Notas iniciais
só um questionamento antes: estão gostando? Queria saber a opinião sincera de vocês nos comentários, quanto a historia num todo :3 É isso, boa leitura :3

Acordou.

Ainda estava naquele quarto metálico. Era realidade mesmo.

Com um pouco de dificuldade, sentou-se na cama. Deu algumas piscadas para se acostumar com a claridade, e olhou para frente.

Lá estava ele, sentado na beira da cama, de costas para ela.

— Ben? – ele virou sua cabeça em direção a ela.

— Ah, você acordou. – sua voz não demonstrava sentimentos. – Tome, arrumei algumas roupas pra você. – ele lhe entregou uma pilha de tecidos acinzentados. – Pensei que pudesse querer tomar banho, e suas roupas estão sujas. Também mandei providenciar uma refeição pra você.

— Obrigada, eu acho... – muitas informações de uma vez, estava atordoada. Ele havia pensado em tudo.

Ele voltou a virar as costas para ela, encarando a parede. Aparentava calma, mas seu coração estava disparado. Ben e Kylo duelavam entre si dentro de seu peito. Um frio corria constantemente sua espinha, e tornava-se mais intenso quando olhava para ela. Ainda não se acostumara com a presença dela ali, tudo parecia um sonho. Ela estava ali, na sua cama, no seu quarto, consigo. Ao mesmo tempo que sentia vontade de abraçá-la e beijá-la com sutileza, sentia vontade de destruir as paredes, sentia vontade de tirar-lhe as roupas.

Nunca sentira isso por alguém antes.

Começou a suar frio.

— Ben? – ela o chamou de volta à realidade.

— Hm?

— Eu.. vou tomar banho, então.

— Está bem.

Viu-a levantando da cama cautelosamente, com as roupas nos braços, e indo em direção ao banheiro.

Pôde ouvir quando ela trancou a porta.

Começou a andar pelo quarto, desorientado. Havia colocado uma rebelde dentro da Primeira Ordem. Uma rebelde! E não tinha nenhuma justificativa além de que estava sedento por ela, que seu corpo e sua mente pediam por sua presença. Com ela, sentia-se alheio a tudo. Era como se todo o espaço e o tempo parassem para que ele pudesse ficar com ela.

Sentiu uma pontada na cabeça. Segurou-a com as mãos, dando ordens a si mesmo para que parasse com isso. Estava se desviando do seu objetivo, estava se desviando da Primeira Ordem. Estava se deixando levar por sentimentos que não entendia e que não podia sentir.

Mas ela lhe fazia tão bem. Tê-la ali fazia sumir a pressão e o peso sobre os seus ombros. Sentia-se leve, feliz.

Por um segundo, lembrou do que sentiu quando Snoke a torturava na sua frente.

Sentou no chão e pôs a cabeça entre os joelhos.

Que agonia insuportável.

Sua mente começou a rodar novamente, como não acontecia a tempos. Várias imagens passavam rapidamente sem que pudesse focar em uma. A dor de cabeça aumentava, e seu corpo passou a tremer. Levantou, irado e começou a gritar. Socou e chutou repetidas vezes a parede mais próxima, buscando livrar-se dessa dor horrível que o consumia. Num impulso furioso, ergueu a poltrona sobre seus ombros, e a arremessou contra uma parede.

Ouviu um grito.

Esquecera que ela estava do outro lado.

Encostou-se em uma das paredes. Começou a respirar mais lentamente e tentou controlar sua ira. Kylo Ren tendo autocontrole?

Talvez aquele não fosse Kylo Ren.

Alguém bateu à porta. Quando atendeu, era um droid segurando uma bandeja. Deixou que entrasse, sem falar nada. O pequenino seguiu até a mesa, colocou a refeição ali e saiu, sem soltar nenhum bip sequer. Logo em seguida Rey saiu do banheiro.

— Que merda foi isso?! – questionou, furiosa, apontando para o enorme amassado na parede, e a poltrona caída no chão.

— Sua refeição chegou. – recusou-se a responder.

Ela olhou para a mesa. Talvez aquela fosse a maior refeição que comeria na vida. Sentou e, sem pensar duas vezes, comeu.

