Fica Comigo? Ps: A Vida Inteira.
8 Capítulo 6 - Reencontro
Notas iniciais
3 de fevereiro, segunda-feira. As aulas ainda não haviam começado e Alberto levanta-se algumas horas após o habitual em dias letivos. Empós usar o sanitário, lava seu rosto na pia e começa a pensar em Elza novamente assim como fora durante os dois meses depois que a vira. Fecha a torneira e apoia-se na pia com as duas mãos, de cabeça baixa. Amuado, respira fundo e pensa “Será que nunca mais vou te ver de novo?”. Olha para o espelho acima do lavabo e, em seu pensamento, reflete mais uma vez: “O que tá acontecendo comigo?”. Puxa o ar com firmeza novamente, fecha os olhos por alguns instantes e a imagem da bela menina loira com olhos de esmeralda lhe torna à cabeça. Tira as mãos do lavatório e as coloca em seu rosto, encostando a parte mais cheia das mãos, pouco acima do pulso, em seus olhos. Abre a torneira de novo, joga bastante água em seu rosto e o seca, em seguida. Todos já haviam tomado café e ele come pouco, assim como faz no almoço, algumas horas depois, sem apetite algum. Mais algumas horas se passam e, no meio da tarde, resolve sair.
– Filho, vai sair de novo? Afinal, aonde você vai tanto? Seus amigos ligam aqui e você nunca está... Tem saído mais do que o normal... Tá acontecendo alguma coisa? – Diz Cibele, apreensiva, assim que o vê abrindo a porta da sala.
– N-Não tá, não! – Alberto prefere esconder que vai mais uma vez procurar Elza. – Tchau! Tô indo! – Sorri timidamente e fecha a porta sem ao menos ouvir o que sua mãe ia dizer. Está aflito, ansioso, não quer ouvir mais um sermão da mãe, assim como ouvira em seu último aniversário.
– Alberto... Ai, esse menino... – Cibele respira fundo. – Melhor eu voltar e terminar aquele vestido da cliente! – Fala para si mesma sobre uma roupa que está costurando.
Em seu peito, uma angústia muito grande lhe domina. Chega ao bairro vizinho, onde a garota loira reside. Anda vagarosamente e com semblante abatido, não sabendo se suas esperanças de vê-la mais uma vez, mesmo à distância, adiantariam de algo. Atrás de um terreno cheio de árvores, um dos abandonados da região, observa alguém se aproximando. Esconde-se por precaução, para analisar antes quem seria. É Elza, caminhando só e despreocupada, arrumando seus cabelos que bagunçaram com a leve brisa que batera há pouco. O jovem abre um sorriso largo, seu coração bate de forma descontrolada, sente algo como se uma pequena brasa subisse em seu estômago, suas pernas bambeiam... A admira mexendo sua cabeça acompanhando os passos da menina que nem o percebe ali. Cria coragem e vai tentar falar com ela quando vê Fellipe aparecendo de repente e a surpreendendo. Lucas o acompanha logo atrás. Alberto desiste e se esconde por trás das mesmas árvores e arbustos, irritando-se.
– Cada dia mais linda, hein?! – Provoca Fellipe.
– S-Sai, Fellipe! – Diz Elza, apavorada, andando para trás e tentando escapar do agressor.
– Espera aí... – Fellipe a agarra pelo braço. – Ainda tínhamos muito que conversar da última vez, lembra?
– Me larga! – Ordena a moça. – Quantas vezes eu tenho que dizer que não tenho nada pra falar com você?
– Ah! Tem, sim! – Fellipe vira-se para seu colega e aponta para frente com o braço. – Lucas, vai lá! ‘Me dá’ cobertura!
– Te dar cobertura... – Resmunga o jovem. – Tá pensando que é bolo de festa pra ter cobertura?
– Qual é? Tá palhaço hoje? Vai ver se não chega ninguém, vai!
Alberto, observando e ouvindo tudo, pensa: “Surpresa! Já estou aqui!”
– Olha, eu concordo com a maioria das coisas que você faz! Mas... Eu não sei o que você vê nessa garota fresca... – Reclama Lucas.
– Fresca é... – Diz a moça, indignada. É interrompida por Fellipe.
– E não dá pra ver? – O rapaz a olha da cabeça aos pés, apontando para a jovem com a mão aberta.
