Fiction
8 13年 13 anos...
Notas iniciais
Eu nunca pedi nada de você;
Nunca quis sua atenção. E mesmo assim você insistiu em ir atrás de mim, como se fossemos lua e sol, um indo em direção ao outro, sem nunca realmente alcançar. Sem realmente nos entender...
Você sempre esteve perto de mim, me protegendo e zelando. E eu como um bobo caí na armadilha dos meus sentimentos e me senti cada vez mais preso nesse vai e vem que desenvolvi para meu próprio divertimento.
Eu só não esperava que com o tempo o meu maior brinquedo se transformasse na espada que corta o meu peito com tanto afinco. E assim eu amaldiçoei minha própria boca em um feitiço cativo...
~*~
Lá estava eu uma vez mais naquele campo de obras, ouvindo os tratores a mover-se a escavar a terra, furadeiras ao longe e os homens a trabalhar constantemente na construção de mais uma vila com casas que seriam doadas pelo governo a pessoas que perderam a sua moradia no inverno passado por conta de um deslizamento que houve.
Suspirei irritado enquanto apagava uma vez mais aquele centro da casa que persistia em ficar errado. Já havia jogado fora tantas folhas que o cesto de lixo transbordava na pequena casa improvisada que haviam feito apenas para as pessoas responsáveis ficarem a trabalharem próxima a construção. Olhei pela janela vendo os resquícios do inverno que estava chegando ao seu fim, assim como o dia.
Olhei novamente para a planta de construção sobre a mesa, vendo uma casa que eu deveria fazer os retoques finais do planejamento para o inicio da construção. Seria praticamente um bairro inteiro que fora soterrado no inicio do mês passado, e trabalhavam praticamente cinco engenheiros neste projeto.
Eu estava encarregado dos blocos B e D e teria que terminar as plantas imediatamente para seres repassados aos demais e por diante ser passado ao chefe de obras encarregado de cara área.
__Armin-kun? _ouvi a voz de um rapaz moreno de olhos azuis que adentrava na casa.
__Sim?
__Você não vai embora? O seu expediente já acabou faz mais ou menos meia-hora... _o rapaz falou olhando no pulso e eu o encarei meio surpreso.
__Oh! Obrigado Rin, eu realmente já vou, foi um dia difícil... _Falei pegando as plantas para encerrar e o mesmo sorriu e então saiu.
Peguei as minhas coisas e depois de caminhar por um tempo, cheguei aonde pegávamos um bonde que nos levava para próximo do outro bairro. Depois de pegar um bonde, uma viagem de mais ou menos 20 minutos se fez presente para então eu descer e ficar perto de onde deveria ter uma linha de metro.
O metro que deveria passar na base daquele antigo bairro seria reconstruído para então ser reutilizado, pois o mesmo havia sido soterrado. O desornamento deveria ter feito por volta de quase 200 vítimas, o que era horrível.
Adentrei a estação e fiquei esperando o meu trem que depois de uns 15 minutos chegou lotado. Espremi-me por entre as pessoas e me encostei próximo à saída e fiquei lá em pé. Eu ainda tinha que comprar algo para jantar, já que Jean teria que ir buscar o Lian-kun.
Eren estava trabalhando dobrado ultimamente, ele iria se mudar neste final de semana para o apartamento de cima, mas ainda assim eu me sentia incomodado por não ter mais alguém com quem pudesse ser totalmente sincero, em casa.
Não que ele não fosse praticamente me ver mais, sabia que Lian iria querer passar um tempo lá, e o garoto é extremamente extrovertido como o Eren, apenas tirando algumas manias que o deixam ainda mais fofo, com aquele sorriso com pequenas covinhas.
O trem deu aquele leve movimento em que te faz esbarrar nas pessoas, onde eu simplesmente continuei a ficar olhando para fora enquanto pegava o fone de ouvido e o meu celular. Depois de deslizar o visor até uma das músicas que poderiam me tirar alguma satisfação apertei o play.
A batida envolvente logo se fez presente e eu comecei a cantarolar como se fosse o próprio vocalista. Sorria feito um idiota imaginando coisas aleatórias que poderiam ocorrer com esse fundo na minha vida, como se tudo não passasse de flashes escolhidos para um vídeo clipe.
