Notas iniciais
Eu tentei arrumar o máximo que pude, espero que não esteja tão ruim.

Eu nunca fui de pensar profundamente sobre a vida, para mim era tudo como uma rima de um rap, não precisava pensar muito para juntar as palavras e dar um sentido do caralho. Tudo era fácil, eu acendia meu cigarro, e esquecia dos meus problemas.

Estava sentado no meu quarto ouvindo Eminem quando Dirk entra no meu quarto e diz alguma merda que eu não ouço, levanto da minha cama e arrumo meu cabelo que está com a franja longa.

Merda. A bagunça do meu quarto já está ficando incontrolável, tem desde meias sujas até revistas pornôs.

Eu rio com o pensamento de que eu falo isso toda manhã e a bagunça só aumenta. Me levanto e apago meu cigarro no cinzeiro do lado do meu laptop, olho minhas mensagens e John tinha falado comigo.

“Cara, chegou aquele jogo que a gente tava falando, passa aqui”, respondo que já estava chegando, e abro minha janela, deixando a fumaça sair e o ar fresco entrar. Aceno para meu vizinho que está mostrando o dedo do meio para mim, ele é um cara legal.

Saio de casa e pego a minha moto, ou melhor, minha lata velha. Estou vestindo minha jaqueta vermelha (de sempre) quando pego a avenida principal da cidade.

Se tem uma coisa que eu não faço é correr no trânsito, é o que se aprende quando seus pais morrem em um acidente brutal de trânsito. Eu sempre tomo cuidado, e essa é uma das coisas que eu levo a sério – não que eu não leve muitas coisas a sério – mas, eu não sei o que houve. Essa garota simplesmente apareceu na minha frente, é claro que eu freei assim que percebi sua presença, mesmo assim tocando ela.

— Você é cega, caralho?! – Eu disse no calor do momento, me arrependendo na hora, mas que porra. Ela abaixou seus óculos vermelhos e seus olhos esbranquiçados encararam minha alma, um arrepio na minha espinha me fez provavelmente ficar com cara de tonto.

— Na verdade eu sou, mas nem por isso eu não consigo “ver” que você dirige muito mal.

Eu não sei o que eu deveria sentir agora, raiva? Dó? Eu só consigo pensar o quão babaca eu fui.

Tive que sair da avenida e parar no estacionamento de uma lanchonete, pois já estavam buzinando para mim, ela foi atrás de mim.

— Olha, eu não tinha te visto. – Eu disse passando a mão na minha nuca de forma desconfortável.

— E depois eu sou a cega. – Ela sorriu para mim, seus dentes eram extremamente brancos.

— É, sobre isso, desculpa pelo que eu disse. – Respiro fundo e saio de cima da moto, desligando–a. – Se quiser, eu te pago um lanche.

— Você não tem jeito de ser um cavalheiro, por que está fazendo isso?

— Para eu provavelmente não ser processado – Eu ri, e ela riu comigo. Sua risada era extremamente alta, e as pessoas que passavam na calçada nos olharam.

— Até porque eu sou advogada.

— O que? Sério? Você não parece ser velha.

Eu dei uma olhada melhor nela, ela não era velha e nem feia, ao menos pra mim. Sua pele era clara, seus cabelos ruivos, e ela tinha sardas nas maçãs do seu rosto. Aproveitei e dei uma checada em seu corpo. Ela era gostosa, seus seios eram de tamanho médio, mas podiam encher um pouco mais que minha mão. Suas coxas eram grossas, ela estava vestindo uma calça jeans branca.

— Não, ainda estou na faculdade. – Ela disse enquanto eu a observava – Da pra parar de olhar pra minha bunda?

Levei um susto, óbvio.

— Espera ai, como?...

— Digamos que eu consigo sentir seus olhos em mim, como... – Ela se aproximou de mim, quase encostando seu nariz ao meu – Se você me tocasse.

Engoli a seco, quase suando. Essa garota é tão estranha, que droga é essa?

— Vou... – Disse recuperando minha consciência – Vou te comprar seu lanche, vem.

Era a solução mais fácil para toda essa situação, a peguei pela mão e a puxei para dentro do restaurante. Conversamos durante a manhã toda, peguei seu telefone, e fui para a casa do John, que começou a jogar sem mim.

