga de tempo ruim...

Corri o mais rápido que consegui até o meu quarto, até sentir meu pulso ser agarrado com força. Jean me virou ofegante e me olhava culpado.

__E-Eu...

__Você quebrou a regra... _falei desviando o olhar.

Não sabia se estava sentindo mais raiva ou dor. Como ele poderia ter feito aquilo? Trazer uma qualquer para a nossa casa em minha ausência? Ele não percebia que o amava? Os malditos sinais que eu pensei serem verdades eram apenas ilusões?!

__E-Eu sinto muito. Mila mora do outro lado da cidade e me pediu uma carona na volta da universidade, mas os trens eles estavam...

__Oh claro, e você a trouxe prestativamente para casa, serviu o meu vinho preferido, e disse que para ela se aquecer deveria tirar as roupas e subir em você? Merece o Nobel da paz Jean _Falei tentando puxar a minha mão.

__Não é nada disso eu só...

__Qual o problema Jean? _a morena apareceu na porta e nos encarou _O loirinho que participar é?

__O problema é que você não deveria estar aqui. E eu prefiro mil vezes queimar com as chamas do Olimpo do que chegar perto de você _falei irritado.

__E deveria estar onde loirinha?! Pelo que eu sei a casa não é só sua! _ela falou anando até mim e sendo segurada por Jean.

__Na rua, onde é lugar de cadela _Falei venenosamente e se não fosse pelo reflexo rápido de Jean, teria levado um baita tapa na cara, mas não agradeceria a ele. Logicamente.

__Cadela é a sua mãe sua bicha! Entendi, está enciumada porque ele prefere uma mulher de verdade a um homem que apenas se parece com uma e tem uma surpresa entre as pernas.

Engoli em seco e convoquei todas as vezes que minha mãe me falou que não deveria se bater em uma mulher. Olhei para a morena sonsa, com cara de retardada mental misturada com piriguete e sorri de lado.

__Quando uma mulher de verdade estiver em minha frente eu respondo. O fato é, querida, que minha casa não é bordel de quinta para trazer qualquer uma pu**

__Já chega! _Jean gritou e ouvi um choro vindo da sala _Merda...

Desprendi-me daquele maldito e passei correndo pelo corredor até Lian, que chorava assustado. Peguei o pequenino nos braços que segurou minha blusa com força. Eren havia me falado que Lian às vezes acordava assustado e se sentia inseguro.

Acariciei os cabelos negros enquanto o menor soluçava com o rosto enterrado em meu pescoço. A pele dele estava meio arrepiada e logo me estapeei mentalmente lembrando que estava com a temperatura corporal abaixa do menor.

Voltei ao corredor, passando por Jean que estava vindo me minha direção e vi a morena dentro do quarto sorrindo debochadamente. O mais alto tentou pegar em Lian, mas desviei e entrei em meu quarto batendo a porta.

Lian agora apenas soluçava e o deixei sobre a cama, enquanto voltava à porta no exato momento em que Jean ia bater e o empurrei para longe, indo até a cozinha e pegando um copo de leite quente e voltando ao corredor.

__Quero ela fora da MINHA casa agora Jean _falei olhando irritado para o moreno e entrando no meu quarto, trancando a porta.

Lian já se aninhava em minha cama e sorriu.

__O titio está triste?

__Não... _Falei tentando sorrir e sentindo o meu peito apertado.

__Mentira... _Lian falou coçando os olhinhos _papai sempre sorrir assim quando está triste.

O menor bateu na cama ao seu lado e eu sorri lhe entregando o copo. Lian ficou de joelhos e beijou a minha testa.

__Eu amo o senhor titio...

__Eu sei, tome o seu leite e eu vou tomar um banho.

__O senhor ler para mim?

__Claro...

Lian pegou o copo e eu fui em direção ao banheiro. Assim que fechei as portas caí ao chão sentindo os meus olhos se debulharem em lágrimas dolorosas.

Diga-me que me ama, volte e me assombre

Oh, e eu corro para o começo

Correndo em círculos, perseguindo a cauda

Voltando a ser como éramos

Ninguém disse que era fácil

~*~

Prendi a respiração enquanto me mantinha em pé após o empurrão do loiro. Puxei os fios castanhos ralos da minha nuca, exasperado. Burro...