– Dá! Claro que dá! Só tô dizendo que tem mais... “Facilidade” por aí! – Explica o garoto de cabelos claros. Seu parceiro responde: -
– Hmmm... Mas eu gosto das difíceis!
– Você não gosta de ninguém! – Retruca Elza.
– Como pode dizer uma coisa dessas? Eu gosto de você, loirinha!
– Ah, é! Tô vendo! – Completa a garota. – Vocês são dois covardes, sabiam?
– E você é uma delícia, sabia? – Incita mais uma vez Fellipe. Furioso, Alberto pensa: “Delícia vai ser o soco que eu vou te dar, seu canalha!”
Elza, encabulada e irritada, rezinga:
– Sai daqui, seu cafajeste, depravado...
– Isso! ‘Me xinga’ que eu ‘gamo’! – Diz o agressor de pele morena, ainda segurando Elza pelo braço para provocá-la, querendo dizer que se apaixonaria pela moça se ela o tratasse com insultos.
Em seu pensamento, Alberto diz: “Quero ver você ‘gamar’ quando eu te encher de ‘porrada’!”
– Affe! Quer saber? – Fala a menina. – Vou nem ligar pro que você fala! Eu soube que vocês apanharam! – Alberto ri discretamente com o comentário de Elza.
– Não acredite em tudo que ouve! – Diz Fellipe, irritando-se.
– Com certeza, mentiram pra você! – Completa Lucas.
– Minhas amigas que me contaram! Por que elas mentiriam pra mim?
– Pois... – Retruca Fellipe. – Aquele imbecil só nos bateu porque nos pegou desprevenidos! Mas ele apanhou também! — “Imbecil?! Vamos ver...” pensa Alberto novamente.
– Ainda assim, ele venceu, pelo jeito! – Conclui Elza. Alberto ri mais uma vez.
– Aahhh, você realmente fala demais! Vou te fazer calar essa sua boquinha... – Fellipe tenta beijá-la. Elza faz de tudo para desviar-se.
– Nããão! – Reclama a moça. Lucas, risonho, balança negativamente sua cabeça e sai do local, não dando muita atenção à ordem de seu parceiro, ficando um pouco distante dali, pois, ainda não concorda com a atitude do colega. Encolerizado, Alberto faz um barulho, sem querer, mexendo-se por trás das árvores. Fellipe vira-se para trás e, em seguida, olha em volta para procurar de onde teria vindo tal ruído.
– Hã? O que foi isso? Lucas, é você? Lucas? Ah, não acredito! Cadê o Lucas? Foi embora? Não me deu cobertura? Ah, deixa ele vai! – Vira-se para Elza. – Onde nós paramos mesmo?
– NÃO! ME SOLTA! – Grita a garota. Alberto tem uma ideia e sorri timidamente. Mexe alguns galhos das árvores produzindo mais alguns sonidos.
– Quê? – O agressor olha para trás novamente. – Tem alguém aí? Apareça! – O protetor de Elza pensa, torcendo pela jovem: “Foge! Foge! Foge!”. Elza consegue se desvencilhar de Fellipe e corre muito depressa e assustada. Alberto sorri timidamente. – Ei! Você não vai fugir de novo, não!
– Ah, vai, sim! – Alberto aparece e coloca seu braço por entre o pescoço do agressor, sufocando-o.
Elza esconde-se mais uma vez atrás de um muro e, ainda com a respiração entrecortada, pensa, aliviada e um pouco sorridente: “É ele! Só pode ser!” Imagina que quem estaria fazendo tais ruídos seria o mesmo que a salvara da outra vez. Enquanto isso, Fellipe é levado para dentro do terreno por Alberto. Sem ver quem o segura, pergunta, porém, suspeitoso:
– Q-Quem é?
– Eu sou o ‘cara’ que você chamou de imbecil!
– E você levou a sério? E-Era brincadeira, ‘cara’! – Diz o agressor, tentando se desvencilhar de Alberto.
– Ah, é? Então, vou te ensinar uma nova brincadeirinha! – O jovem corajoso solta o pescoço de Fellipe e dá-lhe um murro. O agredido toca em sua boca, sem olhar para Alberto. – Que perda de tempo pedir cobertura para o seu amiguinho! Eu já estava aqui faz tempo! — Fellipe pega na gola da camiseta de Alberto e diz furioso:
– Você não entendeu o meu recado pra se afastar dela, não?
