Fiction

9 発見 "Descoberta"


Notas iniciais
E ae minna, aqui estou eu com mais um cap kkkk E meio que não ficou bem dramático como eu queria, porque o rolo rola melhor acho que no próximo que já comecei a escrever. Agradecendo imensamente pelos comentários e pelas recomendações novamente, e só avisando que ate a segunda semana de abril a Lae-chan não vai posta :( Estou na semana crítica de trabalho: Segunda tenho uma prova e duas apresentações, terça prova e dois trabalhos, quarta trabalho, duas apresentações e sexta eu acho que estou livre... acho kkkkk Então Mirabili e Fiction não serão postadas até a segunda metade de abril, pois eu acho que é quando a minha vida vai aliviar um pouco mais. O pior é que sou representante e tenho que ir paras as reuniões no meio da semana, além dos trabalhos no clube kkkkk '-' Deixando de enrolar, enjoy

Meu peito já não passa de uma simples moradia;

Lar de meus sofrimentos e inseguranças.

Correspondendo ao nada que tanto me guarda, enquanto eu flutuo neste fim.

Criações sem impuras que simplesmente flagelam minha alma...

Enquanto sibilo por piedade uma vez mais.

“Quanto tempo ainda estarei a perseguir esta dor que se alastra aqui dentro? Correndo como um louco, enquanto tento um pouco mais dar sentido a minha reles vida sem insignificância. Onde nem meus descendestes me anseiam, e nem os antepassados me adoram.”

“Sou um ser errante que vaga por entre a vida sem riqueza e sem vitória, simplesmente vivendo por viver enquanto os dias vagam na imensidão infinita do tempo. Oh! Este que tão belo e inoportuno, dando-me oportunidades que não gostaria nos tempos que acontecem, mas que hoje clama para uma segunda chance.”

Retirei lentamente os óculos de meu rosto, enquanto desligava o computador naquele maldito blog. Não sei quando foi que comecei a gostar de ler coisas que garotinhas em fase se excitação, escreviam simplesmente para sentirem-se melhores e passarem um sofrimento que talvez nem exista, causado pelo simples fato do emocional adolescente ser tão transtornado. A verdade é que estava tão entediado que ia procurar alguma coisa que saciasse a minha gula por conhecimento que não se baseassem simplesmente em tratamentos e coisas para curarem uma doença errônea.

Engoli em seco olhando para a janela fechada que mostrava a chuva escorrer lentamente pelo vidro abafado, enquanto o aquecedor tentava ameninar a temperatura no ambiente. A televisão estava ligada, enquanto minha xícara de chá descansava sobre a mesinha de centro.

Meu celular tocava sobre a mesinha próxima a porta de saída insistentemente com o número da maldita quatro-olhos aparecendo no visor. Por isso odiava os meus dias de folgas, sempre colidiam com os delas e a mesma sempre tinha um plano ou algo de “irmãos” para fazermos.

Retirei os meus óculos de leitura, enquanto me espreguiçava mais no sofá, sendo abraçado pelas cobertas sobre o meu colo. Fechei os olhos tentando escutar a chuva, que por conta do silêncio se tornava facilmente ouvida pelos cômodos tão vazios e sem vida.

[... Dando-me oportunidades que não gostaria nos tempos que acontecem, mas que hoje clamo para uma segunda chance].

__Oportunidades nee?...

Passei a mão pelos meus cabelos levemente úmidos pelo banho matinal de agora a pouco, a verdade é que eu havia dormido metade da noite neste maldito sofá até que a casa ficou tão fria que eu praticamente acordei congelando.

Olhei para a televisão onde passava algum filme de ação, que eu nem havia reparado direito, apenas sabia que o mocinho estava fugindo de alguma coisa com uma médica que estava tentando curar ele de alguma droga, ou seja, a merda que for...

A casa estava completamente limpa como de costume, meus relatórios prontos, meus projetos organizados sobre a mesinha no meu quarto. E exatamente agora eu não tinha nada para fazer além de assistir televisão e ficar vegetando como as pessoas sem tempo fazem.

(Ding-dong)

O som estridente da campainha cortou todo o silêncio da sala que apenas consistia-se em barulhos das lutas sobre motos e da mulher se preocupando exageradamente com um espião que estranhamente era foda de mais para morrer...

Suspirei pondo-me de pé e andando em direção ao corredor de entrada e calçando minhas pantufas cinza. Cheguei próximo à porta e comecei a ouvir o meu celular voltar a tocar loucamente dentro do apartamento, resmunguei abrindo a porta.

