Fiction
20 Velhas e novas cicatrizes
Notas iniciais
Meus olhos gravaram-se sobre a expressão em choque, enquanto sentia meu corpo tremer em ansiedade, tentando de forma misera, sugar o mínimo de esperança para que o meu apelo fosse aceito, para que eu pudesse consertar os meus erros.
Aceite...
Eu imploro pelo resto de mim que ainda há aqui.
__Você o que?! _as palavras foram cuspidas com nojo e asco. E eu mesmo entendia o quão patético eu era por, no fim, eu estar a pedir aquilo.
__Eu só quero conhecê-lo, muito mais em que esbarrões pelo acaso do destino.
__E você acha que tem este direito?! _ele se levantou e andou de costas para mim até a janela. Fechei os olhos reprimindo a raiva momentânea que me abateu.
Sim... Eu tenho.
Porque no final eu era o único às cegas.
Porque no final ele é meu filho.
__Eu irei respeitar as suas decisões Eren. Não irei querer toma-lo de você, isto jamais irá acontecer. Você tem a minha palavra...
__Isso ainda é muito pouco _ele falou me olhando por cima do ombro.
__Mas é tudo o que eu posso dar.
Ele sorriu com escarnio e eu engoli em seco. Não precisava ser um gênio para notar a tensão sobre os ombros do mais jovem. Uma criança em corpo de homem, não...
Pelo contrário, era uma criança que teve que crescer a força.
__Isso chega a ser ridículo. Eu não deveria realmente ter vindo para cá... _ele falou olhando para fora da janela. Eu fechei os olhos e trinquei a maxilar.
__ E continuar a esconder a verdade do Lian? _eu falei rindo com deboche _Quantas mentiras mais você pretende contar a ele?
__Quantas fossem precisas para não vê-lo sofrer _ele me encarou sério. _Você não tem a mínima ideia de como é ser uma aberração. E de ter medo de que o seu filho seja como você, para que seja humilhado no futuro. Não tem ideia do que eu fiz para manter isto em segredo, não... _ele começou a andar de um lado para o outro com uma mão entre os fios castanhos.
__Mas ele não...
__Eu sei! _ele gritou parando enfrente a parede _Eu agradeço a Deus todos os dias da minha vida por isso...
__Eren... _ele me encarou sem realmente me ver. Ele apertava com força uma mão contra outra, deixando os nódulos de seus dedos brancos.
__Eu... Foi assustador sabe. Não saber quem poderia morrer primeiro; eu ou ele _eu me aproximei dele devagar, segurei seus braços e o sentei na cadeira. Seus orbes então se focaram nos meus _Você não faz ideia...
__Eu sinto muito Eren _Falei e ele abaixou a cabeça respirando fundo _Você pode não acreditar em uma única palavra minha, mas eu não sou mais aquele garoto, assim como você também não o é. Eu só quero o melhor para Lian... E para você.
__Eu também o quero _ele falou me encarando _Mas como eu posso saber se você é o melhor para ele?
__Me dando uma oportunidade. Apenas uma e eu prometo que farei o melhor que puder...
Ele engoliu em seco, eu estava abaixado em sua frente, sussurrando promessas cheias de emoções. Perto. Estávamos tão próximos, enquanto uma vez mais as muralhas caiam ao nosso redor. Eren cheirava a um dia de sol, vivo e radiante, seus lábios cheios a minha frente mostravam-se tentadores, mas eu não o faria.
Não agora...
Ele me encarava, como se enxergasse as trevas que beiravam a minha alma. Como se enxergasse o homem em meio à escuridão, e ainda assim parecia me admirar. Como na primeira vez que seus olhos prenderam-se aos meus, naquela noite enquanto eu o deflorava e seus olhos acariciavam o temor dentro de mim.
Único...
__Levi...
Meu bip tocou e eu o encarei. Eren virou o rosto e nos separamos. Havia ali inúmeras coisas não ditas, e outras não decifradas. Eu arrumei o meu jaleco e ele voltou a encarar o nada, com uma feição mais séria.
__Eu preciso ir... _falei e o mesmo apenas concordou.
Caminhei para fora daquela sala, sentindo que muitas coisas pareciam ter sido esclarecidas e ainda outras mais deveriam ser ditas, mas apenas o tempo poderia curar aquelas feridas.