– Entendi! — Alberto arranca as mãos do inimigo e lhe bate, derrubando o garoto no chão. – Só que eu também tenho um aviso: AFASTE-SE DELA VOCÊ! Quer sentir a DELÍCIA da minha mão na sua cara, quer? – Em cima do jovem perverso, Alberto o esmurra em um ataque de fúria, revezando suas mãos que lhe acertam o rosto. Fellipe tenta se defender sem muito sucesso. Lucas retorna ao local e vê Alberto batendo em seu amigo. Procura um pedaço de tronco ou qualquer coisa do tipo e, assim que acha, aproxima-se do valente rapaz que defende Elza e, sem o mesmo perceber sua presença, dá-lhe uma pancada em suas costas que o faz cair no chão, sentindo muita dor e gemendo.
– Boa, Lucas! – Diz Fellipe com dificuldade e sem forças, ainda no chão, apesar de estar um pouco chateado com o mesmo por ter sumido ao invés de realizar seu pedido.
– Vou acabar com ele! – Fala o garoto que batera em Alberto.
– Eu também gostaria muito, mas, é melhor você me ajudar aqui!
– Espera aí! Só um pouquinho, vai?! – Lucas tenta bater no jovem protetor de Elza, no entanto, este se recupera aos poucos, levantado-se do chão. Assim que percebe Lucas com o tronco nas mãos, pronto para lhe dar uma nova pancada, chuta o pedaço de madeira que cai um pouco longe dos garotos.
– Que covarde! Precisa de um tronco pra me bater? – Pergunta Alberto, desafiando seu agressor.
– Claro que não! – O garoto loiro tenta acertar Alberto que, astuto, desvia e o esmurra antes, fazendo-o cair no chão. O jovem de cabelos razoavelmente longos pega na camiseta de Lucas e diz:
– Ah, e... FRESCA vai ficar sua memória depois que eu acabar com vocês! – Olha para ambos os garotos caídos no chão. — Só pra não esquecerem! Ah, sim! Aproveito pra me apresentar: meu nome é Alberto! Vejam se não esqueçam também, tá? – Ironiza o jovem heroi.
Lucas levanta-se aos poucos e ajuda seu colega a fazer o mesmo. Fellipe apoia-se no amigo e fala:
– Você... Quase quebrou os meus dentes...
– Pois devia ter quebrado a sua cara! Aliás, você só me bateu da outra vez porque eu te dei um voto de confiança!
Fellipe balança negativamente sua cabeça e sorri ironicamente:
– Panaca! Seu nome devia ser esse! Mas tudo bem... ALBERTO... Bom saber... Quanto mais informações sobre você, melhor! Assim, eu acabo com a ‘tua’ raça!
– NÓS acabamos! Vamos descobrir mais coisas sobre você e aí quero ver, seu otário! – Complementa Lucas.
– Até agora só ouvi ameaças! – Responde Alberto.
– Ah, você quer ação? – Fellipe o provoca. – ‘Beleza’! Foi você quem pediu! – O defensor de Elza sorri com ironia assim como fez seu inimigo:
– Eu não pedi nada! Vocês é que pediram pra apanhar já que gostam de fazer o mesmo com os outros!
– Não cante vitória! Sua hora vai chegar, seu inútil!
– Tô esperando! – Responde Alberto à ameaça de Fellipe. Lucas diz:
– Vamos embora, Fellipe! Ele ainda vai ter o que merece! — Alberto ri discretamente, debochando dos nefandos garotos. Apoiado nos ombros do amigo, Fellipe o olha com muita ira assim como Lucas, todavia, silenciam e partem, pois, sabem que, naquele dia, suas forças acabaram pelas pancadas de Alberto.