__Você não podia deixar-me em paz somente hoje? _Perguntei para a morena de óculos, com os cabelos úmidos e os óculos molhados por conta dos respingos da chuva.

__Haha! Você está sempre tão lindo de moletom... _ela apontou para as minhas calças cinza escura e para a minha blusa de mangas longas cinza claras _E ainda por cima prendeu o cabelo...

__Estava lendo... _sussurrei enquanto abria a porta e deixava-a adentrar a casa.

Hanji deixou as suas coisas sobre a mesinha no corredor enquanto eu fechava a porta, andamos de volta para a sala e me sentei no sofá e então ela se jogou ao meu lado.

__Você não tem algum dever de mãe de família para fazer não? _perguntei aumentando o som da televisão.

__Nina foi para o colégio... _Ela falou dando um longo suspiro _Erwin está trabalhando e bem...

__Sobrei apenas eu, não é? _a encarei a mesma abriu um largo sorriso.

__Mas Levi não seja tão ingrato com a sua onee-chan! _ela falou pulando em cima de mim e me abraçando.

__Droga Hanji! _falei enquanto a segurava para não cairmos no chão frio _SUA LOUCA!

__Haha Você já tomou café? _ela perguntou sentando sobre os joelhos e me olhando com um sorriso de orelha a orelha _Vou preparar algo para nós Levi-chan...

Ela saiu de cima de mim cantarolando feito uma louca e foi para a cozinha. Suspirei me jogando no sofá, enquanto encarava o teto e ouvia o som das minhas panelas caindo no chão, os armários batendo e os resmungos da Hanji como se estivesse se batendo em tudo que tocava.

Às vezes era assustador morar com aquela louca, quantas vezes ela não andava no corredor e por simplesmente olhar para trás ia direto contra a parede e quebrava as lentes dos óculos? Sentei-me e fui em direção à cozinha, onde ela estava com o meu avental azul-escuro e procurava nos armários sobre a pia algo.

__O café fica no armário, louca _apontei para a porta que dava para o armário.

__Hã? Obrigadinha gatinho _ela falou piscando e eu mordi o lábio inferior para o meu tique que adquiri com a vivência com ela não voltasse. Hanji voltou em poucos minutos e se pôs enfrente ao balcão onde ficava o fogão embutido no mesmo. E de frente para ele ficava outro balcão grudado à cozinha com a pia e sobre elas alguns depósitos _Eu queria ver quem era o amiguinho da Nina que ela fala tanto...

__Estou tão feliz _ela falou se abraçando e mexendo a cintura _Nina não é de fazer amigos, mas finalmente fez um amigo! Ah! Estou tão feliz... Mas o garotinho tão tinha chegado e eu meio que fui expulsa pela minha própria filha... _ela fez um bico enquanto adicionava açúcar à água.

Hanji mesmo que sendo um grande desastre sempre teve uma ótima mão para cozinhar, e adorava coisas frescas e não artificiais, por isso eu meio que tinha a me acostumado com o café pronto em casa do que nas cafeteiras, parecia não conter o mesmo sabor forte e amargo que tanto me agradava.

__Pelo menos ela puxou mais ao Erwin... _Resmunguei baixinho.

__Nee Levi, eu encontrei com a Petra um dia desses... _Hanji falou ficando repentinamente séria e então despejou o café dentro da garrafa. Cerrei os olhos pegando duas xícaras.

__Como ela está?

__Ela está bem, feliz... _ela falou colocando algumas coisas de acompanhamento sobre a mesa _E grávida...

Congelei no meio do caminho e engoli em seco. Lembro-me que um dos motivos por mais brigarmos era o grande desejo dela de ter filhos, mas eu não me sentia feliz com ela e não poderia trazer crianças para uma casa sem amor... Não como ‘ele’ fez a mim e a Hanji...

__Hum...

__Ela perguntou sobre você... _Hanji se sentou e eu coloquei as xícaras na frente dela, enquanto ela despejava o líquido quente sobre as cerâmicas vermelhas bem feitas e eu me sentava a sua frente _Falei que você estava bem, esforçado... Ela ainda se preocupa pela sua cicatriz que ganhou no exército...

__Não foi grande coisa _exclamei soprando a xícara _Ainda bem que ela está feliz...

__Sabe as pessoas sempre te acharam um louco, afinal Petra era a mulher perfeita para você. Sempre complacente e nunca te traiu, ao contrário de você...

