Felizes... para sempre?
12 Lucca Montanari
Notas iniciais
– America, eu preciso da sua ajuda.
– Se eu puder ajudar...
– Eu acho que é a única que pode.
Lucca Montanari, irmão de Orabella e Naomi, era uma excelente pessoa na maior parte do tempo, mas, sim, na menor parte do tempo, ele aprontava e, quando fazia isso, geralmente as consequências não eram boas.
FLASHBACK ON
Dei um beijo de boa noite em minha filha assim que ela dormiu. Nicole completara seis anos na semana passada e cada dia parece menos comigo e mais com Maxon. Até a paixão por fotografia ela herdou. Gosto de saber, porém, que ela carrega um pouco da minha impulsividade habitual. Tal mãe, tal filha.
Caminhei pelos corredores pelo palácio como sempre fazia depois de por Nicole para dormir. Costumava visitar os jardins constantemente quando cheguei à Itália para estabelecer uma espécie de vínculo com minha casa mesmo estando tão longe, mas percebi que nunca seria igual, apenas uma tortura. Evito os jardins desde então.
Ouvi passos e virei-me para ver quem era. Mero reflexo, pois provavelmente era algum guarda. Estava enganada.
– America, America, America, você é doce como um mel. Deixe-me provar de seu néctar, minha flor.
– Lucca? Lucca, você está bêbado! Urgh, e fedendo! – Lucca cambaleava – Vem, vou ajudar você.
– Eu não quero sua ajuda, só quero beijar você. – E atacou meus lábios.
Para um bêbado, Lucca possuía uma força descomunal, porque nem com todos os meus chutes, socos e empurrões ele pareceu se abalar. Por fim, mordi seu lábio inferior na esperança de que fizesse com que ele me soltasse. Funcionou. Mas não o impediu de me segurar pelos braços. Eu, com toda certeza, ficaria com uma marca ali.
– Lucca, pare com isso. Se controle.
– Eu não quero me controlar. Eu só quero você, America. Só você.
Lucca se jogou para cima de mim outra vez, não se contentando mais com beijos. Começou a subir o meu vestido enquanto eu lutava desesperadamente para sair do seu aperto. Com uma mão tentava tirar minha roupa, com outra cobria minha boca, com o corpo me prensava na parede.
Vendo que eu não desistiria, tentou rasgar meu vestido, mas precisaria das duas mãos para isso, então me beijou outra vez enquanto passava as mãos pelo meu corpo, lutando contra as minhas no processo. A estratégia serviu da primeira vez, teria que servir de novo: mordi com força seu lábio inferior e desta vez não perdi tempo tentando fazê-lo recobrar a consciência.
– SOCORRO!!! GUARD... – Cobriu minha boca outra vez, mas não rápido o suficiente. Na calada da noite, com os corredores silenciosos, meu grito não passou despercebido. Logo, dois guardas apareceram e tiraram um Lucca esbravejante de perto de mim.
– Signora America? Ele te feriu? A signora está bem?
– Não estou machucada, apenas um pouco dolorida. Vou ficar bem se ele estiver longe.
– Devemos levá-lo para a prisão ou a signora quer comunicar a Regina Nicolleta sobre ele?
– Nem um, nem outro. Ele está bêbado. Chamem um mordomo, mandem que dê um banho nele e o tranquem no quarto. Amanhã verei o que fazer. O que quer que seja feito ele deverá estar lúcido. Apenas não deixem que saia de lá.
– Sì, signora.
Não consegui dormir e no dia seguinte estava com uma olheira tão profunda quanto o Grand Canyon em Illéa. Mas qualquer que tenha sido o meu estado de manhã, o de Lucca foi pior. Acompanhado por dois guardas, ele parecia com dores e torturado.
– America, por favor, eu preciso falar com você. – Ele implorou dando um passo para frente e sendo puxado imediatamente para trás pelos guardas.
– Espero que não tenha a pretensão de ficar sozinho comigo outra vez. – Respondi ríspida e fria.
– Não tenho, mas deixe-me ao menos chegar mais perto.
