Featuring You

7 Bônus: Oh, there isn't one thing left you could say i'm sorry is too late


Notas iniciais
Ohio! Aqui estou novamente com mais um capítulo, e como prometido esse é o bônus Thaluke. Para os que não shippam Thaluke (COMO CONSEGUEM??) ou os que não querem ler o capítulo não tem problema, a leitura não é obrigatória. Enfim, espero que gostem e mandem reviews pra mim depois dizendo o que acharam. Trecho do título: Let Me Go - Avril Lavigne feat Chad Kroeger

─ P. O. V. Thalia

Thalia Grace não sabia porque tinha concordado com Katie e sua ideia louca de “vá até a casa de Luke e fale com ele embora você o tenha ignorado esse tempo todo”. Okay, não era exatamente essa a ideia. Na verdade ela só precisava ir até a casa dele e convence-lo de deletar a foto de Connor e Katie, já que ao que parecia ela era a única que poderia fazer e isso e…

O caso é que estava com o dedo apertando o botão do interfone da mansão Castellan, querendo na verdade enfiar aquele dedo na garganta e sufocar. Porque era aquilo, preferia morrer de forma bizarra em uma calçada do Upper East Side à voltar a falar com Luke Castellan.

Mas Katie havia se abrido com ela, contado sobre a ajuda que devia à Travis Stoll e o quanto a foto que Luke possuía podia arruinar tudo. E a amiga ainda havia chorado e literalmente implorado de joelhos…

─ Quem é? ─ perguntou uma voz feminina no interfone. Ela reconheceu como sendo May Castellan.

─ Sou eu, May. Thalia Grace ─ respondeu, contendo a voz à um tom tedioso. ─ Eu vim resolver uma coisa com Luke.

Antes mesmo de ter terminado a frase o portão foi aberto. Um tremor percorreu a sua espinha e suas pernas quase não se moveram então ela teve que ir praticamente se arrastando portão a dentro.

Bateu timidamente na enorme porta branca e esperou. Aquela casa lhe trazia tantas lembranças, a maioria delas não eram boas.

May abriu a porta e um enorme sorriso quando a viu. Luke era parecido com ela, o mesmo tom louro dos cabelos, o mesmo azul dos olhos e a mesma curvatura da boca.

─ É ótimo vê-la novamente, Thalia ─ murmurou May, pegando a mão da mais jovem. ─ Você está um pouco diferente desde a última vez que a vi.

Thalia teve que concordar com ela. Antigamente, quando ainda era amiga de Luke, ela tinha o cabelo curto com mechas azuis, usava roupas punk e muito delineador. Agora o seu cabelo estava sem mechas e um pouco abaixo do ombro, usava roupas mais básicas (ainda com um pouco da influencia punk) e tinha abandonado o delineador depois que pegou alergia deles.

─ O tempo passou ─ atestou Thalia, sem entrar na casa. ─ Desculpe May, preciso falar com Luke agora, você poderia pedir para ele ir até o jardim? Não quero ter que subir até o quarto dele.

─ Mas você pode ir lá ─ May explicou, sorrindo carinhosamente.

Thalia piscou e sorriu para ela.

─ Sei o que posso, mas também sei o que quero.

***

O gramado dos Castellan era enorme. Thalia usou aquilo ao seu favor e se afastou o máximo que podia da mansão sem parecer mau educada, e ficou de costas para ela.

Seus olhos teimaram em arder, mas ela controlou as lágrimas com sucesso. Já havia chorado o bastante por Luke, não o queria fazer novamente, muito menos na frente dele.

Continuou observando o jardim, a brisa leve da primavera bagunçando algumas mechas do seu cabelo preto.

─ Thalia?

A simples menção do seu nome na voz dele a fez ficar arrepiada e com o corpo enrijecido. Não queria ser virar e vê-lo, mas tinha que fazer aquilo, precisava… por Katie.

Virou-se na direção contrária. Lá estava Luke, a observando há alguns metros de distância.

O tempo havia passado para ele também. Claro que Thalia via Luke todo dia na escola, de longe, mas parar para olhá-lo de verdade, analisa-lo assim tão de perto, essa era a primeira vez em anos.

─ Luke ─ ela respondeu, com a voz um pouco falha.

Ele deu um sorriso mínimo, sem mostrar os dentes, e andou alguns passos até ela. Thalia quis recuar, mas era como se seus pés estivessem presos no chão com cimento.

─ Então, eu já estou aqui ─ ela disse, dando de ombros. ─ Agora você já pode deletar a foto?

Luke fez uma careta, como se tivesse comido limão.

─ Não. Ainda não ─ discordou. ─ Você precisa me convencer antes, lembra? Vamos conversar.

─ Conversar? ─ ela questionou, indignada. ─ Não quero conversar com você, então será que dá pra excluir a droga da foto de uma vez?

A expressão amistosa de Luke se desfez ao ouvir aquelas palavras. Suas sobrancelhas se uniram em uma única linha e seus lábios franziram.

