Fica Comigo? Ps: A Vida Inteira.

10 Capítulo 8 - Enfim, te conheci!


Notas iniciais
Pessoal, desculpem-me (de novo) pela demora para postar os capítulos! Enfim, escrevi uma cena que eu queria escrever faz tempo! *-------* Espero que gostem! =)

10 de fevereiro, segunda-feira. Chega o primeiro dia de aula e Fellipe e Lucas andam pelos corredores da escola Graciano no intervalo das aulas.

– Humilhação! Olha o que aquele inútil fez! Agora, eu tenho que aguentar esse bando de babaca me olhando com esse sorrisinho idiota! – Resmunga Fellipe ainda com cicatrizes visíveis causadas pelos golpes de Alberto. Olha cada aluno que passa em sua frente com muita ira, porém, sem dizer nada. Muitos o olham com curiosidade e até discretamente risonhos conhecendo a fama de encrenqueiro do rapaz, assim como Lucas que também está ferido, no entanto, com cicatrizes bem mais modestas que as do amigo. Um dos alunos observa Fellipe por mais tempo que os demais e o perverso garoto irrita-se. – QUE É? TÁ OLHANDO O QUÊ, IMBECIL? – O jovem que antes observara Fellipe, agora, balança a cabeça negativa e rapidamente respondendo à pergunta do agressor, com receio do que o mesmo possa lhe fazer, apesar de ver as marcas de pancada aparentes.

– É... Pelo jeito não adianta tentar bater naquele... Cretino! A gente tem é que ficar de olho nele, em cada passo... Até descobrir se ele estuda nessa escola ou não! Temos que ferrar com a vida dele de alguma forma! – Supõe Lucas.

– Aaahh, mas, bem que eu queria acertar a cara daquele... Nojento, estúpido! Que prazer ia sentir em fazer isso!

– Eu também! Mas a gente vai ter que agir de outro jeito!

– Droga! Não basta ter que passar por isso, ainda me chamaram na diretoria pra perguntar o que é isso! – Fellipe aponta para seu próprio rosto. — Menti! Claro! Inventei uma desculpa lá! Não podia falar que foi aquele... Babaca inútil que me acertou! Ainda é capaz de espalharem pela escola inteira e ele ser elogiado por esses imbecis que estudam aqui! Bem que eu queria ter dito, assim ele ia se ferrar! Mas, além disso, aconteceu lá fora e antes das aulas começarem... Raiva! Tô com muita raiva daquele “mané” exibido!

– Por isso que eu tô dizendo! A gente tem que descobrir se ele estuda aqui! Se estudar, a gente provoca o babaca metido a heroi pra ele sentir vontade de bater na gente! Se ele bater ou ameaçar... Ele se ferra! – Lucas sorri timidamente e com olhar maldoso.

– Hmm... Ótima ideia, Lucas! Ótima ideia!

– Claro que é! Por isso que eu sou o cérebro da dupla! – Zomba Lucas. Fellipe o olha com reprovação.

– Se continuar “me tirando” assim, vou sair fora, ferrar com o “cara” sozinho e, se você ficar contra mim, vai junto! – Se irrita Fellipe. Lucas ri, debochando:

– Você não consegue executar um plano sozinho! Só tem obsessão pela Elza!

– Elza... – Fellipe olha na direção em que Elza e suas amigas estão, atrás de uma pequena grade e algumas plantas que completam a mureta, localizada em uma determinada área do pátio da escola, onde estiveram sentadas antes de avistarem os dois perversos garotos. – Você ainda será minha! Só minha! E aquele imbecil não vai me impedir! – Ri um pouco. – Elas pensam que se escondem! Mas não tô a fim de olhar pra cara daquele inútil porque se eu chego perto dela, ele aparece... Ele que aguarde! A hora dele vai chegar! – Lucas concorda com Fellipe e continuam caminhando pelo pátio sem causar rebuliço, contudo, olhando os demais alunos com desprezo e rancor.

Simultaneamente à conversa dos dois rapazes, Bianca, Elza, Júlia, Débora, Ariane e Marília percebem os mesmos andando pelos corredores do colégio e levantam-se da mureta onde se sentaram, tentando se esconder atrás da pequena grade. Uma chama a outra e todas se preocupam com Elza, pois, sabem que ela é a maior vítima dos rapazes, especialmente, de Fellipe.