“Somebody told me
You had a boyfriend
Who looked like a girlfriend
That I had in February of last year
It's not confidential
I've got potential
Ready? Let's roll on to something new
Taking it's toll and I'm leaving without you
'Cause heaven ain't close in a place like this
I said heaven ain't close in a place like this
Bring it back down, bring it back down tonight
Never thought I'd let a rumour ruin my moonlight
Alguém me contou
Que você tinha um namorado
Que se parecia com uma namorada
Que eu tive em fevereiro do ano passado
Isso não é confidencial
Eu tenho potencial
Pronto? Vamos começar alguma coisa nova
Estou pagando esse preço e eu estou partindo sem você
Porque o paraíso não está nem perto de um lugar como este
Eu disse que o paraíso não está nem perto de um lugar como este
Traga de volta, traga de volta hoje à noite.
Nunca pensei que um boato estragaria meu luar”
Logo a voz que feminina soava dentro do vagão, avisando que a minha parada seria a próxima. Ajeitei as minhas roupas e a minha bolsa para sair e então assim que a porta se abriu eu passei pela mesma e comecei a andar por entre a estação, procurando a saída.
Alcancei logo a rua, sentindo o vento frio das 19 horas baterem sobre o meu rosto e apertei com força o meu casaco andando mais apressadamente em direção ao final da rua, onde ficava o prédio. A rua estava bem movimentada, com carros passando na avenida.
Parei enfrente a um poste antigo que dava de frente para o nosso prédio e olhei em direção ao nosso, tentando enxergar alguma luz. Logo o sinal ficou verde para os pedestres e eu atravessei a rua. O problema de morar aqui é essa agitação de carros aqui em frente.
Passei pelo porteiro desejando como sempre um, boa noite e recebendo um em troca. Adentrei ao elevador e fiquei ali esperando até o mesmo fechar a porta e começar a subir para o meu andar, já que me encontrava sozinho. Meu celular vibrou no bolso e eu peguei o mesmo em mão vendo que havia chegado uma nova mensagem de Eren.
“Armin-kaachan, vou chegar um pouco mais tarde. Não se preocupe com o jantar, vou levar...
Bjos de mim, o gato de olhos verdes ;)”
Bufei e depois de dar uma risadinha fiquei olhando os botões ascenderem até chegar ao meu. Sai do mesmo andando em direção ao meu apartamento. Depois de pegar a chave e rodar ela na fechadura, andei pelo pequeno corredor de entrada, até ir à porta da sala. Vi a televisão ligada em algum canal que passava “Madagascar: Os procurados”, e Lian sentadinho no sofá olhando a TV atentamente.
__Tadaima... _sussurrei e o pequeno me olhou com os cabelos negros caindo nos olhos brilhantes.
__Tio Armin! _ele ficou de pé no sofá dando um sorriso, mostrando aquelas tão lindas covinhas ao lado dos pequenos lábios vermelhos, com os olhos verdes fechados em um sorriso.
Caminhei até o mesmo o abraçando e dando um beijo no topo de sua cabeça, e quando fui me soltar ele me puxou pela camisa, me fazendo cair no sofá com ele no meu peito a dar gargalhadas para a Tv onde o Rei Julian dançava no meio do oceano com vários fogos de artificio.
__Você não viu nada... _eu falei e o pequeno me olhou e sorriu.
__Assiste comigo tio?
__Cadê o tio Jean? _perguntei me sentando e colocando o pequeno garoto no meu colo que segurava o controle com as duas mãozinhas.
__Ele está se arrumando... _o pequeno falou dando uma risadinha para o filme.
__Arrumando? _mumurei baixinho para o pequeno que virava a cabecinha para o lado esquerdo de uma forma fofa e inocente.
Foi quando ouvi uns resmungos lá para dentro e depois de colocar o pequeno sentado no sofá, que se jogou como uma boneca de pano nos meus braços, dando risadinhas e pedindo para eu ficar como ele. Andoe em direção ao quarto de Jean, abrindo a porta e encontrando o mesmo todo arrumado, com uma calça Jean rasgada no joelho e uma camisa salmão em gola V e por cima uma jaqueta marrom de couro, com um supra skytop vermelho com branco.
__Aonde você vai?
__Ah! _Jean gritou assustado enfrente ao espelho _Você poderia ter avisado!
__Hum... Responde _perguntei encostando-me ao batente da porta, enquanto o moreno voltava a arrumar o cabelo naquele bendito topete curto que ele gostava.
__Tem uma garota na minha sala que entrou ontem... _ele falou dando um sorrisinho e eu cerrei os olhos _Eu resolvi ser simpático e apresentar a escola para ela ontem, e hoje ficamos conversando... Bem, eu a chamei para tomar um Chopp...
Engoli em seco, vendo o mesmo sorrindo todo orgulhoso do seu ato. Meu coração apertou com força no peito, enquanto eu respirava fundo e olhava para o chão. Eu já havia me acostumado com essas coisas...