Fiz um sinal afirmativo com a cabeça para os guardas indicando que ele poderia se aproximar, mas que eles não deveriam sair dali.
– O que você quer? – Encarei-o, mesmo que ele fosse bem mais alto do que eu.
– Eu quero... Na verdade, eu preciso... Preciso te contar... Não, eu preciso te pedir...
– Não tenho o dia todo. Diga de uma vez.
– Me perdoa. Eu estava bêbado e não tive o controle de mim, mas eu quero que você saiba que eu jamais machucaria você conscientemente. Eu não poderia fazer isso, eu juro. Por favor, me perdoa.
– E por que eu deveria acreditar em qualquer coisa que você diga?
– Porque ontem eu estava bêbado, mas há muito tempo que eu quero estar tão perto de você. Eu sei que agi como um covarde tentando forçá-la, mas eu ainda quero estar perto de você. Eu não sei o que está acontecendo comigo, mas eu gosto de você. Muito.
– Gosta tanto que tentou me estuprar.
– Eu errei, confesso. Mas eu quero me redimir.
– Como?
– Casa comigo, America.
– O que?
– Casa comigo. Eu quero tanto ter você ao meu lado. Mas antes disso, quero que você saiba que eu respeito você e a honra que eu quase lhe tomei ontem. Nicole gosta de mim, e eu gosto dela, não há com o que se preocupar quanto a isso. E eu sei que você e seu ex-marido não se veem há anos. Não fisicamente, pelo menos. Deixe-me ocupar o lugar que ele fez questão de sair. Deixe-me limpar minha mancha em sua honra. Casa comigo, America.
– Lucca, eu posso estar divorciada, mas eu fiz uma promessa de amar e respeitar ao Rei Maxon até a morte e pretendo cumpri-la. Você quer se casar comigo para lavar minha honra e eu fico grata por você se mostrar comprometido a merecer meu perdão, mas não posso aceitar sua proposta.
– America, por favor, me perdoa.
FLASHBACK OFF
Levou um tempo para eu conseguir perdoá-lo de verdade, e um tempo maior ainda para que voltássemos a ser amigos. Foi uma conquista bem gradativa da parte dele. Felizmente, aquela foi a primeira e última vez que ele tentou me estuprar, mas eu sempre fico receosa quando ele aparece pedindo ajuda.
– Quer ajuda com o que? – perguntei.
– Eu... Eu... Bem, eu...
– Dá para parar de enrolar e dizer de uma vez? Que mania!
– Eu perdi dinheiro numa aposta ontem. Estou devendo a uns homens barra pesada. – Disse de uma vez só.
– E por que não foi pedir dinheiro a Nicolleta como faz sempre? – Não, não é a primeira vez que isso acontece. Nem acredito que será a última.
– Ela disse que não vai me dar.
– E com razão. Suas últimas dívidas foram quitadas com dinheiro público. Os cofres da Itália não foram feitos para pagar suas apostas. – Repreendi.
– Até você está contra mim? Você não entende quem eles são, America. Eu não posso simplesmente ficar devendo a eles.
– Não, quem não entende é você. Ninguém te obrigou a apostar para início de conversa. Você se meteu com essa gente por que quis. Não pode esperar que a gente resolva seus problemas todas as vezes que você resolver jogar. Já está na hora de resolver sua vida.
– Então, é isso? Não vai me ajudar?
– Nem se eu quisesse. Sou a pessoa errada para isso. Todas as minhas posses estão em Illéa. Ainda não percebeu que estou morando de favor aqui?
– Ah, fala sério! Você é a conselheira de Nicolleta e o mais próximo que Illéa tem de uma embaixatriz na Itália. Deve ter economias.
– Eu ajudo sua prima justamente porque ela me acolheu. E o que eu ganho é para dar a minha filha o que ela merece.
Lucca ficou em silêncio de repente, como se perdido em profundos devaneios.
– Deixa pra lá. Já vi que não vai adiantar falar com você.
Saiu rápido, furioso e batendo os pés.
