Notas iniciais
Esse ficou maior que os outros @-@ enfim, boa leitura :3

Abriu os olhos.

Estava no setor médico da nave. Enfermeiros passavam de um lado para o outro e stormtroopers permaneciam junto à porta. Tinha algo ligado a seu corpo, monitorando seus sinais vitais. Arrancou com fúria e jogou para longe.

— Senhor, o senhor acordou. Como o senhor está? – perguntou-lhe um dos enfermeiros. Fez questão de encará-lo por alguns segundos pela fala ridícula.

Sem nem responder, levantou-se e foi em direção a porta.

— Senhor, precisamos ter certeza de que está bem, não pode ir assim.

Kylo respondeu jogando o enfermeiro para longe de si, e foi embora.

Chegando na sala de comando, deu de cara com Hux.

— Líder supremo, como está? – sua voz era trêmula

— Depende do que você tem para me dizer. Encontrou algo sobre os rebeldes?

— Chegou até nós através de informantes que a Millenium Falcon foi vista próxima a atmosfera desse planeta. – um holograma se abriu, mostrando primeiramente um mapa, e depois um planeta específico – Poderíamos mandar tropas para verificar a informação e, então, se for verídica, atacar.

— Faça isso. E me mantenha informado. – Não havia raiva em sua voz, mas o clima de medo na sala de comando continuava presente.

Assim que Kylo Ren saiu da sala, pôde-se ouvir um suspiro de alguns que ali trabalhavam.

— V-vocês ouviram ele! Vamos, trabalhem! – Hux ainda estava desconfortável com a posição que facilmente Ren assumira, mas não era idiota de tentar confrontá-lo.

Alguns minutos após a ordem dada, olhou para a janela da nave e viu-a entrar no hiperespaço, dirigindo-se ao planeta citado para que fosse mais simples de se enviar tropas para verificação. Continuou andando como se nada tivesse acontecido.

O dia passou sem grandes acontecimentos. Kylo Ren conseguiu manter sua mente ocupada o suficiente para que a mesma não começasse a surtar e lhe deixar louco novamente. Verificou e observou testes de novas armas e andou pela nave. Próximo ao fim do dia, Hux veio lhe procurar:

— Líder Supremo, temos novas informações sobre o planeta. – ele prestava plena atenção nas falas daquele ruivo idiota. – Os rebeldes não estão por lá, mas estiveram, pois uma antiga base rebelde foi encontrada revirada e faltando equipamentos. Também foram encontradas marcas no solo que batem com as especificações da Millenium Falcon. Algo sugere que possam ter seguido para esses planetas em busca de ajuda e combustível. – Novamente, mostrou-lhe o mapa.

— Ótimo. Alguma previsão de chegada deles por lá?

— Pelos nossos cálculos, cerca de 6 horas. A Millenium Falcon não foi reabastecida, logo não teria combustível para manter uma tripulação toda a bordo e saltar ao hiperespaço.

— Interessante. – sua voz não tinha sentimentos – Conseguimos chegar até lá antes disso?

— Sim, senhor.

— Então o faça.

— Mas senhor, como eu disse, não temos certeza se realmente vão para lá.

— Então se vire para ter certeza. – agora sim sua voz tinha sentimento: raiva.

Saiu andando e largou o general sozinho no corredor, estático.

Entrou em seu quarto, estava sem fome. A porta quebrada mais cedo já havia sido reposta. Trancou-a. Dirigiu-se até uma poltrona, sentou, e começou a refletir, tentando traçar um plano contra a resistência em sua mente. Já haviam perdido uma chance de ouro, não poderiam perder outra.

Levantou-se e começou a andar pelo quarto, em círculos, inquieto. A incerteza das informações obtidas não ajudava. Sua raiva começou a aumentar. Tirou seu sabre do cinto e o ligou, arrastando-o pelo chão enquanto andava, deixando marcas de seu trajeto por todo ele. Cada segundo que se passava, sua raiva aumentava por não conseguir pensar em nada e se sentir impotente, e a força com que manipulava o sabre de luz aumentava, até o ponto que parou, ergueu-o e cortou uma mesa ao meio, furioso, desligando e jogando o sabre de luz em seguida contra a parede do lado oposto ao que estava.

