Notas iniciais
FELIZ ANO NOVO AEEEEEE ps: se o outro capitulo foi curto esse entao.... @-@

Sua mente estava embaralhada, rodando. Parecia que havia tomado uma pancada, mas aos poucos tomou consciência de que não era isso.

Tentou se lembrar, meio confusa, do que havia acontecido a ela. Uma dor intensa, sangue... Depois gritos, mais gritos, um lugar escuro com mais gente gritando, e finalmente silêncio, mas uma luz enorme foi direcionada para seu rosto e então apagou. Essas eram suas últimas memórias.

Concentrou-se no presente, já que sua mente finalmente parava de girar. Começou a tatear ao seu redor, e percebeu que estava em uma cama. Os lençóis eram macios, e havia um cobertor dentre eles. Levantou-se lentamente, sentando, quando sentiu uma pontada abaixo das costelas. Olhou sua roupa: continuava manchada de sangue, mas havia algo mais embaixo delas. Tateou de leve, e descobriu um curativo. Lembrara: tomou um tiro.

Já estava melhor, e conseguia manter seus olhos abertos. Esfregou-os para espantar o sono, e observou ao seu redor: tudo ao seu redor era metal, e pela janela conseguia ver as estrelas e planetas passando. Havia uma mesa, um criado-mudo à sua direita, junto à cama, uma porta aberta que dava passagem a um banheiro e uma outra porta maior, que provavelmente seria o acesso ao quarto. Não conseguia reconhecer aonde estava, apesar de não ter estado em muitos lugares nessa vida. Olhou mais um pouco, e sua visão fez seu corpo arrepiar: à sua esquerda, próxima à porta principal, havia uma poltrona, e Kylo Ren estava ocupando-a, encolhido, dormindo.

Assimilou tudo: estava na nave da Primeira Ordem.

Merda. — foi a primeira coisa que pensou.

Ele foi a segunda.

Era estranha a sensação de estar aonde ele estava, mas dessa vez não pela força, mas sim fisicamente. Uma sensação de medo e apreensão tomava conta de si, mas era estranhamente boa. Seu olhar se fixou nele, que aparentava dormir calmamente.

Decidiu levantar e ir até ele.

Calmamente, tirou os lençóis de cima de si e tornou seus pés em direção ao chão. Não sabia aonde estavam seus sapatos, e ao tocar com os pés descalços naquelas placas de metal gélidas, seu corpo arrepiou-se de frio. No primeiro impulso para levantar, seu ferimento forçou-a a cair sentada novamente na cama. A dor era intensa. Na segunda tentativa, foi com mais calma, demorando até conseguir finalmente se manter de pé. Passo após passo, caminhou lentamente em direção à poltrona, com os braços cruzados tentando se aquecer. Ao aproximar-se, notou que ele não dormia tão calmamente como achara: seu rosto estava fechado, e suas sobrancelhas franzidas. Em seus braços encontrava-se seu sabre-de-luz.

Precisava acordá-lo com calma.

— Ben... – chamou, quase sussurrando.

Chacoalhou seu ombro com sutileza, mas ele dormia pesado.

Uma imagem lhe passou pela mente: ela estava em seus braços, e ele gritava.

Os tiros dos canhões.

Tornou-se óbvio a razão de um sono tão profundo.

Colocou uma de suas mãos naquele rosto sério. Ele estava confortavelmente quente, e uma onda de prazer percorreu-a ao tocá-lo.

A diferença de temperatura entre ambos também surtiu efeito nele, que bufou e mexeu a cabeça, tentando tirar aquele frio de si.

Com a mão ainda em seu rosto, deslizou seu polegar por sua bochecha, em um carinho tímido, que a fez corar e sentir-se meio idiota. Aos poucos, aquelas sobrancelhas expressivas foram relaxando, e sua respiração tornara-se menos intensa. Ela não pode evitar soltar um tímido sorriso ao vê-lo tão indefeso e quase puro, já que mantinha uma arma junto a si.