O rapaz robusto retorna para onde estava anteriormente, observando toda a crueldade com Elza. Pensa: “Acho que, agora, ela não volta mais!”. Entristece um pouco. Geme baixo sentindo dor e tocando em suas costas que, no momento da briga, pela sua imensa raiva, até esquecera-se da mesma. Apoia-se em uma das árvores e vê Elza se aproximando ao longe. Arregala os olhos e se esconde rapidamente. Sorri e não tira os olhos da mesma. A garota não o percebe lá e, assim que chega mais perto, diz:
– O-Oi! Você tá aí? Eu... Voltei porque queria agradecer e saber... Quem tem me defendido! – Olha em volta e sorri de modo tímido. Prossegue, após alguns segundos. – É... Acho que não tem ninguém aqui... – Chateia-se. — Melhor eu ir! Devo estar falando sozinha de novo... – Vendo que Elza vai saindo, Alberto fala meio sussurrado e mudando um pouco sua voz:
– Não vai embora! – Elza olha para trás e franze as sobrancelhas:
– Oi? F-Falou alguma coisa? Eu ouvi um “não vai embora”! Foi isso? – Espera alguns instantes e continua. – Por que agora você não fala comigo? – Olha para baixo e pergunta para si mesma. — Será que eu tô ouvindo coisas?
– Não tá, não! – Alberto permanece falando do mesmo jeito anterior para não se identificar. – Fica aqui mais um pouco?!
– O-Onde você tá? – A menina olha em volta procurando de onde viria tal voz misteriosa.
– Isso não importa! O importante é que você esteja bem!
Risonha e encabulada, Elza responde:
– Er... Ah... T-Tô, sim! Foi você quem me salvou?
– “Salvar” é uma palavra meio forte, não acha?
– Do Fellipe? Não! Não é não! Bom, do Lucas também! Você... Fez de propósito aquele barulho com as árvores, não fez?
– Fiz, sim! Que bom que entendeu! – Alberto sorri timidamente, encantado com a moça. – Faz tempo que eles te enchem?
– Faz... Um tempo, sim!
– São dois covardes! – Muda sua expressão lembrando-se dos crueis rapazes.
– É... E... Ei! Foi... Você que apareceu da outra vez? Há uns dois meses, eu acho?!
– Sim! Fui eu, sim!
– Então... Você ouviu o que eu disse?
– Ouvi!
– E... No começo de novembro... Minhas amigas disseram que viram os dois machucados... Foi você que ‘acertou eles’?
– Eles bateram no meu amigo! – Elza fica boquiaberta e coloca a mão em sua boca.
– Não acredito! Quer dizer... Pior que acredito, sim! Puxa! Eu... Nunca vi ninguém ter coragem de enfrentar aqueles dois! Sério mesmo! Quando minhas amigas me contaram, eu nem acreditei... Você não tem medo que eles queiram se vingar? Aqueles dois não valem nada, não estão nem aí pra ninguém... – Alberto sorri, extasiado pela jovem e por sua preocupação.
– Não se preocupe comigo, pequena! O meu medo é que eles te machuquem! Eu vou te proteger! Sempre! – Elza emudece, suavemente risonha e muito ruborizada. Alberto percebe e se enleva ainda mais com a moça. Franze as sobrancelhas e sorri. – Por que ficou vermelhinha? – Elza balbucia mais do que o normal, encabulada e gostando das palavras do rapaz.
– Ahn... Er... Ah... N-N-Não... N-Nada... ‘P-Peraí’... Você tá me vendo? Eu pensei que você ‘tava’ só ouvind...
– Sim! Perfeitamente! – Alberto a olha dos pés à cabeça.
– Er... Você tá aqui, né?! – A garota aponta com o dedo para frente, que é de onde acha que vem a voz de Alberto. – ‘Deixa eu’ ver! – Ameaça andar em direção a ele, entretanto, o jovem diz rapidamente:
– Não! É melhor você não chegar perto!
– Ué?! Por que não?
– Porque... Eu não costumo usar muita roupa e... Não seria legal você me ver assim! – Brinca. Elza vira de costas para ele, envergonhada e pasmada.
– Você... É alguma espécie de pervertido ou... – Alberto ri.
– Não! Claro que não! Fica tranquila! Tô ‘zoando’! Eu tô de roupa... Suficiente pro calor que tá fazendo... Mas tô! – A garota torna a virar-se para Alberto, um pouco risonha, contudo, ainda sem vê-lo atrás das árvores e arbustos.
– Ahn... Então... Por que você não aparece?
– Um dia eu te explico!
– Que dia?
– Breve!
– E quando será esse “breve”?
– Quando você menos esperar! – Elza suspira um pouco amuada.
– Mas por que tanto mistério?
