Notas iniciais
Oiii! Adorei os comentários e nem consigo descrever a felicidade que me dá saber que estão gostando *-* Aqui vai mais um capítulo, ehehehe...

Depois de sair praticamente correndo, eu estava no salão principal, onde havia, no mínimo, trinta vampiros. Aro conversava silenciosamente ao meu lado com Caius, o segundo carregava uma expressão satisfeita, quase feliz. Sentada no canto da sala, eu olhava para cada um. Todos pareciam tão eufóricos! E infelizmente, eu sabia o motivo. Assim que cheguei ali, Aro me explicou tudo. A vampira que havia aparecido há meses estava ali. Irina. Ao contrário de todos, ela parecia arrependida. Como se sentir arrependimento, fosse mudar algo. Ela havia condenado uma família inteira.

Eu conhecera Carlisle quando pequena. Lembro-me que ele era sempre educado e Aro dizia que ele sempre fora um exemplo, digno de respeito. Era estranho que ele tivesse permitido que seu filho violasse uma regra tão rígida. Crianças imortais não devem ser criadas. Não parecia certo tudo aquilo! Principalmente a parte em que estavam todos felizes com aquilo. Simplesmente não era certo.

- Ei baixinha – ouvi uma voz grave perto de mim.

- Ahn – murmurei para Felix que estava na minha frente.

- Nós já estamos indo – ele disse e parecia me examinar. – Você está bem?

- Sim – eu disse assentindo, ele levantou uma sobrancelha. – O quê? É verdade!

- Não precisa mentir para mim e você sabe disso – ele murmurou e se levantou, estendendo a mão para mim.

Levantei-me e peguei minha mochila do chão, suspirando.

- Não preciso falar da minha vida para 30 pessoas. Você consegue esperar? – indaguei sarcástica e ele bufou.

- Certo.

Pouco a pouco, os vampiros foram saindo e eu vi Demetri esperando no corredor.

- Onde está a Giu? – perguntei para Felix.

- Enzo já foi para o aeroporto com ela, você vai comigo – ele disse, entrelaçando seu braço no meu.

- Vocês realmente têm um avião? – indaguei. Sim, um avião. Aro usou a desculpa de que era para a minha segurança novamente.

- Você não viu nada ainda – ele disse com um sorriso de lado.

- Eu deveria ter medo disso?

- Na verdade sim – ele assentiu.

- Certo – murmurei. Passamos pelo corredor e Demetri me fitava, eu não falei com ele ou o olhei por mais de dois segundos. Eu sentia o olhar de Felix em mim, mas resolvi ignorar.

Saímos do castelo e havia um carro preto ali, uma humilde BMW X6. Carros e aviões me faziam perguntar a mim mesma de onde vinha tudo aquilo.

Entramos no carro e ele o ligou, ao invés de partir, ele esperou um pouco e logo Heidi apareceu.

- Olá, raio de sol – ela exclamou sorrindo.

- Oi – eu disse tentando sorrir, quase certeza que fiz uma cara de dor.

- Certo... O que diabos aconteceu? – ela indagou. Felix deu a partida e acelerou, nos tirando dali.

- Ela não quis me contar – ele disse.

- Eu só não queria que todos ouvissem – argumentei.

- Mas agora ninguém pode ouvir. Fale – Heidi disse, se apoiando entre os bancos.

- É sobre Demetri – Felix disse e eu suspirei.

- Eu percebi que ele estava um pouco estranho hoje. Vocês brigaram? – Heidi indagou.

- Não... Eu estraguei tudo – eu disse balançando a cabeça.

- Pode começar a contar já – Felix disse impaciente, me fazendo rolar os olhos.

- Ontem-

- Vocês transaram. Já sabemos disso – Heidi disse.

- Você quer contar no meu lugar? – eu disse, olhando para ela.

- Desculpe.

- Então... Eu acabei dizendo algo que não devia!

- E que seria... – Felix disse.

- Eu disse que eu o amo.

O carro ficou em silencio. Suspirei e encostei minha cabeça na janela. Não parecia que eles iam falar algo, então eu me concentrei em olhar a estrada. Vinte minutos se passaram e eu já estava ficando louca ali. Tudo bem que eu realmente fiz uma besteira enorme, mas o silêncio parecia pior do que uma bronca.

- Você deveria saber que Demetri é um idiota. Sempre foi – Felix disse. Olhei para ele e Heidi voltou a sentar-se entre os bancos.

- Ele é um covarde – ela disse.

- E provavelmente te ama também, mas você também deveria entender o lado dele – Felix disse me encarando.

- O lado dele? – indaguei.

- Aro vai surtar – Heidi disse fazendo uma careta.

