Faça-me, Quero Ser Tua.
5 Olhar que me Consome
Notas iniciais
–Termine de arrumar a suíte. Depois, pode ir para suas devidas tarefas.
Sua voz ecoou, agora mais calma, mas mesmo assim em tom alto. Tremi por dentro caindo em realidade... Oh Céus.
Olhei ao redor de mim, e com todos os membros de meu corpo em estado de choque, corri até a cama, arrancando os lençóis amassados dela.
O cheiro daquele homem dispersaram-se no ar e tentei não imaginar coisas com seu cheiro em minha mente, mas meus pensamentos foram automaticamente levados para onde tudo aquilo teria ido se eu não o tivesse interrompido.
Minha mente nublou-se com a imagem dele sem camisa frente a mim. Sua respiração acelerada, sua voz forte e autoritária, seu cheiro que tomava todos os meus sentidos. Eu estava realmente enlouquecendo.
Voltando a minha realidade, Corri até a entrada da suíte e peguei lençóis limpos para a cama. Voltei a passos largos para frente o grande móvel, e logo, comecei a esticar as cansativas três camadas de lençóis. Fiz aquela tarefa o mais rápido que pude, tentando sair dali antes dele sair do chuveiro. Quando me dei conta, havia esquecido de pegar as fronhas. Droga! Corri até o carrinho onde estava o restante dos lençóis, e com uma enorme pressa, peguei as cinco fronhas. Encapei a primeira com a maior pressa do mundo, mas quando cheguei a segunda, o cessar de um pequeno som, fez meu coração pulsar em minha garganta. O chuveiro foi desligado.
Acelerei meu ritmo com as fronhas, e quando peguei o ultimo travesseiro, e abri a fronha, a porta se abriu, ecoando seu som pelo quarto imenso.
Meus Olhos em um instinto se ergueram e encontraram aquele homem tão estranho, -mas que me encantava tanto.- parado frente a mim apenas com um calça Jeans.
Oh Jesus, Maria, e José... Santo Cristo.
Minha boca abriu-se sem que eu percebesse, meus olhos correram pelo corpo dele como se tivessem vida própria. Eu não pude me conter.
Droga Paulina! Concentre-se!
Respirei fundo e voltei meu olhar para o que eu fazia. Vi, pelo canto do olho, quando ele entrou no closet, mas manteve a porta aberta. As luzes se acenderam, e o vi frente ao grande espelho, mirando-me. Desviei-me, tentando não mostrar a ele que o observava. Eu não conseguia me controlar próxima a ele. Parecia que uma nova mulher saia de mim, possuindo-me e me fazendo dele, fazendo com que eu queira ser a dona do amor dele.
Quando o vi abrir algumas gavetas, o mirei outra vez, cuidando para que ele não me visse. Apenas pelo reflexo do espelho, o vi de costas. Ele mexia no interior do guarda roupas. Pela sua imagem no vidro espelhado, o vi erguer os braços, e cada musculo de suas costas tencionaram com o movimento, ficando completamente definidos sobre sua pele. Em suas mãos a peça de roupa passou por cada um de seus braços, e logo encaixou o tecido a si. Ouvi ele fechar algumas gavetas, e assim, mirei para outra direção. Não queria morrer de vergonha dele outra vez.
Minhas mãos, um pouco trêmulas, colocaram a ultima fronha no travesseiro, e no mesmo instante ele saiu do closet. Meu olhar chocou-se com o dele, e vi senti outra vez aquele calor queimando-me por dentro.
Apressadamente, organizei os travesseiros sobre a cama. Escutei o som de vidro, e obriguei-me a olhar para o lado. Ele servia uma taça de licor. O mesmo que me fez beber algum tempo atrás.
Oh Deus, o que ele faria?
Vi, -já mirando-o de relance. – quando ele caminhou até a poltrona próxima as janelas e sentou-se ali. Senti seu olhar quente mirando cada centímetro de minha pele, e parecia queimar-me. Meu corpo ardia com seu olhar, corroía-me por dentro.
Quando olhei para o chão, não pude deixar de tremer. A Taça. Ainda tinha os estilhaços do objeto de cristal que ele jogou contra o vidro. Eu teria de ficar sob o olhar dele alguns minutos a mais. Caminhei até o carrinho de serviço próximo a porta, e senti seu olhar seguindo-me. Procurei por ele minhas luvas de limpeza, mas não as achei. Irritada com tudo o que já tinha acontecido, peguei a pá de lixo e um saco colorido para por os cacos da taça destruída.
Caminhei até o lado da poltrona onde ele estava sentado, e logo, ajoelhei-me ao seu lado, onde os cacos do cristal estavam. Ele mirava-me a todo segundo. Seu corpo ajeitou-se na poltrona, e o som do couro despertou estranhas sensações em meu interior. Levantei meus olhos e choquei-me com ele mirando-me. Seus olhos percorreram minhas mãos apoiadas aos joelhos e logo mirou fixo em meus lábios. Derreti por dentro quando ele olhou em meus olhos e levou o copo a boca. Desejei naquele instante provar o gosto daquele licor... mas agora nos lábios dele.
