Notas iniciais
Oi, gente! O que acharam do primeiro capítulo? Eu achei que da dança deles em diante ficou muito corrido, porque estava tarde e eu precisei desligar o computador, então terminei depressa para conseguir postar. Pra compensar, este vai ser um pov do Maxon sobre a segunda parte do casamento, a partir do discurso da América. Uma espécie de versão estendida do primeiro capítulo. Digam o que acham sobre o pov do Maxon, porque pretendo fazer outros conforme a história avançar. Boa leitura...

– Minha música é você, alteza. Que todas as nações saibam que eu te amo. – América finalizou.

Ouvir de alguém, que dependia da música pra viver, que eu sou sua música é, no mínimo, uma declaração de amor intensa. E, por mais melodramático que pareça, sei que dependo dela agora. Já não consigo resistir à vontade de tê-la em meus braços. Nunca lamentei tanto ter que seguir regras de boa conduta, porque se não fossem elas, eu já estaria agarrando sua cintura e puxando-a para mim agora mesmo. América está tão perceptivelmente radiante que por um único momento esqueço a preocupação que tenho com a reação do meu pai e dos conselheiros o suficiente para me ver indo ao seu encontro e saciando minha vontade dela. Pelo menos por enquanto. Que seja! Ela agora é minha esposa.

Nos beijamos apaixonadamente e eu tive que me concentrar para não perder o controle e levá-la para onde pudéssemos ficar a sós. Desde o fim da seleção, está cada vez mais complicado estar tão perto dela e precisar de oxigênio ao mesmo tempo. Seus beijos simplesmente me viciam.

Me surpreendo com a minha sinceridade. Sempre fui o mestre dos sorrisos forçados e das palavras não ditas, mas não preciso desta fachada hoje. Minha alegria é genuína e nem mesmo um ataque sulista seria o suficiente para tirar o sorriso que teima em voltar para o meu rosto. Devo estar parecendo um adolescente apaixonado e não o príncipe herdeiro de Illéa. Surpreendo-me outra vez ao perceber que não me importo. Talvez outro dia. Mas hoje não.

Quando nos separamos, vejo que América está constrangida com as câmeras. Depois de passar uns dias na antiga casa dela, finalmente consegui entender o quão surreal uma vida ao meu lado deve parecer. Ela simplesmente deixou de assistir o Jornal Oficial com pipoca e sua família para ser a princesa do homem que ela via na TV. E agora é ela, minha América Schreave, quem está aparecendo nas televisões do mundo inteiro.

Ainda com o meu braço em volta de sua cintura, a conduzo para a pista de dança, onde uma música lenta e melodiosa está sendo tocada pela orquestra. Seguro-a contra mim e os olhos de todos se voltam para a primeira dança dos recém-casados.

Felizmente, América estava preparada por meses de treinamento com Silvia e minha mãe. Dançamos elegantemente até que nossas famílias nos cercaram para dançar também, desviando parte da atenção que estávamos recebendo. E então me aproximei de seu ouvido e comecei a sussurrar.

(N/A: Soneto de Luiz de Camões)

– Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

América enterrou o rosto em meu peito enquanto girávamos pelo salão. Olhei para ela e tive um deslumbre de seu sorriso. Senti-a me apertar com mais força para perto se si. Continuei.

(N/A: Soneto da Fidelidade de Vinícius de Moraes)

– De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.


Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento


E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama


Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

Quando terminei, seus olhos brilhavam. Soube que ela tinha se impressionado, mas eu não estava satisfeito ainda, então completei.

– Não tenho palavras suficientes para dizer o que sinto, senhora Schreave. Espero que não esteja brava por usar sua ideia de pedir ajuda a alguns amigos nos livros. – América arqueou as sobrancelhas.

– Não conseguiria ficar brava com você mesmo se eu tentasse. Talvez outro dia, mas hoje não.

– Excelente. Porque mesmo que tenha me fascinado com o quão bonita você fica quando está com raiva, acho que nunca vi nada tão perfeito quanto você.

– Não está exagerando, Max? – América pergunta brincalhona.

– Nem um pouco. Você é linda. E só minha.

– Se me acha bonita, ainda não se olhou no espelho, alteza. E provavelmente também não viu como algumas mulheres estão te devorando com os olhos. – Sussurrou. – Acho que vou ter que ir ali dizer pra algumas delas que você é meu.

– Não precisa ir ali pra mostrar isso a elas. Também preciso ensinar algo para os embaixadores que estão te encarando, na mesa dos russos.

Beijei-a. E de novo... E de novo... E de novo.

Até trocarem de música por uma mais dançante.

E então nossos amigos invadiram a pista de dança. Dava pra ver nitidamente as diferenças entre os países. Enquanto alguns, os mais liberais, pulavam e se divertiam ao som da música, outros mantiveram sua postura ereta e dançavam mais discretamente. América e eu tentávamos intermediar o choque cultural dançando músicas de todos os países convidados. Não me lembro de alguma vez ter me divertido tanto quanto hoje.

Depois do que me pareceram horas dançando e sendo parabenizado pelo casamento, América resolveu jogar o buquê. Fez a contagem regressiva e jogou para... para... May? Por essa eu não esperava. Se bem que o príncipe da Inglaterra lançou um olhar bem sugestivo para ela naquela hora. Tenho que me lembrar de averiguar essa história direito com América depois. Agora tenho assuntos mais importantes para resolver.

Despedimo-nos dos convidados que ainda estavam na festa e saímos. Alguns funcionários mais próximos passaram por nós no corredor, curvaram-se e me mandaram um olhar de “Mandou bem, cara!”

Fiquei pensando no que dizer a América quando chegássemos ao meu quarto. Não consegui descobrir em tempo. Quando percebi já estava fechando a porta. Disse o que me veio primeiro à mente.

– Te amo, minha querida. – Sorri

– Eu não sou sua querida. – Percebi que, no fim das contas, não tinha com o que me preocupar. Apenas desfrutar meu momento com a mulher que conquistou meu coração com essas mesmas palavras.

– Ah... Você é... Você oficialmente é a minha mais querida.

Nos beijamos de forma voraz e... bem, quente. Nossos corpos falaram por si só até nos tornarmos um – Finalmente -. Depois de aproveitarmos mais a nossa primeira noite, adormeci com América em meus braços e com um sorriso estampado no rosto.

Posso me acostumar com isso.

– Boa noite, princesa.

Continua...

Notas finais
E então, o que acharam? Gente, o lançamento de The One está chegando e provavelmente os elementos dessa fanfic não vão coincidir com o livro. Mas a fanfic continua assim mesmo. Se for preciso mudo um pouco o que tinha programado para ficar mais parecido - supondo que América e Maxon fiquem juntos para início de conversa. Estão ansiosos? O que querem que aconteça?