~*~
Levi caminhou em passos vagarosos para fora da sala, os ombros largos pareciam pesados e os cabelos negros maiores do que o do jovem rebelde que conheci anos atrás. Conseguia enxergar naquele mesmo gesto de caminhar a diferença entre o homem e o garoto, mas até onde eles teriam mudado?
E o quanto eu havia mudado?
Meus olhos pesados percorreram os cantos, procurando uma fuga, uma saída para a situação que havia me posto em tão pouco tempo. Avistei acima da porta o mesmo objeto que decorava grande parte do hospital, uma cruz de madeira escura.
Poderia eu um pecador chorar em teu colo meu senhor?
Encostei minha cabeça sobre a escrivaninha de madeira escura, sentindo aquele frio em meu estômago característico de todas as vezes que Levi estava próximo de mim. Ele queria minha benção, mas tão egoísta que sou por ser humano continuava a taxa-lo como o mesmo garoto de anos atrás.
Eu também não era o mesmo.
Pelo menos eu queria acreditar nisso.
~*~
Agonia.
Será que ele era tão idiota para não perceber?! Não notar que eu havia acabado de revelar...
De revelar que eu o amava.
__Por que você faz isso Jean? _perguntei em um murmúrio inaudível, mas sabia que ele havia escutado por conta da proximidade.
__Faço o que Armin...?
Dei uma risada amargurada enquanto me sentava de costas para ele, segurei os fios loiros de minha franja e olhava para o teto perguntando-me como eu poderia amá-lo tanto. Encostei minha cabeça em meus joelhos.
Senti sua mão quente sobre o meu ombro e a empurrei.
__Armin, o que está acontecendo?
Eu o encarei de forma magoada, como ele não podia ver? Ou ele simplesmente se fingia de idiota para não me magoar. E de repente tudo fazia sentindo, como se eu mesmo houvesse dado um estalo.
Jean sabia...
Ele apenas fingia não saber do que todos falavam.
__Você está brincando comigo não é... _Falei em um fio e voz e ele engoliu em seco e me encarou de forma séria _É isto não é?!
__Armin...?
__Você está me destruindo Jean! Será que não percebe que se fazer de tolo não vai me ajudar?! _eu falei alto e me virei de frente para ele.
__Eu não estou...
__Então como você não consegue ver que eu te amo! _gritei e só depois daquelas palavras verberarem no ambiente foi que eu percebi o que havia feito. Jean olhava-me assustado, os olhos castanhos claros confusos e dúbios.
O que eu faria sem a sua boca esperta
Atraindo-me, e você me afastando.
Minha cabeça está debaixo de água
[...]
Mas eu estou respirando bem
Você está louca e eu estou fora de mim
[...]
Porque tudo de mim
Ama tudo de você
Levei a mão aos lábios os tampando em esperança de que aquilo não houvesse acontecido. Lian levantou assustado iniciando um choro assustado e eu me virei em direção ao pequeno ser que procurava alento para o medo que eu havia o infligido, não havia notado mais Jean estava de pé fora da cama olhando-me como se eu já não fosse mais o Armin.
__Papai...
Lian balbuciou escondido no meu peito enquanto eu encarava Jean que simplesmente passou a mão nos cabelos e saiu do quarto, escutei minutos depois o som da porta fechando-se com força. Olhei para cima abrindo a boca em procura de ar _pois naquele minuto, foi como se meus pulmões não estivessem trabalhando como normalmente_ e passei as mãos pelas costas pequenas de Lian.
__Calma Lian... _comecei a sentir as lágrimas escorrerem pelo meu rosto, enquanto o pequeno parava de chorar _Está tudo bem, o mundo já é um lugar melhor agora...
~*~
O dia já amanhecia naquele inferno gelado, respirei profundamente enquanto olhava os prédios mais ao longe cobertos de neve, uma paisagem bela para uma causa mortal. A brisa congelante passou por mim e eu apenas levei o copo de café puro aos lábios, enquanto esperava uma ambulância entrar na ala de traumatologia.
__Argh! Preciso da minha cama... _Ouvi uma voz firme, mas fina ao meu lado e vi Nanaba parada ao meu lado, com um casaco do hospital em azul escuro e sua barriga bem amostra.