─ Não é tão fácil assim, Grace! ─ ele esbravejou, indo até ela. Dessa vez ela sabia que podia recuar, mas não quis. ─ Você vai falar comigo porque nós precisamos conversar!

─ Conversar sobre o que? ─ ela rebateu, fechando as mãos em punhos. ─ Não há nada para resolvermos, além da foto.

─ Tem sim! Temos nós, eu e você precisamos nos resolver.

Thalia revirou os olhos e cruzou os braços. A ultima coisa que queria era conversar com Luke sobre o que havia acontecido.

─ Nós? ─ ela cuspiu a palavra. ─ Não existe um nós. Existe você e existe eu, mas não a nossa junção. Não mais.

Será que Luke não entendia? Ela não queria falar sobre aquilo. Não queria assistir aquelas lembranças novamente em sua cabeça, lembranças de momentos felizes que agora não lhe causavam mais felicidade.

Tudo o que ela queria era ir embora, enterrar Luke em seu passado, apaga-lo de todas as suas memórias como se ele nunca tivesse existido

E seria melhor assim.

─ Não fale desse jeito, por favor ─ ele pediu e sua voz estava embargada. Espantada, Thalia percebeu que ele estava prestes a chorar. ─ Como se tudo o que vivemos não tivesse valido a pena.

Lágrimas vieram aos seus olhos quando uma lembrança piscou em sua mente, pedindo para ser revivida. Era a última lembrança boa que tinha de Luke, e a sua preferida.

***

Dois anos atrás

Era uma calma noite de verão. Sentada em cima do capô do carro, Thalia observava a cidade lá em baixo. Havia parado o carro perto de um desfiladeiro ─ há uma distância segura, é claro ─, de onde podia ver toda Nova York e ainda por cima sentir uma brisa agradável, muito rara naquele verão árido.

─ Pensando na vida, Grace?

Thalia virou-se na direção que a voz vira e viu Luke se aproximar, fazendo seu coração bater acelerado. No auge de seus quinze anos, a mesma idade que a dela, ele era lindo como os primeiros raios de sol na alvorada.

─ Só um pouco ─ ela admitiu. Na verdade havia passado o dia todo pensando em Luke e em como estava se sentindo em relação a ele ultimamente.

─ Eh? Sobre o que você estava pensando? ─ ele indagou, se sentando ao lado dela e encostando o corpo dos dois.

─ Você é meu melhor amigo, devia saber dessas coisas ─ ela cobrou, lhe lançando um sorriso.

─ Bem, eu acho que eu sei ─ ele revelou, chegando mais perto dela.

Thalia não se moveu, ela não conseguia. Luke estava com seu rosto próximo demais do dela, tudo o que vinha em sua mente era que ele ia lhe beijar e que ela queria isso. O desejo de beijar Luke era algo que ela vinha tentando reprimir, mas agora ela não estava fazendo isso.

A mão dele envolveu seu rosto de forma carinhosa e o puxou para si, selando seus lábios em um beijo urgente. Não houve língua ou “mão boba” ─ termo horrível que sua mãe usava ─, foi apenas um toque de bocas com urgência, somente para testar.

E para Thalia aquele teste tinha dado certo. Não era o seu primeiro beijo, mas era o melhor até agora, e talvez nem era só pelo beijo, mas sim porque ele era com Luke.

Quando se separaram, ambos estavam ofegantes e Thalia sorriu ao ver que Luke parecia ter corrido uma maratona. Ele se sentia da mesma forma que ela, ele também achava que o teste do beijo tinha sido bom.

─ Isso… foi certo, não é? ─ ele perguntou, encostando sua testa na dela e olhando em seus olhos. ─ Digo, somos amigos…

─ Sim, nós somos ─ ela concordou, acariciando os cabelos cor de areia dele. ─ Melhores amigos…

─ Podemos ser mais do que isso…

─ Podemos…

Luke deu uma risada e um beijo na testa dela.

─ Nós vamos.

***

Thalia sabia muito bem como aquilo terminava. Luke avisaria que ia tentar arranjar sinal para o celular, ia lhe dar um beijo na bochecha e Thalia, só para provocá-lo, ia encostar seus lábios nos dele e os dois iam se abraçar aos risos. E ele não voltaria e ela seria presa… Ele iria ficar livre curtindo no acampamento enquanto ela e seus amigos iriam ficar atrás das grades por dois meses…

─ Não sei se valeu a pena, Luke ─ ela finalmente disse, preenchendo o silêncio. ─ Mas de qualquer forma, acabou. No momento em que tiraram as algemas dos meus pulsos e me liberaram daquela cela eu prometi pra mim mesma que não daria outra chance a você.

Luke piscou e sua expressão fechou mais ainda a sua cara, mas não como se estivesse bravo. Seu semblante estava triste.

