Feeling Lost (HIATUS)
12 Consequences
Notas iniciais
Desde pequena, você cuidou de mim mesmo não sendo sua responsabilidade. Nunca serei capaz de expressar o quão grata eu sou por você me ensinar tudo o que sei, por me ensinar a valorizar a eternidade e me dá-la de presente. Espero que me perdoe de alguma forma. Obrigada por ser um pai para mim. – Addison.
Eu sabia muito bem quais seriam as consequencias de minhas ações, sabia que nunca mais poderia voltar para aquele lugar e corria o risco de perder minha vida, ou pior: perder Demetri.
Senti sua mão apertar minha perna e olhei para ele, que me encarava um pouco relutante. Estávamos dentro do carro, Giu e Enzo estavam juntos no banco de trás, ela havia adormecido a um tempo. Demetri nos aconselhou a ir pela manhã, quando o movimento no castelo se concentrava apenas no subsolo já que o sol ameaçava aparecer – apesar do frio que começava a fazer.
– Precisamos de um plano, para falar com Carlisle antes – Demetri lembrou e eu soltei um gemido. – Addie, não podemos aparecer lá do nada. Isso é sério.
– Eu sei que é sério – resmunguei irritada. – Eu vou. Acredito que ele vá me escutar.
– Você não vai sozinha – ele protestou.
– Se muitos vampiros aparecerem lá, vão suspeitar – argumentei. – Carlisle trabalha em um hospital, não é? Eu vou até lá e converso apenas com ele.
– Addison – Demm suspirou. – Você não entende como isso é perigoso. Os lobos podem te seguir.
– Deixe que sigam! – falei exasperada, contendo o volume de minha voz para não acordar Giuliana. – Não estou procurando briga, só quero a ajuda deles.
– Decidimos isso no avião – ele finalizou a conversa. Bufei irritada, cruzando os braços e olhando para a cidade que começava a surgir. Senti sua mão apertar minha coxa, mas me recusei a tirar os olhos da estrada. Demetri não disse nada, nem eu e muito menos Enzo. O sol começava a surgir entre as nuvens e eu abri minha mochila, puxando as luvas pretas que cobririam minhas mãos e iam até os cotovelos. Coloquei meu agasalho, para não demonstrar que eu não sentia frio e um cachecol no pescoço.
O aeroporto não ficava tão longe e eu podia me ver passando por ali a pouco mais de um ano, tendo os Estados Unidos como destino e apesar da vaga lembrança, eu sentia que tudo se repetia. E eu esperava que se repetisse, já que a criança que julgavam ser imortal era híbrida. Mas as coisas não seriam tão fáceis para Giu como foram para Bella. Eu sabia que Caius queria a morte de todos os Cullen e Marcus não. Era a opinião de Aro que eu temia. Pelos anos de convivência, eu sabia que ele tinha um grande afeto por mim, mas não sentia nada por Giu ou Enzo, o que poderia facilitar em sua decisão.
Olhei para trás e Enzo já usava um boné, óculos escuros e luvas pretas. Ele acordou Giu calmamente, dizendo que havíamos chegado no aeroporto. Ela olhou para ele, depois para mim e suspirou. Suas mãos foram para a barriga, acariciando-a e um sorriso surgiu em seus lábios. Ela já tinha colocado na cabeça que ia dar certo. Estaria ela esperando sobreviver? Talvez Bella pudesse ajudá-la, não sei. Dar algumas dicas com a história de ser mãe e tudo mais. Eu não tinha nenhum tipo de experiência com aquilo e nunca teria. Não sei se deveria me sentir grata ou triste por saber que eu nunca poderia ver uma criatura com metade de mim e metade de Demetri.
Paramos no estacionamento dessa vez, já que não haveria ninguém para levar o carro de volta. Saímos devagar, eu coloquei o capuz da blusa preta que eu usava por baixo da jaqueta e meus óculos escuros. Demetri estava mais lindo que nunca e Giu teve que tocar meu braço para chamar minha atenção.
– Addie – ela falou em voz baixa. Demetri e Enzo andavam na nossa frente, cada um segurando duas mochilas. Giu olhava para os lados e para todas as pessoas que passavam por nós. Prendi a respiração antes de entrar no prédio, e vi Demm checar como eu estava antes de seguir adiante com Enzo.
– Você está bem? – perguntei, olhando para minha amiga.
– Estou com medo – ela sussurrou, agarrando meu braço. Pude ouvir seu coração em meio a todos, estava cada vez mais rápido. – Vocês não deveriam estar aqui! Aro vai te matar quando souber!