— Seu filho da puta, nem me espera – Eu disse jogando minha jaqueta no sofá e abrindo a geladeira, pegando o refrigerante.

— Você demorou demais e eu fiquei esperando mais de 3 anos! – John gritou da sala.

— Tá, tá; Minha vez de jogar. – Disse tomando um gole do refrigerante, indo para sala e me jogando do lado dele no sofá. – Não, mas sério, eu conheci uma garota.

— Você? Interessado em uma garota? – Ele riu e eu joguei uma almofada na cara dele – Hey!

— Estamos falando sobre mim, e não sobre o Dirk.

— Ah, como tá ele e o Jake?

— Fodendo como coelhos.

— Oh, wow, que merda cara.

— É, mas então, eu conheci uma garota – Disse pegando o controle da mão dele – O nome dela é Terezi, ela disse que faz faculdade de Direito.

O John me olhou como se tivesse visto um fantasma.

— John? Você conhece ela?

— Eu fiz o ensino médio com ela, era minha amiga.

— Pegou?

— Não, Meu Deus! Ela só era uma boa amiga.

— Claro, você era um nerd... Era não, ainda é.

— Cala boca, que você também é.

— Pelo menos eu tenho estilo, e elas gostam da minha música. Então ela deve fazer faculdade na federal, não?

— Dave ninguém ouve seus mixtapes e talvez, eu não sei, a gente nunca mais se falou. O sobrenome dela é Pyrope, se quiser dar uma de maníaco.

— Eu nunca corro atrás de garotas, você sabe disso, elas correm atrás de mim.

Horas depois eu estava em meu quarto, olhando as redes sociais dela. Ela era mais gostosa ainda em imagens, mas... Tinha algo de suspeito. Na maioria das fotos dela tinha um cara, “Karkat”.

Eles tiravam fotos juntos, mas não abraçados, mas mesmo assim, eles parecem se gostar.

Pra tirar a dúvida liguei pra ela e marquei um encontro, se ela tivesse namorado ela iria rejeitar, certo? Chamei ela para assistir um filme, ela riu, e me lembrou que era cega, mas que mesmo assim disse que gostava de ouvir os filmes, também me perguntou se podia levar amigos, perguntei quantos... “Eu vou levar dois amigos e um deles vai levar um amigo dele, então, vão ser três.”, falei tudo bem, acertamos o horário e ela desligou.

Puta que pariu, quem é que convida amigos para encontros? Quando a pessoa diz que vai assistir um filme?! Em pleno século vinte e um, todo mundo sabe que quando alguém te convida pra assistir filme é na verdade um convite pra se agarrar até cansar. Respirei fundo e convidei o John. Quer saber? Foda–se.

Será que era uma mensagem? Será que ela e aquele cara das fotos namoram? Eu já estava tão nervoso que John desistiu de me tranquilizar. Estávamos parados na frente do cinema, aonde eu tinha marcado com eles. Eles estavam atrasados, fiquei olhando para os meus pés pensando se tinha escolhido a roupa certa ou eu estava parecendo um idiota. Será que aquele cara estaria vestido melhor? Antes de sair de casa peguei qualquer merda que eu tinha, uma camiseta com alguma piada medíocre, meu blusão vermelho, e uma toca escrito “bad hair day”, é, eu sei, mas não podia ter saído com esse cabelo longo ou iria parecer um emo.

John me cutuca, me fazendo sair daqueles pensamentos e eu presto atenção no grupo vindo em nossa direção. É claro que eu prestei atenção na Terezi primeiro, ela estava com uma saia verde azulada, um pouco acima dos joelhos e um top branco, ela estava sorrindo. Minha visão dela durou pouco, quando prestei atenção em um cara moreno, com os cabelos bagunçados negros, uma blusa dos Beatles e um olhar com ódio para mim, esse era o cara das fotos.

Olhei para o John, ele parecia totalmente vidrado e levemente atormentado. Logo percebi o que ele estava observando, haviam mais dois junto com eles, uma garota de cabelos longos negros, tatuagens, óculos de grau estilo aviador, um shorts jeans rasgado, uma camiseta preta e uma jaqueta com spikes. Estava escrito na cara ela “vou quebrar seu coração e rir da sua cara”, mas nenhum deles era tão atormentador quanto a visão ao lado dessa garota.

