Feito para matar

12 Um vulto pode vir bem a calhar


– Por todo o brilho de Afrodite, VAMOS MORRER! — Solace grita quando se depara com a cena a nossa frente.
Centenas de Quimeras estavam divididas em tropas pelo corredor largo e mal iluminado. Os animais eram compostos das mais diversas junções possíveis, alguns parte humano, outros não. Jacaré com hipopótamo, macaco com gafanhoto, gato com humano, borboleta com coruja, leão com camaleão... e assim por diante. Isso resultava, em alguns casos, seres grotescos, em outros apenas medonhos e estranhos.
Porém, de um salão no fundo do corredor eu conseguia sentir uma presença diferente de todas essas, mais majestosa, mais poderosa. Ainda mais por perceber as sombras se agitando conforme chegavam perto do local, clamando por uma brecha para desviar seu caminho. Como se ao chegar perto demais ficaria presa.

Foi ai que eu entendi, era uma emboscada! Esse é apenas um pequeno passatempo, enquanto o verdadeiro perigo está por vir. Não posso me dar ao luxo do que quer que esteja lá, terminar o que está fazendo.
— PESSOAL! Deixo em suas mãos isso aqui. Preciso ver uma coisa, antes que seja tarde demais. Pelo que pude perceber esses aqui não são tão poderosos, vocês dão conta. — "Eu espero", completo mentalmente.
E então, sem nem ao menos olhar para trás, começo a correr em direção ao final do corredor.
Enquanto vinham para cima de mim, tentando me golpear, eu ligo o piloto automático. Nesse momento nem meço a força para disfarças meu poder, apenas abro espaço.
Esquivo, golpeio, defendo, golpeio, corro...
Chegando no local determinado, me viro e encontro uma situação de total caos: Frank lutava com um meio humano meio leopardo; Lou nocauteava um gato bipede com uma aura arroxeada em sua volta ; Solace estava mais afastado lançando suas flechas, meio desprotegido; Hazel golpeava com seu bastão estranho, dando abertura para Reyna, que empunhava sua espada e escudo firmemente enquanto matava seus inimigos.
Está tudo aparentemente sobre controle.
Volto-me para a abertura a minha frente e volto a correr.
Eu esperava encontrar muitas coisas... mas duas pessoas jogando Xadrez, no qual um dos jogadores era uma criatura magica incrivelmente sem sentido, e o outro uma humana comum, com certeza não era uma dessas coisas.
A criatura era um homem adulto com olhos violetas florescentes. Cabelos escuros e trajava uma blusa preta comum e calça jeans, seria completamente humano, se não fosse pela calda que ostentava atrás de si.
Assim que termino minha análise ele vira o roto e me encara.
— E você? Quem acha que é para atrapalhar meu jogo? Vou ser obrigado a te matar? — Diz ele, claramente se referindo a mim com uma expressão de puro nojo.
Sua voz era totalmente fria e autoritária, como tivesse mandado desde que nasceu.
A menina ao seu lado tinha os olhos vidrados no tabuleiro, sem vida.
Eu continuo em silencio, sem mexer um músculos sequer.
— É... pelo jeito vou. — Ele resmunga. Sua calda, a qual tinha uma espécie de agulha, se estende e me alcança, tentando acertar meu pescoço em uma velocidade inacreditável.
Wow, isso foi legal, quero uma dessa para mim.
Logicamente eu desvio facilmente do ataque. Ele estava me subestimando! Nem ao menos se deu o trabalho de levantar para me matar. Ou tentar.
Ele então decide se levantar.
— Você é rápido. Mas nem tanto... Ahh, esses pivetes que acham que tem poder me irritam! Sinta a minha fúria! — Assim que termina de falar ele vai para cima de mim, rápido como um raio. Pego minha espada nas sombras e a seguro firmemente.
E assim começa uma batalha. Os golpes eram tão rápidos e fortes, de ambas as partes, que em pouco tempo eu já estava começando a esgotar minhas energias.
Preferi usar apenas minha espada, sem escudo, assim me dava mais agilidade, porém, em compensação, acabava deixando algumas brechas na defesa, e estava ciente disso.
Fazia no mínimo duas décadas que não enfrentava alguém tão forte assim, com certeza estava enferrujado.
O ser com olhos violetas para seu ataque e novamente me analisa, como se para decidir se eu merecia ou não a atenção dele. Antes de qualquer outro ataque eu digo:
– Provavelmente eu sou mais velho que você! A propósito, sou Nico. E você seria ? O rei certo?
Ao invés de me responder ele se virou para a humana e disse calmamente:
— Komugo, vá para a parede. Depois terminamos a partida.
E assim ela o fez. Levantou-se devagar e caminhou com os olhos fechados até uma das paredes opostas. Ela era cega!
— E quanto a você- Diz ele apontando para mim — Lógico que sou o rei! Sou o mais forte dos Quimera, o qual reinará sobre todo o mundo. — o "rei" começa a desferir golpes contra mim novamente .
E assim o tempo se passou, em uma disputa não para ver quem tem mais força bruta, mas sim para ver quem tem menos resistência e abre uma brecha para ser nocauteado.
Já estava com certo tédio, além de que minhas forças estavam acabando. E então o momento chegou, acabei errando em um pequeno movimento de braços e sou imediatamente arremessado para trás, batendo com tudo na parede do grande salão.
Enquanto sou abalado por uma dor aguda por todo meu corpo a criatura anda calmamente até mim, parando a um metro da minha pessoa.
— E você, filho das trevas, é apenas mais um insignificante verme que vou derrotar para chegar aonde eu quero.
Quanto mais ele se aproximava, mais eu andava para trás. Tinha um plano! Como pude esquecer das sombras ? As quais estão a meu favor, com toda certeza.
Assim que encosto as costas na parede novamente, meu corpo imediatamente se dissolve no vácuo, pretendia reaparecer atrás do “rei” e pega-lo de surpresa.
Assim que sinto meu corpo se materializar eu desfiro um golpe certeiro no pescoço do meu oponente, estava confiante que ia dar certo.
Porém, milésimo antes da minha espada toca-lo, sinto ela desaparecer entre meus dedos, como se ela própria fosse apenas névoa.
Não pode ser! Ele também pode manipular as sombras! Essa é a única explicação para o que acabou de acontecer aqui. E isso só pode significar uma coisa...
Por impulso eu abro um buraco que vai direto para o tártaro embaixo dos pés do moreno com quem lutava, tentando desesperadamente achar uma saída para meu impasse. E, como eu já esperava, ele simplesmente se fecha, e as sombras, que antes estavam a meu favor, se voltam para meu oponente.
Eu não sei mais o que fazer. Sinto que não importa o que eu faça, ele sempre vai estar um passo a frente.
É, a mão negra foi finalmente derrotada. E ainda por cima, por poderes iguais ao seu.
Já estava preparado para perder, havia me entregado de corpo e alma esse combate. Mas de todas as coisas, a qual me sinto mais inútil e horrível é saber que eu vou morrer sem ao menos fazer o que esperei por toda a minha vida, derrotar meu pai e acabar com o sofrimento todos.
Pisco devagar e, quando volto a olhar para a minha frente, vejo um vulto pulando atrás do rei e encravando sua espada nas costas dele.
Sem nem mesmo entender o que acabara de acontecer sinto minhas últimas forças se esvaírem e fico inconsciente.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.