Resolveu tentar mais uma vez. Tirou a mão de seu rosto, e tentou agachar lentamente, para ficar face a face com ele, e chamá-lo. Sentia a dor latejando, mas conseguiu.

— Ben... – apoiava-se com as mãos no braço da poltrona. Não obteve resposta.

Desistiu. Decidiu que voltaria para a cama.

Na hora de levantar, desequilibrou-se e acabou caindo sentada no chão, soltando um grito de dor.

Foi então que viu aquela figura antes adormecida abrir os olhos, assustado, e pôr-se de pé em uma fração de segundo, pegando seu sabre-de-luz e colocando-o a postos para ser ligado. Estava alerta.

Olhou para o lado.

— Rey. – ela o olhava meio assustada com a maneira que este havia acordado. – O que aconteceu?

— Eu tentei te acordar... e caí. – soava ridículo quando dito assim.

Aliviado, baixou a guarda e colocou seu sabre-de-luz em seu cinto.

— Deixa eu te ajudar... – disse, enquanto agachava, passando um dos braços da garota em torno do seu pescoço, ajudando-a a se levantar. – Deuses, Rey, você parece uma pedra de gelo.

— O chão está gelado, e não achei meus sapa.. – antes que pudesse terminar a frase, ele pegou-a nos braços. A falta de jeito fez seu ferimento doer, e ela soltou um grito. – Ai, isso dói!

— Perdão.

Ficou parado com ela em seus braços, olhando-a. Não sabia o que dizer, e soube menos ainda quando viu-a corar e sentiu-se corando também.

Estava ficando estranhamente constrangedor.

— Ah, a cama. – disse, tomando alguma atitude.

Caminhou até a cama, e colocou-a nela. Começou a puxar os lençóis e o cobertor para cobri-la, sendo interrompido.

— Eu sei me cobrir, pode deixar.

— Ah.

Ele deu um passo para longe da cama, vendo-a enrolar o cobertor em torno de si mesma e cruzar as pernas, para se aquecer por inteiro. Nesse momento pensou consigo mesmo, pela primeira vez, no quão delicada ela era.

— Onde eu estou..? – ela voltou seu olhar para o dele.

— No destroier da Primeira Ordem.

— Isso eu já notei. Eu quero saber que cômodo é esse.

Ele corou. Ela o olhou meio desconfiada, fazendo corar mais ainda.

— Você está nos meus aposentos. – disse rapidamente.

Rey arregalou os olhos e corou.

— Eu não podia deixá-la na enfermaria, com soldados indo e vindo, com olhares estranhos e mal-encarados. – parecia uma metralhadora de palavras.

Viu-a virar o rosto para frente. Estava a pensar nos seus amigos, especialmente em Finn, e na loucura que estava a sua vida. Ela colocou as mãos no rosto e soltou um suspiro abafado.

Sentou-se na beira da cama, próximo a ela.

— Por que me trouxe para cá..? – ela indagou, tirando as mãos do rosto e olhando-o nos olhos.

— Eu não podia te largar no meio do deserto, ferida. – sentia-se intimidado por aquele olhar.

— E por que não deixou que meus amigos me levassem? – isso nunca fora uma opção.

Abaixou a cabeça.

— Responda.

— Não queria ver você ir, ficar sem notícias suas... – sua voz era baixa e sem graça. – Não queria você longe de mim, não queria... – estava mais admitindo para si mesmo do que respondendo a ela.

Sentia-se egoísta depois de analisar as circunstâncias, mas sabia que precisava mais dela do que eles. Fodam-se eles.

— Às vezes não consigo te entender, Ben...

— Nem eu...

Ficou surpresa com a resposta. Abaixou seu olhar e passou a encarar a luva preta que ele vestia.

