Notas iniciais
Pessoal, desculpa a demora pra postar! Correria essa semana... Falta de inspiração... =( Mas escrevi esse capítulo com muito carinho assim como os outros! ^^ Se os capítulos estiverem muito grandes ainda, me avisem que eu divido de novo, tá? Obrigada por lerem! ;D

24 de janeiro. Henrique, Pedro e Anacleto decidem ir a uma lanchonete. Antes de entrar, Henrique apressa Anacleto que fica para trás.

- Vem, “Ana”! Vamos logo!

Distraído e de cabeça baixa, pois, ouve músicas em seu pequeno aparelho eletrônico, o irmão de Pedro não escuta a brincadeira.

- Vem logo, “Ana”! “Aninhaaa”... – Provoca Henrique.

- ‘Deixa ele’ em paz, “meu”! – Pede Pedro, defendendo o irmão.

Nisso, Anacleto levanta a cabeça, tira o fone de ouvido, olha o brincalhão com serenidade e diz:

-Tô indo, “Henriqueta”!

Os dois irmãos, principalmente Pedro, caem na gargalhada.

- Tá vendo? Fica “zoando”! – Fala Pedro, debochando do amigo piadista e rindo em demasia.

O galhofeiro, como de costume, não se abala:

- Quietas vocês duas!

Pedro e Anacleto entreolham-se com seriedade. Anacleto vai responder a brincadeira, quando percebe que seu irmão fica ligeiramente aborrecido e prefere permanecer em silêncio.

- Vai... Pro... Inferno! – Diz Pedro.

- Eeehh, calmaaa! Ah, não vou, não! Lá é muito quente! – Responde o zombador. O irmão de Anacleto não se aguenta e ri. – AEEE! CHEGUEI! – Grita o rapaz assim que entra na lanchonete. Os dois irmãos ficam envergonhados e risonhos.

- Henrique, cala essa boca! Fala baixo! – Repreende Pedro, sussurrando e rindo. Enquanto alguns clientes no estabelecimento riem discretamente do jovem, outros estranham. Uma moça, sentada em uma das mesas junto com três amigas, começa a observá-lo risonha.

- E aííí? Chegou pra animar minha lanchonete! Tudo bem com vocês? – Cumprimenta e brinca o dono do local, Eduardo, 38 anos.

- Aeee! Finalmente, alguém reconhece meu talento...

-... De palhaço? – Completa Anacleto, zombando. Henrique o olha sério, levantando uma sobrancelha.

- Eu ia dizer “de animar locais”... – Pedro, Anacleto e Eduardo riem. No ambiente, ouve-se uma estação de rádio onde tocam algumas músicas mais recentes. De repente, toca uma melodia de estilo dance music. O galhofeiro bate palmas uma vez e começa a dançar, permanecendo no mesmo lugar. Novamente os três gargalham. Pedro, encabulado, não sabe como reagir e mexe seus olhos de um lado para outro rapidamente, observando o amigo e as pessoas no local. Alguns riem e comentam com murmúrios. Outros continuam estranhando o comportamento do rapaz, quase enfadados.

- Para com isso, “vei”! – Diz Pedro aos sussurros, tocando o ombro do amigo e quase lhe empurrando.

- Olha, eu gosto muito da sua animação, mas... – Diz Eduardo para Henrique, tentando ser cordial.

-... Já tem gente olhando feio! – Completa Pedro, sussurrando. Eduardo, meio sem jeito, vai tentar contornar a situação para não afastar os garotos de seu estabelecimento, pois, já os conhece há algum tempo, assim como Mateus e, especialmente, Alberto. Todavia, Henrique se adianta, parando de dançar:

