Notas iniciais
estou louca pra saber a opinião de vocês. boa leitura :3

Ele não conseguia tirar os olhos dela.

Soldados passavam ao seu redor, em direção ao campo de batalha. Em suas trincheiras, os rebeldes atiravam, tentando fazer recuar a massa de stormtroopers que se aproximava. No céu, as naves travavam suas próprias batalhas. Algumas já haviam sido abatidas, dos dois lados. Um barulho ensurdecedor tomava conta do, antes tão calmo, deserto.

Mas mesmo assim ele continuava ali.

Ela o encarava de longe. Seu corpo tremia, e sua mente estava em choque.

— Vamos, Rey! Atira! – Finn gritava ao seu lado, descarregando sua arma nos ex-companheiros.

Ao ouvir seu amigo, olhou para sua arma. Estava apontada para a areia a sua frente. Não sabia o que fazer. Queria atirar, queria defender a Resistência junto com seus amigos, mas algo dentro de si queria convencê-la a sair correndo para o meio daquele caos e implorar a ele para que cessasse o ataque.

Sabia que ele não o faria.

— Rey, o que ta acontecendo com você?! – Finn gritou mais uma vez.

— E-Eu não sei!

— Então atira!!

Num impulso, apertou o gatilho: Um stormtrooper caiu a sua frente.

Aquele pequeno choque havia tirado sua mente do transe em que aquela presença negra e imponente provocara em si.

Começou a atirar.

Logo, seu corpo começou a entrar no frenesi da batalha. Atirava com a mesma vontade de todos ali ao seu redor, de defender a sua liberdade e a de todos. Esqueceu-se da presença de Kylo Ren por alguns instantes, concentrando-se apenas em atirar.

Ele a olhava do alto da duna. Aos poucos, seus soldados iam caindo, um a um no chão. Além de novos aliados, a Resistência havia adquirido novas armas, enquanto a Primeira Ordem só se preocupou em estar na cola dos rebeldes. Suas naves aos poucos recuavam, e as tropas a caminho diminuíram.

Mas Hux não mandaria toda sua frota recuar dessa maneira.

Olhou para trás.

Canhões estavam sendo posicionados, apontados para a Millenium Falcon e para as trincheiras.

Para Rey.

Não... — sabia que ela não sobreviveria a um ataque dessa escala.

Começou a correr em direção a ela, gritando:

— REY!! REY!! – ela não o ouvia.

A areia era escorregadia, então tomava a cautela necessária para não cair, mas ia o mais rápido que podia. Seu olhar estava preso a ela, precisava urgente chegar até ela. Seu corpo pulsava, clamava por sua presença. Não conseguia mais conter esse sentimento. Ligou seu sabre-de-luz para contra-golpear alguns tiros que vinham em sua direção. Devido a quantidade de corpos ricocheteando o chão, uma enorme nuvem de areia havia se levantado, então parou onde estava e colocou a mão sobre os olhos: não conseguia enxergar nada.

— REY! – gritou com todo o ar de seus pulmões.

Ela voltou a olhá-lo. Assustou-se ao perceber o quão perto estava, e lágrimas transbordaram de seus olhos.

— Mas o que..?! – exclamou Finn, ao seu lado. Olhou sua amiga, que chorava ao seu lado – Rey, o que está acontecendo?!

Da porta da Millenium Falcon, que já estava iniciando os preparativos para decolagem, General Organa observava a cena.

— Poe, recuem. – disse pelo comunicador.

Mas, General...

— Pare de retrucar minhas ordens e me obedeça! Tem canhões sendo posicionados a noroeste da nossa posição atual! Recue!

Tudo bem... Iniciando manobra de recuo.

— A General ordenou que recuemos e voltemos para nossas naves! Vamos, pessoal! – disse um dos atiradores rebeldes.

Todos começaram a tirar suas armas de posição e correr das trincheiras.

— Vamos, Rey, levanta! Aqueles filhos da puta posicionaram canhões para nossas cabeças, vamos embora! – Finn gritava chacoalhando a amiga.

Ela o olhou, com o rosto todo coberto pelas lágrimas.

— Me perdoe, Finn...

— O que?

Largando sua arma para trás e cobrindo o rosto com o cachecol que trajava, saiu da trincheira, correndo em direção àquele que seu coração gritava o nome.

— BEN! – ela urrou – PARE OS CANHÕES!

— REY! – ao vê-la correndo para si, aumentou suas passadas em direção a ela.

Em questão de segundos, já estavam um a frente do outro, encarando-se:

— Por favor, Bem! Pare os canhões! Não vamos conseguir recuar! Temos muitas armas e homens para embarcar!