__Eu realmente não quero falar disso, não gosto de lembrar que já pisei tantas vezes na bola com ela...

__Haha eu sei... _Hanj soprou de forma infantil a fumaça e então provou _Quente! Quente! _ela mostrou a língua e eu suspirei, fazendo a mesma sorrir de forma mais doce e me olhar _Você não se sente muito sozinho aqui?

__Eu estou bem...

__Uhum... Sabe, ouvi dizer que você indicou o novo psicólogo/psiquiatra Eren-kun... Erwin está apaixonado pelas habilidades do garoto... _ela falou sorrindo.

__Tsc...

__Se eu não me engano, e pelo que me lembro eu tenho memória fotográfica... Existia um Eren Jaeger na nossa escola do ensino médio-universidade... Um corredor muito bom e que já fazia varias garotinhas suspirarem. Tirei muitas fotos dele para o jornal e o meu blog naquele tempo sobre os “Nekos do ano”...

__E...? _tomei um gole da bebida amarga.

__A última corrida dele foi contra o time de basquete, antes de perder e então sumir pela escola. E então recebi um pedido de um dos jogadores, pelas minhas técnicas de investigação...

__Vulgo Espionagem...

__Haha... Assinada pelo capitão do time, vulgo você querido otouto... E quando eu descobri a verdade ele havia sido desistido da escola de forma suspeita, mesmo assim eu continuei a investigar para dar um ponto final, e soube que ele viajou primeiro para o interior e depois para a América... Onde começou a trabalhar com o tio Pixis...

__Onde quer chegar Hanji? _perguntei encarando ela séria, enquanto ela levava aos lábios a xícara.

__O mesmo nunca se casou pelo que Erwin me contou nos registros dele, e durante um ano sumiu do mapa... Foi dado como doente por volta de mais ou menos cinco meses depois da escola... Sendo que ele saiu da escola completando praticamente três meses que perdeu para você... Ou seja, em oito meses o menino ficou tão doente que foi internado em quarentena na clínica mais distante do titio...

__E..?

__E então ele aparece com um filho que tem cinco anos de idade, o mesmo tempo que faz que ele largou da escola... Ele engravidou uma garota doente, e então volta para Trost com a criança... Eu achei suspeito, só isso...

__E por que está me falando tudo isto?

__Bem, por que você o conhece, não? Afinal o indicou...

__Tio Pixis me mandou uma mensagem pedindo emprego para um prodígio... Foi isso...

__Sério? Então por que o velho ficou barganhando com o Erwin? _Hanji arqueou uma sobrancelha _Tem algo ai e eu conheço muito bem quando você está me escondendo algo Levi-neko-sama...

__Olha Hanji... Eu... Hum o menino desistiu depois de perder para mim, me senti um pouco mal só isso...

__Oh!? Sério?! _ela sorriu _Então ele é o seu amigo?! Ah não acredito o Levi finalmente está fazendo amiguinhos!

Hanji ficou pulando na cadeira, feito uma louca enquanto eu suspirava. Olhei fixamente para a mesa, Hanji simplesmente parecia saber muito mais coisa sobre o pirralho, por isso sempre pude contar com este lado curioso dela, sabia que ela deveria ter investigado isso há pouco tempo, o que havia me dado uma grande luz.

Ele havia engravidado alguém doente?

E qual a doença que ele teve que não aparece nos arquivos?

E quem é a mãe daquele garotinho?

~*~

Estou cansado... Cansado de pensar tanto, de cansado como devo pensar...

Meu corpo que parece tão leve, simplesmente pesa, levando-me em direção ao mar de inquietação que agonia a minha cabeça. É tão complicado sentir coisas que você não é acostumado, e pensar torna tudo mais ainda insano.

Eu só gostaria de uma saída... Gostaria que você fosse a minha saída, mas como isso pode acontecer, se você é a pessoa que perturba meus sentimentos?

~*~

Não sei ao certo quando concordei em sair de casa, e muito mesmo com Hanji, mas realmente já nem me importava mais em tentar descobri como é que ela conseguia me convencer. Estávamos caminhando pelo centro da cidade, que estava infelizmente cheio.

A quatro-olhos pulava loucamente, entrando de loja em loja, gastando tudo o que podia e não podia, eu só esperava que Erwin não falisse em menos de um dia. Ela conversava de vez em quando com algum conhecido, sobre objetos que precisava para uma pesquisa, enquanto eu apenas comprava algumas coisas que estavam em falta, que não dava nem por volta de uma sacola pequena.