– Aqui nem é o melhor lugar pra se esconder! Dá pra ver tudo de lá! – Diz Ariane para Marília, a primeira que se levantara e chamara as demais meninas.

– Eu sei! – Responde a ruiva. – Mas foi o primeiro local que me ocorreu! E também, qualquer coisa, dá pra gente sair correndo! Melhor do que ficar sentada ali! – As amigas a olham risonhas e levemente repreensivas, no entanto, concordam e passam a observar Fellipe e Lucas. — Olha! Nossa! Que isso?! – Diz estupefata.

– Olha o estado dele! – Completa Ariane sobre Fellipe.

– O Lucas também parece que tá ferido, mas, o Fellipe... – Fala Débora. As seis garotas ficam boquiabertas ao ver as cicatrizes dos rapazes, principalmente, Elza.

– Puxa! Eu tô virando fã desse “cara”! Er... Desculpa, Elza! Eu sei que ele é seu noivo, mas, sou só fã, tá? Só isso! – Marília arranca gargalhadas das demais meninas e Elza vira-se para ela, levemente risonha:

– Boba! — Torna a olhar os dois agressores

– Mas é sério! ‘Olha’ como eles estão... Bom, olha como o FELLIPE está, né?! Seu noivo fez tudo isso só pra te proteger? – Debocha a ruiva. Elza não dá muita atenção ao comentário da amiga e diz:

– Eu não vi como eles ficaram depois... Que ele me defendeu! – Com a mão quase na boca, a vítima dos dois nefários, agora, machucados, prossegue, ameaçando um sorriso. – Ele é muito corajoso! – Suas amigas entreolham-se ridentes e com olhar malicioso.

– Hmmm... Corajoso... Fofo... É... Não é qualquer um que ganha elogio da Elza! — Zomba Marília. – As amigas riem. Elza enrubesce um pouco e, risonha, responde:

– Marília! Eu já disse que é gratidão! GRA-TI-DÃO, entendeu? – A garota de cabelos vermelhos finge uma tosse breve.

– Claro! Entendi, sim! – Segura a vontade de rir assim como as quatro amigas de ambas.

– Ai, vocês... – Diz Elza. – As seis amigas gargalham e Elza enrubesce.

Um pouco distante dali, Henrique, Pedro, Alberto e Mateus também aproveitam o intervalo de aulas para dialogarem.

– E ‘ae’, sumido?! Até que enfim apareceu! – Diz Henrique para Alberto.

– Eu? Sumido? Que nada! ‘Tava’ por aí! – Responde o protetor de Elza. Olha uma menina de cabelos loiros passar e a acompanha com a cabeça até a mesma desaparecer no meio de outros alunos, pensando ser a garota por quem se apaixonara. Os amigos do rapaz reparam no gesto de Alberto, entretanto, não falam nada. Também admiram as meninas que passam por lá, todavia, não como o mais alto e corpulento dos rapazes.

– “Por aí” onde? A gente te ligava no celular e caía na caixa postal! Ligava na sua casa e sua mãe dizia que você não ‘tava’... – Completa Henrique.

– ‘Tava’ fazendo o quê, Alberto? – Pergunta Pedro. – Tá “pegando” alguma “mina”? – Curioso, o rapaz quer saber se Alberto estaria namorando alguma garota, sem compromisso sério.

– Tu tá a fim de alguma “mina”?! – Zomba o mais brincalhão dos garotos, falando meio cantado. Mateus segura-se para não rir, se lembrando do que seu primo lhe contara. O jovem valente hesita e, logo em seguida, mente para despistar seus amigos:

–... Não! Claro que não! Tô pegando nem gripe...

– Tá bom! – Desabona o zombador. – Sei! Não pega porque não quer! Liberdade, né?! – Alberto o olha sério.

– Não começa, Henrique! – Mais uma vez, passa outra aluna de cabelos claros e Alberto a acompanha com a cabeça.

– Aeee, entortada de cabeça, hein?! Tá a fim de alguma menina e é loira! – Caçoa Henrique fazendo os amigos rirem.

