Notas iniciais
Boa leitura :3

— Bom dia, Líder Supremo. – a voz de Hux estava tremula.

Seu olhar era claro: Bom dia para quem?

— Temos.. Assuntos pendentes, senhor. – Hux se mantinha em posição, mas o medo estava estampado em seu olhar. Sempre fora um covarde.

Obteve como resposta um olhar, dando consentimento para falar, enquanto se dirigiam à sala de comando.

— Os.. Os rebeldes fugiram senhor. E não temos mais pistas deles. O que faremos em seguida?

— Procure-os, inútil.

— M-mas.. Eles podem estar em qualquer lugar da galá- sua fala fora interrompida por um sufocamento repentino.

— Então seria bom você começar logo. – Kylo Ren dizia, enquanto apertava seu pescoço de longe – Pelo seu próprio bem.

Largou Hux, e seguiu para seus aposentos. Hux imediatamente começou a dar ordens a seus subordinados.

Enquanto atravessava o enorme corredor, pensava no que poderia ser feito para chegar até os rebeldes, se poderia tentar usar a força para tal feito, mas cada vez que tentava, a sucateira vinha em sua mente e ele se desconcentrava. Passou o dia todo fazendo isso, enquanto gritava com uns e em momentos de impaciência socava as paredes. Chegou o fim do dia, e não havia feito nada de produtivo.

Novamente, após uma refeição e um banho, dirigiu-se para a cama. Deitou-se, fechou os olhos e tentou simplesmente não pensar em nada, o que é claramente impossível visto os últimos acontecimentos. Ficou olhando para a parede, e respirando fundo. Algo estava faltando ali, algo havia sumido. Uma lágrima solitária escorreu sobre seu rosto, enquanto sua memória fazia questão de lhe lembrar:

— Você não está sozinha.

Lembrou da vontade que tinha de dar-lhe a mão e trazê-la para seu lado naquele momento. Fazê-la esquecer todos aqueles pesadelos e conflitos internos com o que quer que fosse. Limpar suas lágrimas e buscar em seu olhar aquele poder, aquela fúria que tanto lhe chamam a atenção. Mais lágrimas rolaram.

Percebeu que sua improdutividade e aquele peso horrível em seu peito eram culpa dela. A imagem de seu olhar e sua voz repetidamente em sua mente não o deixavam trabalhar. Por mais estranho que isso possa parecer, até distante Rey atrapalhava os planos da Primeira Ordem de achar os rebeldes. Estava tão frustrado que até poderia deixar isso de lado.

Mas achar os rebeldes significava achar Rey.

E isso era bom.

Mas atacar os rebeldes significava atacar Rey.

Isso.. não parecia tão bom.

Confuso, ofegante, porém exausto de pensar e remoer sentimentos, o príncipe do lado negro dormiu.

— Ben...

— Não me chame assim.

— Mas é seu nome. É quem você é.

— Não.

A mão dela em seu rosto lhe trazia conforto.

— Sim. E você sabe que sim. E eu também sei. Eu acredito em você, Ben.

Ela limpava as lágrimas que escorriam por suas bochechas. Tê-la ali era tão bom que poderia recolhê-la num abraço e ficar ali para sempre.

— Por que você veio até aqui?

— Porque eu acredito na sua luz.

Acordou assustado.

Apesar das sensações terem sido absurdamente reais, era só um sonho.

Olhou no relógio, e viu que ainda tinha algumas horas de sono. Virou para o lado e tentou voltar a dormir antes que seus pensamentos lhe atormentassem de novo.

— Me desculpe por tudo que fiz a você.

Ela olhava para baixo. Ele pôs a mão em seu queixo e o ergueu, direcionando aquele olhar para o seu.

— Me desculpe.

Os olhos dela estavam inundados.

— Se não pode me desculpar, me diga o que eu tenho que fazer para merecer seu perdão. Eu faço tudo, eu faço qualquer coisa, só me livre dessa dor imensa.

— Não sou eu quem deve lhe perdoar, e você sabe disso.

— Não me importa. É você que mantém isso dentro de mim.

Nessa altura, sua mão já apertava abruptamente aquele rosto delicado. Quando percebeu, soltou-a imediatamente e virou-se, envergonhado. De repente tudo ficou cinza.

Acordou novamente, mais assustado do que da primeira vez. Chacoalhou a cabeça forte como se isso fosse tirar aquelas imagens de sua mente. Esses sonhos haviam disparado o gatilho, e as imagens continuavam a rodar, deixando-o tonto e nervoso.

Monstro!

O líder supremo está morto!

— Todas as suas palavras estão erradas.

— Você tem compaixão por ela.

— Saia da minha mente!

— Eu não quero fazer isso agora.

— Me diga a verdade.

— Eu estou sozinha.

— Ben!

— Ben!

— BEN!

E num ápice de mágoa, ódio e ressentimento, soltou um urro de dor, levantou, pegou a cadeira atirada no chão e começou a golpear a porta, enquanto uma aglomeração começou a se formar próximo dali. A porta não aguentou os golpes e cedeu, cedendo espaço para que as paredes do corredor de fora fossem golpeadas enquanto mais gritos e golpes eram proferidos. Sua mente era um furacão e seu corpo não aguentava mais conter isso. Da cadeira só restara uma perna, que continuava sendo golpeada contra uma parede até que Kylo Ren jogou seu corpo com fúria contra a parede, perdendo o equilíbrio e caindo, atordoado, no chão.

Chamem um médico – alguém gritou.

Ele não conseguia distinguir as vozes e os vultos, até que uma em especial lhe chamou a atenção:

— Ben...?

Suas pupilas dilataram ao ouvir esse chamado.

— Rey?!

E foram essa suas últimas lembranças antes de tudo ficar escuro.