Feliz Natal ,alone
1 Capítulo 1 - Livros e mais livros
– Maldição!
Sua voz ecoava bastante nervosa na rua vazia. Não era pra menos, rodara a cidade toda atrás daquele maldito livro e nada de encontrar. Fora em todas as livrarias, até que encontrou alguns exemplares, mas estes estavam em inglês, alguns em chinês, outros em francês, achara até em russo, mas nada de encontrar um exemplar em japonês. Mas não ia desistir, sabia que esse seria o presente perfeito, já que ele estava falando daquele livro à um bom tempo.
***
– Alone o que está lendo?
Tenma perguntou, olhando por cima do ombro do amigo e extremamente surpreso por Alone estar tão concentrado no livro que nem tinha notado ele parado ali há pelo menos dois minutos.
– Um livro.
Respondeu o rapaz de cabelos loiros ainda absorto em sua leitura, Tenma ficou extremamente irritado com a resposta imbecil que acabara de ser dirigida a ele.
– Que é um livro eu sei. Mas que livro?
Alone fechou o livro em um estalo mostrando a capa vermelha com o desenho de um balão para Tenma que leu o titulo em voz alta.
– Volta ao Mundo em 80 dias? E sobre o que fala?
– Sobre um homem que por causa de uma aposta decide dar a volta ao mundo em 80 dias.
– Interessante. Quem escreveu?
– Julio Verne.
– Quem?
– Se não sabe quem é por que pergunta?
– Porque não conheço horas. É novo?
– Novo? Tenma isso é um clássico!
– Clássico? Que nem o Quebra Nozes?
– Não, isso é ballet clássico. Falo de clássico de literatura, esse cara é o maior escritor de ficção cientifica. Gosto muito dele. É uma pena que tenha lido só dois livros dele. Aqui na biblioteca da fundação não tem mais nenhum.
– Do jeito que você lê já deve ter lido metade da biblioteca. Não tem nada melhor pra fazer não?
– Ah, Tenma, não me enche a paciência. Ler é muito bom sabia?
– Ler cansa. Não sei como você gosta.
– Não seja chato.
Alone abriu o livro novamente e recomeçou a leitura, Tenma sentou no sofá ao lado da poltrona que Alone ocupava e ficou observando-o. Alone era mais bonito dos cavaleiros que conhecera, não era a toa que conseguia tantas admiradoras, não que Tenma não tivesse as suas, mas Alone era de longe o garoto mais cobiçado. E as razões eram obvias, Alone tinha um rosto perfeitamente lindo, sua pele branca, seus lábios rosados, tudo nele era perfeito. Mesmo depois de tantas dificuldades, de tanto sofrimento Alone ainda tinha um sorriso maravilhoso, que sempre deixava qualquer um de bom humor. Não era a primeira vez que Tenma se pegava observando o amigo, tinha se tornado um habito ultimamente.
Estava começando a ficar obcecado com isso. Sentia uma felicidade imensa somente por estar ao seu lado, notando cada pequeno detalhe, e se sentia triste quando não estava perto dele, como se a presença dele fosse mais importante do que respirar. Perdido em pensamentos Tenma não notou que Alone tinha fechado o livro e chamava seu nome.
– Tenma. Tenma. Tenma você está me ouvindo?
Acordou do transe e notou dois olhos azuis olhando pra ele.
– Desculpe. Disse algo?
– Esquece. Não era importante.
Alone suspirou e sentou-se ao lado de Tenma. O moreno percebeu que Alone estava cabisbaixo.
– Alone, aconteceu alguma coisa?
– Aconteceu sim. Eu acabei de ler.
– E desde quando isso é ruim.
– É que... É a quinta vez que leio esse livro.
– Quinta vez! Seu doido! Pra que ler um livro tantas vezes?
– Porque não tem mais nada pra ler.
– Mas a biblioteca está cheia de livros.
– Os livros bons eu já li todos, e eu não quero ler qualquer livro. Tem um livro que eu quero ler a tanto tempo, mas que não acho em lugar algum.
– Que livro é esse?
– O Retrato de Dorian Gray.
– Nunca ouvi falar.
– Você nunca ouviu falar de livro algum.
– Engraçadinho. Eu já li alguns livros sim, eu era praticamente obrigado a ler pelo meu mestre. Humpf... Odiava aqueles livros. E esse tal de Retrato de Lorian Grei. Quem escreveu esse livro?
– Retrato de Dorian Gray, Tenma. E...Hum... Como era mesmo o nome dele? Oscar... Oscar Wilde, ou coisa parecida.