– Não é isso! É que eu tô devendo pra uma loira... – “Me apresentar!”, pensa Alberto. – Por isso tô olhando, pra me esconder!

– Rá! Tá! Devendo... – Henrique desacredita e fica risonho.

– Ei! Vocês ouviram os comentários hoje? Primeiro dia de aula e parece que já aconteceu alguma coisa aí... – Comenta Pedro, procurando mudar de assunto.

– Sobre o “cara” que tá todo quebrado? – Interroga Mateus. Pedro confirma. – Eu ouvi!

– Foi você, não é, Alberto? – Brinca Henrique, desconfiado.

– Eu o quê? Tô sabendo de nada! – Zomba o defensor de Elza, tentando disfarçar o que acontecera uma semana antes. Novamente seus amigos não acreditam nele.

– Alberto! – Aparece Anacleto, cumprimentando o responsável pelas cicatrizes de Fellipe e Lucas e seus demais amigos, incluindo seu irmão. Comenta com orgulho do amigo. – Só tô ouvindo por aí: “Bateram no Fellipe”, “bateram no Fellipe!”. Tá todo mundo vibrando. Já estavam cheios desse “cara”! Ah, é... – Vira-se para Pedro, Henrique e Mateus. – Eu descobri! É Fellipe o nome do cara que me bateu, o que me ameaçou primeiro! Também estão dizendo que bateram no outro, o comparsa dele. Mas o Fellipe é o assunto principal por que ele tá mesmo todo quebrado! Eu vi... De longe, mas, eu vi! Parabéns, hein, Alberto?! – Sorri.

– Parabéns pelo quê? Fiz nada, não! – O jovem heroi finge não saber de nada. Os amigos entreolham-se risonhos e suspeitosos.

– É... Hoje, ele tá cheio de graça! Fingindo que não é com ele! Medo de ser condecorado pela escola inteira? – Brinca Henrique.

– Quê? Que medo o quê? Eu não sei de nada! Sei nem quem é esse Fellipe! — Alberto controla-se para não rir, conseguindo disfarçar a vontade. Seus amigos permanecem falando sobre o assunto e ouvem, inclusive, alguns alunos passando e conversando sobre a mesma coisa que eles. O rapaz valente ainda nega saber quem são Fellipe e Lucas, preferindo não contar sobre o que lhe ocorrera dias antes. Mateus fica risonho novamente.

* * *

À tarde, após as aulas e o horário de almoço, as seis amigas se reúnem na mesma mureta onde costumam ficar sentadas, aquela com um parque e lojas atrás. Não conseguindo prestar muita atenção no que as amigas dizem, Elza fica reflexiva, lembrando-se das palavras carinhosas de Alberto. Deseja muito descobrir quem seria seu protetor.

– Então, eu ia contar, uma vez, sobre aquele gatinho que eu vi... Cheio de meninas em volta, mas... Que seja! Acabei me esquecendo de falar! Faz tempo que eu comentei! É que ele...

– Ai, Ariane, lá vem você de novo! – Resmunga Elza.

– Que foi, Elza? – Pergunta Ariane, apreensiva.

– Esses meninos aí são todos exibidos! Já te falei!

– Aaahh, amiga... Não é assim também... Esse parecia ser diferente... É sério! Ele tratava bem as meninas, mas, sei lá... Não ficava se exibindo que nem outros... – Explica a mais experiente das garotas.

– Não? Mas... Ele não é... – Marília faz um gesto dobrando o pulso querendo perguntar se o garoto que Ariane cita é homossexual.

– NÃO! Marília! Claro que não! Eu acho! – Ariane ri igualmente suas amigas. – Não! Tô “zoando”! Não é não! Mas, tipo, ele não dava em cima delas, se aproveitando... Não sei...

– Duvido! Isso deve ser só fachada! – Diz Elza!

– Poxa, Elza! Acredita um pouco! – Pede Débora.

– Ah, quer saber? Eu não tô a fim de ficar ouvindo isso de “gatinho” hoje! – Elza levanta-se, um pouco irritada. – Eu já disse que, um dia, eu quero namorar, mas, não quero saber desses exibidos aí! Por isso que eles ficam “se achando”! Vou andar um pouco pra espairecer! Tchau!