Voltei andando vagarosamente para o meu quarto vendo Mila colocar o vestido curto novamente no corpo, enquanto eu me apoiava na parede próxima à porta. Como a merda de um simples favor havia terminado comigo brigando com o meu melhor amigo?

Ah sim... Porque homem só pensa com a cabeça errada.

__Então o seu namoradinho está magoado? _ouvi a voz levemente venenosa da morena de belas curvas e sorriso fatal.

__Acho que vou ter que te jogar na rua _eu falei sorrindo de lado e a mesma sorriu.

__Melhor você fazer isso, do que o loiro, pois tenho certeza que ele me atira daqui _ela falou sentando na cama e colocando o salto _Agora eu até entendo o motivo para um cara como você não ter namorada.

__Isso não tem nada haver...

__Qual é Jean, eu estudo com você desde o começo do curso e você não é feio, tem dinheiro, é charmoso e as garotas vivem atrás de você. E eu só te vi saindo com elas só quando a necessidade é grande _eu caminhei até ela e sentei ao seu lado _Você não namora, mas é o cara mais atencioso que eu já conheci. Trouxe-me aqui e provavelmente se eu não tivesse me atirado nua em cima de você, nós estaríamos vendo desenho agora.

__Mila...

__Você não percebe não é? _ela me encarou com os olhos azuis gentis _Você sempre escolhe o loiro.

__Armin está comigo em todos os momentos _cocei a nuca _nós somos família...

__Vocês estão mais para casados com um relacionamento aberto _a morena falou e eu revirei os olhos _Jean, qual é?! Você está louco para se ajoelhar e pedir desculpas por eu estar aqui.

__Eu não me ajoelharia...

__Acho que ele gosta de você. Ele é gay nee? _ela perguntou e eu a encarei confuso.

__Você enlouqueceu?!

__Sério...? Mais chega perto...

__O frio e o termino com o Match acabou com sua cabeça.

Ela gargalhou e começou a arrumar o cabelo.

__Eu só queria transar e esquecer aquele canalha, não pretendia me meter no seu namoro.

__Mila... _a olhei sério e ela deu de ombros _Você bem que provocou o Armin.

__Sabe que não aceito ser xingada... Vou cair fora, antes que eu tenha que engolir o meu salto _me levantei e acompanhei-a até a porta, recebendo um beijo no canto dos lábios _Bom até amanhã e desculpa de novo gigante.

__Eu te levo...

__Eu não, para minha mãe receber mais um atentado porque você fugiu da briga para andar de carro? Faça-me o favor Jeanzinho...

Ela deu tchau e foi andando até o elevador, fiquei ali até a caixa de metal se fechar e encarei o lado de dentro da casa apreensivo. Fechei a porta e fui andando de forma vagarosa pela casa, minha camisa de malha fria não conseguia realmente me aquecer, mas era confortável o tecido contra a pele.

Voltei até a porta do loiro e após respirar fundo, abri a porta encontrando o mais baixo deitado com Lian de costas para a porta. O quarto estava semi-iluminado, mas eu poderia ver o pequeno dormindo entre os lençóis quentes, enquanto o loiro não estava coberto.

Engoli em seco e andei até a cama, pegando um dos cobertores e cobrindo o loiro, e principalmente os pés _Armin sentia muito frio naquelas pedras de gelo _e me sentei na beirada da cama.

__Vá embora Jean... _ouvi a voz fina de Armin e o meu peito se apertou.

__Ela já foi embora... _falei batendo o pé contra o assoalho. As palmas de minhas mãos estavam suadas e sentia aquele nervosismo gerado por todas as minhas brigas com o menor.

__Deveria ter ido com ela _mordi o lábio e fechei os olhos.

__Sabe que uma hora eu vou começar a namorar não é? _falei e senti a respiração do loiro travar _E sabe que o meu maior desejo vai ser que você se dê bem com ela...