– Quando ele descobrir, já estaremos em outro continente – tentei tranquilizá-la e acreditar em minhas próprias palavras. – Carlisle é um homem bom, sei que irá fazer o possível para nos ajudar.
– Mas fazendo isso, você nunca poderá voltar – ela se sentia culpada. Suas palavras causaram um certo choque em mim. Fiquei dizendo aquilo a mim mesma por horas, mas a ficha ainda não tinha caído. A situação parecia mais real quando era outra pessoa dizendo e isso começava a me apavorar.
– Não se trata de mim, Giu – disse a ela. – E sim do seu bebê.
Ela deu uma risada nervosa.
– Eu nunca tinha pensado nisso – ela continuou rindo. – Em ter um bebê. Até que não é tão ruim.
– É claro que não é ruim – dei um sorriso. – Tem uma vida dentro de você, não existe algo mais maravilhoso do que isso.
– Repita isso quando ela morrer por causa dessa coisa e então nós conversamos – ouvi Enzo resmungar baixo o suficiente para que Giu não ouvisse nada. Trinquei os dentes, fuzilando sua nuca, talvez eu pudesse fazer um buraco em sua cabeça para ele calar a boca.
– Ela não vai morrer – sibilei, rápido e baixo.
– Se ela morrer, você será a culpada – ele finalizou. Eu queria atacá-lo ali mesmo. Como ele ousava dizer que ela iria morrer. Além de que não fui eu que engravidei ela, a culpa não poderia ser minha. Eu estava dando uma chance a ela. Iríamos atrás de pessoas que já haviam passado por aquilo e conseguiram deixar Bella viva. Por que seria diferente com Giuliana?
Acabei respirando fundo para tentar me acalmar, um reflexo humano que custava em desaparecer. E senti um cheiro diferente. Havia mais vampiros ali.
– Está sentindo? – perguntei a Demetri, que parou imediatamente e segurou o braço de Enzo para que ele parasse também. – Eles estão aqui.
– Meu Deus! – Giuliana exclamou, começando a chorar. Enzo a abraçou, fuzilando-me com o olhar. – Nós vamos morrer!
– Aonde eles estão? – olhei para Demm e ele se virou para mim, olhando para algo que estava bem atrás de nós. Seus olhos se fecharam um pouco. Olhei na mesma direção e ofeguei. – Quem mais está aqui?
– Apenas eles – Demm respondeu. Felix e Heidi se aproximaram, ela sorriu para nós e acenou animada, enquanto Felix permanecia sério. Eles pararam na nossa frente e Enzo colocou Giu atrás de si em um movimento protetor. – O que querem aqui?
– Então, vocês decidem ir embora para tentar salvar Giuliana e acham que seria melhor não nos contar? – Heidi perguntou retoricamente. – Me sinto ofendida.
– Acham mesmo que vão conseguir sozinhos? – Felix indagou, franzindo a testa. – Fugindo?
– Não estamos fugindo – me pronunciei, ficando na frente de Enzo. – Eu vou fazer o que for preciso para deixá-los em segurança.
– Ótimo, nós também – Heidi revelou, depois sorriu. – Qual é o plano?
– Vocês realmente estão do nosso lado? – Enzo questionou, estava relutante. Assim como eu. – Estão na guarda há anos, não esperem que eu acredite que vão virar as costas para eles e lutem a nosso favor.
– Se Addison está aqui, pode acreditar que isso é absolutamente possível – Felix respondeu. Heidi deu um passo, me olhando animada. Eu nunca duvidava dela, ela era um dos vampiros mais transparentes que eu já havia conhecido. Era fácil para mim dizer quando ela mentia.
– Estou feliz que estejam aqui – sussurrei, abraçando-a com força. Ela se afastou e sorriu, olhando para Giu.
– Deixe-me ver a mais nova mamãe – ela falou empolgada. Deixei que ela passasse, mas Enzo não se moveu.
– Ainda não acredito em vocês – Enzo declarou, dando as costas a nós e puxando Giuliana para longe.
Suspirei, dando um ultimo olhar para Heidi e Felix, e segui Enzo. Giu estendeu a mão para mim e eu a apertei com cuidado, tentando passar confiança. Demetri comprou nossas passagens, as últimas poltronas disponíveis no ultimo voo para os Estados Unidos. Seriam treze horas de viagem, além de que levaria mais três para sair de Seattle e chegar na cidadezinha aonde os Cullen residiam. Nossa corrida começava a partir do momento em que pisássemos em solo americano e isso me apavorava.