- Tá certo! “Firmeza”! Eu já entendi! “De boa”! — Vira-se para o dono da lanchonete, acalmando-o, dizendo que está tudo bem. – Só ‘deixa eu’ fazer uma coisa: “dar uma geral” aqui na clientela. – Henrique vira-se para os fregueses observando-os, que tornam a degustar seus lanches calmamente enquanto dialogam entre si, exceto a moça que fita o jovem desde que entrara, no entanto, abaixa sua cabeça, disfarçando risonha, assim que o rapaz vira-se para os clientes. Torna a olhar os amigos e Eduardo. – É... A freguesia tá boa! Muitas gatas! – Diz quase murmurando. Os irmãos entreolham-se ridentes. O proprietário do local também reage da mesma forma. Eduardo pergunta aos garotos o que irão comer para, finalmente, mudar de assunto e poder atendê-los. Os três fazem seus pedidos, escolhem uma mesa e sentam-se. Ficam observando as meninas na lanchonete, principalmente Henrique que fica fazendo charme para algumas delas.

Duas mesas de distância da qual eles estão sentados, quatro garotas conversam e riem. O galanteador pega um guardanapo da mesa, tira uma caneta de seu bolso, escreve seu número de telefone celular, solicitando também o número de uma delas. Em seguida, pede a um casal de namorados, que se senta à mesa do meio, para entregá-lo:

- É pra aquela ali, de azul! – Descreve a cor da blusinha da moça. É a mesma garota que o observa desde sua entrada no estabelecimento.

Pedro pergunta intrigado:

- O que você tá fazendo?

- Pedi o telefone dela... – Responde Henrique, tirando seu aparelho celular do bolso e esperando pela resposta da garota. Nessa hora, uma garçonete traz os lanches dos rapazes que a agradecem.

Logo, o telefone de Henrique toca, porém a menina prefere não exibir seu número. O paquerador, amuado, faz um muxoxo e fala:

- Droga! Número restrito...

Entretanto, atende rapidamente à ligação:

- Oi, gata... – Fala mais animado. – Dá seu telefone pra mim, vai?!

- Não dá! Eu teria que desligar e passar o aparelho pra você... – Responde ela, brincando e rindo um pouco.

- Hehe! Você é uma graça mesmo! – Comenta o rapaz tentando conquistá-la e emenda. – O que você acha da gente se conhecer melhor?

-Não sei... – A garota fica pensativa por um momento, porém, vendo o gesto de suas amigas para ir embora, responde. – Quem sabe um dia? Eu tenho que ir! Tchau, lindo! – E, dizendo isso, desliga seu telefone.

- Espera um pouco... Você não me deu seu número... – Disse Henrique, aflito e com a voz trêmula. Olha em direção à mesa em que ela estivera e vê as quatro amigas levantando-se para ir embora. Fazendo gestos, aponta para seu celular, pedindo o número do telefone da menina que, não revela e ainda gesticula um adeus mandando um beijo logo depois.

Pedro e Anacleto observam atentos. Henrique, desolado, murmura:

- Poxa! Por que ela não me deu o número?

Pedro começa a rir descontroladamente enquanto seu irmão franze a sobrancelha, sorrindo timidamente. Henrique olha pasmado:

- O que tá “pegando”? – Quer saber por que Pedro está rindo tanto.

Anacleto balança a cabeça negativamente apesar de estar desconfiado. Seu irmão mais velho responde, caçoando o amigo:

- “Se ferrou”, “se ferrou”! – Permanece gargalhando.

O mais brincalhão dos garotos, despeitado, retruca:

- É? Pelo menos, eu tô tentando! E você que não “pega mina” nenhuma?! Sequer tenta... Não gosta, não, né?! – Provoca.

Não lhe agradando muito a brincadeira, Pedro se controla e responde:

- Eeeeh... Vai começar de novo? Qual é, “meu? Acontece que eu não tô desesperado que nem você!

Os dois amigos começam a discutir. Não com raiva, rancor ou mágoa. Somente fazem provocações mútuas por simples perturbação. Anacleto tenta acalmá-los

Neste momento, Mateus entra na lanchonete. Cumprimenta Eduardo, pede seu lanche e, procurando uma mesa vaga para sentar-se, avista seus amigos. Resolve aproximar-se. Percebendo que não lhe notam, coloca a bandeja com a comida no centro da mesa onde eles estão. Os amigos continuam a discussão fingindo não ter notado sua presença. Mateus, então, senta-se. Por gozação, pega o sanduíche de Henrique e ameaça comê-lo. Vendo isso, o mesmo tira rapidamente seu lanche das mãos de Mateus e fala com ironia:

- E aí, “cara”? Você “tava” aí, é?