Fui para o quarto de Nicole em seguida. Agora ela tem aulas pela manhã e pela tarde, mas sou eu quem vai acordá-la e sempre almoçamos juntas. Nicole está bem perto de fazer onze anos e está aprendendo estratégias de batalha em conferência com líderes aliados à Itália. May fez questão de ordenar que o chefe de sua marinha ensinasse tudo o que soubesse sobre batalhas navais para minha filha, que entre as aulas de estratégia e as aulas de diplomacia ainda encontrou tempo para praticar artes marciais. Consequência de tanto estudar sobre batalhas, segundo ela.
– Princesa, acorde.
– Só mais cinco minutos, mãe.
– Você falou isso há cinco minutos.
– Urgh! Tá bom. – Resmungou, mas levantou.
– O que vai querer de presente de aniversário esse ano? – Falar de presentes sempre a ajudava a despertar.
– Imagino que conhecer meu pai esteja fora de questão.
– Ele está fazendo o que pode, Nicole. – Disse suavemente, mas Nicole estava ficando cada vez mais irritada com Maxon pela demora.
– Então o que ele está fazendo não é suficiente.
– Nicole, se conhecer seu pai significasse que eu não poderia mais ver você, iria querer voltar para Illéa? – Quando percebi a besteira que cometi, desejei recolher minhas palavras.
– Que história é essa, mãe? Meu pai não pediria pra você se afastar de mim. Não fale bobagens. – Minha filha me repreendendo? Quando foi que ela cresceu tão rápido? – Além disso, se ele pedisse, eu iria dizer umas boas verdades na cara dele. Demora mais de onze anos pra resolver a situação em casa, apenas pra exigir que a senhora fique longe? Duvido.
– Não é seu pai que me preocupa – Resmunguei.
– O que disse?
– Nada. Vem cá – Puxei-a para um abraço – Eu te amo, princesa. Lembre-se disso sempre.
– Eu sei, mãe. Eu te amo também, mas está me sufocando. Dá pra me soltar? – Perguntou
– Não. – Brinquei – Vai ficar aqui pra sempre.
– Mãe, eu tenho que ir pra aula.
– Tá bom. Vê se come alguma coisa.
– Pode deixar. – Disse, já saindo do quarto.
Fiquei com Nicolleta durante toda a manhã e aproveitei para contar minha mais recente conversa com o primo dela. Quando fomos almoçar, Nicole ainda não estava na sala de jantar. Deduzi que tinha se empolgado com as aulas. Até que o estrategista de batalhas italiano irrompeu pela porta e fez uma reverência a Nicolleta e a mim.
– Regina Nicolleta, Signora America.
– General, aconteceu alguma coisa? – Perguntei – Onde está Nicole?
– Vim justamente perguntar se ela está bem. Ela não foi à aula hoje.
– Impossível. Eu mesma acordei-a e a vi sair do quarto. – Repliquei.
– Pois então foi a outro lugar. Comigo não esteve. – O General completou.
– Vou voltar ao quarto dela para ver se ela está lá. Nicolleta, pode pedir para alguns guardas procurarem por ela?
– Sim, claro. – Nicolleta prontamente respondeu – Espere. Vou com você.
Horas depois, achei até o brinco de safiras que perdi no natal passado, menos minha filha.
– Já reviraram o palácio todo, America. Nicole não está aqui.
– O que aconteceu com minha filha, Nick?
– Posso perguntar o mesmo – Uma voz atrás de Nicolleta falou. Reconheceria aquela voz em qualquer lugar.
– Maxon?
– America, posso saber o porquê de eu ter recebido uma ligação da Itália pedindo o resgate pela minha filha?
– Desgraçado! – Gritei quando finalmente me dei conta do que tinha acontecido.
– America, onde está Nicole? Eu quero vê-la. Agora! – Maxon estava visivelmente nervoso.
– Nicolleta, pode deixar a gente a sós? – Perguntei. Nicolleta assentiu e saiu do quarto.
– Não pode vê-la. Ela não está comigo.