— Eu não estou no controle! Dei autonomia a Hux! – ele gritou, mal conseguindo vê-la pela quantidade de areia no ar – Céus, é tão bom te ver...

— O QUE?! Mas nós todos vamos morrer!! – ela gritou – Precisamos tirar todos daqui!

— Venha comigo! Eu te salvo! – seus olhos vibravam de tê-la ali.

— Por favor, Ben, não faça isso!

— Pare de resistir, Rey! Eles vão morrer de qualquer jeito!

— Eu não vou desistir deles! – ela disse, estendendo suas mãos às dele, unindo-as. – Assim como não vou desistir de você! Eu te imploro! Me ajude, por favor!

Aquele toque.

Tudo ficou preto novamente.

Não havia mais areia, não havia mais batalha.

Estava naquele lugar novamente.

Olhou para frente. Lá estava ele, exatamente igual da ultima vez. Continuava caminhando em sua direção, firme. Seu sabre ofuscava qualquer outra luz que pudesse existir ali, inclusive a daquele misterioso objeto.

Levantou-se, e pôs-se em posição de batalha, acendendo seu sabre-de-luz. Sua espinha se arrepiou exatamente igual da ultima vez: ainda tinha medo. Mas dessa vez não o deixaria dominá-lo. Iria lutar. Iria lutar até entender o que Skywalker queria com tudo aquilo.

Começou a se aproximar lentamente de seu oponente. Seus sentimentos estavam confusos ainda. A pouco estava com Rey, no meio daquele deserto caótico, e agora estava em uma sala negra como sua alma, feita de vidro, com aquele que já fora seu mestre vindo em sua direção, armado.

Foi então que algo mudou tudo.

Uma cena piscou em sua mente.

Era Rey, abraçando Skywalker.

“-Você sabe o que deve fazer, criança... Siga a força.”

Aquela voz definitivamente era de Luke. Mas ele não estava armado.

Olhou para frente.

Então quem era aquele à sua frente?!

Lentamente começou a recuar. Não era simplesmente medo que o corroía: Era pânico. Uma figura totalmente desconhecida estava à sua frente agora. Um Skywalker que desconhecia, diferente do Skywalker que estava com Rey.

E como se percebesse seu turbilhão de sentimentos, uma voz ecoou feito trovão:

— Você está certo de ter medo de mim.

Olhou para frente.

— O que voc..

— Você é fraco. – o poder daquela voz lhe fazia sentir-se uma formiga. – Você sabe o que é certo a se fazer, e ainda hesita. Ainda se dá ao luxo de negar-se a verdade. – Estavam poucos passos um do outro – Fraco.

Fraco.

Aquela palavra parecia uma faca em seus pulmões.

— O QUE VOCÊ QUER DE MIM?! – sua voz era estridente, mas era mero sussurro comparado à grandeza daquela que ouvia.

Estava a dois passos de distância daquele garoto assustado.

— Eu quero que você volte para onde nunca deveria ter saído.

Sua mente assimilou tudo.

Então aquele objeto brilhante era isso.

A luz.

Tremia feito um cão covarde, mas não conseguiu segurar sua risada.

— O que tem de tão engraçado nisso?

— É muita petulância sua vir me atormentar para voltar para o seu lado, Luke.. Ainda mais depois de tentar me matar. – ergueu seu olhar para ele. Conseguia vê-lo melhor àquela distancia: Trajava as costumeiras roupas de jedi, e vestia um capuz. – Você criou Kylo Ren, Luke. Quem você pensa que é para vir a essa altura do campeonato me dizer o que fazer?!

Ele desligou seu sabre, deixando-o cair no chão.

Lentamente, direcionou suas mãos para seu capuz.

Jogou-o para trás.

— Insolente! – gritou Kylo Ren, aproveitando a oportunidade para atacar.

Apontou seu sabre de luz diretamente para a face de seu oponente.

Sentiu uma corrente elétrica percorrer todo o seu corpo.

Suas pupilas contraíram.

Começou a suar frio, e sentiu quando seu rosto perdeu o vermelho furioso, tornando-se assustadoramente pálido.

Aquele era Skywalker.

Mas não o Skywalker que conhecera.

Aquele não era Luke.

Já haviam-no descrito antes, e também o reconhecera das várias pinturas e fotografias que vira: aquele cabelo loiro, aqueles olhos claros, aquela cicatriz.

— Eu sou seu avô, garoto arrogante.

Como se seu corpo lhe obriga-se a ter respeito, caiu de joelhos.

Notas finais
(┛◉3◉)┛彡┻━┻