__Você realmente deveria estar na sua cama. Tsc _Falei negando com a cabeça e podia até vendo a loira de cabelos curtos revirando os olhos.
__Eu estou muito bem podendo trabalhar, Rivaille _ a loira falou pausadamente o meu nome e eu dei uma risada _Erwin deve estar realmente bravo com você...
__Hum... Nada que um dia de babá não cure.
__Não sabia que você fazia este tipo de trabalho querido, sabe daqui algum tempo vou precisar... _Ela falou rindo e eu a encarei negando com a cabeça e um sorriso de canto nos lábios.
__Pois vá tirando o cavalinho da chuva, pois a minha agenda só terá espaço para uma criança _falei me voltando para a ambulância que vinha o longe, com suas luzes vermelhas brilhando. Peguei um par de luvas e coloquei na mão, fechando o avental amarelo direito em meu corpo.
~*~
[Há relato até agora de quase 100 feridos no acidente da rodovia 67. Os Hospitais de Trost encontram-se lotados com a demanda dos feridos. O perfeito da cidade informa que...].
Bufei de forma irritada olhando o jornal da manhã. Eram apenas 7 horas da manhã, mas o caos no hospital não havia diminuído e para piorar um antigo paciente internado por tentativa de suicídio havia tentando se matar, já que os médicos estavam em demanda por todos os hospitais da cidade para ajudar.
Virei-me para a recepção da área de cardiologia que no momento não havia ninguém e estranhando o fato entrei atrás do balcão, organizando os tablet’s sobre o mesmo. Infelizmente com toda aquela neve eu estava preso no hospital, mesmo já tendo sido liberado e Jean não atendia a merda do telefone.
__Querido se você começar a fazer o trabalho das mocinhas da recepção, elas vão montar em você _ouvi uma voz zombeteira e olhei para Hanji que estava apoiada no balcão.
__Apenas desta vez, me cansa não ter nada para fazer _Falei me aproximando da morena que tomava café _Como está até agora?
__Um caos, os diretores do hospital estão brigando com Erwin e para piorar recebemos 10 feridos de uma vez para uma área sem leitos.
__A cardio ainda está melhor do que as demais _eu sorri para a mesmo que me acompanhou.
__Ouvi dizer que você é muito bom com as mãos, porque não fez uma especialização na área?
__Eu não tinha tempo, acabei fazendo psicologia e logo psiquiatria, pois foi o que me pareceu que daria para conciliar uma criança com trabalho.
__Sei do que está falando. Eu sinto muito às vezes por deixar Nina em casa _ele sorriu para mim e eu concordei.
Logo Hanji foi chamada e fui expulso pelas recepcionistas. Comecei a caminhar em direção ao elevador, após ajudar algumas pessoas desesperadas atrás de informação dos familiares
E a cada pessoa que encontrava desesperada por noticias de amigos, parentes, amores, pais, filhos, sentia-me com o coração comprimido de angustia e necessidade de encontrar o meu pequeno pedacinho do céu dormindo com os pequeninos dedos da mão apertados sobre o travesseiro e os leves sonzinhos que ele dava graciosamente durante o sono.
Naquele momento, eu só queria Lian.
~*~
Três dias desde aquele fatídico dia do acidente na rodovia tinham se passado, e mesmo que as tragédias municipais estivessem sobressaltando-se sobre as pessoas, sentia o clima pesado dentro do apartamento de Armin e Jean _que não aparecia mais no apartamento há um bom tempo. Hoje eu terminaria a minha mudança, Armin e eu estávamos trabalhando pesado nos ajustes das coisas, e agora arrumávamos alguns poucos móveis que havia comprado até o recebimento do meu salário.
Lian estava na sala, arrumando os livros do papai como ele havia dito uma das poucas coisas que havia pegado enquanto morava em Londres. Adentrei ao quarto azul marinho com desenho de nuvens na parede e no teto que o deixavam como um céu amanhecendo com belas nuvens em tons rosados.
Era um quarto bonito, e fora Armin quem o organizara para Lian, já que o pequeno era maravilhado com o céu, o que segundo o loiro era uma amostra de que o mesmo era o meu legítimo filho. Coloquei a última caixa de papelão sobre a cama branca próxima a parede do quarto, entre duas janelas.