Um cara alto, com uma maquiagem de palhaço mal desenhada, uma camiseta roxa, com tatuagens, e piercings vinha sorrindo com um baseado na boca. Estamos no shopping, é sábado de tarde, e aquele cara estava com um baseado. Qual o problema dele? Engoli a seco, pensando “vai dar merda”.

Terezi veio até mim e me abraçou, eu retribui o abraço, dando de cara com aquele garoto me encarando como se eu estivesse enrabando a mãe dele.

— Dave, esses são meus amigos, Karkat, e Vriska, e esse é o Gamzee, amigo do Karkat – Ela apontou para cada um.

— Ah, esse é o John – Olhei para o John, que não parava de encarar os peitos da Vriska. – John.

Ele retornou a terra, totalmente vermelho.

— O... Oi! – Disse quase pulando, eu revirei os olhos para ele.

— Então você é o cara que atropelou a TZ? – Karkat me encarou, por um instante eu achei que ele ia me dar um soco.

— Bom... – Eu ia responder algo e a Terezi pegou na mão dele, me fazendo parar.

— Tudo bem, ele me pagou um lanche – Ela riu, e o garoto tirou a mão da dela, ficando levemente vermelho e olhando para o lado.

Eu não entendia o que estava acontecendo, talvez ela é quem goste dele, e não o contrário... Não sei.

— Vocês vão ficar conversando ou eu posso acender outro?

— O palhaço, Gamzee, eu acho, estava com um saco de maconha na mão.

— Ah, puta que pariu Gamzee, eu te disse pra guardar essa merda, você não quer voltar pra prisão né? – Karkat pegou o saco da mão do outro e botou em seu próprio bolso.

— Ah, qualé, você sabe que eu tenho necessidades.

— Vai pra puta que pariu comprar as porras dos ingressos – O garoto ficava até vermelho enquanto gritava, as pessoas passavam longe de nós. Óbvio.

John me olhou assustado, seus olhos emitiam um pedido de socorro, eu ri enquanto o palhaço saia de perto.

— Eu... Eu acho que preciso ir ao banheiro – Ele disse, tão baixo que quase não pude ouvir sua voz.

— Eu também preciso ir. – Disse Vriska, com um sorriso malicioso. Oh, parece que ela se interessou nele, ou apenas quer mijar, é uma chance de cinquenta por cento. Os dois saíram de perto, restando apenas eu, o Karkat e a Terezi.

— Então... – Disse colocando a mão na minha nuca – Vocês estão namorando?

Tem de ser direto, ou eu nunca vou sair do lugar. Pergunte se ela tem namorado, se ela não tiver, pega, se ela tiver, seduza-a até ela terminar, e ai você pega. Simples.
O garoto engasgou, me olhou como se eu fosse louco, e ele ficou – mais – vermelho.

— Namorar? Namorar é o caralho, vai tomar no seu cu, eu nunca ficaria com ela, qual a porra do seu problema?! Eu sabia que ele era um otário, eu senti isso – Ele olhava pra mim, gesticulando com as mãos, literalmente gritando.

Terezi não parava de rir, eu estava mais confuso do que nunca, mais confuso de que quando meu irmão disse que era gay, aliás, eu não estava confuso naquela situação, eu sempre soube que ele era, mas enfim.

— Não – Terezi parou de rir aos poucos, recuperando o fôlego, Karkat estava respirando rápido, com mais do que ódio nos olhos. – Somos amigos.

Quando tudo parecia ter se encaixado, eu percebi algo, aquele olhar de ódio se transformou em dor, eu vi o jeito que ele olhou para ela ao ouvir aquilo, eu posso querer comer aquela garota, mas aquele olhar me doeu também. Talvez aquele olhar me lembre de alguém que eu queria ter algo, mas eu sei que nunca iria querer, eu disse, logo em seguida olhando para o John, que estava voltando junto com a outra garota

—Relaxa, eu não vou contar que vocês se pegam quando não tem ninguém olhando, contanto que eu possa participar – Pisquei para ambos, Terezi riu, mas Karkat só ficou confuso. Então virei para John e a outra garota – Tem um pouco de batom no seu lábio, John. – Eu disse, zoando.