– America, dá para me explicar o que está acontecendo? – Enxuguei uma lágrima. Precisava ser forte. Não posso fraquejar quando minha filha precisa de mim.
– O primo de Nicolleta veio me pedir dinheiro para pagar uma aposta. Eu disse que não tinha. Só pode ter sido ele.
– E por que pedir dinheiro para mim e não para Nicolleta? – Maxon estava tentando entender toda a história para saber como agir. Eu reconhecia isso nele de quando éramos casados.
– Porque ele tinha pedido dinheiro a ela antes, que ela negou. Jamais imaginaríamos que ele tentaria... – Não consegui dizer as palavras.
– Você tem ideia de onde ele possa estar?
– Não. Entregou o dinheiro?
– É claro que não. Eu não tenho o costume de entregar uma fortuna para o primeiro psicopata que liga dizendo que está com a minha filha. Principalmente quando eu pensava que ela estava com você. – Maxon suspirou, frustrado e irritado – Tem mais alguma coisa que eu tenha que saber, America?
– Ele... Há alguns anos ele...
– Ele o que, America?
– Ele tentou... Ele tentou me estuprar.
– O QUE? E ESSE LOUCO ESTÁ COM A MINHA FILHA?
Me joguei no chão, enterrando a minha cabeça entre os joelhos. Não iria mais aguentar minhas lágrimas por muito tempo.
– Não entendi uma coisa: – Maxon completou, controlado, mas transtornado ao mesmo tempo – Se ele tentou estuprar você, por que apareceu pedindo dinheiro? Você não o manteve perto da nossa filha mesmo depois do que ele fez, manteve?
– Faz cinco anos! Como é que eu iria manter um nobre italiano longe do palácio?
– DROGA, AMERICA! VOCÊ O PERDOOU! QUEM VOCÊ PENSA QUE É PARA EXPOR MINHA FILHA AO PERIGO DESTA FORMA? – Comecei a chorar e Maxon parou de gritar, mas sua voz controlada e raivosa só piorou as coisas – Onze anos. Por onze anos eu fiquei longe da minha filha para a segurança dela. Apenas para receber uma ligação dizendo que ela foi sequestrada às vistas da própria mãe. Que tipo de mãe é você, America?
Sua voz carregava tanto nojo por mim que me senti suja. Não me atrevi a levantar o rosto. Apenas chorei.
– Minha filha! Minha filha! Minha filha! – Lamentei. Não me importava mais que Maxon estivesse me julgando. Eu só precisava de minha filha nos braços. Tê-la comigo. Ver seu sorriso.
– Quando ligarem de novo, eu entrego o dinheiro. Ainda não posso trazer Nicole para Illéa, caso contrário, ela viria para o palácio e você teria que passar longe dela tantos anos quanto eu passei. Ligue para May e assim que Nicole voltar, saia da Itália. Isto não é um pedido, America. Saia da Itália com Nicole na primeira oportunidade. – Sua imagem desapareceu.
Definitivamente, eu nunca passei por tanta agonia. Não consegui dormir, tampouco Nicolleta, Orabella ou Naomi. Tentei descobrir se elas sabiam de algum lugar que ele possa ter ido, mas elas não sabiam. Só me restava esperar.
O palácio estava acordado em compaixão à minha dor. Sempre aparecia uma criada oferecendo chá, um guarda dizendo que iriam encontrá-la, um mordomo oferecendo um calmante. Me tratavam como se eu fosse de casa. Eu sentiria falta deste lugar.
Sem nenhuma notícia, os minutos se transformaram em horas, as horas se transformaram em dias e eu não dormi um segundo sequer, mas Maxon não estava melhor. A imagem dele aparecia constantemente para contar que nenhum contato havia sido feito. Lucca não tentou ligar de novo.
A notícia chegou à Inglaterra no mesmo dia do sequestro, e May ligou para mim, tentando me acalmar. Só que ouvir Richard perguntar pela prima, preocupado, não me fez nada bem. Ele nasceu um dia depois de Nicole e se tornou um grande amigo dela. Ele costuma passar algumas temporadas na Itália, e ela passa alguns meses por ano na Inglaterra com ele também. Richard é o mais próximo que ela tem de um amigo da mesma idade, o mais próximo que ela tem de um irmão. Ouvi-lo se lamentar pela prima foi como uma apunhalada no meu peito.
