Notas iniciais
Esse capítulo surgiu assim meio que do nada, então não sei se está muito bom.

Dois anos antes.

Eu li em algum lugar que as pessoas que estão sob pressão podem chegar à insanidade, ainda mais com a retirada de algo da cabeça. Acho que foi o que aconteceu com um garoto do Delta K há alguns anos. Eu tinha cerca de quatorze anos e ele dezoito. Não consigo lembrar o nome dele, mas o garoto costumava usar armas brancas, pois segundo ele o som da carne sendo cortada lhe agradava os ouvidos, nós dividíamos a mesma treinadora. Posso dizer que eu era apenas uma garotinha apaixonada na época. Alguns meses depois da retirada do chip o garoto foi embora levando meu coração partido com ele.

Um dia Tenente me chamou no centro de treinamento. Seguimos até sua sala e ela disse que eu estava pronta para minha primeira missão. Não era algo muito difícil como as que outras pessoas da minha idade participavam.

Meu objetivo era simples, entrar sem ser vista, cortar algumas gargantas, pegar um documento no computar e sai. Coisa simples. Claro que eu já era capaz na época, apesar do meu pouco tamanho e dos músculos pouco desenvolvidos.

Não sei o que aconteceu direito, mas Zenno estava lá. Ele usava uma máscara de gás e eu uma máscara do presidente da época feita de plástico seco e fedido. Uma das garotas mais velhas da época nos levou até o local que Zenno e eu devíamos invadir, quando chegamos fui informada que o garoto era apenas um auxilio para caso algo desse errado. A missão era exclusivamente minha, eu teria que fazer tudo sozinha. A parte de matar os guardas foi fácil, usei algumas facas e um pequeno revolver.

Segui pelos corredores escuros sem nenhum problema, nenhum dos guardas teve ao menos tempo de me ver, muito menos de mandar um sinal de que eu estava ali. Cheguei até a sala de controle, decodifiquei as senhas e achei o arquivo que eu devia copiar.

Ai veio a surpresa. O rosto de Tenente apareceu na tela.

“Sua missão começa agora, querida” foi a única coisa que ela disse antes das portas de vidro se fecharem e o chip de controle de Zenno ser ativado. O garoto surtou e tentou por várias vezes atirar em mim, sua mira era excelente, eu mal tinha tempo de desviar. Me surpreendi ao ver em uma das paredes um machado em uma estante de madeira e vidro. Corri rápido o suficiente para desviar das balas de Zenno. Peguei o machado e me voltei para o garoto.

Não queria mata-lo, não conseguiria. A única coisa que eu pude fazer foi dar um golpe de leve sobre a sobrancelha direita. O golpe foi forte o suficiente para quebrar a máscara e abrir um corte fundo no rosto do garoto. Felizmente o fio do chip foi rompido.

Carreguei o corpo de Zenno até o carro e mandei a garota voltar para base. Assim que chegamos eu me dirigi para a sala da Tenente, que me recebeu com um sorriso no rosto.

– Sinto muito por você ter que matar o garoto – disse ela em um tom que demonstrava uma falsa tristeza.

– Zenno está vivo.

– Como?

– Não sei ao certo qual era minha missão, mas fiz você pensar que Zenno estava morto, e se quer saber, acho que a melhor maneira de enganar um inimigo é começar enganando um amigo – eu disse satisfeita. – Mesmo sendo treinada para ser uma assassina eu aprendi que algumas vidas podem ser poupadas se você for esperta o bastante. Matei nove guardas sem que nenhum deles percebesse minha presença, acho que isso acabou se tornando mais interessante do que você planejava. Mas afinal, por que queria mata-lo?

Atualmente.

– Quando o chip de controle é ativado a pessoa perde a memória dos últimos meses – explico quando Helena me pergunta porque sua mente está embaralhada. – Talvez Zenno tenha ativado sem querer.

Minha cabeça dói, estou mais cansada do que eu já mais estive em minha vida. Oz acordou, mas ainda estava delirando e Zenno cuidava dele com uma certa atenção a mais do que com o resto de nós.

– Acho que ele se sente culpado – diz Helena ao perceber que estou olhando fixamente para o garoto. – Preciso de um banho. — reclama a garota.

– Todos nós precisamos – Jena comenta enquanto confere as munições. – Mas temos que esperar o garoto ali acordar para podermos partir.

– Não podemos carrega-lo? – Ella pergunta à Paige que come em silencio.

– Isso só pioraria as coisas, ele é um garoto inteligente, não queremos danificar isso, acho que isso pode ser bem aproveitado – responde ela.

– Acha mesmo que a retirada do Chip pode causar insanidade? – Pergunto.

– Sim – responde Jena. – Teve o caso de um garoto que matou a própria treinadora e tentou matar Tenente.

Minha treinadora. O garoto que Jena está falando é o mesmo que eu cresci admirando e amando, agora nem lembro seu nome. Sinto um aperto fundo em meu peito, minha cabeça começa a girar.

– Fox?

Sinto uma pancada forte no ombro e tudo ficou escuro.

***

Não faço a mínima ideia de quanto tempo eu fiquei apagada, mas acordei durante a madrugada, Jena estava de guarda segurando uma sniper na escada por onde entramos e saímos.

– Está tudo bem? – pergunta ela.

– Sim – responde a garota sonolenta. – Você e Oz estão disputando para ver quem fica mais tempo em coma?

– Por quanto tempo eu dormi?

– Três dias, estávamos esperando você acordar – diz ela se aproximando sorrateira. – Oz acordou ontem.

– Posso fazer uma pergunta?

– Claro.

– Por que raspou toda a cabeça?

– Nunca fui uma garota convencional, sempre fui treinada em grupos formados apenas por rapazes – diz ela. – Meu cabelo não importa, o que importa é como eu faço o que eu nasci para fazer. Sou boa como distração, mas não tanto quanto Paige ou Ella, mas todos me tratavam como se eu fosse feita para distrair, raspar a minha cabeça diminuiu a minha beleza aos meus olhos, então eu não era mais uma distração.

Sorrio para a garota. Quando eu for mais velha quero ser igual a Jena. Algumas pessoas me julgam por meu tamanho e físico, mas eu sou sorrateira e inteligente, como uma legitima Raposa.

Notas finais
Acho que vocês já perceberam que cada capítulo será o ponto de vista de cada um dos personagens.