— Tem?! – Ele passou a mão nos lábios. Ah cara, você acabou de se entregar, e eu apenas ri.

Vriska o olhava como se quisesse o devorar no jantar, mal sabe ela que ele é mais virgem que azeite extra virgem.

Gamzee demorou a voltar, e quando voltou estava com os olhos mais vermelhos do que estava antes, sorrindo como o Snoop Dog. Acho que assim como eu, todo mundo ignorou o óbvio fato que ele estava com mais maconha do que o já estava com o Karkat.

O único filme que tinha era um de romance clichê, ninguém reclamou, então começamos a assistir.
Tudo correu bem, até a Terezi falar que ia vomitar.

— O que? Você tá bem? – Quando comecei a me levantar para ir ao banheiro com ela, ela negou.

— É só um mal estar, eu vou sozinha – Ela repetiu, Karkat disse algo, mas ela foi sozinha mesmo assim.

Eu não soube o que fazer, eu ia me levantar, mas o cara ao meu lado, Gamzee, me empurrou na cadeira e disse calmamente “Eu vou”, eu ia responder algo, mas sua expressão era séria, como quem sabe o que está falando, eu disse “okay”, pensando comigo que quando eles demorarem, eu iria atrás deles.

Eu sou um babaca, disso eu sabia, o problema é que eu fiquei tão distraído que esqueci completamente que os dois tinham saído, e só percebi quando o filme acabou, eu olhei para os lados procurando a Terezi e lembrei.

— A Terezi ainda não voltou – Eu disse, preocupado – Porra, eu devia ter ido atrás deles.

Karkat me olhou, preocupado também.

—Vamos procurar eles. – Disse ele.

— Ahem, essa não é a primeira vez que ela faz isso, e outra, ela sabe se virar – Senhorita Vriska, ou, sra. sou boa demais pra me importar com minha amiga doente disse. Eu sabia que ela era uma vadia. – Eu preciso ir embora, ou minha “querida” mãe vai me processar – Ela riu, sem vontade de rir.

—Ahm, talvez seja melhor eu ir com ela e vocês a procurarem? – Vriska soltou um “que gracinha” para ele, e o segurou pela mão, lançando um olhar que basicamente o fez mudar de ideia. Oh, ela estava com más intenções

— Vamos logo caralho – Karkat disse me encarando.

— Okay, então me liga depois John.

Eu e Karkat saímos da sala do cinema e fomos até os banheiros, rodamos o shopping inteiro até dar a hora de sair, é claro que antes de ficarmos rodando feito dois babacas tentamos ligar para o celular dela e do drogado, mas ninguém atendia. A gente desistiu e fomos para o estacionamento.

— Acho melhor nós irmos embora, provavelmente ele a levou para a casa dela. – Não ouvi a resposta do Karkat, então olhei para trás.

Ele estava parado, em choque, olhei na direção que ele estava olhando e lá estava Terezi e Gamzee, num beijo violento, daqueles que você só beija assim quando está mais bêbado do que nunca. Dava pra ver as línguas se entrelaçando, a mão do cara na bunda dela, era nojento.

Olhei novamente para o Karkat, mas sua expressão não era mais de choque, ele estava chorando, mordendo os lábios e serrando o pulso. Antes de eu falar qualquer coisa ele saiu correndo, esse cara só podia ser maratonista ou algo assim, eu nunca vi alguém correr tão rápido.
Eu corri atrás dele, ele correu até não conseguir mais, e sentou num banco em uma praça vazia. É claro que estava vazia, já era tarde.

— Me deixa em paz – Ele mal conseguia falar, estava engasgando em suas próprias lágrimas. Eu não sabia o que dizer, eu não sabia como o confortar, eu simplesmente sentei do seu lado e coloquei meu braço em seu ombro.

Ele não parecia ser o tipo de cara que você vê chorar, ou o tipo de cara que aceita algum consolo, mas ai estava ele.
Tudo que ele está sentindo, eu já senti... Eu não podia ficar parado, só ouvindo ele chorar, eu não conseguia pensar em algo especial para dizer que não soasse clichê, o que eu falaria pra ele? Eu provavelmente iria parecer um babaca.