Jean me tratava com carinho e respeito. Era a melhor pessoa que existia no fundo, e me protegia com unhas e garras, tanto quanto Eren, mas ele sempre me magoava de um jeito tão profundo que nem imaginava. Claro que ele não tinha culpa por eu amá-lo, e sim, eu sabia muito bem que ele era heterossexual, mas isso nunca evitou que meu peito se partisse um pouco a cada vez.
__Você iria gostar muito dela Armin... _ele falou rindo ainda para o espelho e eu novamente levantei aquela máscara que somente eu consigo. Sorri animadamente, enganando uma vez mais o meu peito e desfazendo-me um pouco a mais dos meus sentimentos.
__Eu duvido muito... As garotas que você se ‘relaciona’, tem baixo padrão para o meu quesito... _falei e ele fez um biquinho e me encarou.
__Você é muito fresco, vai acabar sozinho... Não sei como aguenta ficar na seca por tanto tempo _ele pegou um perfume na cômoda e espirrou.
Aquele mesmo perfume que sempre ficava toda vez que ele me abraçava. O mesmo que eu sempre sentia quando ele andava ao meu lado e dava aquele sorriso idiota dele. O mesmo que ficava no banco do nosso carro quando ele dirigia... O mesmo que eu tanto amava.
__Eu não estou na seca, Jean _falei suspirando _Diferente de você, eu saio com pessoas, mas não com a única intensão de transar com elas. Não que eu não faça sexo com ninguém, simplesmente faço com quem tenho um mínimo de atração, além do corpo, mas mente também...
__Você faz parece que eu sou um simples cara que só está atrás de uma vagina... _ele comentou me encarando sério e eu dei um sorriso zombeteiro.
__E não é? _falei me virando irritado.
Não sou santo a ponto de falar que nunca transei com ninguém. Já fiz tanto com mulheres como com homens, mas não me sinto simplesmente satisfeito quando outras pessoas tocam o meu corpo. E para me excitar sempre tenho que pensar naquele maldito que está a se arrumar para mais alguma vagabunda da rua.
Segurei-me na parede, enquanto respirava fundo. Eu já estava cansado de chorar quando o Jean fazia essas coisas. Meus sentimentos eram tão aparentes para ele, que até Eren havia descoberto, mas ele ou se fingi e faz para me machucar, ou é um tapado completo. E agora novamente eu iria varar mais uma noite deitado na minha cama e chorar feito um inútil, enquanto ele estaria fudendo alguma vadia que pegava naquela faculdade, que mais parecia um puteiro.
__Tio Armin! _ouvi a doce voz me chamando e então os passinhos apressados do garotinho baixinho que abraçou a minha perna direita e novamente entortou a cabecinha para o lado esquerdo me olhando de forma inocente com um sorrisinho tão encantador nos lábios _Peguei você!
Olhei para aquele garotinho e então vi os olhos tão belos do meu melhor amigo ali e me abaixei em sua frente apertando o seu nariz branco e fino, que logo ficou com a pontinha vermelha, enquanto o mesmo olhava para os meus dedos, ficando um pouco vesgo.
__Peguei o seu nariz... _falei soltando e o pequeno arregalou os olhos e então passou a mão no nariz.
__Não ele está aqui, Oh! _ele apontou para o nariz ainda com os olhinhos vesgos e eu sorri.
__Você é tão esperto! _eu falei abraçando ele e o mesmo passou as suas mãozinhas pelo meu corpo, não alcançando tudo e ficando com elas nas laterais do meu corpo e me apertando com força.
__Igual o tio Armin! _ele falou me encarando com um enorme sorriso no rosto _Eu quero ser inteligente igual o tio Armin!
__Hum... Ainda bem que você não quer ser alto, pois isso seria impossível _ouvi a voz atrás de mim e vi Jean parado atrás de nós fazendo um bico.
Lian fechou a cara e levantou o nariz irritado e saiu andando em direção à sala. Sorri vendo os pequenos pés branquinhos se afastarem com os doces sons dos delicados pés batendo contra o chão. Ouvi Jean tossi baixinho e então me levantei sério novamente.
__Armin...
Não olhei para ele e segui direto para a sala, pegando o pequeno no colo e o colocando em meus braços. Jean apareceu novamente na sala, tentando chamar minha atenção, mas eu simplesmente só fiz focar minha atenção na pequena e regular respiração que o mais novo soltava, juntamente com aquelas doces gargalhadas.