__Estão aqui os brinquedos Armin _o loiro me olhou de cima da escada que usava para arrumar alguns objetos numa prateleira cheia de fotos e pelúcias.
__O baú de brinquedos está ali _ele apontou para o pequeno e branco baú que guardaria as preciosidades de Lian.
Concordei e coloquei os brinquedos em seu lugar e assim que terminado saímos do quarto. Estava faltando organizar apenas a Cozinha e a sala, mas somente pequenos objetos como talheres, portas retratos e várias outras quinquilharias.
__Sei que o inverno já até acabou, mas ainda assim essa primavera está muito fria _falei ao sentir o alivio ocasionado pelo aquecedor ligado na casa.
__Também acho estranho. Parece que este ano o festival de Trost irá demorar, já que as cerejeiras ainda não estão totalmente florescidas.
__Oh! Faz tempo que não participo deste festival _Falei sorrindo e Armin sorriu para mim _Lembro que fomos antes de eu sair da escola e passamos a noite sobre os pés das cerejeiras que brilhavam de forma colorida pelas luzes colocadas ao redor delas.
__É... Nós três nos divertimos muito naquela noite _Armin olhou por cima de meu ombro com um sorriso afetado. Eu o entendia. Desde que o loiro me contará que havia se declarado e por tal Jean não havia voltado para casa, eu notava que o menor parecia mais abatido e preocupado.
Jean havia reagido de forma muito ruim, mesmo que a declaração tenha sido muito bruta, não que eu pudesse falar muito, já que no mesmo dia que havia me declarado, engravidei de Lian. Armin suspirou e me encarou e como em um segredo só nosso concordamos com a cabeça de que esqueceríamos aquilo somente hoje.
Ao notar que a casa estava muito silenciosa eu comecei a caminhar em direção a sala, onde Lian deveria estar e qual não foi a minha surpresa ao ver o pequenino moreno em meio de algumas caixas rasgadas e objetos espalhados.
__Lian! _o pequeno me olhou assustado e então se afastou das caixas devagar. Os enormes olhos esverdeados brilhavam travessos e o cabelo despenteado fazia contraste com as roupas sujas da brincadeira.
__Oi papai! _ele falou baixinho brincando com os pequeninos dedinhos brancos. As bochechas vermelhas contrastando com a pele branca e as respirações ofegantes da arte do menor me desarmaram.
Que merda de pai mole eu sou.
__Oi papai? Só isso mocinho? Não acha que um desculpe pela bagunça deveria estar nesta frase também? _falei colocando a mão na cintura.
__Eren! Não brigue com o meu netinho. Ele só estava tentando ajudar _uma mulher de cabelos castanhos e olhos de mesma cor adentrou a sala.
__Mãe! Olha só o que o seu neto aprontou! _eu falei e a mais velha fez uma careta e Lian correu para os braços dela rindo e escondendo o rostinho no ombro dela.
__Vovó o papai não quer minha ajuda.
Ouvi a risada de Armin, afinal estava na cara que havia perdido aquela batalha para os dois outros Jaegers. Minha mãe havia chegado ontem para rever o maravilhoso e lindo neto dela, palavras da matriarca, e desde então vinha mimando o meu filho com doces e o salvando de sermões.
__Eu sei, ele é um homem mau nee? _Mamãe falou e Lian concordou dando uma falsa fungada e eu abri a boca indignado_ Quer o chocolate meu amorzinho?
__Mamãe não dê doces para Lian! Ele não vai dormir tão cedo _a mulher o deixou no chão com um chocolate e abanou a mão.
__Ele é criança o deixe fazer coisas de criança, como aprontar e comer o quanto quiser de doces.
__Não é a senhora que vai ter que o fazer dormir mesmo não é? _eu falei apertando as têmporas, já sentindo uma dor de cabeça.
__Viu só Armin que filho mal agradecido que eu tenho _ela fungou e Lian abraçou suas pernas.
Sinceramente...
Eu mereço!
~*~
Desde a chegada de Carla em casa, as coisas haviam ficado mais leves. Eren mesmo reclamando de como a mãe mimava o filho, poderia ser bem evidente a felicidade estampada no rosto dele com a presença da mais velha.
