Feito para matar
11 Fácil demais
Assim que recobro a consciência ouço um resmungo frustrado vindo da minha direita, me viro logo em seguida para ver do que se trata.
Eu só conseguia ver a parte de trás da cabeça do ser, possuía cabelos negros levemente ondulados que caíam por entre as fendas da rede em que estava presa. Só então me dei conta do meu estado, parecia ter sido jogado de qualquer jeito sobre uma espécie de prisão suspensa no ar, onde a “rede” fazia meu corpo ficar em uma posição nada confortável. Todo o meu corpo doía, parecia que tinha tomado uma surra imensa a pouco. Não, espera, eu tinha tomado! Olhei em volta e percebi que me encontrava em uma câmara com o teto abobadado, toda feita de pedra. Havia tochas dispostas aleatoriamente pelas paredes e o local não possuía janelas, a única forma de saída era uma porta de madeira que ia quase até o teto. Nós nos encontrávamos suspensos a uns dois metros do chão... Me viro e vejo mais três dessas armadilhasjaulas pela sala, ou seja, os outros também estavam aqui.Virei novamente para a cabeleira escura e dessa vez chamei sua atenção: – Ei! Antes de eu poder dizer qualquer outra coisa elaele vira bruscamente a cabeça, estilo exorcista. Só então percebo se tratar de Reyna. Ela fica em estado de alerta até perceber de quem se trata, e então relaxa novamente.– Por todos os deuses do Olimpo! Que susto Nico! – Diz ela praticamente sussurrando. –Desculpe... Está tudo bem ? Como viemos parar aqui? O que aconteceu? O que nos atacou? — Digo rápido demais, acabei parecendo mais assustado do que pretendia... – Não sei. Estava na esperança de que você soubesse de alguma coisa, para falar a verdade. – A morena se manifesta com uma expressão um tanto infeliz. – Ah... Mas o que aconteceu depois que eu sai correndo? Como vieram parar aqui? – Perguntei, agora com o tom de voz mais calmo. – Depois que você sumiu o filho de Apolo foi correndo atrás. Após isso, tudo foi tão rápido que ainda não entendi direito o que aconteceu. Lou soltou um grito e logo depois desapareceu, e então, assim que aí dar o primeiro passo em direção a ela, algo me puxou para cima e bati a cabeça em uma pedra ficando inconsciente logo depois. Só lembro de acordar aqui. Os outros ainda estão inconscientes. – Ela me olha pensativa. Tentando parecer calma.– Bom... Então pelo jeito vamos ter que sair daqui para acorda-los. — Olho dentro dos olhos dela e pergunto – O que acha? – Ótima ideia Di Angelo. – Diz ela pegando uma faça do bolso. Assim que ela termina de cortar pula em direção ao chão. Já eu entro em uma das sombras produzidas pela parede e reapareço ao lado da morena. – Está tudo bem ? – Pergunto quando vejo uma ferida em seu braço que sangrava.– Um machucado desse não faz nem cócegas. – E vai até onde Lou está suspensa. Me viro, e novamente me misturo as sombras até estar junto de um certo loiro de olhos azuis. Mesmo não querendo admitir, até com o corpo todo cheio de hematomas e em um posição nada legal, aquele maldito raio de sol é lindo. Chego perto de seu rosto e sussurro em seu ouvido: “ está na hora de acordar Solace”, mas nada acontece. Bom... Ele não pode dizer que eu não tentei. Dando de ombros e dou um tapa na cara dele. Ele abre os olhos devagar e me encara.– Ai! Por que fez isso ?! – Para você acordar ué! – Digo como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Se me doeu bater naquele lindo rosto? Claro. Mas ele não precisa saber disso. Ele olha em volta e pergunta:– Aonde estamos? – Não faço a menor ideia.– dou de ombros. – Mas vemos lá para baixo, não gosto muito de altura... Ele assente normalmente, mas depois de alguns segundos parece se dar conta de algo incrível. – Você tem medo de altura ?! – Ele olha para mim com um sorriso maroto.– Sim ué, todos temos nossos medos. – Olho para ele com indiferença e seguro sua mão, para podermos voltar para terra firme. Assim que todos estão livres e em segurança começamos uma mini discussão: – E agora ? O que fazemos ? – Pergunto normalmente. – Acho que deveríamos arranjar uma saída logo. – Diz Lou – Não! Temos que esperar alguém vir aqui para sabermos com o que estamos lidando. – Diz Frank .– imagina ! Temos mesmo é que confronta-los frente a frente para derrota-los. – Fala Reyna. – Nunca ! A prioridade é o livro! Independente do que sejam essas coisas, não é nosso objetivo.- Solace se manifesta. E então todos começam a dizer coisas, um encima do outro. Já estava ficando com dor de cabeça... – CALEM A BOCA! – acaba saído mais alto do que pretendia, e todos se viram para mim com os olhos arregalados. – Não é assim que vamos resolver qualquer coisa! Convenhamos. Nós temos que sair daqui, querendo ou não. E além disso... Só que nesse momento eu sou interrompido por uma porta abrindo atrás de mim. Logo já estava em pé com minha espada na mão. Assim como todos os outros. Na frente da ponta se encontrava uma criatura no mínimo... Estranha. Na metade de baixo era um escorpião, já do quadril para cima, se tratava de um humano. Parecia uma versão bizarra de um centauro, só que ao invés de cavalo, escorpião. – Pronto, discussão encerrada... – Meu tom de voz sai tão calmo que até me surpreende. Assim que ele nos viu tentou fechar a porta novamente. Porém, Frank foi mais rápido e se jogou encima dele, na forma de um leopardo.
Espera! Como assim? Um leopardo ? – Só eu não sabia que ele fazia isso? – olhei para os outros enquanto corríamos para ajuda-lo. É... Pelo jeito só eu. A criatura era forte. Ainda mais com seu veneno pronto para ser expelido pelo “ferrão”. Mas antes de chegar perto do mesmo Will já tinha atirado uma flecha no peito do ser, que no instante seguinte virou pó. Só Então lembrei de um dos livros que havia lido no palácio de Hades. – Gente! Essas coisas são Quimeras! Elas podem ser híbridas de qualquer animal, não possuem uma forma definitiva. Isso vai ser mais divertido do que eu esperava – E então meu velho sorriso maníaco floresceu entre meus lábios. Will me encarava como se tivesse acabado de reparar em alguma coisa que antes passara despercebida. – Provavelmente outros já estão no caminho – Hazel concluí – Melhor irmos ao encontro deles. Todos assentem, e rumamos fora do quarto. Mas algo me incomodava, tinha sido fácil sair daqui. Fácil demais.
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