***
Depois desse dia Tenma decidiu que ia comprar esse livro para Alone, iria aproveitar a proximidade do natal e presentear Alone com o tão falado livro. Estava louco para ver o sorriso estampado no rosto dele, adorava ver Alone quando estava empolgado com algo. Iria ganhar um abraço apertado do mais novo e se pudesse se atrever um beijo no rosto. Só de pensar nisso deixava Tenma extasiado. Mas não era tão fácil, quase ninguém conhecia esse livro e por mais que procurasse, nada de encontrar o bendito livro. Estava cansado, rodara a cidade toda, e não agüentava mais esbarrar nas pessoas que também estavam fazendo suas compras de natal. Se não fosse por Alone, ele nem se importaria com o feriado, mas sabia que ele ia lhe dar algo, sempre ganhava. Até mesmo no dia dos namorados ele ganhou chocolate, é claro que Sasha, Dohko, Pandora e Asmita também ganharam. O que deixou o moreno bastante triste, pois achara que talvez...
– Ah, Tenma! Esquece isso!
Não, não podia ficar pensando nisso. Alone e ele eram amigos, apenas isso. Por mais que o moreno quisesse, por mais que desejasse, ele e Alone não podiam ser mais que amigos.
– Maldito seja você Alone. Se não fosse tão lindo, tão doce, tão meigo, tão... tão Alone! Eu não ia me apaixonar por você. Droga!
Agora não era a hora nem o lugar pra ficar pensando besteiras, queria voltar pra mansão, tomar banho e dormir, iria sonhar com Alone, sempre sonhava. Estava pensando em ir na cidade vizinha e procurar, ou então pedir ajuda a Sasha. Pedir ajuda a Sasha, não queria, mas se não houvesse outro jeito teria que fazer isso. Ainda estava pensando nisso quando algo o assustou, uma pena voava bem na sua frente, ficou acompanhando o movimento da pena, parecia dançar, o vento fazia-a dar piruetas, aquilo o divertiu bastante. Quando parou de ventar a pena caiu no chão e Tenma a pegou, ficou admirando sua beleza, não era uma pena comum, era branca e possuía detalhes em rosa achou-a tão linda. Decidiu que levaria a pena para Alone, ele iria gostar.
Na orfanato procurava por ele, revirou a mansão de cima a baixo e nada de encontrar Alone. Até que lhe veio a brilhante idéia de procurar no quarto dele e, como era de se esperar, ele estava lá.
– Ah! Oi Tenma. Quer alguma coisa?
Tenma ficou bobo, a visão a sua frente só podia ser classificada como divina, Alone tinha acabado de sair do banho usava uma calça preta,um pouco justa apenas, algumas gotas de água ainda escorriam dos cabelos úmido, acompanhava seus movimentos do cabelo passava para o pescoço, seguia pelo corpo perfeito, e ia terminar entrando no interior de sua bermuda. Estava com uma cara tão idiota que Alone riu.
– Do que esta rindo?
– Da sua cara. Por que esta fazendo uma cara tão idiota?
– Quem está fazendo cara de idiota?
– Você.
– Depois dessa. Eu vou embora.
– Ah. Tenma, volta aqui. O que você queria? Tenma!
O moreno riu um pouco, adorava deixar Alone curioso. Como esperado ouviu passos apressados atrás de si, junto com a voz impaciente de Alone.
– Tenma! Você sabe que odeio quando faz isso. O que você queria comigo?
Alone alcançou o loiro na porta do quarto, com um sorriso maroto nos lábios. Alone não agüentou olhar aquele sorriso, sabia que Tenma iria apontar alguma.
– Eu? Não queria nada de mais. Só queria lhe dar uma coisa.
– Que coisa?
– Nada de mais, esquece.
Alone bufou de raiva, Tenma riu, adorava ver Alone nervosinho. Alone cruzou os braços virou-se.
– Ta certo então, não precisa mais.
Tenma sorriu ainda mais, e colocou a pena em frente ao rosto de Alone, que virou-se bruscamente ao tentar pegar a pena. O moreno levantou-a até acima da cabeça, Alone não tirava os olhos da pena. Tenma abaixou a mão e depositou a pequena pena nas mãos de Alone.
– Toma, é sua!
– Minha?
Alone estava fascinado nunca vira uma pena tão linda, era inteiramente branca e possuía alguns desenhos em rosa, não era uma pena comum, Alone sentiu-se maravilhado.
– É, sua.
– Onde conseguiu?
– Achei na rua. Pensei que você fosse querer.
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