Vamos lá, tínhamos uma verdadeira cozinheira de primeira, não dá para reclamar por muito tempo não é?
Mas não podia evitar sentir-me angustiado nos poucos momentos em que não possuía nada para fazer, Jean invadia os meus pensamentos e desestabilizava o meu ser por completo. Como eu me amaldiçoava por ter deixado aquelas palavras fugirem por meus lábios, na mesma medida em que gostava de sabor que elas possuíam e o peso que tiraram.
E neste momento eu sabia...
Jean não merecia os anos gastos com ele, mas como esquecê-lo?
Após mais umas pequenas discursões dos Jaegers ali mesmo eu saí do apartamento com a desculpa de que pegaria o restante das caixas lá no térreo. Eu sabia o que deveria fazer, estava certo de que era o melhor, mas não podia negar que aquilo tudo me angustiava.
Estava já no térreo quando vi Jean conversando com o porteiro, não neguei o alivio que senti ao vê-lo inteiro ali, mas assim que os olhos do mais alto me alcançaram, um medo do final se apossou de mim, engoli em seco e continuei andando em direção as caixas.
__A-Armin? _Jean veio em minha direção com os olhos baixos _O que está acontecendo? O que você está fazendo?
__Estou organizando a mudança Jean... _Falei sem encará-lo _Eu- Eu...
__Armin, eu... Nós... Sobre aquilo _eu dei um sorriso amargo e ele me encarou e depois de tanto tempo eu percebi que aqueles olhos não me pertenciam, não como em meus sonhos, não como em meus mais puros desejos.
__Não Jean, eu entendi. Eu acabei... Eu sou um idiota mesmo, mas isso não vai ser mais um fardo para você _eu falei caminhando em direção as caixas e ele me parou.
__Armin _ele segurou o meu pulso e eu o puxei _Vo-Você só está c-confuso, mas não precisa se mudar. Eu... Eu passei esses dias com a Mila e...
__O que? _eu o encarei nos olhos. Não sabia o que me deixava mais enraivecido, o fato dele não aceitar os meus sentimentos, ele ter passado esses três dias em que eu não preguei os olhos de preocupação com esse idiota, ou ele achar que eu era infantil o suficiente como ele foi para ir embora sem falar nada _Você realmente é o cara mais idiota que eu conheço Kirschtein.
Você sabe isso costumava ser um amor louco
Então dê uma olhada no que você fez
Porque, meu bem, agora nós não damos certo.
Agora temos problemas
E eu não acho que nós podemos resolver eles
Você fez um corte muito profundo
__Do que você está falando? Eu precisava pensar...
__E para pensar primeiro tinha que aliviar a cabeça de baixo nee? _eu falei sarcástico e ele arregalou os olhos.
__Armin do que você está falando? Você nunca falou assim e agora...
__Agora o que? Eu parei de ser idiota?
__Eu não estou chamando você de idiota Armin, você está nervoso, vamos... _ele tocou em mim e eu bati em sua mão.
É...
Aquilo já havia cansado.
Todas as vezes que eu chorei naqueles três dias, ele se divertia com aquela vadia. Todas as vezes que eu tentava mostrar-lhe o quanto o amava, ele sempre estava nos braços de outras, não eu não podia mais com aquele sentimento, não era mais amor, era ressentimento doentio de ser sempre o esquecido.
Todos os caras certinhos que abandonei para estar à disposição dele...
__Você estragou tudo Jean...
__Armin você é o meu melhor amigo. É normal às vezes confundirmos amizades com outras coisas... _ele falou mais baixo olhando em volta e eu iniciei uma gargalhada.
Eu o encarei e arrumei os fios do meu cabelo.
__Você tem razão Jean _ele sorriu para mim e eu sorri de volta_ Nós nunca daríamos certo.
Porque, meu bem, agora nós não damos certo.
Você sabe isso costumava ser um amor louco
Então dê uma olhada no que você fez
Porque, meu bem, agora nós não damos certo.
Agora temos problemas
E eu não acho que nós podemos resolver eles
Você fez um corte muito profundo
E, meu bem, agora nós não damos certo.
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