__V-você ama ela? _ele perguntou em um sussurro e eu o encarei.

Armin deve ter percebido, pois escondeu o rosto contra o travesseiro. Eu sorri acariciando o seu braço, percebendo o quão frio ele se encontrava.

__Não _empurrei ele um pouco para o lado e me deitei atrás do loiro.

__Eu não te dei permissão para...

__Está frio Armin _falei me cobrindo e acariciando os fios loiros _Voltando ao assunto, eu não gosto de ninguém agora Armin. Eu só quero que você não pense que todo mundo se aproxima de mim com intuito de me fazer de idiota.

Era sempre assim, o loiro sempre desconfiava das meninas achando que todas só vinham atrás de mim por conta da minha família. Talvez por isso eu não tivesse a mínima vontade de namorar, pois sabia que Armin apenas estava cuidando de mim. (¹)

Ouvi o loiro dar uma risada amarga e eu engoli em seco.

__Você já é um idiota.

Vim para te encontrar, dizer que sinto muito

Você não sabe como é amável

~*~

Engoli em seco, enquanto olhava para o lado de fora do hospital. A tempestade ainda caía impiedosamente mesmo já estando no final da tarde, sem duvidas um péssimo final de inverno, e neste momento a cota de mortos havia aumentado.

Estava exausto, passando o dia mentido à cafeína e pelo visto não poderia chegar a casa tão cedo por conta dos trens estarem parados. Expirei com força o ar vendo a adorável fumaça branca se esvair.

__Você está horrível pirralho _a voz rouca me despertou de minha mesmice, transportando os meus olhos para o moreno que havia entrado sem bater em minha sala _Deveria fechar a janela, pode pegar uma pneumonia.

__Precisava de ar... _falei fechando a mesma e ouvindo o som do aquecedor aumentar.

Levi estava de costas aumentando a temperatura e eu pude ver o em como suas costas pareciam levemente curvadas, a pele pálida e o cabelo despenteado. Os olhos cinza miraram-se sobre mim por um momento e eu desviei o olhar.

Era tão estranho estar na presença daquele homem novamente naquela sala. Desta vez não seriam beijos que estariam sendo trocados, mas sim farpas pesadas, como mais uma vez.

__Ouvi dizer que a diretoria está furiosa com você _ele deu uma risada nasalada e se jogou sobre o meu sofá.

__Melhor dizer: o dono do hospital está furioso comigo.

__Dono? _perguntei encarando o moreno que apoiou o queixo sobre a mão, me encarando intensamente _Você quer dizer...

__Sim, Thierry Rivaille, meu pai _Engoli em seco e o moreno fechou os olhos _mas não vim aqui para falar sobre ele, pelo menos não agora.

__O que quer dizer?

__Sobre manter ele bem longe do pirralho menor... _ele falou ainda de olhos fechados e eu cerrei os olhos.

__Lian... Você quer esconder ele do seu...

__Não pelos motivos que você está imaginando _Ele me encarou sério e eu senti um arrepio na coluna _Aquele homem, se eu pudesse gostaria de manter ele bem longe do Lian...

__Por quê?

__Irei explicar em outro dia. Agora eu só quero esclarecer os assuntos pendentes... _ele novamente fechou os olhos.

__Oh... _ olhei direto para a parede e fiquei ali parado, esperando os argumentos que ele tinha para dizer, pronto para rebater qualquer ofensa ou despeito.

__Eu... Desculpe-me _ele falou ainda de olhos fechados e eu o encarei.

__O que?!

__Estou pedindo desculpas _ele me encarou e eu vi amargura e arrependimento em seus olhos _Desculpe-me pelo que lhe falei anos atrás, pelo que falei um mês atrás, pelo que falei algumas semanas atrás... por tudo.

__Por que isso?

__Porque eu sei reconhecer quando estou errado _ele falou encarando o chão e eu engoli em seco. O moreno sorriu amargo _Eu devo ter decorado cada uma daquelas linhas dos relatórios sobre a sua... Bem, eu sei que você quase entrou em depressão pós-parto, o que é normal para um homem, ou melhor, um garoto.