— Se aqui são seus aposentos... – estava claramente tentando descontrair — ...Você sempre dorme de uniforme, Ben Solo? – o tom de sua voz era provocativo.

— Hã, o que..? – ficou meio desnorteado com a pergunta, enquanto ela ria de sua expressão. – Ah, não.

— Ah, pensei que sim! – a risada dela era tão gostosa de se ouvir. – É estranho imaginar o tão imponente Kylo Ren em pijamas! – estava a caçoar dele, que idiota!

— Eu não tenho pijamas! – ele disse, meio jocoso.

— Então dorme como? – ela encarou-o com um sorriso nos lábios.

Não respondeu, apenas permaneceu olhando-a.

— Ah... – ela disse, desviando o olhar, constrangida – Isso explica... É...

Os dois estavam com vergonha. Um silêncio extremamente constrangedor tomou conta, e nenhum dos dois sabia o que fazer.

Começou a reparar nela. Começou olhando sua mão, apoiada na cama. Era tão pequena em comparação com a sua, mas já tinha suas feridas da vida de catadora de lixo. Foi subindo o olhar, vendo aquelas faixas surradas que estavam atadas a seus braços, deixando somente a região próxima aos ombros à vista. Aquela pele. Sentiu-se tentado a tocá-la, sentir seu cheiro de perto. Aproximou-se lentamente, fechando os olhos e permitindo que aquela sensação lhe tomasse por inteiro. Percebera quando ela virou seu rosto para ele. Lentamente, como se fosse a mais delicada jóia da galáxia, tocou seu ombro, agora nem tão frio, com os lábios, depositando ali um beijo. Sentiu-a arrepiar. Permitiu que seu olhar encontrasse o dela por um breve intervalo de tempo, pois logo em seguida o direcionou para seus lábios. Conseguia ver neles o que a vida em Jakku lhe fizera: estavam ressecados, mas continuavam rosados. Seu corpo pedia por eles, por mais que sua mente gritasse para que parasse de seguir seus impulsos. Sentia o conflito em seu peito, mas com ela ali, conseguia ignorá-lo. Aos poucos, inclinou-se para frente, deixando ambos os rostos quase colados de tão próximos. Seu corpo vibrava como nunca antes sentira. Era aquilo mesmo que ele queria?

Timidamente, deixou que seus lábios tocassem o canto daquela boca que ansiava. Fechou os olhos, intensificando o que sentia. Também sentiu quando ela tocou sua mão, por cima da luva. Estavam ofegantes.

E como um trovão em uma campina calma, um som estrondoso cortou o silêncio intenso que havia se formado.

Era alguém à porta.

Sua expressão de excitação e ansiedade tornou-se irada.

Levantou da cama num movimento súbito, indo até a porta enquanto praguejava.

— O que foi? – cuspiu as palavras no soldado que estava do lado de fora.

— General Hux pede sua presença na sala de comando.

— Está bem. – mal terminada a sua frase, e já havia fechado a porta.

Recostou sua cabeça no metal da porta. Sentia seu coração pular no peito, acelerado. Seu corpo tremia e sua mente estava inquieta, gritando para que se afastasse dela, mas também para que ficasse em sua presença, sentisse seu perfume, sua pele, o gosto da sua boca. Ah, aquela boca...

— Ben...? – ela chamou.

Socou a porta, voltando a si.

— Eu... vou ver o que eles querem. – disse, saindo pela porta sem nem olhar para trás, fechando-a.

O som da porta batendo fez seu coração dar um pulo. Deixá-la nunca pareceu tão doloroso.

