Feito de Mim

2 Capitulo um.


Notas iniciais
Revisado e betado na medida do possível. Qualquer erro, por favor, deixe uma crítica!
Acordei em algum lugar muito estranho, várias horas se passaram, o vento soprava calmo em minha direção. Estava em meio a lençóis brancos e angelicais, sobre uma cama macia e confortável, coberta por cobertores finos e aconchegantes Sentei-me, olhando em minha volta e observando cada detalhe daquele quarto. Era tudo obscuro, ao mesmo tempo lindo e temeroso. Possuía tudo o que algum dia eu havia sonhado, desde todos os livros que eu queria até puffs coloridos. Apesar de ter tantas cores, todas elas eram foscas e pareciam surreais.

Levantei-me, tocando os pés no chão, parecendo uma pluma. Havia um tapete em formato oval, felpudo e bege. As paredes claras constratavam contra os móveis escuros de mogno. Toquei em tudo, sabia que era real. Mas, mesmo sendo real, continuava sendo um sonho. Olhei para a direção de onde o vento entrava, deparando-me com uma porta. Passei por ela, sorrindo e observei o mundo deserto.

Era tudo dominado de uma paz incrível, um silêncio que até poderia fazer eco e uma beleza a qual eu poderia ficar por horas e horas vislumbrando. Porém, aquilo ainda me assustava e eu precisava investigar aquele local. Sai de lá, abrindo a porta de mansinho e andando na ponta dos pés. O corredor era imenso e havia várias portas, todas elas pintadas de branco. Na parede alaranjada estavam vários quadros, alguns abstratos e outras pinturas de minha família. Cada rosto era conhecido e a felicidade estampada fazia com que tudo aquilo parecesse de verdade.

Desci as escadas. Do topo dela pude detalhar toda a sala, ricamente imobiliada e perfeitamente linda. Todos os móveis eram feitos de madeira, a televisão parecia vir do futuro e mais livros enfeitavam o local. No lugar da pobre lâmpada de minha casa, estava um lindo lustre feito de prata e brilhantes. Fiquei admirada com tudo aquilo, um sorriso abobalhado tomando conta de todo o meu ser.

- Mamãe? Tia Lourdes? -chamei-as, como sempre costumava fazer. Não obtive resposta, somente o latido de um cachorrinho, que logo aparecia em minha frente. Apertei os olhos, olhando de perto aquele pequeno animal recoberto de pelos. Desde quando eu tinha um cachorro?

Ele balançava o rabo, olhando-me com aquela carinha de piedade que todo cachorro sabe fazer. Sorri e acariciei a cabeça dele, recebendo um latido feliz em troca. Afinal, ele poderia ser desconhecido, mas era o único ser que viera até mim. Naquele instante, desejei ouvir alguém conhecido ao meu lado, por mais que não aguentasse mais conhecer o mundo. A campainha tocou, fazendo com que eu franzisse a testa. Alguma surpresa a mais? Caminhei cautelosa até a porta, abrindo-a devagar.

Quase pulei para trás com o susto. Desde quando aquele mundo deserto possuía alguma pessoa? Ainda mais estranho, uma pessoa com o rosto deformado mas com aspecto de bondade.

- Lian no Tsuki ao seu dispor, alguma ajuda? -ele vestia-se com roupas antigas, uma capa de vampiro e uma cartola. Retirou a cartola da cabeça e fez pose de mágico.

- Ahn. Er... -sorri amarelo, olhando-o de cima a baixo e pensando no que diria para aquela criatura estranha.

- Posso entrar? -abriu um sorriso feliz e sincero, voltando a ficar em sua posição inicial, como gente.

- Hum. Claro, entre. -dei um espaço para que ele entrasse, o que ele fez prontamente. Sentou-se no sofá, brincando com a cartola em suas mãos.

- Então, Lorenna.

- Espera, sabe meu nome? -sentei em uma poltrona à frente dele, ele riu.

- Todos aqui sabem seu nome. Você também deveria saber o meu. Aliás, pode me chamar somente de Lian, ok?

- Er, está bem.

Ficamos por cerca de 10 minutos, eu olhando-o enquanto esperava alguma reação e ele sorrindo bobamente. Depois de curto período, ele começou a \"dialogar\".