- “Meu”, nem vi que você chegou! – Completa Pedro, entrando na brincadeira.

- E aí, Mateus, beleza?- Cumprimenta Anacleto.

Bem-humorado, o rapaz apenas demonstra uma expressão de quem não acredita na surpresa de seus amigos. Percebendo que o jovem mostra-se indiferente, Henrique prefere mudar de assunto, perguntando-lhe:

- E o Alberto? Não veio com você? — Bem... – Olha em volta. – Parece que não! – Sorri querendo caçoar seu amigo.

Pedro e Anacleto riem um pouco enquanto Henrique permanece sério, por provocação:

- É pra rir? Eu não entendi qual é a piada!

-Aaaaahhh! – Exclamam seus amigos, simultaneamente, reprovando-o, contudo, os quatro jovens soltam uma grande gargalhada.

- O que tá acontecendo com o Alberto? Ele anda meio sumido... – Comenta Pedro. – Abandonou os amigos...

-É mesmo! Também percebi! – Concorda Anacleto.

-Tem razão! Ele tá estranho! – Emenda Mateus. – Não se junta com a gente mais! Parece que tá se afastando...

Após um breve silêncio, Henrique arrisca:

- Eu acho que ele tá a fim de alguma “mina”!

- Quê? O Alberto? – Diz Pedro, admirado, porém, curioso. – Ele nem “fica” mais há um ano, depois de terminar com a...

De repente, Mateus lembra-se da conversa que tivera com seu primo durante a comemoração de seu aniversário, dia 17, porém realizado no dia seguinte, em um sábado.

FLASHBACK

- Mateus! Preciso falar com você! – Diz Alberto, meio sussurrado, enquanto o jovem está distante dos amigos, por poucos minutos.

- Pode falar! Aconteceu alguma coisa? – Responde apreensivo.

- Hmm... Digamos que sim! Na verdade, eu não sei...

- Fala, Alberto! Você tá me deixando preocupado!

- É que... – Alberto não consegue terminar sua frase, um pouco envergonhado e receoso pelo que seu primo lhe responderia e como reagiria.

- Desembucha logo! – Fala Mateus impaciente.

- Tá bom! Tá bom! É que eu... Vi uma menina... Um dia desses... E... E... Er...

- E...?

- E... Desde que a vi, não paro de pensar nela! Acordo pensando nela... Vou dormir pensando nela... Não me sai da cabeça... Eu já a procurei de novo, fui ao mesmo lugar onde a vi... E nada! Eu vou acabar enlouquecendo...

Mateus controla-se para não rir, abaixando levemente sua cabeça. Alberto estranha e pergunta:

- O quê? Que foi? Por que fez essa cara? Fala alguma coisa!

O primo mais novo de Alberto não se aguenta e ri.

- Do que você tá rindo? – Indaga-lhe Alberto, risonho e encabulado.

- Você tá apaixonado, primo? – Diz com olhar malicioso.

- E-eu? Apaixonado? – Atônito, não sabe o que dizer. – Er... Não... Claro que... Não faço a menor ideia!

Os dois rapazes gargalham.

- Mas fala aí... Quem é a menina?

- É... A que foi atacada por aquele... – Alberto muda sua expressão, irritando-se. – Aquele cretino... Fellipe, o nome dele!

- Xiii... Então, é encrenca, hein?! Esse Fellipe aí vai ficar no seu pé, te enchendo...

- Quero nem saber! Eu não vou ‘deixar ele’ fazer mal a ela... – O valente garoto que defendera Elza acaba deixando escapar, não sabendo se deveria ter dito.