Olhou para a arma caída. Teve uma ideia.

Parou no meio do quarto, com o corpo firme, quase cravado no chão. Fechou seus olhos, estendeu sua mão para frente, e tentou usar a força para localizar quem com certeza estaria com os rebeldes: Leia. Ele a sentira antes, e ela sentira o mesmo, sabia que era possível. Só precisaria entrar na mente dela e pegar sua localização.

Quem quer que o visse naquele momento, não desconfiaria do quão confusa sua mente estava nos últimos dias, pois sua concentração era nítida. Usou todo o seu poder para tentar achar seu alvo. As veias do seu rosto estavam saltadas de tanta fúria e concentração.

Até que algo deu errado.

Não era essa energia que costumava sentir quando sentia Leia.

Sua mente foi para o lugar errado.

A imagem que lhe surgiu era a última que deveria ver num momentos desse.

Ela.

Sua mente o levou até ela.

Estava sentada. Não sabia no que e nem aonde, mas estava sentada. Só via a ela. Mas ela não o via. Estava falando com alguém e rindo. Ela estava rindo. Ela estava sorrindo, estava feliz.

Sua expressão começou a mudar. Suas sobrancelhas se arquearam, seu corpo começou a tremer e começou a suar. Sua mente começou a ferver com aquela imagem e todos os sentimentos que ela trouxe junto de si. Não era isso que pedira, não era isso que queria.

E como se todo o universo conspirasse contra seu favor, o sorriso daquele rosto delicado sumiu por um instante, e ela virou seu olhar para frente, como se tivesse olhando para ele.

Ele não aguentou e urrou.

Quando abriu seus olhos, estava de volta em seu quarto. Sem Rey, sem Força, sem nada. Estava suado e trêmulo. Lentamente, direcionou sua mão para sua cabeça, como se quisesse mantê-la no lugar depois disso tudo, mas ela não parava de rodar. Começou a andar pelo quarto, desnorteado, trombando nas coisas e gritando:

— PARA COM ISSO! PARA! PARA!!!

Até que pegou seu sabre de luz jogado no chão e começou a golpear tudo que via pela frente. Cadeiras, os restos da mesa anteriormente cortada, parede, portas, tudo. Gritava, jogava sua fúria no sabre de luz porém quanto mais o fazia, mais aquela imagem se fixava em sua mente e mais enfurecido ele ficava e tudo foi virando um circulo vicioso até que alguém muito corajoso abriu a porta de seus aposentos:

— Líder Supremo? – era um dos subordinados de Hux.

— O QUE FOI?! – as palavras saíram feito fogo de sua garganta. Suas roupas estavam chamuscadas pelo manuseio do sabre de luz, e seu rosto vermelho como brasa. Seu olhar era de um predador prestes a cravar seus dentes em sua presa para o abate.

Da sala de comando, começaram-se a ouvir passos altos e pesados: Ele estava chegando.

Todos arrumaram suas posturas e não ousaram olhar para a porta assim que ele adentrou, com seu sabre ainda aceso, indo em direção a Hux:

— O que você quer, bastardo??!! – ele gritou, indo com a mão pronta para cravar no pescoço de Hux.

Hux colocou os braços em frente ao rosto, buscando proteger-se, enquanto cuspia as palavras antes que sua vida fosse retirada de seu corpo:

— Prendemos um simpatizante rebelde, Líder Supremo. E-está pronto para passar por interrogatório.

Kylo Ren encarou aquele cão medroso, enquanto o mesmo se encolhia recostado em um dos painéis da sala de comando, e então deixou o recinto para ir de encontro a seu prisioneiro. Hux caiu no chão, buscando todo o ar que seus pulmões perderam com o medo que a presença do príncipe negro impôs em si.