Ouvi a porta bater com força e então mordi o lábio, escondendo o meu rosto nos cabelos negros. Um grave soluço subiu pela minha garganta e antes que eu pudesse soltar senti as mãozinhas quentes sobre o meu rosto e vi os orbes verdes me encarando preocupados.
__’Tá tudo bem tio Armin! Assim como o papai, eu estou aqui para você... _ele sorriu _Eu te amo...
Desta vez tudo é diferente, eu não estou tão sozinho...
~*~
O vento frio soprava o meu rosto, enquanto eu me dirigia vagarosamente pelas calçadas até a estação de trem. Meu peito batia um pouco mais rápido do que o normal, de um jeito estranho e que me deixa quente por dentro.
Apertei a sacola com comida entre os dedos e corri para a estação. Meu trem logo passou, e para minha sorte, não tão lotado como eu imaginava. Cheguei a minha parada em menos de 20 min, e logo estava dando pelas calçadas do meu bairro.
Era estranho eu não ter nada para falar, alguma coisa que me fizesse está remoendo as minhas dores, depois de ficar tão perto daquele homem moreno e com o humor tão indiferente. Na verdade, eu havia visto coisas que jamais pensei em ver...
Levi assim como Lian continha o mesmo jeito de sorri. Levantavam simplesmente os cantinhos dos lábios e olhavam para o lado esquerdo enquanto o cabelo negro parecia cair sobre a testa. Nunca havia visto ele sorri, mas parecia tão estranhamente... Quente...
Eu sempre soube que Lian se parecia muito mais com Levi do que comigo, mesmo que ele demonstrasse muito mais coisas do que ele, mas não podia negar que ver aquele sorriso e depois lembrar os lindos sorrisos de Lian, é realmente mágico.
Ouvi o som de uma buzina e olhei para avenida enfrente ao prédio. Enxerguei de longe o cara de cavalo saindo do prédio, e assim que atravessei percebi que ele estava irritado, resolvi não me meter e então caminhei em direção ao elevador.
Após caminhar um pouco, lá estava eu entrando no apartamento dos rapazes. Ouvi a Tv ligada e então vi o pequeno garotinho sentado sobre o sofá rindo de forma meiga para um filme infantil. Andei a passos curtos até o sofá e depois do menor dar mais uma gargalhada, eu lhe dei um beijo no pescoço.
__Nham Nham que cheiroso! _exclamei e o menor deu uma gargalhada e abraçou o meu pescoço _Vou comer um baixinho inteirinho do jantar!
__Hahaha Eu... Hahaha... Não sou baixinho! _ele falou entre gargalhadas, enquanto eu o pegava no ar e beijava o pescoço, tórax e mordia a barriga dele, apenas ouvindo as doces gargalhadas _Papa!
Soltei o menor no chão que não quis ficar de pé e então o coloquei deitado no sofá, enquanto ele dava risadinhas. Beijei o topo de sua cabeça e fiquei olhando aquele lindo sorriso de canto e tão cheio de vida.
__Eu te amo...
__Eu também te amo papa! _ele falou sorrindo e então eu o soltei.
Peguei a comida que estava sobre o chão e caminhei até a cozinha, encontrando um loiro de frente para pia com fones de ouvido brancos, onde eu conseguia escutar a música que estava tocando. Coloquei a comida sobre a mesa, assim como a minha bolsa e depois caminhei em direção ao Armin, com intenção de lhe dar um susto, mas então ouvi um soluço e percebi os olhos vermelhos e transbordados de água do menor.
__Armin? _toquei o seu ombro e então ele me olhou assustado.
__E-Eren... _ele passou a mão no rosto e então se virou pegando o pano de pratos e passando nas mãos _Você me assustou, não deveria fazer isso...
__Por que você está chorando?
__Chorando? Não eu... Estou apenas com uma reação alérgica _ele falou indo até as sacolas sobre a mesa e retirando os depósitos com comida _Você trouce bem comida, mas o Jean não vai comer conosco...
__Vocês brigaram?
__Não... Tecnicamente _ele falou colocando a salada na geladeira e então me encarou _Ele saiu com uma “amiga” da faculdade sabe... Eu estou acostumado, não se preocupe. Doí um pouco, mas você acaba se acostumando com a dor...
__Uhum... _cerrei os olhos _Você está assim desde que ele saiu?
__Eu estou assim desde 13 anos até hoje... _ele falou esfregando uma mão na outra, enquanto olhava o chão amargamente _Eu pensei que quando nós morássemos juntos, ele perceberia... Ele entenderia... E ele...