- Hmmm... Isso é que é amor! – Zomba Mateus, rindo em seguida. Alberto fica meio sem jeito e ri também.

- Eeeeh... Que é? Vai ficar me ‘tirando’, agora?

- Nããão! Eu, não! Mas deixa os “caras” saberem disso!

- Você não vai falar nada... – O primo mais velho de Mateus ia perguntar se o garoto ia contar para os amigos. Contudo, é interrompido pelo mesmo.

- Eu? Claro que não! Mas eu quero ver se você vai conseguir esconder por muito tempo! E quando eles souberem... Principalmente o Henrique...

Alberto fica meditativo por um instante e diz:

- É por isso que eu não falei nada! Até porque... Eu nunca mais a vi...

- Relaxa, primo! Uma hora ela aparece! Agora, melhor mudar de assunto que eles estão vindo aí!

- Certo! – Alberto e Mateus veem Pedro, Henrique e Anacleto aproximando-se e resolvem conversar sobre outras coisas.

FIM DO FLASHBACK

Mateus controla-se para não rir e para não contar aos amigos assim que se recorda.

- Na verdade... – Diz Henrique, interrompendo o que Pedro ia dizer. – Ele não a esqueceu fácil! Mas com o tempo, foi melhorando, se distraindo... Mesmo assim, achou melhor ficar ‘na dele’... Aquela história toda de LIBERDADE... Só que... Com tanta “gata dando mole”... – balança a cabeça negativamente e com um leve sorriso irônico. – Se fosse comigo, já teria pegado várias!

-... Várias alergias? – Brinca Mateus. Começando a falar com voz aguda, passa as mãos abertas em seus próprios braços querendo demonstrar repugnância. – Saaai, sua baranga!

Os dois irmãos gargalham enquanto Henrique, contido, responde:

- Você tá entendido, hein?! É assim que você fala ‘pras’ garotas?

Inicia-se uma nova altercação. Desta vez, entre o mais brincalhão da turma e o primo do Alberto. Pedro tenta apaziguar. Anacleto olha seu relógio e levanta-se da cadeira, pois se lembra que tem um compromisso. Os dois rapazes interrompem a discussão e Henrique pergunta:

-“Peraí, mano”! Aonde você vai? Fica aí!

-É, Cleto! A gente já parou de brigar! — Brinca Mateus recebendo, em seguida, um leve tapa em sua nuca do amigo que, outrora, o provocara.

Pedro e seu irmão riem. O mais jovem do grupo explica:

- É que eu marquei com um amigo de estudar na biblioteca! “Foi mau”! – Coloca a mão no bolso para tirar dinheiro, pois, queria pagar sua parte nos lanches. – Quanto deu mesmo?

- Deixa! Depois a gente vê! –Diz Pedro, fazendo gentileza com o irmão.

- Ah! Queria ter um irmão assim! – Provoca Henrique.

Os três amigos realizam o mesmo gesto que o rapaz brincalhão fizera com Mateus, porém, desta vez, a vítima é o próprio autor da brincadeira que, abaixa a cabeça tentando desviar-se sem sucesso.

Anacleto, então, despede-se dos amigos e do irmão. Ao sair da lanchonete, pega seu fone de ouvido junto com seu aparelho tocador de música e caminha em direção à biblioteca, que fica um pouco distante dali.

No trajeto, ouve vozes. São duas garotas que se escondem em um terreno baldio. Prefere não entrar, contudo, acaba escutando a conversa:

- Você é muito linda, sabia? – Diz uma delas. – Já falou com seus pais sobre a gente?

- Ainda não! Lá em casa, as coisas são meio difíceis! Duvido que entendam... – Responde a outra menina, angustiada.

Anacleto fica perplexo, não somente pela conversa que ouvira, todavia, por ter reconhecido a voz da segunda garota que se assemelha em demasia com a de sua irmã mais nova: Talita.

Notas finais
E aí, o que acharam? Como está ficando? Me digam nos reviews! Valeu mesmo! *--* ♥