Faça-me, Quero Ser Tua.
6 Ele é... Carlos Daniel Bracho, e eu... sua funcionária. / Esposa!?
Notas iniciais
Após aquela frase do belo homem estranho, meus pensamentos ficaram ainda mais conturbados. Minha mente agitada foi interrompida quando ele abraçou-me e logo me arrastou em direção a porta. Seu braço firme moldando a minha cintura e sua outra mão segurando a minha ferida.
Uma lagrima desceu de meus olhos quando ele viu o sangue sair por entre seus dedos, ultrapassando a fronha. Ele pressionou com ainda mais força minha mão, tentando estancar o sangramento. Como em um furação, ele olhava-me com um olhar angustiado, e logo, apressadamente, guiou-me para o interior do elevador. Em poucos –que pareceram longos- segundos, estávamos no hall do hotel, sendo observados por todos que passavam. Manu, da recepção, foi a primeira a por os olhos em mim, e vi quando ela deu a volta no balcão e caminhou até mim.
–O que Aconteceu Paulina? –murmurou ela parando frente a mim e o desconhecido, sem pouco importar-se com algo.
–Eu me cortei. –foi só o que consegui murmurar.
–Irei leva-la ao hospital. –disse a voz grave e firme ao meu lado, fazendo Manu dar um passo a trás.
Manu mirou-me nos olhos e logo acenou em concordância, ainda um pouco extasiada. O Homem da voz grave caminhou exatos dois passos a frente, arrastando-me com ele, e quando menos esperei, senti alguém puxar meu braço ferido com certa violência.
–Mas o que você fez sua incompetente! –gritou meu chefe arrancando-me dos braços do desconhecido, fazendo-o soltar minha mão. A fronha que envolvia o corte voou para longe, e imediatamente o sangue jorrou para fora. Sem conseguir falar, segurei com a mão livre o corte, tentando estancar o sangramento. As lágrimas vieram ao meu rosto e foi impossível controlar.
–Imbecil! Ela se cortou enquanto trabalhava! –gritou o homem belo envolvendo minha cintura outra vez, e em seguida senti sua mão pressionar sobre minhas duas, firmando ainda mais a ferida.
–Mas é uma incompetente mesmo! Farei sua demissão agora mesmo! –gritou meu chefe deixando-me já em desespero. O que eu faria? Eu precisava daquele emprego. Não teria como viver sem ele. E em tempos como hoje, não estava fácil arranjar um emprego.
–Cale essa boca, inútil! –Gritou o homem possessivo ao meu lado, fazendo-me assustar com sua voz alterada. -Coloque a Paulina para fora, e eu mesmo terei o prazer de te demitir! E sim, eu farei isso, pode ir na sua sala e arrumar seus pertences! Está demitido!
Eu apenas observava tudo um pouco sem noção do que se passava. Minha mão doía muito e o sangue espalhava-se pelos meus dedos.
–Mas Senhor Bracho, eu.. tenho família... eu... –murmurou meu chefe –ou ex chefe?- enquanto o homem desconhecido... espere. Seu sobrenome. Bracho. Oh Céus. Ele é o chefe do meu chefe! Onde eu fui me meter?
–Pouco me importa! –a voz do Ex Desconhecido ecoou outra vez invadindo minha mente. –Você não se preocupou se ela tinha família, ou qualquer outra coisa! Rua!
Antes que eu pudesse pensar na dor que invadia meu braço por inteiro, a lembrança de estar sozinha no mundo outra vez me chocou. Era a realidade. Senhor Bracho, tirando-me de meus devaneios, arrastou-me para fora do hotel, o qual já tinha hospedes apavorados parados entre a recepção e os elevadores.
Imediatamente, paramos frente a entrada e um carro em alta velocidade parou frente a nós. Senhor Bracho apenas empurrou-me, para dentro. Desajeitadamente, amontoei-me no banco traseiro antes dele entrar e sentar ao meu lado.
–Rápido! Leve-nos para o Melhor hospital dessa porcaria de cidade! –berrou ele ao meu lado assustando-me, e fazendo outras lágrimas descer por minha pele.
Seu braço forte, moveu-me no banco e envolveu-me, puxando-o contra si. Eu, dentro de seu abraço, pela primeira vez desde a morte de minha mãe, me senti protegida. Urrando de dor, mas protegida. As lágrimas brotaram por meu rosto e acabei soluçando entre uma delas.
–Sh, vai ficar tudo bem. –sussurrou no meu ouvido enquanto eu via sua camiseta manchar com sangue.
–Sua... sua.. roupa. –murmurei com a voz falha tentando afastar-me.
–Droga, o sangue não cessa. –sussurrou parecendo preocupado.
–Acelera essa merda de carro! Ela tá sangrando, inferno!
Sua voz alterada mais uma vez assustou-me, e já em desespero, as lágrimas saíram de meu controle. O carro voava pelas ruas de Cancun, e em uma parada brusca, O Senhor Bracho saiu do Carro e puxou-me para fora, sem deixar de segurar-me forte, e completamente perto. Ele arrastou-me pela porta de entrada do hospital, e logo uma mulher uniformizada caminhou até mim.
–Todos os procedimentos necessários! Ela cortou-se com cristal.
–No nome de quem senhor? –perguntou a moça com uma planilha em mãos.