─ Eu me arrependo. Juro, eu não posso dizer que não tinha intenção de fazer o que eu fiz, porque eu tinha ─ ele admitiu. ─ É só que eu não queria magoar vocês. Eu quebro as coisas com o tempo…

─ Eu sei disso, Luke, porque você… porque você… VOCÊ QUEBROU MEU CORAÇÃO! ─ ela gritou, fazendo Luke recuar. ─ VOCÊ QUEBROU MEU CORAÇÃO E AGORA EU NÃO SEI CONCERTAR ELE, PORQUE VOCÊ QUEBROU ELE DE UMA FORMA QUE NAO… Eu não posso… Eu não consigo juntar todos os pedaços.

Luke ficou em silêncio, as vezes balbuciando como se quisesse dizer algo e não soubesse como. Thalia percebeu que lágrimas escorriam por suas bochechas, mas ela estava cansada de disfarçar o que sentia.

─ Não há nada que eu sinta agora ─ ela revelou, dando de ombros. ─ Tudo o que eu sinto agora é um vazio. E você fez isso comigo e eu não sei como… eu não sei mais nada.

Ela se odiou por estar dizendo aquilo, mas de certa forma também se sentia aliviada. Estava guardando aqueles sentimentos há tanto tempo, então coloca-los para fora valeu a pena.

Thalia piscou e as lágrimas escorreram pelo seu rosto sem que ela pudesse fazer nada. Sua visão ficou embaçada por isso ela não viu quando Luke se aproximou dela e a abraçou. Tentou se desvencilhar dele, mas ele era forte demais e estava abraçando-a como se quando a soutasse ela fosse desaparecer.

Ambos caíram de joelhos e Thalia sentiu uma grande dor no seu peito ao ouvir o choro baixinho dele perto do seu ouvido. Naquele momento não podia fazer nada, há não ser ficar imóvel enquanto ele a apertava contra seu peito.

─ Me perdoe, Thalia, por favor, me perdoe ─ ele pediu, e sua voz estava fraca. ─ Eu te amo, eu posso te perder mas não consigo suportar o fato de que fiz isso com você. Por favor. Eu te amo. Eu te amo. Eu devia ter dito isso antes, todas as vezes, todos os dias.

Luke a afastou e pegou seu rosto entre as mãos. Os olhos dele estava grudados nos dela, azul mar no azul noite, e Thalia não conseguia desviar sua atenção deles.

─ Eu sei que nós nunca vamos voltar ao que éramos, eu sei disso porque conheço você muito bem e eu respeito sua decisão. ─ ele começou, dando um pequeno sorriso embora estivesse chorando. ─ Mas eu quero que você me perdoe, porque desde aquele dia eu me sinto um lixo por ter feito o que eu fiz. E eu sei que é difícil, porque o que eu fiz foi horrível, mas eu preciso do seu perdão, Thalia.

“A verdade é que eu preciso de você, olha o que eu me tornei sem você? Eu tenho Annabeth e tenho Grover, mas eles não fazem esse efeito em mim, o efeito que você causa. E eu te amo o bastante para deixar que você escolha o que quer fazer, porque pra mim enquanto você estiver feliz eu estarei feliz também”.

Thalia sentiu pela primeira vez em anos que as palavras de Luke pareciam verdadeiras. Ela sentiu aquilo tocar seu coração de uma forma que não sentia há muito tempo. Ela finalmente estava sentindo alguma coisa.

Piedade.

Ela piscou, as lágrimas chovendo sobre suas bochechas, e então ela fez algo que achou que nunca faria novamente. Ela colocou suas mãos na cintura de Luke e puxou para um abraço.

Os braços de Luke a envolveram novamente, e dessa vez ela estava retribuindo. Thalia encostou seu nariz no pescoço e sentiu o perfume dele, sentiu uma variedade de sentimentos até então desconhecidos.

─ Eu te amo ─ ele repetiu, agora sua voz estava mais estável. ─ Não só como um cara gosta de uma garota. Mais que isso, é um amor sem rótulos. E eu não tenho vergonha de dizer isso porque é a verdade.

Thalia suspirou e se afastou. Queria dizer as mesmas coisas para ele, mas não podia. Podia perdoá-lo, embora fosse levar um tempo, mas não podia fazer mais do que isso.

─ Confio em você para fazer a coisa certa ─ ela sussurrou, se inclinando sobre ele e lhe depositando um beijo na testa. ─ Não deixe que aconteça com Travis e Katie a mesma coisa que aconteceu com a gente.

Ele assentiu e Thalia se afastou, dando um sorriso meio triste para ele. Agora olhando para ele... Ela sabia que não poderia voltar a falar com ele novamente, mas sabia também que não conseguiria amar outro homem além de Luke Castellan.

E não iria.

Notas finais
Estou de cara porque, modéstia a parte, esse capítulo ficou tão bom que nem parece que fui eu que escrevi! Enfim, deixem reviews, recomendações, sinais de fumaça, mensagem por águia/gavião (pUT ON YOUR WAR PAINT). Até a próxima, doritos!