Minha boca secou, e pelo que vi no olhar dele, ele percebeu. Seu olhar mirou meus lábios outra vez, mas atordoada, e um pouco assustada com essa mulher que estava brotando em mim, mirei meu olhar ao chão para logo terminar meu serviço. Ele permaneceu mirando-me. Eu podia sentir.
Com todo o cuidado do mundo, juntei cada migalha daqueles cristais do chão. Minhas mãos estavam trêmulas como todo o restante de meu corpo. Tentei concentrar-me o máximo que pude, mas quando ele agitou o copo entre os dedos, ecoando o mísero som do gelo contra o copo, descuidei-me, e ali, meu grito ecoou no quarto.
–Ai! –gritei assustada quando senti o ardor do cristal cortar a lateral da minha mão. Que dor! Agarrei a mão com força tentando aliviar o ardor do corte.
O Belo homem deu um salto da poltrona e em míseros segundos ele já estava em minha frente. Com uma força do outro mundo, ele envolveu seu braço em minha cintura, e logo ergueu-me em seus braços. Meus braços ficaram presos entre nós dois, enquanto uma de minhas mãos pressionava a outra, tentando conter o sangue.
Ele, com uma presa, largou-me sobre o bar de madeira. Pouco me importei. Minha mão estava doendo muito, muito. Ele afastou-se de mim, alguns segundos parando ao meu lado. O vi abrir uma garrafa de vodca.
Não pude crer, ele ia beber e me deixar ali, sangrando? Bem, o que eu sou pra ele? Nada. Absolutamente nada. Ele não tinha a obrigação de fazer nada por mim.
Vi quando ele olhou para os lados, a procura de algo. Ele olhou inúmeras vezes, e parecia buscar algo. Rapidamente ele largou a garrafa sobre o bar, ao meu lado, e com passos longos e rápidos, caminhou até a cama. Com rapidez, vi ele agarrar um travesseiro da cama e arrancar a fronha com velocidade. Em poucos milésimos ele parou em minha frente, segurando firme em meu pulso, muito mais do que anteriormente, entre nossa.. nossa... entre aquilo que houve.
–Solte a mão... –pediu com a voz grossa e pesada.
Imediatamente, abri minha mão e destapei o corte. Nossa! Foi maior do que pensei! O sangue escorreu pela minha mão de uma maneira assustadora.
–Calma... –murmurou ele com a voz mais leve, vendo que eu tremia de uma maneira assustada.
–Está sangrando muito. –disse com meus olhos começando a marejar. Estava doendo muito. Muito.
Quando menos esperei, ele pressionou ainda mais forte meu pulso. Meus olhos se fecharam tanto pela dor do corte quanto pela sua mão me apertando.
–Quando sentir a mão latejar, avise-me. –Seu olhar não desviou de minha mãos, lavada em sangue. Vi algumas gotas de sangue percorrer meus dedos, e logo, pingaram no chão branquíssimo. Em poucos milésimos, senti como se minha mão tivesse três vezes mais tamanho.
–Está Latejando. –Avisei tentando não chorar.
Antes que eu pudesse dizer algo a mais, ele agarrou meu pulso com toda a força, e com a mão livre, pegou a garrafa de vodca. Quando me dei conta do que ele faria, já era muito tarde. O Liquido frio tocou minha mão e adentrou o corte. Droga! Que Dor! Cerrei meus olhos tentando absorver a dor, e foi ai que o senti envolver minha mão na fronha tirada do travesseiro. Ele soltou meu punho, e em seguida agarrou minha mão pressionando o local do corte, agora coberto pela fronha branca.
–Você consegue andar? –perguntou-me segurando firme minha mão e olhando-me nos olhos.
Balancei a cabeça em concordância, e teimosamente, uma lágrima desceu pelo meu rosto. Seu braço envolveu minha cintura, e logo ele desceu-me do bar, colando meu corpo ao dele. Com apenas um passo, ele empurrou-me para trás colando-me contra o móvel. Meu corpo todo tencionou, e por um instante, esqueci a dor de minha mão, mesmo ele ainda a pressionando. Sua mão firmou minha cintura, e senti quando ele moveu o quadril para frente, tocando-se a mim. Meu olhar colou ao dele, e quase parei de respirar. Seu olhar fez o contorno de meu rosto e parou em meus lábios. Tentei controlar minha respiração, mas foi impossível com ele tão perto. Ela acelerou-se sem poder controla-la.
–Quero tanto provar o gosto do teu beijo. –sussurrou com a voz leve.
Quase perdi os sentidos com as palavras dele. Meu corpo vibrou por inteiro, e quando ele olhou-me nos olhos, percebi que o queria mais do que eu mesma podia imaginar.
–Voltaremos a estar assim, e irei te beijar. –seu olhar chocou-se outra vez com meus lábios, e regressou para junto do meu. -Mas agora não temos tempo. Vamos, vou te legar para o Hospital.
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