Feeling Lost (HIATUS)
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Notas iniciais
Pulei da maca, dando dois passos para trás. Eu encarava cada um que estava ali, por instinto. Sentia que deveria me afastar. Proteger-me.
Ouvi passos no corredor, vozes e uma televisão ligada. Mas não havia um som no salão. Aro sorria para mim e aproximou-se com cuidado, estendendo a mão.
– Venha – ele chamou. Olhei de sua mão para seu rosto. Ele havia mudado tanto! Quer dizer, minha visão mudou. Aro não podia mudar. – Venha, minha querida.
Hesitante, segurei sua mão e ele soltou um suspiro.
– Ahh! – exclamou, rindo de um jeito sinistro. – Não se preocupe! Heidi está a caminho?
O que ela tinha a ver com isso?
– Como se sente, Addison? – Marcus perguntou, sentado em sua cadeira.
– Diferente – respondi, estranhando minha voz. Não estava aguda e irritante como antes, era suave e muito boa de ouvir.
– Por aqui, por favor – ouvi a voz de Heidi e inclinei minha cabeça para a porta, a maçaneta moveu-se. Aro sorria abertamente, me observando.
– Inspire – ele sugeriu e foi o que fiz. Não consegui achar uma definição para aquele cheiro, era melhor do que qualquer perfume que eu já havia sentido. Minha garganta ardeu, deixando-me impaciente e eu sorri ao ver a porta se abrir. Heidi entrou no Salão, sorrindo para mim. Logo atrás dela, quatro mulheres e dois homens entraram. Tive que esperar Heidi fechar a porta que parecia durar séculos! – Aproveite...
– Quem são vocês? – o homem estava confuso, segurando uma câmera. Antes que pudesse perceber, me joguei sobre ele. Cravei meus dentes em seu pescoço, sentindo o gosto de seu sangue. Meu corpo ficou aquecido por dentro, como se cada gota preenchesse cada espaço, de meus pés até meu couro cabeludo, além de que a ardência em minha garganta desaparecera. Senti um pouco do líquido quente e delicioso escorrer pelo meu pescoço, mas não liguei.
Joguei-o no chão assim que o fluxo de sangue parou, focando minha atenção em uma mulher que gritava e me fitava, profundamente apavorada. Ela se encolheu em um canto, pegando um castiçal da mesa.
Caminhei lentamente até ela, sentindo um gosto diferente em minha boca – provavelmente o veneno – e ouvindo cada batida de seu coração.
– Não se aproxime! – ela berrou. Tive uma vontade imensa de rir. Ela realmente acha que pode me impedir? – Estou avisando! Se der mais um passo...
Ela teve a coragem de me acertar com o castiçal. Meu sorriso desapareceu no mesmo instante. Não que tenha me machucado, na verdade, não cheguei a sentir o golpe. E, de repente, eu não queria seu sangue. Apenas queria matá-la. Um rosnado saiu de minha garganta e fui até ela, torcendo seu pescoço com uma mão. Ela caiu no chão e permaneceu imóvel.
Desprezo. Era isso que eu estava sentindo por aquele verme.
Me virei e os outros corpos estavam no chão, mas todos continuavam arrumados, ao contrário de mim, que provavelmente parecia uma vítima de atropelamento. Aro veio até mim, animado.
– Fascinante! – ele exclamou, segurando minha mão e soltando-a no mesmo segundo. Ele me olhou confuso, apenas retribui o olhar. – Se importa?
– Não – murmurei ainda zangada e estiquei a mão. Novamente, ele tocou-a e se distanciou.
– Isso será um problema se não conseguir controlar – ele falou incomodado, mas empolgado ao mesmo tempo.
– O que, exatamente? – indaguei confusa.
– Sua temperatura está elevada demais – ele contou.
– Está? – Eu ficava cada vez mais confusa. Suas palavras não faziam sentindo. Eu não sentia nada que não deveria.