– Elza! – Chama Ariane. – Ué... – Vira-se para suas amigas ainda sentadas na mureta.

– Vou lá falar com ela! – Avisa Bianca. No entanto, Marília a aconselha:

–Deixa! Melhor ela se acalmar um pouco! Não é bom ela andar sozinha por aí, mas, acho que, hoje, o Fellipe dá um tempo, não é possível! Ela deve estar querendo descobrir quem é o noiv... O defensor dela! – Suas amigas riem.

– Será que é por isso que ela mudou de humor? Na escola, ela ‘tava’ tão bem... – Supõe Débora.

– É! Talvez você tenha razão! – Diz Ariane para Marília. — Vamos deixar, então! Depois, ela se acalma! – As quatro meninas concordam com Ariane. – Bom, então, enquanto isso, eu vou contando sobre os gatinhos! – Enquanto as cinco garotas conversam, Elza caminha pelas ruas de seu bairro. Mal-humorada, pensa: “Affe! Eu não quero saber desses ‘carinhas’ aí que a Ariane fica falando! São todos uns exibidos! Pelo menos, a maioria deles! Podem ser bonitinhos, mas, é tudo um bando de sem noção! É “gatinho” pra cá, “gatinho” pra lá, mas, o difícil é encontrar alguém que valha a pena! Por isso, eu não quero saber de...". Absorta pelos seus pensamentos, a menina nem vê uma pequena pedra de uma rua razoavelmente tranquila e deserta, que a faz tropeçar e cair de frente para o chão, deixando cair seu caderno. Assim que se recupera da queda, entretanto, não se machucando, apenas com algumas partes do corpo levemente doloridas, dobra os joelhos e esfrega as mãos em sua saia para limpá-la.

Alberto caminha pelo bairro onde Elza mora tentando encontrá-la outra vez. Ouve o som de um baque e um breve gemido de dor. Preocupa-se e anda com mais rapidez. Quando chega ao local de onde imagina ter vindo o ruído, vê Elza limpando sua saia e de cabeça baixa. “É ela!”, pensa. O rapaz sorri timidamente e seu coração acelera. Olha em volta para verificar se o caminho está livre para, finalmente, poder falar com a garota. Percebe que está tudo calmo e se aproxima aos poucos da mesma sem tirar os olhos dela. Enquanto isso, Elza passa as mãos em sua roupa e pensa: “Que droga! Ainda por cima isso! Parece até castigo! Só porque eu ia dizer que não quero saber de nenhum...”

– Deixa que eu te ajude! – Diz Alberto, com as mãos abertas e os braços esticados para baixo, inclinando seu corpo e sorrindo de modo tímido para Elza. Ouvindo a voz do rapaz, a menina levanta sua cabeça e o olha vagarosamente dos pés à cabeça. Assim que vê o belo rosto do garoto, prossegue o que dizia em seu pensamento: “... Gato!”. A menina arregala seus olhos e avermelha-se um pouco. Alberto pensa: “Que lindos olhos ela tem!”. Não tinha reparado direito nos olhos de Elza como agora, por causa da distância e da situação em que a vira das outras vezes. A garota abaixa sua cabeça, ligeiramente encabulada e ameaça pegar seu caderno com certa rapidez, todavia, Alberto continua. – Eu pego pra você! Me dá sua mão! – Elza o observa novamente. Abaixa o olhar e nota suas mãos que o jovem estende para ela. A menina encosta suas mãos nas dele e Alberto as acaricia suave e discretamente com o dedo polegar de ambas as mãos, gostando demais do que está sentindo naquele momento. Elza levanta-se e os dois se olham por um breve instante. Ela com os olhos arregalados e ele com um sorriso tímido. Alberto solta lentamente as mãos de Elza, mesmo não sendo o seu desejo, somente para recolher o caderno da moça que caíra no chão na hora da queda. Abaixa-se e Elza observa-o atônita e encantada com a beleza do jovem, enquanto permanece limpando suas vestimentas. A menina olha os braços fortes de Alberto e pensa: “Minha... Nossa!”. O rapaz levanta-se e limpa o caderno da garota antes de entregar a ela. A olha com seu costumeiro olhar profundo que se intensifica com a presença da bela menina. Embevecida, Elza pensa mais uma vez, ainda com os olhos esgazeados: “Minha nossa! Minha nossa!”. – Pronto! Tá aqui! – Diz Alberto mais uma vez, entregando o caderno à menina. Elza ainda permanece por aproximados dois segundos fitando Alberto, até que sai do transe e pensa: “Acorda, Elza!”.