- Como eu ia dizendo, eu sou Lian no Tsuki, o mágico. -estralou os dedos e soprou a cartola. Um gato saiu correndo de dentro do acessório preto. Arregalei os olhos.

- Como...?

- Eu sou mágico, oras. -riu. -Nesse mundo, tudo há um propósito. Eu serei o verão, a sua risada e seu conselheiro.

- Mundo? Que mundo?

- Olhe em sua volta. Isto não é nenhum continente, e nem há ano para ser contado. Apenas a rainha é o que importa.

- Quem é a rainha? -perguntei. Parecia que a cada coisa que saia de sua boca, eu ficava ainda mais confusa.

- Parece que você ainda não conhece o Sir Dito. Aquele idiota é um ser abestado e faladeiro... Bom, você saberá de tudo na hora certa.

- Espera ai! Desde quando você existe? Onde eu estou? Não me deixa aqui sozinha não! Ei... -eu fiquei falando sozinha, ignorada, enquanto ele desaparecia pela porta de entrada.

Maravilha. Estava mais confusa do que antes. Olha que pra mim isso seria algo muito impossível de se acontecer! Suspirei. Encostei as costas na poltrona, deixando-me escorregar até o chão. Tamborilava os dedos em meus joelhos. Sabe, aquela era uma mania que eu tinha desde pequena, tamborilar os dedos em tudo o que eu via pela frente. Em certo ponto, percebi que eu queria mais que tudo, conhecer o tal do Sir. Dito, ou sei lá como era o nome daquilo .

Neste mesmo momento, a campainha soou novamente. Senti vontade de proferir palavrões. O que seria agora? Levantei, menos cuidadosa desta vez e abri a porta. Parado em frente a ela estava um senhor de meia-idade, cabelos grisalhos e um óculos fundo de garrafa muito estranho. Vestia-se formalmente e me olhava como se fosse um mordomo, pronto para receber ordens de sua madame. Sua barba longa e também grisalha lhe dava um ar de superioridade. Quem era aquele homem?

- Bonjour monsieur. -ele então sorriu e eu fui dominada por um enorme sentimento de paz.

- Olá! Gostaria de entrar? -assustei-me com minhas próprias palavras. Queria apenas perguntar quem era e mandá-lo embora, mas fiz exatamente o contrário.

- Sir Benedito ao seu dispor, posso ajudá-la? -aquelas não eram as mesmas palavras ditas por aquele tal de Lian?

- Acho que sim... -abri um sorriso, ele entrou. Sentou-se no mesmo lugar que o outro havia sentado-se. Fechei a porta e voltei ao meu local.

- Ótimo, então começaremos. -cruzou as pernas igual uma mulher faria. -Dúvidas?

- Muitas. -assenti, enquanto respondia.

- Diga-me criança, o que lhe atormentas?

- Bom, primeiramente eu quero saber onde eu estou. -cruzei as pernas igual uma criança.

- Você está em um de seus mais belos sonhos, sua vida. Dentro di te. -espera um pouco, ele passava de francês para italiano assim, do nada? Que estranho.

- E... Por quê? -ele riu.

- Conheceras a ti pouco a pouco, tenhas paciência... -levantou-se e caminhou para fora, elegante. Sua voz ecoou em minha mente quando supus que ele já estivesse longe com a continuação de sua frase: -E tu verás.

Além de francês e italiano, falava português de Portugal também. Era só o que me faltava! Bom, se este não havia me dito nada sobre mais algum ser, como eu me descobriria, eu não fazia a mínima ideia Esperaria então, até que tudo funcionasse em seus devidos eixos.

Passaram-se minutos, horas... Adormeci, acordando somente no dia seguinte. Ouvi o galo cantar ao longe, então tinha ideia de que horas eram. Estava um silêncio gostoso de se ouvir, até ouvir o \"click\" de um botão pressionado. Olhei para a televisão, ligada. Passava em sua tela um desenho esquisito, mas que eu já tinha visto em algum lugar. Mas, se eu não havia ligado a televisão, quem teria sido?

- Fransies, aqui! -ouvi o chamado rouco de um homem atrás de mim. Virei-me, olhando para quem estava naquele mesmo sofazinho.

Era uma mulher. Corei, já que minha primeira ideia sobre aquela voz seria de pertencer a algum homem. Olhei para mim mesma. Estava em um outro sofá, coberta por um cobertor grosso e quente. Não tinha vontade de sair dali, mas fiz um pouco de força e sentei-me.