Dois dias e muitas lágrimas depois, finalmente recebemos uma notícia. Lucca tentou entrar em contato com May. Pensou que se não conseguisse dinheiro com a mãe nem com o pai, talvez a tia tivesse mais consideração.
Foi Alexander quem atendeu e resolveu tudo. Pagou a dívida de Lucca, mas apenas depois de resgatar minha filha. Nicole está salva. Segura. O mais importante: comigo.
– Minha princesa! – Abracei-a com todas as minhas forças – Você está bem? Ele machucou você? Ele tentou alguma coisa contra você? – Fazia uma pergunta atrás da outra enquanto conferia para ver se ela estava ferida em algum lugar.
– Mãe, você precisa respirar. Eu estou bem, ele não me machucou.
– Nada? Nem um pouco? Eu juro que se um único fio de cabelo seu foi alterado, ele vai...
– Mãe! – Nicole me interrompeu – Também senti sua falta.
Fiquei abraçando-a por muito tempo. Por mais que os outros quisessem recebê-la também, respeitaram o meu momento.
Eu nunca me daria por satisfeita, mas resolvi ceder um espaço. Nicole foi abraçar nossos amigos e eu aproveitei o tempo para resolver um assunto pendente.
– Alexander?
– Fico feliz que a tenhamos encontrado, America.
– Sinto que vou dever você para sempre.
– Não deve, não. Considero muito a você e a sua filha. Não poderia fazer menos do que o meu máximo para ajudar.
– Obrigada, Alexander. Obrigada por salvá-la; obrigada por fazer minha irmã feliz; obrigada por toda a ajuda que tem me dado desde a minha deposição. Você pode contar comigo para o que precisar. É um amigo de verdade.
– Nunca pensei que ouviria isso de uma illeana. – Brincou.
– Nunca pensei que diria isso a um inglês – Repliquei sorrindo.
Depois que todos cumprimentaram Nicole devidamente, nós duas subimos para o quarto dela. Precisávamos contar a Maxon.
A imagem que apareceu pelo Holograma foi assustadora. Maxon dormindo, sentado na poltrona de seu escritório, com a cabeça apoiada na mesa e com a mão em cima do telefone. Apenas esperando uma ligação.
– Pai – Nicole chamou. Maxon levantou a cabeça assustado, procurando pela imagem da filha. Eu não queria falar com ele, então deixei que os dois conversassem enquanto eu ouvia, sentada no chão.
– Nicole! Você está bem? Machucaram você? Eu juro que se encostaram em uma unha sua, vão se arrepender amargamente...
– Pai, dá pra parar com as ameaças? O senhor parece a minha mãe falando assim.
– O que aconteceu?
– Ele me levou para um galpão abandonado. Ficou comigo lá esses dois dias. Não tinha muita coisa lá, mas pelo menos eu tinha comida e um colchonete para dormir. Não que eu tenha dormido, é claro.
– Tem certeza que ele não encostou em você?
– Tenho, pai. Teve algumas horas que ele olhava para mim de um jeito, sabe? Parecia que eu era a refeição. – O maxilar de Maxon travou na hora. Se ele encontrasse com Lucca na frente dele nesse exato momento, provavelmente só um sairia vivo. E Maxon garantiria de que Lucca estaria bem morto.
– Fico feliz em saber que está bem, princesa. Você deve estar cansada, então eu vou deixar você descansar, mas assim que estiver melhor me chame, tudo bem?
– Sim, pai. Pode deixar.
A imagem de Maxon desapareceu.
– Mãe?
– O que foi?
– Só tem um presente que eu quero esse ano. Eu sei que a senhora não quer isso, mas é o que eu mais quero. Principalmente hoje.
– O que você quer de presente, princesa? – Perguntei, mas já sabia a resposta.
– Quero ir pra casa, mãe.
Continua...
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