– O-Obrigada! – Responde a menina.

– Não foi nada! – Alberto sorri timidamente. Elza se afasta e anda na direção contrária ao rapaz e o mesmo lhe pergunta. – Ei! Espera! Qual é o seu nome? – A garota vira-se e diz:

– Eu te agradeci por me ajudar a levantar! Não sou nenhuma ingrata! – Alberto pensa, lembrando-se da conversa que tivera com ela: “Eu sei disso!”. – Mas eu não falo meu nome para desconhecidos! – O rapaz, antes sorrindo timidamente, preocupa-se e estranha um pouco a rudez de Elza. Entretanto, é habitual o fato dela tratar os garotos dessa forma. A menina torna a andar e Alberto a acompanha com os passos mais velozes que os dela para, em seguida, entrar em sua frente. Elza assusta-se quase indo para trás.

– Não seja por isso! Meu nome é Alberto! – Estende a mão para ela cumprimentá-lo. – Já não sou mais um desconhecido! — No entanto, a garota diz, tentando ir embora, logo depois:

– Rá! Bela tentativa! – Alberto repete o que fez anteriormente, entrando na frente de Elza, impedindo que ela prossiga.

– Er... Onde você mora?

– Se eu não disse meu nome, você acha que vou dizer onde moro?

– Ah... Er... Tem razão! – “Affe, Alberto, se toca!”, pensa, repreendendo a si próprio, atrapalhado com a presença da menina que mexe com seus sentimentos. – Você podia ter me respondido: “Na minha casa!”. – Brinca, tentando fazê-la rir, contudo, Elza o olha com indiferença. – Mas... Seria uma piada besta e muito... Clichê! – Completa assim que vê o olhar dela. Elza anda novamente e Alberto diz, sempre entrando em sua frente, cada vez que ela ameaça ir embora. – Eu só quero ser seu amigo!

– Por quê? – Estranha Elza.

– Porque... Eu te achei... – “Linda, maravilhosa, meiga, fofa, incrível...”, pensa outra vez o jovem, apesar da rispidez dela, ainda recorda-se da conversa de ambos. Alberto fala em tom normal de voz. Por isso, Elza não o reconhece. –... Legal! – Suspeitosa, pois sabe a maneira como está tratando Alberto, lhe pergunta:

– Tá “curtindo com a minha cara”? – Acha que Alberto estaria debochando dela.

– N-Não! Claro que não! – Responde receoso de estar chateando-a.

– Pois eu não tenho AMIGOS! Só AMIGAS!

– Ah, é? Mas por quê? — Indaga estupefato.

– Porque vocês são uns bobos! – Elza, mais uma vez, ameaça caminhar para fora do local.

– Bobos? — Alberto corre e a impede. – Mas por que “bobos”?

– Porque não sabem conversar! Não sabem tratar uma garota... Sempre que eu falo com algum menino, tenho que ouvir um monte de besteira! Isso quando não são agressivos! – Alberto pensa “Hmmm... Acho que entendi!”.

– E não tem nenhum que seja diferente?

Elza titubeia. Lembra-se da conversa que tivera com ele há uma semana. Porém, nem desconfia que seu protetor esteja bem em sua frente.

– T-Talvez tenha! Mas eu não conheço! – Prefere não revelar seus pensamentos, imaginando que, de qualquer maneira, não conhece o garoto que a defendera.

Percebendo o modo como Elza fala, Alberto começa a entendê-la, achando que ela só trata os garotos com rudez pela forma como é tratada por Fellipe. Acredita que tudo seja apenas receio, desconfiança.

– Te aconteceu alguma coisa pra você pensar assim? – Pergunta Alberto. Elza o encara, estarrecida. Apesar de ainda falar com ele com aspereza, percebe certa doçura e preocupação na voz do rapaz. Todavia, controla-se para não dizer tudo que lhe ocorre, especialmente, nos últimos meses.