— Ele era meu melhor amigo... – Eu ouvi ele murmurar – Ele sabia...

Isso estava me doendo na alma, imagine na dele. Eu não consigo ficar parado sem fazer nada, ele não merece isso. Eu tirei meu braço das costas dele, e levei as duas mãos ao seu rosto. Seus olhos castanhos estavam encarando os meus, eu parei para olhar todos os detalhes do rosto dele, toda sua textura, seus cílios, seus lábios, sua sobrancelha. Tudo. Passei meu polegar em suas lágrimas e sorri.

Me desculpe, mas isso vai soar extremamente clichê, mas eu queria que ele entendesse que eu o vejo, que eu sinto o que ele está sentindo.

— Olha, eu não te conheço, você não me conhece. Mas... – E ai eu não consigo falar nada, é uma merda, eu consigo lembrar todas as letras de qualquer rapper, mas eu não consigo falar... O que eu sinto.

As palavras do meu irmão vieram na minha cabeça, eu me lembro como se fosse ontem, ele me falando do Jake.

“– Quando vocês deram o primeiro beijo? – Me inclinei na cadeira do computador, o olhando com genuína curiosidade.

— Ah... – Ele sentou na minha cama e segurou sua própria mão – Chegou uma hora que eu não via ele como uma pessoa, eu via ele e, eu sentia que tinha que tinha que fazer algo, mas não sabia o que, eu não conseguia falar, então... É.”

Ah merda, eu não acredito nisso, todos aqueles pornôs de garotas japonesas... Para eu sentir isso. Isso crescendo no meu peito quase como uma dor, eu simplesmente não consegui controlar, então eu o beijei. Ele gemeu e tentou me afastar, mas cedeu, passando seus braços em volta de mim, e agarrando minha blusa.

Eu senti que estava no lugar certo, na hora certa, era uma enorme necessidade. Pedi passagem com minha língua, e ele abriu sua boca, o beijo se intensificou, nossa respiração ficou pesada.

O que fazer com as minhas mãos? Beijar caras não é igual beijar garotas... Eu poderia tocar os seios delas, se elas quisessem, mas, e com caras? Eu dei o meu melhor e coloquei as minhas mãos dentro da camiseta dele, passando os dedos lentamente pelas suas costas, ouvi um gemido, e ele mordeu meu lábio. Sorri e o fiz deitar no banco, e voltei a o beijar, nossas línguas se tocaram novamente, mas eu fiz questão que ele soubesse que sou eu quem manda. Eu esfreguei minha língua na dele e arranhei suas costas, e em resposta eu levei uma mordida nos lábios tão forte que a gente se separou do beijo. Fiquei encarando ele, ele me deu um sorriso malicioso.

— Você não está beijando suas ficantes. – Ele disse, me puxando pela camiseta e passando a língua no meu pescoço, me fazendo arrepiar dos pés a cabeça.

Puta que pariu, me diz que isso não tá acontecendo... Como? Até ontem eu queria que esse cara fosse gay para eu pegar a amiga dele, e agora eu estou agarrando ele. Tudo nele mexia comigo.

Estava tudo muito bom, até o telefone tocar e nós levarmos um susto. Eu levantei em um pulo e atendi o telefone, sem ver quem era.

— A.. Alô?

— Dave? – Era o Dirk – você tá bem?

— Tá, tá tudo bem – Olhei para Karkat, ele se sentou e fechou sua própria blusa, não olhando pra mim.

— Você tá transando? – Perguntou Dirk.

— O que?! – Praticamente gritei, então abaixei minha voz, Karkat olhou pra mim. – É claro que não, eu tô... – Não conseguia pensar direito – Correndo.

— Correndo?! É madrugada! Quem é que corre de madrugada, Dave?

— Eu?... Olha, eu não posso falar, eu já vou pra casa – Antes que ele falasse qualquer coisa eu desliguei.

— Então... – Segurei sua mão, o olhando nos olhos. – Eu...

— Não. – Ele me interrompeu. – Você vai falar que não é gay, não é?

— Eu ia falar que você é lindo.

Ele ficou vermelho e me deu um tapa.

— O que?! – Coloquei a mão no meu rosto, o tapa estava ardendo.