Estava sozinha. Sem saber o que fazer, deitou-se novamente, ainda enrolada no cobertor, e ficou encarando a janela. Tantas estrelas, tantos planetas... Desde que se entendia por gente, Jakku era tudo que conhecia. Aquela areia quente e as noites frias. Tantas naves que viu por lá, tantas peças que recolheu. E de repente, como num piscar de olhos, estava na nave da maior ditadura da galáxia, passando por tantos outros lugares. Conhecendo a neve, a chuva, o sal, a terra, as montanhas, as árvores, o mar... O mar fora seu favorito. Havia conhecido tantas pessoas novas, tantos amigos. Leia, Poe, BB-8, Finn... Ah, Finn. Como estaria ele agora? Será que estaria pensando nela? Será que estava ele e os outros sentindo sua falta? Será que voltariam para buscá-la?

Lembrou da fala de Poe. Se ele prometera, é óbvio que cumpriria.

Mas era arriscado demais. Já estavam em número muito reduzido, invadir uma frota da Primeira Ordem para tirá-la de lá era suicídio.

Lágrimas rolaram pelo seu rosto.

Tinha medo de prejudicá-los ainda mais. Precisava tentar sair de lá por conta própria. Precisava fugir. Só não sabia quando nem como, já que estava ferida, e qualquer um que a visse perambulando pela nave certamente tentaria acertá-la.

Seu pensamento travou em Ben.

Como reagiria ele ao vê-la mais ferida ainda em uma tentativa fracassada de fuga, ou como a veria indo embora em uma tentativa bem sucedida?

Sentiu tristeza. Algo dentro de si não queria deixá-lo. Algo dentro de si também o queria perto. Nunca quis tanto algo. Queria libertá-lo dessas correntes, desses sentimentos imundos que o prendiam àquele lugar horrível. Nunca havia tido um lugar para chamar de seu, mas mesmo assim se imaginava em um, e ele estava com ela. Abraçando-a, confortando-a. Unidos. Queria fazer sumir Kylo Ren, queria levar Ben Solo para casa, de mãos dadas, e ver sua mãe correr para abraçá-lo, e talvez abraçá-la também. Nunca soube o que era um abraço de mãe, mas sempre acreditou ser algo maravilhoso.

Queria andar com ele de mãos dadas. Queria pedir para que ele a levasse para ver o mar. Será que Ben já havia visto o mar? Óbvio que já, que pergunta.

Queria abraçá-lo forte e espremer a maldade para fora dele. Aos poucos, via isso acontecer. Via Ben Solo surgir, em grandes atos, como segurar tiros de canhões no ar com a força, salvando a resistência do extermínio, e em pequeninos, como quando a olhava, a tocava...

Não podia desistir dele. Não agora.

Ajeitou-se na cama, encolhendo-se mais um pouco.

Outra coisa que nunca viu em Jakku eram casais. O romance. Sempre quis conhecer como era, além das histórias infantis que algumas crianças lhe contavam, dizendo que ouviram de suas mães ou leram em livros. Imaginava saindo para jantar com um homem ao seu lado, vendo concertos de música, ou andando pelas ruas, iluminados pela lua.

Olhou para suas mãos, e uniu-as, entrelaçando seus dedos.

Queria que esse homem fosse Ben.

Seu coração pulou ao pensar isso.

Voltou a olhar para a janela.

Talvez fosse isso o amor... Essa coisa sufocante que te faz querer a pessoa ali, querer vê-la feliz, sorrindo. Que te faz nunca desistir...

Eu.. amo..? – perguntou a si mesma.

Seu choro se intensificou, e começou a soluçar.

Mas que idiotice, era óbvio que sim!

Rey, não se pensa tanto assim em desconhecidos a não ser que se tenha um bom motivo. Não enfrenta-se tudo e todos, arrisca-se para fazer o bem a um completo estranho a não ser que se tenha um ótimo motivo.

E não se deseja tanto alguém se não tiver um motivo pelo qual valha a pena desejar tanto assim.

O amor era um motivo perfeito.

Logo sua mente tornou-se calma e silenciosa, permitindo que o sono lhe dominasse.

Notas finais
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA FEEEEEEEEELLSSSSSSSSSS (┛◉Д◉)┛彡┻━┻