–Carlos Daniel Bracho.
–oh Sim... São casados? –disse ela tentando fazer seu serviço.
–Sim, sim! Somos! –gritou ele agarrando-me mais contra si! –Agora me diga para onde leva-la, ela esta sangrando!
Carlos Daniel, Carlos Daniel Bracho. Esse era seu nome. Carlos Daniel. Minha mente ecoava seu nome, tentando nunca mais esquece-lo. Senti meu braço latejar por inteiro, e parece que o latir de minha pele percorreu todo meu ser. Senti Carlos Daniel arrastando-me pelos corredores, e logo, minhas pernas amoleceram. Eu não consegui me sustentar. Ele segurou-me em seus braços, olhando em meus olhos assustados.
–Estamos quase lá. –sussurrou, carregando-me, quase em seus braços.
Minha voz desapareceu e vi tudo girar. Desesperei-me, mas foi em vão. Minha mente parou de raciocinar, e tudo que consegui pronunciar, foi o nome dele enquanto minha mente se dispersava. Ouvi sua voz desesperada gritar por ajuda, e logo meu mundo apagou. Eu desmaiei.
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–Paulina, pelo amor de Deus, acorda. –Ouvi sua voz alta, como se me procura-se em algum lugar. Mas meus olhos não conseguiam abrir.
–Paulina, fala comigo... acorde. Por Deus, acorde Paulina! –senti ele mover meu corpo e colocar-me sobre algo, mas eu não conseguia despertar. Eu ouvia-o, mas não conseguia despertar. Senti seus dedos tocarem meu rosto, e as lembranças de seu cheiro, e de tudo o que houve, vieram de repente, despertando-me.
–Carlos Daniel... –murmurei de uma maneira inaudível, enquanto meus olhos tentavam se abrir.
–Ah Deus, Obrigado Senhor... Como você se sente? –perguntou-me com sua mão segurando meu rosto.
Meus olhos lentamente se abriram, e logo chocaram-se com o rosto dele, sujo de sangue. Meu olhar perdeu-se no dele, mas fui surpreendida por uma forte dor em minha mão.
–Ah! –gemi em dor antes de virar meu rosto e ver uma enfermeira costurando –literalmente isso, costurando- minha mão.
–Vai passar, está quase acabando. Olhe pra mim...
Sua voz calma e serena tomou conta de meus instintos, e meu olhar lançou-se a ele. Fiquei na dúvida se as palavras “olhe pra mim” foram um pedido ou uma ordem. Mesmo sendo qualquer uma delas, eu o mirei. Meus olhos chocaram-se a ele, e senti milhões de borboletas moverem-se dentro de mim. A dor em minha mão não cessava. Nunca imaginei que um mísero corte pudesse doer tanto. Carlos Daniel aproximou seu rosto do meu, e deixando-me arrepiada, aproximou sua boca de meu ouvido.
–Cortes com matérias finos doem mais... mas logo vai passar. –sussurrou antes de respirar ali, como se procurasse algo... o que, eu não sei.
Movi desconfortavelmente quando senti outra vez a linha correr por minha pele, iniciando um novo ponto. Isso doía muito. Cerrei meus olhos, virando o rosto para o lado, tentando pensar me algo que me fizesse esquecer a dor. As mãos de Carlos Daniel, ainda sujas de sangue, seguraram a minha mão livre com firmeza, enquanto seus dedos polegares traçavam círculos sobre a pele. Meus olhos lentamente se abriram, e olhei para o rosto dele. Ele mirava o local onde acariciava. Ele só podia estar querendo ferir-me, só podia. O que o levaria a gostar de mim? Absolutamente nada. Eu era uma mísera empregada sua, mais uma. Ele devia fazer isso por todos os lugares em que passava.
Engoli em seco enquanto mirava seu rosto que continuava a mirar meus dedos. Ele parecia estar em qualquer outro lugar, menos ao meu lado.
–Pronto. –Disse a voz da moça que fechou o corte em minha mão, que agora estava coberto por um curativo que eu nem percebi sendo posto. –Sua esposa deve tomar as medicações prescritas, para evitar inflamações e dores. Já pode leva-la pra casa.
Espera! Sua esposa, que coisa é essa de sua esposa? Minha testa franziu-se encarando-o e outra vez pareceu que ele leu meus pensamentos.
–Logo, te explico tudo. –murmurou ele envolvendo minha cintura com os braços, e logo levantando-me dali me levando em direção a saída.
Paramos frente ao balcão da recepção apenas por alguns segundos. Percebi que pessoas nos olhavam de uma maneira estranha, mas não estava preocupada com isso, e sim, com a dor que voltava a latir em minha mãos. Carlos Daniel assinou alguns papéis, enquanto sua mão possessiva não se afastava de mim. Com pressa, ele guiou-me para fora do hospital, onde um carro já nos esperava.
–Entre. –sussurrou abrindo a porta para mim.
Entrei sem hesitar, e logo ele estava ao meu lado. O carro movimentou-se e logo pegamos a estrada. A todo instante ele mirava-me de uma forma estranha, e por incrível que pareça, eu queria desaparecer de seu alcance.
Cai em realidade. Ele era demais pra mim. Nunca seria meu como eu queria ser sua. E talvez, meu momento para acabar com isso, fosse logo.
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