__Levi! _a morena voltou pulando do meu lado, enquanto trazia consigo dois sovertes, que não entendia da onde deveria ter tirado _Baunilha ou morango?

__Não gosto de doces e você sabe _Falei suspirando, enquanto a mesma fazia um biquinho. Duas crianças passaram perto da gente e Hanji entregou o sorvete para um delas, só que a mãe da criança veio ver o que era e começaram alguma discussão.

Sinceramente...

Parando para pensar agora, o centro estava realmente lotado de crianças. Não entendia muito bem o porquê, afinal os fedelhos deveriam está em alguma creche, mas invés disso estava a encher o caminho. A maioria usava fardamento, apenas algumas bem mais novas estavam a desfilar nos braços dos pais ou em carrinhos com roupas que deveriam ser consideradas normais para tocos de gente.

__Algum problema Levi? _Hanji perguntou chegado perto de mim.

__Não.

__A mulher me fez dar o meu telefone, se o filho dela passasse mal por conta de alguma coisa lá, eu seria presa... Para onde foi à fé na humanidade?

__Para o mesmo lugar que o teu bom senso... _reclamei enquanto meus olhos pousavam novamente para as crianças _Hanji, tem alguma coisa acontecendo para que as pestes estejam saindo mais cedo?

__Hum?... _ela encarou as crianças.

Hanji parou um tempo, tentando pensar em algo, enquanto eu comprava uma garrafa de água mineral, demoraram por volta de uns quinze minutos e eu já havia terminado de beber, claro depois de limpar, expulsado uns adolescentes de um banco e me sentado lá... Claro, não sem antes limpar ele também.

__Ah! _ela exclamou nervosa e com os olhos arregalados _Como eu pude esquecer?! Nina vai me matar! Temos que ir buscar ela agora Levi, explico tudo no caminho, espero que não se incomode e... Levi? Levi? _Hanji me procurou enquanto eu estava sentado do outro lado.

Suspirei me levantando e então caminhamos em direção para onde eu havia estacionado o meu Honda Vezel* na cor negra. Guardamos toda a tralha da quatro-olhos, que parecia nervosa e então dei partida, seguindo pela rua.

__O que você esqueceu?

__Bem... É que hoje foi anunciado que as horas escolares seriam diminuídas por conta de um problema que eu não me recordo bem, mas sei que tem a ver com os professores e a câmara educacional.

__Como você esquece uma coisa dessas? Não sei como já não esqueceu algo dentro de um paciente...

__Por favor... _Ela fez bico.

__Há Quanto tempo estamos atrasados? _perguntei seguindo por um sinal verdes, mas um belo de um filho da puta faz uma ultrapassagem no sinal vermelho para ele, me fazendo estancar o carro _Desgraçado...

__Bem, uma ou duas horas... _Hanji suspirou e eu a encarei.

Realmente como é que a Nina conseguia sobreviver com uma mãe como aquela. Seguimos viagem, com Hanji reclamando o como eu era lento e logo chegamos enfrente a creche que estava deserta, com apenas dois carros estacionados enfrente ao local, estacionei em uma vaga próxima a porta e logo saímos do mesmo.

Hanji começou a correr como louca, enquanto eu suspirei apertando o passo. A recepcionista não estava mais lá, e os computadores estavam desligados. Os corredores incrivelmente vazios e apenas uma sala no final do corredor estava iluminada, e de lá escutava a voz da Hanji.

Fui me aproximando a passos lentos, e podia escutar mais algumas vozes diferentes, mas não eram muitas. Andei até a porta e depois de passar pela mesma, vi Nina chorando em uma cadeira e as donas do estabelecimento, uma garota loira mais baixa do que e uma morena de pé mais alta, Hanji estava abaixada e todas elas estavam de costa para mim.

__Deveríamos ligar para o pai dele _a morena falou.

__Primeiro temos que fazer o curativo Ymir! _a loira falou um pouco irritada e então suspirou olhando para frente, tampando a minha visão, escutei o som da Nina fungando e a encarei.

__O que aconteceu? _perguntei e todas as mulheres me olharam, menos Hanji que continuou abaixada, mas ainda assim tampando a minha visão.