- Ah, queridê. Você acordou! -ela sorriu. Era uma linda mulher, ruiva e de olhos verdes. Parecia ser baixa e vestia roupas que eu nunca vira na vida.

- Quem é você? -perguntei, ela bateu palmas.

- Chamo-me Steffany, a sua primavera. Estarei ao seu dispor, para toda e qualquer pergunta.

- Steffany? -além de esquisita e possuir uma voz esquisita, tinha um nome estranhamente feio.

- Oh, desculpe-me. Pensei que fosse gostar, mas não posso mudar mais. -seu sorriso ficou triste, eu não consegui entender.

- Er...

- Soube que conheceu o Lian e o Sir Dito também! -rindo novamente, ela voltou a bater palminhas. -Serei sua melhor amiga, pode ter certeza.

- Espere! Por que a minha primavera? E se você e o... Lian. Isso, Lian. Se você e o Lian são estações, o que o Sir Benedito é?

- Aquele sem-vergonha! Ele é o seu inverno queridê. A sua época mais sem graça, sua depressão.

Juro que estaria morta aquele momento, se pudesse mandar no meu destino. Não entendia mais nada. Que depressão? Oras, aquilo era tudo muito confuso.

- Não se preocupe queridê. Logo, logo você irá conhecer Anna, ela sim irá deixar tudo extremamente claro para você.

- Ótimo... Preciso disso mesmo. -ela riu denovo.

- Queridê, já conhece Fransies, sim? -apontou para o cachorrinho, que latiu amigável para mim.

- Ah! Então seu nome é Fransies. -olhava-o apenas. Assustei-me quando ele assentiu. -Ele... Ele...

- Eu falo? -juro que ouvi aquele cachorro falar, palavra!

- Todos falamos. -Steffany disse enquanto acariciava a pequena cabeça do animal. Desta vez, ele latiu em resposta.

Voltei a deitar, ignorando tudo e todos. Porcaria, por que cada segundo que passava, tudo para mim era mais estranho ainda? Senti tudo a minha volta rodar e a voz de Steffany ecoar por toda a casa em uma linda canção. Segui a melodia dela, fechando os olhos. Dormi em poucos segundos, e ao mesmo tempo, percebi que eu ficava consciente. Senti quando Fransies pulou em mim e me lambeu, sussurrando que não me conhecia completamente, mas que já me amava há muito tempo. Estranhei, mas continuei em meu sono esquisito.

Horas depois, eu acordava. Permaneci no mesmo local que estava, mas agora não era a voz rouca que me ninava. Era doce e profunda, que gentilmente me chamava de bebê.

- Mas hein? -olhei aquela figura linda ao meu lado. Vestia-se com um longo vestido leve e branco e seu cabelo roxo lhe contornava o rosto com textura de uma pérola. O sorriso dela era lindo, ela lembrava-me um anjo.

- Sou Anna, meu amor. Seu outono. -acariciava meus cabelos com o carinho de uma mãe. Aparentava ter seus 20 anos, era nova. Naquele momento, não estranharia mais nada.

- Olá. -disse calmamente.

- Bebê, eu cheguei agora, está tudo bem. -ótimo, agora ela tinha ar de demente. O que antes não estava bem? Ah! Minhas dúvidas... — Isso mesmo.

- Vocês leem pensamentos? -deixei escapar, ela riu.

- Não. Só fazemos partes de um todo. Somos você, somos o que queremos ser. Eu serei sua mãe, seu anjo. Você precisa do carinho do outono. -tocou a ponta do meu nariz e voltou a cantarolar baixinho.

- Hum... Seu nome é lindo. -permaneci olhando-a calmamente, enquanto ela continuava a canção.

- Espero que esteja com fome... Preparei algumas bolachinhas de aveia. Aceita? -assenti. Levantei-me, ela me guiou até a cozinha. Sentei-me.

Realmente, aquela foi a melhor refeição que já tinha feito. Além das bolachas de aveia, havia também leite com chá, minha bebida preferida. O vento soprava levemente, levando meus cabelos contra o rosto. Era maravilhoso aquele sensação, me sentia em casa. Eu estava em casa.

Notas finais
reviews?