Featuring You
6 And i've tried to run before but i'm not running anymore
Notas iniciais
─ P. O. V. Travis
Eram quatro horas da tarde quando Travis decidiu ir até a casa de Katie. Estava se sentindo preparado para mudar, para ser melhor do que era e a sua vizinha estava disposta a ajuda-lo. Então, ao seu ver, tudo daria certo.
Pulou o murinho que separava as duas casas e bateu na porta que fora mal pintada de verde. Ela foi aberta uns segundos depois, mas não por quem ele esperava. Definitivamente não.
─ Perséfone ─ ele murmurou, um pouco lentamente demais.
A mulher na porta sorriu pra ele. Ela tinha o cabelo negro e liso que batia bem abaixo da linha do seu sutiã, a pele levemente morena e olhos verdes que faiscavam.
─ Olha só quem está aqui ─ ela disse e sua voz era rouca. ─ Travis Stoll.
O que ela estava fazendo ali ele não fazia a menor ideia. Perséfone era do da ong de apoio aos pomares de Long Island, a SODOLI, e ele a tinha conhecido há três verões atrás, quando foi passar as férias em Long Island. Ele tinha quatorze anos e ela vinte e um e ela tinha tirado a virgindade dele, tinha sido sua primeira paixão. Por isso era tão estranho vê-la ali, naquele momento, três anos depois.
─ Por que você está aqui em Manhattan na casa da Katherine? ─ ele perguntou confuso.
Perséfone deu uma risada como se ele tivesse acabado de contar uma piada muito engraçada.
─ De certa forma essa casa é minha também ─ ela explicou, se encostando no batente da porta. ─ A Katie é minha irmã.
Travis arfou surpreso, como se a mulher tivesse jogado uma pedra na cabeça dele. O quão pequeno o mundo poderia ser a ponto de sua primeira garota ser irmã da garota que, ultimamente, era a unica que o suportava?
─ Fala sério ─ ele riu, mas logo em seguida parou ao ver que a outra estava de cara amarrada. ─ Ah, você está falando sério. Mas como? Eu nunca te vi por aqui.
─ Manhattan não é o meu lugar favorito ─ ela murmurou em resposta. ─ Long Island faz mais o meu estilo, por isso que eu nunca venho aqui. Mundo pequeno, não acha?
Pequeno demais, Travis pensou com certa irritação mas manteu aquilo para si mesmo. Ele não sabia ao certo porque o fato daquela mulher ser irmã de Katie o afetava tanto, era como se ela profanasse a imagem de sua vizinha.
No entanto ele sabia que isso não passava de paranoia sua. O fato de Perséfone ser uma vagabunda dissimulada não tornava Katie o mesmo que ela. Katie era uma boa garota, ele pensava, um pouco estranha mas tinha um bom coração.
Mas mesmo assim…
─ P. O. V. Katie
Ela tentou ao máximo convencer Thalia a ir com ela, mas nada feito. A amiga não iria até de Luke nem que apontassem uma arma na cabeça dela.
Mas de qualquer forma, no final, Thalia deu o endereço da mansão para Katie, que pegou um metro até lá. Ela não se recordava muito bem do caminho apesar de que tinha ido em uma festa lá, mas a única lembrança que tinha era de que a mansão Castellan ficava em Upper East Side, muito longe de onde ela morava.
Como da ultima vez, Katie apertou o interfone ao lado do portão e aguardou.
─ Sim? ─ perguntou a voz do outro lado. Era feminina, mas aparentava um certo cansaço. ─ Quem é?
─ Sou Katherine Gardner ─ Katie informou, enquanto seus dedos brincavam com as folhas de alecrim perto do portão. ─ Eu gostaria de falar com o Luke, por favor.
─ Tudo bem, querida ─ a voz respondeu. ─ Pode entrar.
Com um estalido o portão abriu e Katie passou por ele. Ela caminhou pela estradinha de pedra que levava até a porta da mansão e quando chegou ao final viu que uma figura a aguardava.
Era uma mulher com um roupão da Guchi. Ela tinha o cabelo louro com alguns fios brancos, olhos azuis gélidos e havia algumas rugas em baixo dos seus olhos.
─ Eu sou May Castellan, ─ a mulher se apresentou e estendeu a mão para Katie. Era ela quem tinha falado no interfone ─ a mãe do Luke.