Suspirei e caminhei até o loiro, puxando ele para um abraço, o mesmo pareceu surpreso e então com um enorme soluço deixou suas lágrimas rolarem em abundancia. Suas mãos apertavam a minha cintura com força, enquanto ele escondia o rosto no meu ombro.
Passei as minhas mãos de forma delicada na cabeça do loiro, que simplesmente continuou a soluçar e a chorar, sem palavras ou beleza. Sem clichê ou coisinhas bonitinhas, simplesmente chorou até a garganta ficar seca e os olhos ficarem irritados. Não me importava com a camisa molhada, eu poderia lavar ela depois, mas a dor de Armin, isso eu não podia substituir por algo artificial e deixar como novo, não ele precisava de um ombro...
Eu não precisava falar palavras bonitas, pois nenhuma na verdade me parecia vim à tona, e as que surgiam parecia ser estupidamente formuladas, então ficamos lá, apenas abraçados e com o som da televisão na sala, as gargalhadas de Lian e o choro de Armin.
__M-Me desculpa... Eu sujei a sua camisa... _ele falou me soltando e abrindo um sorriso triste que apertou o meu peito.
__Ela já estava suja, não se preocupe... Melhor?
__Um pouco, eu... Fazia tempo que eu não chorava assim _ele falou passando a costa das mãos sobre os olhos vermelhos.
__Armin... _eu abri um sorriso tranquilizador para o loiro _Eu estou aqui...
~*~
Caminhei de forma lenta até a enorme porta de madeira, abrindo a mesma entrando e adentrado ao enorme apartamento com as luzes apagadas e uma brisa fria rodando pelos cômodos. Deixei as minhas coisas sobre uma mesinha e me joguei no sofá.
Às vezes era realmente difícil chegar em casa e apenas receber o silêncio como resposta. No principio era bom viver só, apenas contando comigo, onde eu arrumava as coisas de um jeito e lá elas permaneciam, mas com o tempo os fantasmas pareciam voltar para te assombrar.
Não sei se me sentia melhor ou pior no trabalho. Não conseguia dormir, ou comer direito, e amanhã apenas entraria partir do meio-dia, por conta do meu trabalho exaustivo que já estava direto por várias horas.
Peguei o controle sobre a mesinha e liguei a TV, olhando para o controle e então percebendo que não tinha nada que eu realmente gostaria de ver, e assim simplesmente a desliguei e me deitei de forma mais relaxada do sofá.
Fechei lentamente os olhos, procurando o sono que deveria ser meu companheiro, mas este apenas sumiu ao relembrar de olhos verdes luminosos e um sorriso tão sedutor e encantador.
Aquele pirralho parecia realmente tão... Distante de minhas mãos. E isso parecia tão estupidamente irreal, mas mesmo que estivéssemos sorrindo, jamais conseguiria de enxergar a dor e a amargura que ele carregava.
“... Não se preocupe querido... Não quero que se sinta sozinho nunca, procure por pessoas que realmente te amem assim como eu... Dê esses seus lindos sorrisos, pois a mamãe os ama. E acima de tudo não viva com medo de quebrar as coisas, mesmo sendo ruim este tipo de coisas sempre irão acontecer... Eu queria tanto poder te acompanhar... Mas a mamãe não pode... Só que eu vou mandar um anjinho para cuidar de você... Alguém que vai te amar com todos os seus defeitos e falhas, assim como eu e que você sempre irá cuidar... Levi... Não chore.”
Engoli em seco ao ouvir a voz de minha mãe ressoar como um mantra na minha cabeça. Desde aquele dia, eu nunca havia chorado... E nunca mais havia sido amado em minha vida. Apenas existia a mim e a louca da Hanji, cujo eu, mesmo tendo nossas diferenças a abracei.
Quando crianças em sempre imaginei que o “anjinho” que minha mãe dizia ter deixado, mas com o tempo, e com as coisas que fui submetido a passar, acabei percebendo que não passavam de mais palavras vazias feitas para enganar uma criança desolada.
Fechei os olhos e então enxerguei um sorriso diferente, mas tão familiar. Daquele garotinho baixinho e de olhos verdes, que parecia tão inocente, sem saber como a vida era cruel. E estranhamente pensar nele me deixava tão tranquilo...
Fiquei relembrando os finos traços, o doce sorriso e os olhos tão brilhantes. Conseguia imaginar aquele pirralho com o pequeno, e estranhamente parecia uma visão tão quente e acolhedora...
__Um anjinho... _sorri lembrando aquele sorriso, tão parecido com o da minha mãe... _Hum... Ele me lembra à senhora mamãe, que estranho...
Estranho...
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