– N-Nada! Só o que eu te contei! Que não sabem conversar! Que não sabem tratar uma mulher... F-Fora as cantadas idiotas!

– Er... Ok! Mas eu ainda não entendi...

– Claro que não entendeu! – Elza o interrompe. – Vocês não vivem dizendo que não entendem as mulheres? Também... Que esforço devem fazer... – Ironiza.

– É que... Não tá muito fácil de entender agora...

– Então, não entenda! – Elza caminha de novo e Alberto, mais uma vez, tenta falar com ela. –

– Não! Não... Desculpa! Eu quis dizer...

– Quer me deixar andar?

– Desculpa... De novo! É que... Você falou que alguns são agressivos?!

– Ah... Isso?! N-Não é comigo... – Mente. – Falei de uma forma geral... Tem “cara” que força... S-Só isso! Mas... Agora... Ch-Chega de perguntas!

– Eu aceito o desafio!

– Que desafio?

– De te fazer mudar de ideia!

– Eu não propus nenhum desafio!

– Er... Eu sei! Eu tô... Desafiando a mim mesmo! Vou te provar que não é todo “cara” que é assim do jeito que você tá falando!

– Tá “se achando”, né?!

– N-Não! Não é isso! Er... – Alberto fica sem saber o que dizer, quase se desesperando, pois, parece que nada agrada a bela menina que ele tanto se encantara. Elza torna a andar e, dessa vez, Alberto não vai atrás, porém, continua. — O que precisa pra ser seu amigo? Quer que eu traga meus documentos? RG? CPF? Título de eleitor? Carteira de habilitação? Título de reservista? Certidão de nascimento? Comprovante de residência? Foto 3x4, daquelas que você nunca sai legal? – Brinca, citando até alguns documentos que nem possui, tentando fazê-la dar risada. Elza para e, de costas para ele, somente o escuta, controlando-se para não rir. – Carteira de trabalho? Holerite? Boletim da escola? Carteirinha de vacinação do cachorro? Carteirinha de fã clube do Zé da esquina tocador de viola? – O garoto faz um gesto como se estivesse tocando esse instrumento. A menina começa a se virar para ele. – Nota fiscal da última bala que eu comprei? – Não se aguentando mais, Elza ri. Assim que percebe o sorriso da menina, Alberto fica extasiado e para de falar. Aproxima-se dela com calma, muito sorridente, somente a observando. Vendo que o rapaz sorri, Elza fita-lhe e para, lentamente, de rir. Arregala os olhos, enrubesce e, encantada com o belo sorriso do jovem, pensa: “Minha nossa! Minha nossa! Minha nossa!”. Encabulada, sai do transe novamente e diz levemente risonha:

– Tá... Ok! Bela tentativa... De novo! – Apesar de Alberto ter lhe chamado a atenção, não se rende aos encantos do belo jovem. Ameaça ir embora. O garoto muda sua expressão e entristece um pouco:

– É tão difícil assim ser seu amigo? – Elza vira-se para ele.

– Nunca ouviu dizer que amizade não se pede, se conquista? – Habitualmente, Elza não agiria assim. Por mais que tenha sido rude com Alberto, ainda lhe dá uma esperança. Algo nele a encantara, mesmo sem ela saber. Enfim, vai embora e, de costas para ele, sorri timidamente. Assim que a menina se afasta, Alberto diz, em voz baixa:

– Já! E eu vou conquistar sua amizade... E o seu coração! Eu falei que você nem ia saber quem eu sou! – Respira fundo e prossegue. – Mas tudo bem! – “Eu vou conquistar sua confiança! Quero que você goste de mim pelo que eu sou e não pelo que eu represento para as pessoas... Por esse título de heroi... Só vou me apresentar quando, pelo menos, eu conquistar sua confiança, sua amizade! Não quero me decepcionar de novo!”, pensa. Resolve sair dali, feliz e receoso, ao mesmo tempo.

Notas finais
Repito: Se houver errinhos de ortografia, pontuação, etc e se os capítulos estiverem muito grandes, difíceis para ler, me avisem, por favor! Não hesitem! Obrigada! ^_^ O que acharam? Beijão a todos! ♥