Katie apertou a mão da mulher enquanto a encarava com curiosidade. Ela não entendia porque May tinha esperado por ela na porta ou porque ela estava a cumprimentando, não era como se ela fosse a primeira garota a ir até ali ver Luke.
─ Você é vizinha dos Stoll, não é? ─ May perguntou, soltando a mão dela. ─ Sei quem é sua mãe porque reconheci pelo sobrenome.
─ Sou vizinha deles e amiga do Travis ─ Katie respondeu, usando um tom protetor. Ela se lembrava de Travis falando mal de Hermes, seu pai, mas não se lembrava se ele tinha mencionado May.
May assentiu, usando uma expressão bondosa.
─ Então mande um recado pra ele, por favor? ─ ela pediu, a voz falhando um pouco. ─ Diga para ele que Hermes quer muito vê-lo. Diga que ele sente falta do seu filho.
“Meu pai nunca escondeu a preferencia por Connor, nem mesmo de mim” a voz da lembrança que tinha de Travis ecoava em sua cabeça. Era como se o Hermes de May não fosse o mesmo Hermes de Travis.
─ O estranho é que Travis me falou sobre a relação de Connor com o Sr. Castellan, não dele si próprio com o pai ─ Katie rebateu, cruzando os braços. ─ Se a senhora puder me dar licença, eu preciso ver Luke agora.
Os olhos de May faiscaram de surpresa, mas ela apenas ajeitou seu roupão e deu dois passos para o lado, deixando o caminho livre.
Katie passou por ela e adentrou a mansão Castellan.
***
Era uma mansão muito linda, com detalhes em dourado, paredes brancas e muitos quadros. Katie perguntou à empregada onde era o quarto de Luke e ela apenas respondeu “quarto andar”.
Somente quando ela chegou no quarto andar foi que entendeu o que a empregada quis dizer. O andar todo era o quarto de Luke Castellan. Aliás, este que estava em frente a uma máquina de fliperama parecendo estar bem distraído com o que estava jogando.
Katie nunca admitiria para ninguém mas achava Luke bem atraente. Ele tinha vinte anos, era alto, magro, com o cabelo louro claro e olhos azuis que neste momento a encaravam confusos.
─ Hm… Oi? ─ ele perguntou, largando o fliperama. ─ Honey Gisele?
─ O que? ─ Katie perguntou.
─ Não é o seu nome? ─ ele continuou, com um sorriso safado no rosto. ─ Honey Gisele?
─ An… não.
─ Jennifer McHale?
─ Não.
─ Kris Sadler?
─ Não.
─ Pam Spelling?
─ Não.
─ Tori Holmes? Ei, por que essa cara?
─ Não. E estou esperando você acabar com a lista do Bordel para que eu consiga falar direito.
Luke deu uma risada e apontou para um sofá vermelho, indicando que ela podia se sentar. Ela observou o rapaz fazer isso mas continuou de pé.
─ Eu sou Katie Gardner ─ ela se apresentou. ─ Eu estava com Travis na sua última festa, lembra?
─ Claro, acho que lembro. Eu não sei, eu conheço um monte de gente além de você, Katie ─ ele admitiu, dando uma piscada.
Katie revirou os olhos. Luke tinha o mesmo jeito que Travis, mas o Stoll usava aquilo como um charme enquanto seu meio-irmão o usava por pura arrogância.
─ Então você vai se lembrar se eu te mostrar isso ─ ela resmungou, estendendo seu celular na direção dele.
Na tela, a foto dela e de Connor agarrados como se fossem duas cobras, parecia zombar dela como uma piada de mal gosto.
─ Ei, agora eu lembro! ─ Luke exclamou. ─ Você é a garota que pegou meu meio-irmão e o meu primo de uma vez só. Você é rápida no gatilho, Gardner.
Katie não era uma pessoa que se irritava facilmente, mas ouvir Luke falar daquele jeito sobre/com ela a deixou profundamente irritada. A garota fechou bem o punho direito e o ergueu em direção ao loiro. Talvez porque ela fosse inexperiente em agredir pessoas ou porque ele parecia ter bons reflexos, Luke agarrou o punho dela antes que acertasse a sua cara.
─ O que você está pensando? ─ perguntou ele, parecendo estar surpreso.
