Feeling Lost (HIATUS)
5 Danger
Notas iniciais
Na manhã seguinte – ou eu deveria dizer madrugada – Heidi me acordou, dizendo que teríamos mais uma viagem para fazer. Eu apenas me levantei e a segui pelo hotel. Tinha plena consciência de que meu cabelo estava uma bagunça e pude ter certeza ao ver Felix rindo da minha cara quando chegarmos ao carro.
Aproveitei a pequena viagem para dar um cochilo, eu precisava lavar meu rosto, escovar os dentes, pentear meu cabelo... Mas quem liga? Eu, claro! Mas naquele momento e com aquele ar quente que tomava conta do carro, não pude resistir e acabei dormindo.
Não faço ideia de quanto tempo levou aquela viagem, mas quando acordei apenas Felix estava no carro.
- Onde está Heidi? – perguntei, aumentando o ar quente.
- Ela teve que ir – ele disse atento à estrada.
- E onde estamos exatamente? – As árvores gigantescas que eu via não pareciam ser de Seattle.
- Port Angeles – ele respondeu. O que não significou nada, mas tudo bem! Depois de duas curvas extremamente fechadas, ele parou o carro e saiu, abrindo a porta para mim e me entregando o que parecia ser um casaco. – Vista.
Assim que desdobrá-lo, descobri que se tratava de uma capa preta. Joguei-a sobre meus ombros e Felix colocou o capuz sobre minha cabeça, prendendo a capa em meu casaco.
- E agor-
Mal pude terminar de falar e Felix me pegou no colo, correndo floresta adentro. Por que diabos nunca me avisavam antes de começarem a correr como loucos?! Depois eu tinha um infarto e queria ver como iriam me ressuscitar! O grito que eu ia soltar acabou por ficar preso em minha garganta tamanha era sua velocidade e a tontura que eu sentia. Ele começou a diminuir a velocidade aos poucos, parando e me colocando no chão.
Os vampiros que estavam no castelo há um dia estavam ali. Alguns com um sorriso no rosto, outros sérios demais.
- Pronta? – alguém disse ao meu lado e pude ver Santiago sorrindo para mim. Dei de ombros e ele riu, parando ao meu lado e segurando meu braço esquerdo e minha cintura. – Você precisa ser discreta.
- Vou tentar – eu disse fazendo uma careta. Afton parou na minha frente, de costas para mim e começou a andar, assim como todos. Santiago apenas me segurava, não deixando com que eu me mexesse direito, além de andar.
Não estávamos andando, mas também não era uma corrida. Era como se eles deslizassem no chão, enquanto eu tentava me manter em pé e não tropeçar no ar. Aproximávamos-nos de um tipo de campina que estava coberta por neve, até que paramos. Santiago me colocou no chão, mas mantinha os braços à minha volta. Meu ombro encostava-se a seu peito e eu tentava acompanhar o ritmo de sua respiração, mas era muito irregular e da ultima vez que havia checado, precisava de mais ar que aquilo. Os ombros de Afton moviam-se de forma lenta e eu me concentrei em acompanhá-lo.
“Isso mesmo, Addison! Invisível!”, pensei comigo mesma. Eu não escutava, via ou sentia alguma coisa de diferente. Para mim, todos continuavam parados e quietos. Obviamente, Aro devia estar fazendo as “acusações” já que uma vez ou outra havia murmúrios. Depois de alguns minutos, alguém se moveu para frente e eu senti um aperto no peito. Tentei esticar meus pés para olhar por cima de Afton, mas Santiago me puxou.
- Addison – ele sussurrou me reprimindo. Voltei a me focar na respiração de Afton, quando senti outro aperto em meu peito, só que desta vez, era diferente.
As agulhas invisíveis começaram a espetar minha nuca e foi descendo pela minha coluna, fazendo com que eu arqueasse minhas costas. Travei minha mandíbula para não gritar e fechei meus olhos, ofegante. Não era uma boa hora para aquilo acontecer...
Era como se minhas costelas apertassem meus pulmões, deixando-me sem ar, enquanto as agulhas deixavam meu corpo formigando, assim como havia a sensação horrível de estar queimando por dentro. Minha cabeça latejava e um zumbido alto e insistente se alojou em meu ouvido, fazendo meus olhos encherem-se de lágrimas.
- Addison? – O fogo que parecia tomar conta de todo o meu corpo se espalhava com tanta rapidez que eu não conseguia pensar direito. – Você está bem?
Limitei-me a soltar um grunhido de dor e ele colocou a mão em meu rosto, como se medisse minha temperatura.
- Você precisa sair daqui – ele sussurrou. – Consegue aguentar um pouco?
Assenti sentindo uma pontada enorme em meu abdômen. Todo o esforço que eu havia feito para controlar minha respiração fora por água abaixo, assim como a tentativa de me manter invisível, era impossível que nenhum dos vampiros ali não estivesse escutando meu coração bater daquela forma.
Minutos – que pareciam horas – se passaram e alguns vampiros começaram a se dispersar. Santiago me pegou no colo, eu mal sentia a dor naquele momento, estava prestes a desmaiar. Mas assim que ele começou a correr como em um passe de mágica, tudo sumiu. A dor, o fogo, as agulhas, o zumbido. Tudo.
- Estou bem – eu disse ainda ofegante. – Podemos voltar.
- Não podemos – Santiago disse aumentando a velocidade.
- O que? Porque não? – indaguei confusa.
Em resposta, algo se chocou com Santiago e ele acabou me jogando contra uma árvore. Minha cabeça fora a primeira a entrar em contado com o tronco, eu podia senti-la pulsando e tudo começou a girar. Algo escorreu por minha orelha esquerda e desceu por meu pescoço, encostei minha mão ali e vi sangue. Muito sangue. Levantei-me, procurando alguém além de vultos que passavam por mim, mas não conseguia me manter de pé. Minha mão estava ensanguentada e tremia em sincronia com o resto de meu corpo, eu estava com medo, sangrando e sozinha.
- Você está bem? – ouvi alguém perguntar e me deparei com Afton que me encarava com os olhos pretos. Ele podia me atacar!
- E-Eu estou sangrando – gaguejei tentando empurrá-lo para longe, conseguindo apenas sujar sua roupa. – O-Onde está Santiago?
- Ele está bem, você precisa ir embora – ele dizia de forma confusa e seu rosto se tornou um borrão, deixando claro que eu podia ficar inconsciente a qualquer momento. Ele me ajudou a levantar, andando devagar ao meu lado e me segurando. Chegamos a uma estrada onde um carro estava parado no acostamento e mantinha a porta de trás aberta.
Afton me colocou ali e fechou a porta, quando alguém passou para o banco de trás.
- Addie? Oh meu Deus! O que aconteceu? – a pessoa encostou-se em meu braço e eu me esquivei.
- E-Eu estou sangrando – disse novamente.
- Precisamos levá-la para um hospital!
- Não! Vamos para o aeroporto!
O carro ficou em silencio e eu encostei minha cabeça no banco, me deixando levar pela exaustão e tontura. Desse modo, não demorou para que eu ficasse inconsciente.
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