- Ele viu hoje – eu disse. – Ele sabe o que aconteceu.

- Ele viu o que Demetri fez também – Felix disse. – Por que acha que você veio com a gente?

- Aro não o quer perto de você – Heidi disse.

Tudo bem que ele era um “pai” para mim, mas eu tinha 22 anos nas costas. Eu poderia me virar sozinha.

- Você tem que entender que ele realmente se importa com você, Addie! Todos sabem disso – Felix disse.

- E o que eu devo fazer? – perguntei retoricamente. Por um lado, eu sabia que Aro só queria me proteger. Mas por outro, até quando eu iria fazer tudo o que ele mandasse?

- Hora de praticar o desapego, querida – Heidi disse colocando a mão em meu ombro.

- E conversar civilizadamente com Demetri – Felix disse.

- Não tenho nada para falar com ele – disse entredentes.

- Viu? É difícil conversar com você, Addie – ele disse balançando a cabeça.

- Eu ficaria melhor sabendo o que ele realmente sente – eu disse. – O sentimento de dúvida é a mesma coisa que pedir para morrer lentamente.

- Você está exagerando, Addison – Heidi sibilou.

- Não! Não estou! Eu nunca gostei realmente de alguém por que nunca tive espaço! Agora que eu posso, não sei o que ele realmente sente. Isso é pior do que receber um “não” – eu disse alterada. Não estava nos meus planos me apaixonar. Heidi me ensinou muito bem o que os homens pensam... O que eles fazem. Mas eu fui uma idiota que acabou se envolvendo, e havia consequências para isso.

- Ainda acho que vocês deveriam conversar – Felix disse dando de ombros.

- Você pode dar um soco nele, por favor? – perguntei para Heidi que riu.

- Ele está certo, Addie... Conversem! E depois você vai me contar tudo – ela disse piscando para mim.

Eu iria tentar. Não sabia se iria conseguir, mas iria tentar. Sentia o orgulho pesar em minha mente, uma voz me dizia para esperar que ele fosse atrás de mim, mas ele não viria. Já ouvira as coisas que Aro fez no passado, era melhor não forçar a barra.

Voltei a encarar a estrada, vendo o sol surgir no horizonte, mas ser bloqueado pelo vidro escuro. Estávamos quase em Pisa quando o telefone de Felix começou a tocar. Ele atendeu e como sempre, eu não ouvia nada.

- Giu e Enzo já estão no aeroporto – ele disse, guardando o celular.

- Por que vocês vão com a gente? Poderiam ir correndo junto com os outros... – eu disse.

- Aro nos mandou... Não quer que você fique sozinha – Heidi disse.

- Estamos aqui para te proteger – Felix disse animado.

- Eba – murmurei sem emoção.

- Você está muito chata hoje ou é só impressão minha? – Heidi perguntou.

- Impressão sua – eu disse e me virei para ela, sorri falsamente. – Estou tão feliz que você esteja aqui!

- Awn, fofura em pessoa – ela disse apertando minha bochecha.

- Finalmente – Felix murmurou, entravamos nos limites da cidade. Não demorou muito para que chegássemos ao aeroporto. Ao invés de passarmos pelo check-in, fomos direto para a pista, onde um pequeno avião aguardava.

- Vocês são o que? A máfia? – indaguei quando saímos do carro.

- Tipo isso – Heidi disse piscando para mim e entrando no avião.

Eu entrei logo depois dela, sendo seguida por Felix. Giu já estava ali, conversando com Enzo.

- Addie! – ela exclamou dando tapinhas no assento ao seu lado. – Eles têm um avião, dá pra acreditar?!

- Na verdade não – murmurei. Joguei-me na poltrona e fechei os olhos.

- Você vai dormir? – Giu indagou.

- Se você ficar quieta, sim – eu disse.

- Ela está bem? – ela perguntou para alguém.

- Acordou com o pé esquerdo – Heidi disse e Giu soltou um som de compreensão.

- Talvez você devesse dormir também – sibilei. Ah, esse fato eu não havia contado. Giu era humana também. Ela deveria ser a secretária do castelo, mas acabamos virando amigas e então, pedi para que Aro a deixasse viver conosco. Como Gianna, ela queria ser transformada e fazer parte da guarda. Ao mesmo tempo em que éramos parecidas, éramos totalmente diferentes.

Antes que pudesse ouvir qualquer resposta, ou até mesmo sentir o avião decolar, já estava dormindo.

Notas finais
Espero que gostem! Os próximos capítulos vão ser um pouco mais delicados e vocês vão descobrir um pouco mais sobre a Addison! Obrigada por ler, beijos!