Ela já dormia novamente. Um droid enfermeiro havia ido até lá refazer seu curativo e um médico havia ido lhe medicar para a dor. Dessa vez, pediu mais cobertores para ela. Com a poltrona de volta em seu lugar, estava sentado observando-a, quando olhou para si mesmo e lembrou do que ela disse. Precisava tirar seu uniforme.

Foi até o banheiro e se trocou, colocando uma camiseta e uma calça.

Voltou para seu posto de vigia, posto que, por sinal, ninguém havia lhe designado, ele mesmo decidiu que seria assim.

Mesmo com as luzes apagadas, conseguia ver seu peito subindo e descendo com a respiração. De vez em quando sua expressão indicava um pouco de dor, mas ajeitava-se e tudo voltava a ser paz. Era estranho, mas observá-la o relaxava. Apesar disso, não sentia sono.

Apoiava a cabeça com sua mão, e não conseguia pensar em nada além dela. Não sabia o que fazer, pois tinha consciência de que uma hora ela teria de partir. Não queria que ela fosse embora, queria mantê-la ali para sempre, mas sabia que ela não ficaria ao seu lado enquanto o seu lado fosse o negro.

Suspirou.

Estava cansado desse conflito dentro de si.

Então tudo ficou escuro.

Estava ajoelhado, como da última vez.

Aquela figura imponente continuava a lhe olhar. Ainda sentia-se intimidado.

Dessa vez, o local estava levemente mais claro, permitindo que observasse melhor aquele à sua frente.

— Levante-se... – ele disse, estendendo-lhe a mão.

Assim o fez.

Conseguia olhá-lo face a face. Todas as histórias, tudo que ouviu sobre ele eram realmente verdade. Sentia um grande poder emanando dele, e seu olhar transparecia isso.

— Nunca pensei que fosse ter a honra de sua presença na minha vida, Lord Vader. – sua voz era falha, ainda estava surpreso.

— Anakin.

— Ana..kin?

— Anakin Skywalker.

Calou-se. Ridiculamente, sentia a mesma coisa que sentia quando era criança, aprontava, e seus pais descobriam.

— Você tem muito de Darth Vader em você, menino...

Olhou-o maravilhado.

— Mas você tem muito do que ele não teve. – aproximou-se do garoto, olhando-o nos olhos. – Você tem escolhas, tem chances. Tem pessoas que querem o seu bem, que torcem por você. Você tem para onde voltar. Você ainda pode se redimir.

Franziu as sobrancelhas. Ser comparado com Darth Vader era uma das coisas que mais almejava, mas não dessa forma.

— Você também tem a marra do seu pai. – disse, soltando um riso. – Nunca gostei muito dele. – colocou a mão em seu ombro. – E... Você tem o olhar da sua mãe. Um olhar teimoso, mas com um brilho de esperança. Um olhar rebelde.

Um arrepio correu-lhe a espinha. Não entendia aonde ele queria chegar.

Olharam-se por um tempo.

— O que você quer..?

— Já disse. Quero que pare de fingir que nada acontece ai dentro. – apontou para seu peito. – Eu quero que você aceite seu destino, Ben Solo.

— Meu destino é ser o Líder Supremo da Primeira Ordem.

— Não. Esse poderia ser o destino de Kylo Ren, mas não o seu.

— O que?!

Com calma e gentileza, colocou suas mãos no ombro do rapaz e o virou, fazendo-o encarar um espelho negro.

— Você sabe melhor que todos que só existe ainda conflito em você porque Kylo Ren luta para não morrer. Não fora ele que matou Snoke, assim como não é ele que está aqui agora. Inevitavelmente você vai cumprir seu destino, Solo. Só quero te mostrar que isso pode ser feito sem sofrimento.

— Você não me conhece, não sabe o que diz. – virou a cabeça para trás, olhando para seu avô.

Ele respondeu-lhe com um tapa em sua nuca.

— Não mandei você virar! – repreendeu-o. – Eu o conheço mais do que pensa. Você é igual a mim. – aquela voz pesava em seu peito. – Houve alguém que passou a vida procurando seu lugar no mundo, e o achou quando me estendeu a mão. Quando trouxe Anakin de volta. – a imagem de seu tio passou em sua mente. – Com você não é diferente. Assim como ela precisa de você, você precisa dela.

Dela.