Enquanto isso, na minúscula sala, um homem estava preso numa cadeira e tremendo. Assim que Kylo Ren adentrou o cômodo, a intensidade dos tremores aumentaram, e ele começou a chorar.

— E-eu não sei de nada! Eu não tenho nada que vocês querem!

— Isso quem decide sou eu. – proferiu, se aproximando do homem e colocando sua mão próxima àquele rosto assustado e temeroso por sua vida.

Tinha medo ali. Muito medo. Tinha arrependimentos e uma completa certeza de sua sentença de morte. Havia alguns pequenos furtos. Nada útil.

O homem começou a gritar.

O estresse liberou portas dentro de sua mente, e Ren entrava em todas, arrombando e coletando o que havia dentro, até que chegou em uma que lhe interessava:

Vamos ter uma missão especial essa noite, rapazes. – A voz aparentava ser de seu patrão. – Recebi um pedido especial da General Organa para abastecer sua frota, então vamos ser rápidos e cautelosos.

Havia achado o que queria. Os rebeldes iriam para aquele planeta ridículo para abastecerem seus tanques. E.. Frotas? Pegaram naves na base anterior que haviam passado? De qualquer forma, seria o momento perfeito para um ataque ou uma armadilha. O homem já não era mais útil. Quando liberou sua força, o homem desmaiou.

É isso. Finalmente algo. — pensou, encarando aquele corpo desacordado na cadeira.

Quando ergueu seu olhar, teve uma surpresa.

Ela.

Ela estava ali.

Mas não a via, só sentia. Sua vontade era chamá-la, ter certeza de que ela realmente estava presente, mas haviam muitos soldados passando ao lado da sala. Não podia correr o risco de que ouvissem ele pronunciar seu nome. Num impulso, abriu a porta, proferiu palavras de ordem para que se livrassem do prisioneiro e correu para algum lugar vazio onde pudesse falar com ela. Havia uma sala, um antigo depósito, vazio naquela parte da nave. Correu até lá, entrou e trancou a porta. Estava escuro. Estava sem folego, e não sabia o que dizer. Sua presença era forte e impactante, impossível de não reconhecer.

— Você...

E antes que pudesse proferir alguma frase, aquele frenesi todo passou. Aquela presença sumiu. Ele estava sozinho novamente.

— Senhor, eu recomendaria esperarmos eles abastecerem e passar a rastrear as naves deles ao invés de só atacar. Poderíamos facilmente perde-los de vista novamente com simplesmente um ataque, sem reforços.

— Não importa, vamos atacar! – algo dentro de si gritava que precisava daquele ataque. Precisava entrar com seus sabre destruindo tudo e indo atrás de quem realmente importava.

Precisava desesperadamente dela.

A ordem estava dada. Voltou para seus aposentos para esperar o momento.

Entrou no chuveiro, e a água fria em sua cabeça o fazia chorar. Agora que todo o frenesi e ódio haviam passado, só restara a mágoa e a tristeza. Seu corpo doía após tantos golpes e urros durante o dia. Não sabia o que estava acontecendo. O conflito dentro de si crescia, e agora até mesmo ele conseguia sentir. Não podia haver referencia a ela que sua mente entrava em colapso e seu corpo perdia o controle. O ódio por ela crescia dentro de si, mas contraditoriamente seu corpo chamava por ela, clamava por sua presença, como uma droga.

Então sentiu algo novamente.

O mundo exterior não tinha mais som, não tinha mais importância.

Desligou o chuveiro, enxugou-se correndo e vestiu a primeira roupa que achou.

Quando abriu a porta que dividia o banheiro e o quarto, adentrando neste último, tomou um choque. Ela estava ali. Ela estava ali com tanta nitidez quanto sua cama ou si mesmo. Ela o olhou nos olhos, assustada.

— Ben... – sua voz era suave como uma brisa.

Ele caiu de joelhos e uma lágrima escapou ao ouvir seu nome pronunciados por aquela boca novamente.