__... Foi sem querer titio! _Nina falou alto, enquanto passava a mãos nos olhos vermelhos e marejados.

__Não foi culpa dela! Eu fiz por que quis! _ouvi uma voz baixinha e um pouco amedrontada soar e me dirigi em direção às mulheres que permaneciam paradas. Vi que Hanji olhava algo de forma assustada e surpresa então meus olhos recaíram para o motivo.

Lá estava aquele garotinho de cabelos negros e olhos verdes, que mordia os lábios vermelhos, enquanto os olhos estavam marejados. Havia um corte em sua coxa, não muito grande, mas sangrava um pouco.

__Por que você não faz o curativo logo Hanji-san? _Christa perguntou e Hanji se assustou olhando em minha direção de forma séria.

__Sabe quando eu falei aquelas coisas, eu estava brincando, mas agora já não faço ideia... _Franzi a testa e então ela levantou o short da criança um pouco mais, mostrando uma marca...

Senti a minha respiração parar por segundos, enquanto encarava aquele menino que estava olhando os adultos de forma assustado, e então aqueles olhos grandes e brilhantes de um tom verde tão encantador pairaram sobre mim.

__Não pode ser... Isso é impossível... _sussurrei assustado e Hanji concordou.

~*~

Suspirei uma vez mais, enquanto fechava a minha pasta no final daquele exaustivo dia. Cuidar de crianças, e ainda aguentar um bando de psicólogo e psiquiatras reclamando sobre um garoto que acabou de fazer carreira está sobre o comando de um departamento inteiro, não foi nada fácil.

“Vocês tiveram seis meses antes do pirralho aqui vim de fora para concertar as besteiras que fizeram. Não me interesso por merda nenhuma do cargo de chefe de departamento, nas não abram a boca para falar mal do meu trabalho.”

Odiava ser um grosso, mas quando percebi as palavras já havia saído da minha boca e assim apenas consegui o silêncio e respeito de alguns médicos mais velhos e experientes, e de alguns novatos. Erwin-san estava ao meu lado durante a reunião e simplesmente sorriu de forma confiante para mim depois.

E depois as crianças, elas não eram realmente o problema, mas sim os pais delas que reclamavam dizendo que os seus filhos não tinham problemas nenhum na maioria das vezes conseguia descobri coisas que os pais escondiam dos médicos como uma garotinha que fraturou o braço por conta de uma surra da mãe, não que todos não cooperassem, mas sempre erra um pouco problemático.

E agora já anoitecia e eu teria que voltar para casa. Armin havia me ligado mais cedo, avisando que Lian havia saído mais cedo e que o mesmo iria busca-lo e então iriam fazer compras. Teria que ir para a estação, e o jantar estaria por conta de Jean.

Sai do prédio, arrumando o cachecol azul-escuro no meu pescoço, enquanto caminhava pelas saídas do hospital rumo à calçada. A noite estava bem fria e eu apenas desejei está em casa com a minha caneca roubada do Jean com chocolate quente, e o meu pequeno no colo.

Acabei dando um sorriso bobo enquanto caminhava distraidamente pela rua. Conseguia ver algumas pessoas andando apressadamente a falar no celular, enquanto outras caminhavam em casais, rindo docemente, algumas até acompanhadas de crianças.

Continuei andando até dobrar o hospital e antes que pudesse atravessar a rua, um carro preto estacionou na minha frente de forma rápida, permaneci parado no lugar, até que o vidro fume espelhado deslizou e então consegui enxergar a fisionomia de uma pessoa bastante conhecida, sentada enfrente ao volante.

__Entra _a voz soou rouca e fria, senti uma apreensão no peito e então engoli em seco, dando um sorriso.

__Estou indo para casa, não preciso de carona _falei arrumando o cachecol no pescoço e pronto para me virar, quando ouvi a porta do carro próximo a eu abrir.

__Eu mandei você entrar, e pela porra de uma única vez, move a merda desse seu traseiro e senta aqui... _ele me olhou raivoso, e senti algo dentro de mim gritando que eu deveria correr e nunca mais olhar na cara dele, mas outra voz gritava que aquilo era sério demais para uma vez mais tomar uma decisão infantil.

Suspirei fechando os olhos e andando até a porta abrindo a mesma. Sentei no carro que estava bem aquecido e depois de fechar a porta e colocar o cinto de segurança, o mesmo deu partida na rua, parando logo em um sinal.