Aquela viagem seria difícil. Treze horas em um lugar fechado cheio de humanos, não faria bem para minha sanidade. Se eu ainda fosse humana, estaria passando mal de tanta ansiedade. Me sentei entre Demetri e Giu, que tinha Enzo do outro lado. Não respirava desde que compramos as passagens e até então, eu estava tranquila. Heidi e Felix estava na outra fileira, perto de Demetri, isolados.
Coloquei as mãos sobre as pernas, encarando a poltrona da frente sem desviar durante a decolagem. Eu repetia “não respire” o tempo todo, tentando me manter calma e evitar um massacre dentro do avião. Demetri segurou minha mão e me virei para olhá-lo.
– Não se preocupe, está bem? – ele sussurrou e beijou minha testa. – Nós vamos dar um jeito.
Sem dizer nada, encostei minha cabeça em seu ombro e fechei meus olhos, entrando em um estado de entorpecimento. Tentei não me concentrar no barulho dos corações que pareciam mais acelerados, talvez pela viagem. Passei horas e mais horas na mesma posição, ouvindo o som das turbinas, a conversa entre os comissários de bordo, e o piloto com o co-piloto, que comentava sobre o jantar que estava organizando para a esposa em seu aniversário de três anos.
– Senhores passageiros, queiram colocar o cinto de segurança para o pouso – o piloto anunciou pelos alto-falantes. – As condições do tempo estão boas, apesar da previsão de chuva. Bem-vindos à Seattle.
Me levantei, beijando o rosto de Demetri, que lia um livro mais velho que o mundo. Enzo acordou Giu com cuidado, dizendo a ela que havíamos chegado. Ela simplesmente assentiu e voltou a deitar em seu ombro. Olhei para Heidi e Felix e abri a boca, chocada. Cutuquei Demm, apontando para os dois.
Heidi estava com as duas pernas sobre as de Felix e as mãos dos dois estavam entrelaçadas sobre o colo dela. Eu tinha perdido alguma coisa? Não sabia que eles eram tão próximos daquele jeito e estava ansiosa para descobrir o que aquilo significava.
Não demorou para o avião pousar e eu finalmente pude respirar. Não que me fizesse falta, mas a sensação de não respirar por mais de treze horas era perturbadora. E eu gostava de respirar, eu me sentia menos vampira enquanto respirava e isso não era tão estranho. Tínhamos apenas bagagem de mão, então saímos rapidamente do aeroporto. O sol estava iluminando maior parte do aeroporto, imagine por fora. Puxei a toca para cobrir meu rosto, óculos escuros e as luvas e vi Demetri, Enzo, Felix e Heidi repetirem meus gestos.
Assim que saímos, ficamos divididos em dois taxis, eu ia com Giu e Enzo, Demetri foi com Felix e Heidi. Minha amiga estava morrendo de sono e era bem evidente em seu rosto.
– Tem certeza que não quer comer nada? – Enzo perguntou e ela fez uma careta, negando imediatamente.
– Apenas de pensar já me dá ânsia – ela encolheu os ombros, passando os braços sobre a barriga. – Vai demorar muito?
– Vamos ficar em um hotel, Demetri fez a reserva antes de sairmos de Volterra – contei, olhando pela janela. Da ultima vez que estive ali, não reparei na cidade. Queria apenas dormir e voltar para casa. A casa para a qual eu nunca voltaria. Pensar que eu nunca mais teria um lugar para chamar de “casa” me fazia questionar se aquela era a melhor opção. Talvez Aro entendesse, talvez até oferecesse ajuda. E então uma lembrança humana surgiu em minha mente, como se esperasse o momento certo para aparecer: o momento em que eu começava a questionar minhas atitudes.
Caius sorrindo com euforia por pensar que iria matar uma família inteira. Aro falando sobre as crianças hibridas que existiam na América do Sul com um interesse forma do normal, sobre o hibrido Nahuel que estava como uma das testemunhas dos Cullen.
Olhei para Giu que se agarrava a Enzo como se precisasse dele para continuar viva e eu suspeitava que esse fosse o verdadeiro motivo. Não me importa se Aro tentaria me matar ou eu estava exagerando ao pensar que eles me matariam, mas eu sabia que os Cullen podiam manter Giu viva e trazer o bebê ao mundo em segurança. E era apenas isso que eu queria.
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