__Você...

__Eu fui a Londres _ele fechou novamente os olhos e eu prendi a respiração _Desculpe-me, mas eu fui falar com Pixis e após ele ter entendido que eu era o outro cara, o mesmo me explicou o que aconteceu e como foi um período sofrido.

__Eu não acredito... _Falei me levantando e indo até a janela _Você não tinha o direito de...

__Pelo contrário Eren _ele também se levantou e eu o encarei _Eu tinha o direito de saber o que minhas ações causaram.

__Não me transforme em vítima Rivaille, não sou um moleque inocente e...

__Mas já foi e eu acabei com isso _ele falou seco e eu sorri amargo _E eu sei o motivo de você ter escondido tudo. Eu só não entendo um motivo, por que você não me falou nada?

Eu o encarei desacreditado. Neguei com a cabeça e me voltei para a janela, sentia meu corpo inteiro tão esgotado e minha única vontade era apagar e esquecer tudo, sumir e fingir que jamais havia pisado em Trost novamente.

Você veio me buscar com faróis apagados
Viagem longa
Poderia ter terminado em chamas ou no paraíso
Desaparecendo de vista, oh

__Para você me taxar de aberração. Para eu ter que passar por tudo isso que estou passando agora, enquanto gestava o meu filho? Eu escolhi proteger o meu filho é simples.

__Você não imaginou que talvez eu gostasse de saber que eu iria me tornar pai? _eu gargalhei.

__Você estava indo para a porta do altar. Se quisesse ter sido pai, teve sua oportunidade, mas não acho que é isto que desejasse...

__Você não me conhece Jaeger _Eu me virei e o mesmo estava sorrindo amargo _Você conheceu o garoto idiota que gostava de brincar com os outros. Você conhece o Levi Rivaille das revistas, herdeiro da maior companhia hospital e tudo mais, só que você errou em julgar o homem que é por trás disto tudo.

__Você me mostrou muito bem o homem que é Levi...

Ele negou com a cabeça sorrindo e eu me sentei. Nada do que ele pudesse falar mudaria as coisas, ele era um canalha e eu sabia disso.

__Não, Eren, o homem que você viu foi um cara assustado, sabendo que havia colocado um ser sem culpa em meio à bagunça que é minha vida _ele caminhou até minha mesa e me encarou de cima _Sabe o motivo por eu não ter tido filhos em meu casamento?

__Eu não...

__Oh não, pois agora eu irei contar. Porque eu não teria coragem de colocar um filho meu em meio à sujeira que é minha família. Porque eu sou um canalha, mas não pelos motivos que você acredita _ele se curvou sobre a mesa me encarando nos olhos _sou um egoísta que preferiu proteger inocentes.

__Oh, então você é a vítima.

__Não _ele se colocou de pé de novo e sentou-se de costas na mesa _Sou o homem que está desesperado em saber que tem um filho agora, não por medo, mas por saber que falhei em proteger Lian dos monstros que pertencem aos Rivaille.

__Do que está...

__Como ele é? _Levi falou e eu engoli em seco.

__Rivaille me responda do que está falando sobre proteger Lian da sua família...

__Ele tem os seus olhos sabia _ele falou dando um sorriso de canto _Não estes de agora, amargurados, mas aqueles brilhosos e contentes. Sabia que seus olhos me atormentaram todos estes anos?

__Você pode me falar... _eu o encarei enraivecido e o mesmo se levantou.

__Outro dia Eren, eu apenas quero que você pense em uma proposta que tenho para você.

__Porcaria nenhuma! Eu quero saber do que está falando e...

__Eu já falei, não agora _ele me encarou _Não pretendo causar mais confusão do que já criei, mas não deixarei as coisas como estão.

__Oh, vai toma-lo de mim?

__Não... Nunca faria isso _ele falou sério e eu me assustei com a certeza em suas palavras _Eu lhe prometo que jamais irei tirar Lian de você, o meu único desejo é conhecer o meu filho...

Ninguém disse que seria fácil

É uma pena nos separarmos

Ninguém disse que seria fácil

Mas também não disseram que seria tão difícil

Notas finais
(¹) cavalo abestado!!!!! Músicas Style e The scientist