— Você quer se aproveitar de mim como se eu fosse uma vadia?! – Ele se levantou, mas eu segurei sua mão.

— Não! Eu falo sério. E isso tudo é novo pra mim, mas... Eu... Droga, isso vai soar como se tivesse saído de um filme de romance de merda.

Ele esperou pacientemente.

— Eu te entendo, eu não sei o que você sente por ela — Ele fez cara de choro, ah merda. – Mas eu vejo o que você é, e o que você sente, eu não... Quero me aproveitar de você. – Eu me levantei – Eu quero que a gente se conheça.

Ele ficou por um tempo, me olhando, e virou de costas pra mim, nós ficamos ali parados, sem falar nada.

— Você pode ver o que eu sinto... – Ele baixou a cabeça – Mas você não entende. – Fez uma pausa, e respirou fundo — Eu amo ela desde a nossa infância e meu melhor amigo que sabia os meus sentimentos por ela e simplesmente...

Eu, novamente, falhei com as palavras. Era verdade, eu não sabia nada sobre ele, eu não fazia ideia de seus gostos ou de quem ele era. Eu não tinha a mínima porra de direito de o beijar

— Eu quero ser bom para você – Foi tudo que consegui falar.

O telefone tocou de novo, era Dirk, respirei fundo e atendi.

— Eu não posso conversar agora – Eu falei na mesma hora que atendi.

— Escuta Dave, eu vou pra casa do Jake, então... É... A casa vai ficar vazia. – Ele desligou o telefone.

Fiquei olhando para meu celular, eram duas da manhã. Karkat estava em silêncio, estava chorando. Sem pensar duas vezes eu o virei para mim e o abracei.

— Você quer ir pra minha casa?

Eu sussurrei com meus braços em volta do seu corpo frágil e sentindo meu ombro ficar quente com suas lágrimas

Chegamos no meu quarto, joguei minha jaqueta em cima da mesa do computador e olhei para ele.

— Eu sei que é uma bagunça, mas fica a vontade... – Era a primeira vez que eu tinha alguém assim no meu quarto, e com “assim” eu quero dizer alguém que eu beijei.

Ele olhou meu quarto inteiro e sentou na cama, me olhando.

— Tem certeza que seus pais não vão ligar? – Passei a mão na minha nuca, desconfortável.

— Meus pais estão viajando e meu irmão... – Ele fez uma pausa – Nós temos um acordo.

— Oh... – Eu sentei do lado dele – Que tipo de acordo?

— Meus pais não gostam da garota que meu irmão, hm... Namora? Bom, e eles se encontram, e eu ajudo ele. – Ele olhou para a cama, estava bagunçada e ele provavelmente queria dormir.

Levantei e comecei a arrumar a cama. Eu não queria entrar em detalhes, ele parecia um pouco desconfortável e cansado.

— Entendi, deve ser complicado. – Arrumei o travesseiro e parei para pensar se ele ia querer que eu dormisse com ele, olhei pra ele na intenção de perguntar.

—Eu quero dormir sozinho. – Ele disse extremamente sério.

É claro que sim, a gente nem se conhece direito, eu posso ser qualquer um, minha casa é uma bagunça, eu sou um babaca, concordei com a cabeça.

— Você vai precisar de mais um cobertor? Às vezes faz frio aqui.

Ele começou a rir, e eu fiquei confuso. Ele se jogou na cama e me olhava com olhos gentis, que me fizeram arrepiar.

— É claro que você pode dormir comigo. Eu só queria saber se você ia me respeitar se eu não quisesse. – Ele parou de sorrir e esperou uma reação minha.

— Oh... Isso é legal, eu acho. – Peguei outro travesseiro e juntei os dois um ao lado do outro, e desliguei a luz.

A luz da lua passava pela minha janela e iluminava nossos pés, deitei com cuidado ao lado dele, não sabia até onde eu poderia ir então não encostei em seu corpo, até ele virar de costa para mim e puxar meu braço em volta de sua cintura. Eu senti o calor do seu corpo contra o meu e seus cabelos cheiravam a avelã. Ele não demorou muito para dormir, já eu fiquei acordado pelo menos meia hora pensando em tudo que aconteceu, mas eu acabei dormindo.

Notas finais
O que achou? O que acha que vai acontecer a seguir?