─ Não sou uma vadia, então não me trate como uma ─ Katie retorquiu, elevando a voz e puxando sua mão de volta. ─ Preciso que você exclua aquela foto minha e do Connor. Agora.
Luke cruzou os braços e a analisou.
─ Posso saber por que?
─ Travis não pode vê-la! ─ ela respondeu automaticamente, tamanho era o seu desespero. ─ Ele nem pode desconfiar que essa foto existe.
─ E por que não? ─ ele contra-atacou, tombando a cabeça de lado. ─ Por que você está saindo com ele e Connor, é isso? Está enganando os dois?
Katie fechou as mãos em punhos, frustrada. Luke, claramente, queria provoca-la para para que ela perdesse o controle e a razão, mas ela não faria isso, não iria ser fraca em relação a ele.
─ Não ─ ela negou, tentando não deixar sua voz vacilante. ─ Não é nada disso.
─ Então me conte ─ ele pediu.
─ Olha só, eu não contei nem pra Thalia, que é a minha melhor amiga, então não espere que eu vá contar pra você.
A expressão de Luke congelou e pela primeira vez desde que começou a ter aquela conversa o sorriso em seu rosto desmanchou.
─ Thalia… Grace? ─ ele indagou, erguendo uma sobrancelha.
─ Sim, ela mesma. O que… ─ ela iria perguntar de onde ele conhecia sua amiga, e então se lembrou. ─ Ah, é mesmo... Ela te odeia, sabe? Precisei chantageá-la para que desse seu endereço pra mim.
Luke não falou nada, apenas a encarou. Mas Katie sabia que ele não estava olhando pra ela, e sim absorvendo suas palavras. Seus olhos azuis que normalmente pareciam o céu em dia claro agora estavam mais para um azul crepuscular.
─ Você… quer que eu… apague… aquela foto, certo? ─ ele questionou pausadamente.
─ Bem, sim ─ ela confirmou, ligeiramente confusa. ─ Mas o que…?
─ Traga Thalia até aqui ─ ele ordenou, agora sim olhando para ela verdadeiramente. ─ E se ela vir conversar comigo, se ela me convencer a excluir a foto, então eu o faço. Dou minha palavra. Só quero que ela venha.
─ P. O. V. Travis
Pelas suas contas já era quase sete horas da noite, e nada de Katie. Talvez ela já estivesse em casa, mas Travis sabia que isso não era possível pois já estava há duas horas sentado no murinho entre a casa dos Stoll e dos Gardner, esperando por ela, e até aquele momento, nada.
Sua mente ainda vagava para Perséfone, e em como era estranho ela ser uma Gardner ─ ao seu ver, uma família de respeito ─ e como ela podia ser alguma coisa na vida de Katie… Mas tirou aquilo da cabeça, havia outros problemas para tratar agora além da irmã vadia de Katherine Gardner.
Travis olhou novamente para a rual mal iluminada em frente a sua casa e algo lhe chamou sua atenção. Uma figura… Uma figura caminhava aos tropeços pela calçada…
Era Katie. Ao ver que havia manchas em seu rosto, Travis correu até ela, desesperado, achando que estivesse machucada.
─ Katherine? ─ ele perguntou, olhando para seus olhos verdes que estavam brilhantes de lágrimas. Mais de perto ele viu que as manchas em seu rosto não eram de machucados e sim de maquiagem borrada. ─ O que…?
Ele não completou a frase pois ela sacudiu a cabeça e uma lágrima singular escorreu pelo seu rosto. No segundo seguinte ela soltou um lamurio e se jogou contra o peito dele.
─ O que aconteceu? ─ ele perguntou, envolvendo-a em seus braços desajeitadamente. Katie tinha um cheiro bom, flores do campo, capim e limão, e Travis instintivamente encostou o nariz nos cabelos dela, aspirando o seu cheiro bom.
─ Eu… eu sou uma péssima amiga ─ ela soluçou, apertando o rosto contra o peito dele. ─ S-sou tão eg-g-g-goísta.
Travis não falou nada, apenas apertou os braços em volta de sua vizinha. Ele não sabia muitas coisas sobre Katie Gardner, mas algumas das quais sabia era que não precisava consola-la com palavras pois ela preferia mais gestos, e que não havia uma gota sequer de egoísmo naquela garota.
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