Senti um incômodo. Parecido com o sentimento de estar sendo observada e como se encostassem o dedo em minha cabeça, especificamente do lado direito, próximo a minha orelha. Olhei em volta e encarei Chelsea, que já estava com os olhos presos em mim. Eu estava... Sentindo o poder dela. Era difícil dizer como, mas eu simplesmente sabia que ela queria mexer comigo. Ao perceber que não estava funcionando – e que eu havia percebido –, Chelsea ficou assustada.
– Talvez devesse avisar Chelsea de que eu não pretendo ir embora – falei entredentes.
– O que pensa que está fazendo? – Aro perguntou, olhando para ela com os olhos brilhando de fúria.
– Eu só pensei que...
– Pensou errado – interrompi, ela engoliu em seco e Aro voltou sua atenção para mim novamente.
– Como fez isso? – ele quis saber, um misto de surpresa e curiosidade estampava seu rosto. – Pôde sentir o poder de Chelsea...
– E bloqueá-lo, aparentemente – Caius comentou.
Eu estava com raiva. Primeiro que eu não iria embora dali. Queria parti-la em mil pedaços e depois jogar os restos em uma fogueira.
Caius e Aro começaram uma conversa sobre o que poderia ter de errado comigo, mas minha atenção já estava em outra coisa, estava observando minhas mãos. Uma parte tão vaga de meu corpo, mas tão diferente agora. Minha pele perdera aquela aparência saudável e eu podia jurar que estava tão branca quanto as paredes do Salão. Alguém se aproximou de mim e eu levantei o rosto. Era Felix.
Ele sorria para mim e relutava em se aproximar mais. Reparei em seu rosto detalhadamente. Seus olhos vermelhos estavam pequenos, já que ele sorria animado, mostrando todos os seus dentes perfeitamente brancos. Seu cabelo preto estava arrumado, contrastando com sua pele branca. Felix estava mais lindo do que nunca.
– Desde quando você é bonito assim? – indaguei, provavelmente com cara de boba, e ele jogou a cabeça para trás, gargalhando.
– Você não está nada mal também, ruivinha – ele falou ainda rindo. Ruivinha? Franzi a testa e ele assentiu. – Seu cabelo está natural agora.
– Sério? – fiz uma careta, pegando uma mecha que descansava em meu ombro. Mal lembrava como meu cabelo era antes de começar a tingi-lo. A cor preta deixava-o tão bonito, mas agora ele estava diferente do que me lembrava. Senti-o encostando em meu cotovelo, dando um sinal de que estava maior do que eu pensava. Estava brilhante, uma mistura perfeita de um castanho escuro e vermelho, até mesmo sua textura estava melhor.
– Ai meu Deus! – Heidi exclamou aparecendo atrás de Felix. – Você está perfeita!
– Não exagere... – murmurei, começando a ficar incomodada. Não ligava para os elogios, era bom ser elogiada, mas ainda estava me acostumando e não tinha certeza se estava tão bonita assim.
– Não exagerar? – ela me encarou por dois segundos e puxou meu braço. Sua pele não estava mais gelada. Estava confortável, na mesma temperatura que a minha. Fomos seguindo pelos corredores e chegamos ao seu quarto. Ela me empurrou para o banheiro, onde havia um enorme espelho em uma parede. – Eu não estava exagerando.
E não estava mesmo. Meu rosto estava mais fino, minha pele estava extremamente branca e meu cabelo estava no tom castanho-avermelhado de antes. Virei-me de lado, analisando meu corpo e sem querer parecer muito convencida, mas eu estava maravilhosa! Minhas poucas curvas estavam mais acentuadas, minhas pernas e bunda estavam definidas, todas favorecidas com a calça legging que eu havia escolhido para usar. A blusa escura deixava a cor de minha pele mais bonita, mesmo que com um aspecto doentio.
Heidi sorria para mim e eu fui contagiada, sorrindo abertamente. Céus, aquela não podia ser eu! Era muita beleza para pouca Addison! Aproximei-me do espelho, ainda sorrindo. Adeus dentes tortos! Perfeitos, alinhados e mais brancos que tudo. Encarei Heidi ao meu lado e pela primeira vez em muitos anos, não me senti inferior à ninguém.
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