Feito de Mim

1 Prólogo


Notas iniciais
Aqui está o prólogo, só para abrir certinho a história.
Reviews me farão postar mais rápido, não importa que tipo seja (lembrando que eu odeeeeio reviews do tipo "continua" ou "posta mais")
Eu tinha 13 anos quando a maior história de toda a minha vida aconteceu. Hoje tenho 50 anos, mas sei que nada igual irá acontecer de novo. O que lhes conto, foi um prazer, apesar de ter me causado muito medo em seu começo. Chamo-me Lorenna Gomes, e naquela época possuía uma aparência muito diferente da que mantenho hoje em dia. Tinha cabelo negro, grande e encaracolado, fazendo conjunto com um par dos olhos mais esquisitos o possível: acizentados.

Morava em uma pequena cidade do interior de São Paulo junto de meus pais, os quais foram de uma grande ajuda para que tudo o que tinha de acontecer, acontecesse. Estudava em uma pequena escola antiga, feita de madeira e repletos de alunos falsos e ao mesmo tempo, metidos. Confiava apenas em uma de minhas amigas, Bruna Santos, fato do qual viria a me arrepender por muito tempo.

Era doce, meiga, alegre. Acreditava que algum dia tudo iria se tornar melhor, que meus pais sempre se amariam e que eu teria mais que muito sucesso na vida. Todos a minha volta podiam perceber que eu era uma tola, redondamente enganada e com uma visão errada sobre o mundo. Percebi — e também compartilhei — essa idéia que formavam de mim no dia 13 de outubro de 1945.

Aquela dia poderia ser um dia normal, assim como outro qualquer. Porém, vi tudo de um outro jeito quando recebi um balde de gelo na cabeça. Voltava da escola por cerca de 11h00m, quando no caminho de casa vi meu pai. Naquele momento, senti pena daquela criatura deplorável que andava cambaleando, carregando uma garrafa de bebida alcóolica em uma das mãos. Se não fosse pelos olhos — os meus olhos — eu juraria de pés juntos que aquele bebúm não era meu pai. Ele estava rude, não me tratou como sua filha.

Sentia como se tudo estivesse para piorar, sem saber que tudo aquilo se tornaria muito mais pior do que eu já imaginava. Cheguei em casa, a cabeça girando e encontrei minha mãe sentada no sofá de casa, chorando e tremendo igual a bambu que torrava sob o imenso calor do Sol. Assim que notou minha presença, ela logo veio direto até a minha pessoa, me apertando em um abraço tão carinhoso que eu quase sufocava.

Tentei retrubuir aquele abraço de mãe, sem nenhum sucesso. Ela me olhou depois de algum tempo, mordendo o lábio inferior e proferiu o que eu nunca imaginei ouvir: meu pai havia se embriagado e maltratado ela, indo embora de casa permanentemente. Apoiei a minha mãe, afinal, eu mesma havia presenciado a cena de meu pai. Mas, meu primeiro sentimento por ele — de amor misturado com pena — não mudou. Ele poderia ser qualquer coisa, mas não deixaria de ser meu pai, o homem que eu tanto amava.

Passavam-se dias, minha mãe se mantinha no estado de choque, chorando por todos os cantos da casa e sem se importar com mais nada. Para ajudá-la, tomei as rédeas da casa, cozinhando e limpando, enquanto ela somente pedia para que eu parasse. Ela ficava cada vez pior, e se não fosse minha madrinha, nós duas poderíamos ter morrido de fome. Quem sustentava a casa era ela, minha querida madrinha Lourdes.

Meses depois, a cena de minha mãe piorando casa vez mais me enojava. Poderia ser um sentimento de egoísmo, mas aquilo já estava me esgotando. Tudo piorava, desde ela até a mim. Eu, porque não aguentava mais aquela situação, estava prestes a enlouquecer. Porém, eu seria forte por ela. Chegava enfim ao quinto mês que já aguentava aquele peso. Estava apaixonada por um garoto da minha escola. Não ousei falar para ninguém, entretanto. Nem mesmo para Bruna, que dias atrás havia contado que estava apaixonada, mas que não quis dizer por quem.

Eu descobriria por quem seria uma semana depois, mesmo que depois daquele dia, quisesse voltar atrás e nunca ter me apaixonado. Meu conceito sobre Bruna mudou, para mim agora ela era só mais oferecida e desconhecida. Não conseguia entender porque ela fora agarrar justo a minha paixonite.

Bastou apenas aquilo tudo e eu já estava completamente acabada, sem nenhuma confiança e coragem. No mesmo dia, quando voltei para casa, ignorei minha madrinha e minha mãe, que corriam atrás de mim para descobrir o motivo das lágrimas.

Me tranquei no banheiro — que por sinal, era o único lugar que possuía tranca naquela casa — e permaneci lá por horas, até que ambas desistissem de me atormentar. Acabei adormecendo, minha incrível história só começava.

Notas finais
Próximo capitulo o verdadeiro sentido da história, promessa!