Feeling Lost (HIATUS)
4 Hope
Notas iniciais
Estava escuro e frio. Eu sentia que estava chovendo, mas eu só me importava com os dois vultos se distanciando de mim. A floresta passava como um borrão de cores pelos meus olhos enquanto eu corria o mais rápido que eu podia. Eu gritava e sinalizava, mas eles não pareciam me ouvir.
- Acorda Bela Adormecida! Você está babando!
Abri meus olhos e vi Felix sorrir abertamente a centímetros do meu rosto.
- Já chegamos – ele disse.
- Aonde, exatamente? – indaguei, franzindo a testa. O sonho parecia tão real e tão confuso...
- Seattle! Bem-vinda a América – ele exclamou em inglês. A viagem seria emocionante se não fosse trágica.
Ao sairmos do avião, um vento gelado bateu em meu rosto, me fazendo tremer.
- Pensei que fosse Seattle, não Pólo Norte – reclamei, cruzando meus braços para tentar me aquecer.
- Não estou sentindo frio – Felix disse dando de ombros, rolei meus olhos e uma Giu saltitante apareceu com um sorriso enorme.
- Addie! – ela gritou. – Enzo disse que vai nevar, não é legal?
- Tããão legal – eu disse desanimada.
- Você deveria se animar, Heidi disse que o hotel é ótimo – ela disse piscando.
Passamos por dentro do aeroporto, atraindo olhares – como sempre – e chegamos a um carro preto, Felix jogou minha mochila e a de Giu no porta-malas, e entrou no banco do motorista. Passei por Enzo e praticamente me joguei no banco do carona, fechando a porta.
Olhei para Enzo que semicerrou os olhos, sorri para ele. Ele entrou no banco de trás, seguido por Heidi e Giu. Felix logo deu a partida e Giu começou seu questionário.
- Quando vai nevar? – ela perguntou animada.
- Amanhã – Enzo respondeu.
- O dia inteiro?
- Sim.
- Nós vamos por sair, né?
- Não sei...
- Como assim você não sabe?
- Eu não sei Giuliana... O que você quer que eu faça?
- Parar de ser ignorante é um bom começo!
- Só no dia em que você parar de ser irritante.
- Vamos parar de brigar, crianças? Por favor? – Heidi pediu. Ela estava no meio dos dois, imagino seu sofrimento.
- Estava divertido – Felix murmurou e eu tive que concordar.
- Realmente, mas o vestido ganha – eu disse e Felix riu.
- Você tem razão – ele disse e ouvi Giu bufar.
- Aquilo foi pura maldade – ela disse.
- Eu não tenho culpa se o seu vestido era barato – Enzo defendeu-se.
- Não tem culpa?! Aquele era um Versace! – Giu berrou.
- Ah droga – ouvi Heidi murmurar, me fazendo rir.
- Não passou pela sua pequena mente que quanto tem uma linha solta, algo está errado?! – Giu indagou.
- Eu estava tentando ajudar! Não tenho culpa se ele rasgou! – Enzo tentou argumentar.
- Talvez se você usasse o seu cérebro de vez em quando, iria ter cuidado!
- Você disse “arranca e foi o que eu fiz!
- Felix, vai demorar muito? – Heidi perguntou.
- Na verdade, não – ele respondeu entre risos. Parou o carro e logo vieram três homens na nossa direção com uniformes. Um deles foi até Felix que lhe entregou as chaves, o outro abriu a porta para mim e o outro ajudou Enzo com as mochilas.
O homem que me ajudava, sorria e estendeu a mão, me ajudando a sair do carro.
- Bem-vinda ao Vivienne’s Hotel – ele disse. Quando eu estava prestes a colocar meu inglês em prática, sinto uma mão em minha cintura e o sorriso do homem diminuiu.
- Obrigado – Demetri disse, me fazendo rolar os olhos. Nem em outro continente eu tinha paz!
Caminhamos até o hotel onde Felix conversava com o recepcionista, enquanto Giu, Enzo e Heidi conversavam no sofá. Fui em direção a eles, mas fui puxada pelo braço.
- O que você quer? – indaguei.
- Nós precisamos conversar – ele murmurou, me encarando.
- Não, obrigada – eu disse, tentei me mexer, mas ele ainda me segurava. – Pode me soltar, por favor?
- Não até você me escutar – ele sibilou.
- Ok! Pode começar – eu disse, ele me soltou e eu cruzei os braços.
- Eu... Meio que...
- Só fale!
- Eu me apavorei ok? Eu não esperava que você fosse dizer aquilo!
- Normalmente é o que as pessoas dizem umas para as outras.
- Você acha que isso – ele apontou para nós dois – é normal? Não quero te decepcionar, mas você não pode esperar algo normal!
- Eu não quero algo normal, nem espero isso de você... Só não esperava duas semanas de silêncio, duas semanas com você me ignorando... Tudo bem que você sempre fazia isso, mas eu esperava, pelo menos, um tipo de retribuição.
- Você quer que eu diga que eu te amo? É isso? Então, eu te amo Addison!
- Não... Eu quero que você mostre isso – murmurei.
Fui até Felix que nos encarava, encostado ao balcão.
- Você está bem? – ele perguntou quando parei ao seu lado.
- Sim – eu disse assentindo. – Já pegou as chaves?
- Já, você vai ficar comigo e com a Heidi – ele disse me entregando um cartão com “623” gravado.
- Giu e Enzo vão ficar juntos? – indaguei esquecendo totalmente meus “problemas sentimentais”.
- Estamos tentando fazer com que saia algo dessas brigas, o que acha? – ele perguntou sorrindo.
- Eu topo! Mas Giu vai surtar – o avisei. – O que vai dizer?
- Você precisa ser vigiada, nada melhor do que dois vampiros de olho em você – ele disse.
- Hm, entendi – murmurei. Não parecia que ia dar certo. Fomos até eles e Felix entregou o outro cartão para Enzo.
- Vocês vão ficar no 628 – ele disse e Enzo assentiu.
- Eu, Heidi e Felix vamos estar no 623, caso precisem – eu disse e me controlei para não rir de Giu. Ela arqueou as sobrancelhas e arregalou os olhos, olhando de mim para Felix e vice-versa.
- Com licença? – ela disse.
- Só tinham esses quartos – Felix fez uma expressão chateada.
- Eu fico com a Addie e a Heidi – ela disse franzindo a testa.
- Aro quer que eles fiquem comigo, desculpa amiga – eu disse fazendo um biquinho. Ela abriu a boca, mas soltou o ar, derrotada.
- Ok – murmurou.
- É melhor irmos! Vocês duas tem que estar prontas muito cedo – Heidi disse e eu assenti.
Antes de irmos para o elevador, eu olhei pelo hall, procurando por Demetri, mas não havia sinal dele.
Cada um foi para seu respectivo quarto, tentei não parecer tão cansada, mas ao ver a enorme cama de casal king size que estava ali logo atrás de uma pequena sala, o máximo que eu fiz foi me jogar nela e fechar meus olhos. Eu estava na esperança de que algo bom fosse acontecer no dia seguinte, mas, como diz a Lei de Murphy...
"Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará".
Fale com o autor