Feeling Lost (HIATUS)
11 Trouble
Notas iniciais
Assim que chegamos ao castelo, apesar de estar ansiosa, eu não corri. Apertava a mão de Demetri para ter certeza de que ele continuava ao meu lado e ao olhar para ele, encontrava seu sorriso calmo. Se meu coração ainda batesse, poderia senti-lo pulsar em meus ouvidos, me deixando atordoada.
O nervosismo se apossou de mim quando eu senti seu cheiro. Minha garganta ardeu e eu acabei por engolir em seco. Perder o controle não era uma opção.
– Prenda a respiração – Demm recomendou e eu o fiz. Olhei para a porta do quarto de Giu e ouvi seu coração batendo, mas não parecia muito normal, estava rápido demais. – Tem certeza?
– Não – bati na porta, ouvindo o coração de Giu acelerar, se é que era possível.
– Quem é? – a ouvi perguntar em um sussurro. Passos leves até a porta e a mesma se abriu, revelando Enzo.
Ele estava péssimo. Não no sentido literal, do tipo “ele estava feio, horrível e etc” porque isso era impossível, mas dava para notar que ele estava perturbado. Seus olhos estavam tão escuros que um olho humano não enxergaria suas pupilas, o cabelo loiro bagunçado e olheiras profundas.
– O que querem? – ele perguntou tenso. Saiu do quarto e fechou a porta atrás de si. – Giu está doente.
– O que ela tem? – questionei preocupada, dando um passo na sua direção. Demetri apertou minha mão levemente, me mantendo parada. – Eu quero vê-la.
– Você não vai entrar – Enzo bloqueou a porta com o corpo, parecia prestes a voar em meu pescoço.
– Eu quero saber o que está acontecendo – sibilei ficando irritada com sua reação.
– Não! – ele rosnou e instintivamente, eu me curvei.
– Enzo, se acalme – Demetri pediu em voz baixa. – Addie só quer conversar.
– Giu está doente – ele repetiu.
– Deixe-me ajudar – pedi, dando mais um passo para frente. – Você não pode mantê-la presa aqui.
– Eles vão matá-la – ele ofegou, me olhando com desespero. Franzi a testa, confusa.
– Eles? Eles quem? – insisti. – Ela precisa de ajuda, não somos médicos.
– Ninguém pode ajudar – seus ombros caíram e ele se afastou da porta. Vi ali uma oportunidade para entrar.
Olhei rapidamente para Demetri, que assentiu. Quando abri a porta, meus olhos vasculharam o quarto e eu vi a expressão de puro choque tomar conta do rosto de Giu. Ela estava com as duas pernas para fora da cama, pronta para levantar.
– Oi – murmurei, dando a volta na cama rapidamente e parando na sua frente. Ela estava com os olhos arregalados e a boca levemente aberta, parecia cansada. – O que você tem?
– E-Eu não sei – ela sussurrou. – Ou sei, mas não quero acreditar.
– O que é? – eu começava a ficar desesperada. Ela se levantou, olhando para a própria barriga, que estava maior. Comecei a me acalmar, mas vi que ela iria chorar a qualquer momento. Sentia que um ataque de riso se aproximava. – Calma, isso se resolve na academia...
– Eu não estava assim ontem – sua voz estava embargada. – Comecei a sentir enjôo de noite e quando acordei, estava desse jeito.
– Você comeu demais, não?
– Addie...
– Como daquela vez que a gente comeu duas pizzas, passamos mal a noite toda.
– Não, Addie...
– É só tomar água e-
– Addison – ela sibilou, agora irritada. – Eu posso sentir ele se mexendo.
Se eu ainda fosse humana, teria desmaiado. Eu queria desmaiar para fugir daquela situação. O que diabos eu faria? Se em um dia ela já podia sentir o... Bebê? Imagine dali alguns dias! Aquela criança estaria correndo para cima e para baixo, destruindo o castelo todo!
– Certo – murmurei estática. – Não podemos entrar em pânico, porque isso só iria piorar a situação.
– Não entrar em pânico? – Enzo se pronunciou. – Aro vai nos matar quando souber disso!
– Por que ele iria matar vocês? – indaguei confusa.
– Não se lembra da viagem para os Estados Unidos? – ele questionou e eu assenti. Ah. A memória me veio fraca, como se tivesse acontecido há anos, sendo que mal havia se passado um ano desde aquilo. – Ele vai nos matar.
Eu não podia deixar aquilo acontecer. Era errado. Lembro-me de que era totalmente contra aquele confronto com os Cullen. Minha mente trabalhava loucamente, tentando achar uma solução. Mal se passaram dois segundos e eu me levantei, sorrindo abertamente.
– Vamos até eles! – exclamei aliviada por finalmente achar uma solução.
– Você ficou louca?! – agora Demetri me fitava, como se eu tivesse dito que gostava de lobisomens. – É a mesma coisa que pedir para morrer!
– Corremos o risco de morrer de qualquer jeito, mas pelo menos teremos uma chance se pedirmos ajuda!
– E quem garante que eles vão te ouvir? – ele questionou com uma sobrancelha arqueada. – Aqueles lobos estavam lá por um motivo! Destruir qualquer vampiro que não seja os Cullen.
– Carlisle vai nos ouvir, eu sei que vai! – teimei. Apesar das lembranças vagas, eu sabia que Carlisle era um homem bom.
– E como iremos? – Enzo perguntou. Ele temia pela vida de Giu e eu sentia que ganhara um aliado.
– Podemos ir para os Estados Unidos hoje mesmo, quando chegarmos lá, conversamos pacificamente com todos eles – comecei a arquitetar nosso plano. – Se eles aceitarem, vamos ter que nos preparar para a ira dos anciãos.
– E se recusarem?
– Nós sumimos do mapa.
– Isso é loucura – Demetri colocou as mãos no rosto. Fui até ele, segurando seus braços e olhando em seus olhos.
– Eu não sei se consigo sem você – murmurei. – Por favor...
Ele respirou fundo, puxando os braços e saiu do quarto. Fiquei parada ali, chocada com a rejeição.
– Precisamos de você, Addie – Enzo falou, praticamente suplicando. Virei-me de frente para ele, que abraçava uma Giuliana assustada e chorosa.
– Arrume uma mochila, coloque apenas o necessário – orientei ainda em choque. – Os passaportes, dinheiro...
– E roupas de frio – uma voz completou o que eu dizia. Um sorriso surgiu em meu rosto quando vi Demm entrando no quarto, com uma mochila nas costas e roupas diferentes. Uma calça jeans, uma camisa preta e uma jaqueta de couro de mesma cor. – Trouxe as suas.
Joguei-me contra seu corpo, passando os braços ao redor de seu pescoço. Ele envolveu minha cintura, beijando minha cabeça.
– Pensei que-
– Shh, nunca mais pense que eu deixaria você – ele segurou meu rosto, obrigando-me a olhar em seus olhos. – Nem por um segundo.
– Por favor, nós temos que ajudá-la – pedi em voz baixa, sentindo meus olhos doerem e a dor em meu peito. – Ela é praticamente minha irmã.
– Temos que sair antes que Jane e Alec decidam aparecer — Demetri acrescentou, falando mais rápido para não assustar Giu que já estava apavorada o suficiente.
– E como faremos para ir para a América? – Enzo questionou.
– Pelo o que eu sei, aeroportos são públicos – comentei como se fosse óbvio. Estávamos dando sopa para o azar, tínhamos que fazer alguma coisa logo. – Precisamos ir. Agora.
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