A imagem de Rey apareceu não só em seus pensamentos, mas também no espelho à sua frente.

— Aceite seu destino, Ben.

Abriu os olhos. Estava de volta no quarto.

Lágrimas escorriam involuntariamente pelo seu rosto. Apoiou-o em suas mãos e pôs-se a chorar. Tantas incertezas e agora isso? Ele aparecera somente para dizer isso? Que deveria voltar para luz?

Olhou para Rey.

Ela era o caminho para a luz.

Sentia uma dor insuportável dentro de si, junto com a vontade enorme de gritar.

Mas não queria acordá-la.

Levantou calmamente e caminhou em direção à cama, parando ao lado da mesma.

O que você fez em mim, garota...? — pensou, enquanto mais lágrimas corriam por seu rosto.

Sentou no chão, encostando suas costas na armação de metal. Não havia nenhum barulho, nem mesmo dentro de sua mente. Só conseguia chorar enquanto olhava o espaço pela janela.

Uma mão tocou seu ombro.

Virou-se para trás.

Ela estava acordada, olhando-o, com a mão estendida.

— Ele..?

Estava falando da aparição.

— Não era Luke.. – passou a olhá-la nos olhos. – Era...

— Eu sei. – esboçou um leve sorriso. – Luke me disse.

Escondeu seu rosto, apoiando-o na cama. Não queria que ela o visse chorar. Se sentia extremamente fraco e indefeso.

— Ben.. – aquele chamado. Era sempre igual, mas sempre o arrepiava.

Levantou o olhar vagarosamente, envergonhado. Ela continuava com a mão estendida em sua direção, e mexia os dedos, fazendo sinal para que lhe desse a dele.

Lentamente, direcionou sua mão até a dela. Não tiravam os olhos um do outro. Quando se tocaram, viu algo. Viu o mar, viu o pôr-do-sol. O vento batia contra sua face, bagunçando seu cabelo. Havia algo em sua mão.

Olhou-a, desolado. Ela somente o olhava de volta, sem expressar nenhuma reação.

— Como...? – ele perguntou.

Como resposta, ela segurou sua mão.

Ele voltou seu olhar para suas mãos. O toque dela era macio, quente e carinhoso. Segurou de volta, e deitou sua cabeça sobre o colchão. Fechou os olhos e tentou dormir, sentindo aquela paz que seu toque lhe transmitia.

— Demorei até ver isso... – sua voz era calma — ...me parecia absurdo de início, mas a Força me mostrou que não, que era o certo. Você não cederia. Não era você quem cederia. Você sabe disso, e sabe melhor que todos nós, um bando de jedis. Velhos, mas jedis. – riu. – Queria ter te conhecido antes, criança. Você é a paz de que precisávamos, de que a galáxia precisava.. De que eu precisava.

— Mas eu sou só uma catadora de lixo...

— Não. Você é mais do que isso. – pôs as mãos sobre seus ombros. – Você é uma Jedi, assim como eu, e meu pai antes de mim.

Havia uma mistura de coragem e apreensão no brilho de seu olhar.

— E se eu falhar? Luke, me ajude. Por favor...

— Você sabe o que deve fazer, criança... Siga a força. Ela é forte em você, assim como seu amor. – sua voz e seu olhar lhe transmitiam muita confiança. – E, caso sirva de consolo, eu estou sempre te observando. – deu uma piscadinha.

Ambos riram. Num impulso, ela o abraçou.

— Mestre Luke.. Obrigada.

— Que a Força esteja com você, Rey.

Sabia que, aonde quer que Luke estivesse, era disso que ele estava falando.

Assim como as demais vezes, viu luz ao tocá-lo.

Mas agora fora diferente.

Ele vira também.

Sorriu.

Eu amo você, Ben Solo.

Notas finais
Eu comecei a escrever esse capitulo num dia. Parei. Larguei mão, estava meio desmotivada. Voltei hoje, pensei um pouco, sentei e escrevi. Cara, as vezes eu me surpreendo comigo mesma. @-@ O que acharam? . . . . . . . . . . . . . . . ps: sobre a parte que a Rey sai e pergunta sobre a poltrona: https://www.youtube.com/watch?v=gJ3mGQAFS6I (coloquem em 3:03) (eu amo esse meme)