__Onde você mora? _ele perguntou seco enquanto manobrava o carro.

__Shinagawa*, próximo ao Parque Legion _sibilei, enquanto tentava esquentar as minhas mãos.

Ele logo deu inicio a corrida silenciosa, e quanto mais os minutos transcorriam, mas nervoso eu me sentia. Às vezes ele me lançava olhares estranhos, duvidosos e descrentes, mas talvez a proximidade que estivesse a me deixar meio paranoico.

__Sabe, eu descobri que você adoeceu assim que saiu do colégio e ficou por volta de um ano internado no hospital do Pixis... _ele falou e eu o encarei confuso.

__Como?

__E estranhamente logo depois você se tornou pai... Sendo que você havia ficado de quarentena, se eu me recordo bem _ele falou seco e eu engoli em seco.

__Como sabe essas coisas?

__Não vem ao caso, mas algo desde que você chegou vem me deixando bem curioso. Você saiu do colégio jovem, adoeceu e ficou internado em quarentena, sai do hospital pai de uma criança onde a mãe não se manifesta... _ele falou rindo debochadamente e então eu engoli em seco olhando para frente _Só vou perguntar uma vez, quem é a mãe daquele garotinho? E se você não for sincero comigo, eu vou saber...

Ele me olhou sério e senti como se seus olhos queimassem a minha pele, da forma como ele me olhava. Conseguia ver raiva bem estampada naquelas feições tão inexpressivas, e isso apenas me assustava. Engoli em seco, havia uma resposta pronta desde que Lian havia nascido, e mesmo que as pessoas achassem nojento, era muito melhor do que a verdade.

__Do que te interessa sobre a mãe do meu filho? _falei olhando de forma séria para ele que sorriu de canto, voltando à expressão impessoal enquanto seu olhar se dirigia a rua.

__Pirralho, é melhor você me responder... _a voz saiu arrogante e orgulhosa e um tanto ameaçadora, de uma forma que todo o meu corpo se arrepiou.

__Minha vida pessoa não lhe interessa Levi-san, então peso que pare com suas perguntas _falei engolindo em seco, enquanto o carro entrava em um silêncio quase suicida.

O carro foi sendo guiado pelas ruas em uma perfeita direção. Não queria olhar para ele, pois tinha medo de acabar estragando cinco anos de experiência fora, mas a minha boca queria tanto falar a verdade e então ver o sorriso sarrista dele no final declarando que tudo o que eu falava era impossível.

__Você sabia que o seu filho se machucou hoje? _ele perguntou e eu o encarei raivoso.

__O que você fez?!

__Eu não fiz nada pirralho, baixe a merda da sua voz que eu não sou surdo _ele falou irritado e então suspirei seriamente, enquanto absorvia aquela informação. Saber que o meu filho havia se machucado e que eu não havia sido informado, parecia destruir o meu coração.

__Como ele está? _perguntei temeroso e preocupado, coisas que não passaram despercebidas enfrente aos olhos azuis gélidos. Às vezes agradecia a deus por Lian não ter puxado esses olhos, ou então eu não iria aguentar.

__Está bem, foi apenas um pequeno corte na coxa. Por sorte Hanji e eu fomos buscar a filha dela e então encontramos o garotinho lá com um corte por conta de uma brincadeira que deu errado e ele caiu no lugar da Nina...

Aquelas palavras tranquilizaram o meu coração, e eu suspirei aliviado enquanto sorria gradecendo a deus por nada de ruim ter acontecido ao meu pequeno. Passei a mão nos cabelos castanhos e sorri de forma tranquila para a janela.

__Graças a deus...

__Só que ele sangrou o suficiente para que eu tivesse uma amostra... _Levi falou sério e eu o encarei abismado.

__Do que está falando?

__Quem é a mãe daquela criança? _ele perguntou sério _Mesmo que você não responda, vou ter a confirmação de algo que você me esconde...

__ O que seria? _falei rindo nervosamente.

__Que ele é meu filho...

Cinco palavras... Cinco palavras que fizeram todo o ar dos meus pulmões saírem e me fizessem tossir nervosamente. Cinco palavras que tiraram o meu chão, assustando-me de forma que jamais imaginei, trazendo todos aqueles fantasmas do passado que tanto tentei afogar... Cinco palavras...

Nothing goes as planned

Everything will break

People say goodbye

In their own special way

Nada acontece como planejado

Tudo vai quebrar

As pessoas dizem adeus

Em sua própria maneira especial

Notas finais
música: In my Veins, Andrew Belle Honda Vezel é um carro que será lançado esse ano kkk Shinagawa é o nome de um bairro de Tóquio