– Desculpa! Eu não posso mesmo! Mas um dia eu me apresento e você não vai nem saber que sou eu! Talvez você até já tenha me visto por aí... Talvez até já tenha falado comigo...
– Não... – A menina fica pensativa por um instante: “Não pode ser!”. Não consegue imaginar ninguém que ela conheça, pois, ninguém jamais a tratara como Alberto a estava tratando. – Você não tá me enrolando, né?!
– Claro que não! Hoje em dia, eu nem costumo aparecer assim! Mas pra você, eu apareço! – Sorri timidamente. Elza enrubesce mais uma vez.
– Ahn... Er... Er... E-Então... O-Obrigada! Eu não sei... C-Como eu posso te agradecer?
– Não precisa agradecer... Linda! – Elza pensa: “Linda?” e sorri muito encabulada.
– C-Como não? Você já me salvou duas vezes e...
– Com o sorriso que acabou de dar já me agradeceu! – A garota fica ainda mais corada e, completamente embaraçada, diz:
– Er... Er... Ah... Er... S-Sendo assim... Er... Q-Quer dizer... B-Bom, eu... Tô indo, então!
– Já? Mas por quê? Se for por falta de assunto, pode falar sobre o capítulo de ontem da novela que eu fico quietinho aqui ouvindo! – Elza não se aguenta e ri.
– Capítulo da novela? Mas ontem foi domingo! Não passou a novela!
– Ah, é! De sexta, então!
– Eu não assisti à novela na sexta!
– De quinta... Da outra semana... Não tem problema!
– Eu... Tenho mesmo que ir! – Diz Elza envergonhada e risonha.
– Que pena! – Alberto entristece um pouco.
– Mas não esqueça o que me prometeu!
– Nunca! Eu vou me apresentar! Confie em mim!
– Bom... Se... Você tá dizendo... Eu vou confiar, hein?!
– Pode confiar! Vou até andar mais por aqui pra poder te ver! – Pensa: “O que já estou fazendo!”. A menina enrubesce novamente.
– Ahn... Er... E-Então... A-Até outro dia!
– Até!
– Tchau!
– Tchau... – Alberto espera Elza se afastar e diz com sua voz normal, porém, baixa. – Minha princesa... Linda! – Sai de trás das árvores após alguns minutos, muito sorridente. Volta para casa e, tornando a se lembrar da dor nas costas pela pancada que Lucas lhe dera, toca de novo no local onde doi. Tira a camiseta e vira-se de costas para um grande espelho no corredor da casa. Vê que fica uma marca vermelha do golpe. Veste a roupa depressa assim que ouve a voz de sua mãe:
– Oi, filho!
– Oi! – Responde meio sorridente.
– Agora, você pode me dizer o que tanto faz na rua?
– Ah... Andando...
– Sei! Tava brigando de novo? – Cibele o reprova com o olhar.
– Hm-Hm! – Alberto balança negativamente sua cabeça, porém, sem muita ênfase.
– Tá mentindo pra mim?
– Ah, mãe... Desculpa! Tá, eu... Tava... Mas... Er... Não tinha como... Deixar pra lá...
– Pois saiba que eu devia te deixar de castigo!
– Ah, não, mãe! Castigo, não! Sem essa! – Reclama o jovem.
– Hmmm... O que me intriga é que você briga na rua e volta todo feliz! O que tá acontecendo?
– Credo, mãe! A senhora falando assim parece até que eu sou um sado masoquista! – Zomba, rindo. Cibele fica levemente risonha.
– Alberto, Alberto... Eu tô falando sério, menino!
– Eu também! – Diz risonho.
– Tá bom... Vai se aquietar agora, né?!
– ‘Aham’! – Concorda o rapaz. – Vou pro meu quarto! – Cibele só o observa ridente e desconfiada. Alberto entra e encosta a porta. Senta em sua cama e lembra-se de toda a conversa com Elza. Sorri e pensa: “Que linda ela fica falando daquele jeito e vermelhinha!”. Deita e suas costas doem novamente o fazendo dispersar seus pensamentos. Senta-se na cama de novo e, após alguns minutos, pega um pano na lavanderia, molha-o e o leva para seu quarto para poder tocar em sua ferida sem que sua mãe veja. Torna a pensar na menina e sorri, totalmente encantado. Passa o dia dessa forma até anoitecer e ele descansar.
Fale com o autor