Feeling Lost (HIATUS)
2 Broken
Notas iniciais
Fui acordada em plena madrugada por Heidi, ela simplesmente não disse nada, apenas mandou que eu me arrumasse por que Aro me esperava no Salão Principal. Não fazia ideia da razão, motivo ou circunstância que havia levado tanta maldade para o coração parado dessas pessoas e que precisavam de mim às 3 horas da manhã. De mau-humor e com sono, coloquei um casaco por cima do meu pijama e segui Heidi pelos corredores, enquanto eu passava pelas salas, todos pareciam prestes a se mudarem! Arrumavam tudo, guardando seus pertences em grandes baús. Eu estava acordada?
Sentia que aquilo tinha a ver com a vampira doida que apareceu alguns meses atrás quase tendo um infarto! Não no sentido literal, mas você me entendeu! Assim que cheguei, Aro estava sentado em sua cadeira, majestosamente colocada ao centro do salão, e quando me viu, sorriu.
- Addison, sinto muito por ter que lhe acordar, querida – ele disse, surgindo na minha frente. Ele pegou minha mão gentilmente e inclinou a cabeça para o lado, seu sorriso diminuindo. – Você está certa, de fato... Temos que conversar.
- É só falar o que está acontecendo – Caius disse com um sorriso medonho. Ele se aproximou de nós e Aro fez uma expressão de tristeza.
- O que está acontecendo? – perguntei. Não era muito comum ver tanto movimento no castelo, e o pouco movimento que tinha, era apenas quando vinham “turistas”.
- Gostaria que viesse conosco em uma viagem – Aro disse cauteloso. – Estamos apenas nos organizando, por precaução...
- Por quê? Vão explodir esse lugar ou algo assim? – indaguei, tentando parecer descontraída.
- Mas é claro que não, querida! – ele respondeu, negando levemente com a cabeça. – São questões de segurança! Não devemos deixar o castelo à mercê de invasores...
- Certo... E por que eu tenho que ir mesmo?
- Você é fraca, não pode ficar sozinha – Caius disse. Aquilo foi um insulto? Arqueei uma sobrancelha e Aro apertou minha mão, prevendo uma discussão na minha mente.
- Não fale dessa maneira – Marcus disse com a cara de entediado de sempre.
- Sulpicia e Athenodora irão também... É apenas para segurança – Aro disse. Aquilo era novo... Eles quase não me deixavam sair, e agora, queriam minha presença em uma viagem. Suspeito.
- Quando vamos? – perguntei e Aro sorriu abertamente.
- Dentro de algumas horas, querida – ele disse e quando estava prestes a soltar minha mão, ele parou.
- Vejo que não tem dores há um tempo – ele disse. Ah. As dores.
- Pois é... Talvez seja apenas no verão que eu sinta algo – eu disse dando de ombros.
- Sim... Verão... – ele murmurou, soltando minha mão e voltando para sua cadeira. – Por que não vai se arrumar? Partiremos em breve!
- Partir. Certo. Vou indo – eu disse, apontando para o corredor e Aro apenas sorriu. Saí dali com a testa franzida. Não havia gostado do modo como Caius falara comigo. Nem um pouco! Eu não era exatamente a pessoa que se importava com muita coisa, mas não dava para ignorar a parte do “você é fraca”. Com um treino de aproximadamente duas horas todos os dias, ele ainda tem a coragem de me chamar de fraca?! Minha vontade era de esmagar sua cabeça, mas como isso não era possível, ficamos com a opção de odiar em silêncio. Certo? Certo!
Cheguei a meu quarto, reparando na enorme bagunça. Parecia que, no mínimo, havia passado um furacão ali! Comecei pelas roupas jogadas no chão, pegando cada uma e jogando-as dentro do meu guarda-roupa, que por incrível que pareça, estava arrumado. Peguei uma mochila e coloquei algumas peças de roupa, a maioria preta, não por escolha, mas Aro preferia que eu usasse roupas mais escuras para que não chame a atenção. Eu concordava claro... Ia ser muito estranho ver uma única pessoa no meio de todos os vampiros usando uma blusa amarela, por exemplo. Além de chamar muita atenção, eu até preferia. Fazia eu me sentir “enturmada”.
Soquei duas calças jeans, um short folgado e duas blusas regatas dentro da mochila, e parecia que eu estava levando mais do que o necessário, mas quem liga?! Peguei uma regata branca, uma calça legging preta e meu inseparável par de botas pretas sem salto, me vesti e me olhei no espelho do banheiro. Cara de sono: OK! Roupa confortável: OK! Mochila com o essencial: OK!
Peguei minha jaqueta digna de inverno no Alasca e sai do meu quarto, apagando todas as luzes e trancando a porta assim que saí. Minha mochila estava pesada e eu não conseguia fechar a porta direito.
- Mas que droga – sibilei.
- Quer ajuda? – escutei uma voz dizer em meu ouvido.
- AAAH! – gritei. Assim que vi Demetri rindo, bufei. Enquanto ele ria, fiquei fuzilando-o com os olhos.
- Você deveria ter visto a sua cara de apavorada – ele disse.
- Já terminou? – indaguei impaciente. Estavam querendo testar a minha paciência hoje, ou era só impressão minha?
- Falaram para te buscar – ele disse, encostando-se na parede com os braços cruzados.
- Eu posso achar o caminho sozinha! Muito obrigada – eu disse sorrindo falsamente e seguindo meu rumo para o salão, eu sabia que ele estava me seguindo, mas não estava no clima para ser gentil.
- Achava que eu era o ignorante – ele disse ao meu lado.
- Não consigo ser falsa o suficiente para te tratar bem quando, na verdade, tudo o que eu quero é arrancar a sua cabeça – eu disse e fez uma careta, puxando meu braço e fitando o chão.
- Já entendi que não é legal ser ignorado, o que eu fiz exatamente? – ele indagou, olhando nos meus olhos.
- O que você fez? O que você fez?! VOCÊ AINDA ME PERGUNTA? – gritei impaciente e ele colocou a mão em minha boca. Dei um tapa em seu braço e me controlava para não matá-lo – ou pedir ajuda para alguém. – Você faz alguma ideia de quantos dias você ficou sem falar comigo?! Duas. Semanas.
- O que você esperava que eu fizesse? Não sou o cara certo pra se construir um relacionamento!
- Você tem medo! Medo de se comprometer com uma pessoa!
- Isso não é verdade!
- Claro que é!
- Não!
- Então, me dê outra explicação para o seu ataque de “eu não sou o cara certo”!
Ele não respirava, e tinha quase certeza de que eu também não estava. Fiquei encarando-o por alguns segundos, até que ele suspirou.
- Eu não sei – ele murmurou.
- Eu sabia – eu disse. Ele soltou meu braço e eu sai dali, indo para o salão principal.
Eu sempre aceitara a atitude de Demetri. Ele ficava comigo por algumas semanas e depois se distanciava, e para mim, estava tudo bem, nas mil maravilhas! Mas fazia quatro anos que vivíamos dessa maneira. Não sou uma das pessoas mais sensíveis do mundo, mas também não tenho um coração de pedra! Sentia que no fundo, era minha culpa. Sempre achara errado demonstrar seus sentimentos, era como se você colocasse em sua própria testa: “Venha partir, quebrar e pisar em meu coração”.
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