Faça-me, Quero Ser Tua.
24 O Passar dos dias, e o regresso da Camareira.
Notas iniciais
Cinco dias se passaram, e de alguma forma eu tentava esquecer Carlos Daniel.
Mas...
Era inevitável não pensar nele.
Tudo fazia-me recorda-lo, e acabou ficando difícil de entender se isso tornou-se bom ou ruim.
Passava-se da uma da tarde, e depois de um banho demorado, arrumei-me e fui esperar por James, que pelo combinado, me buscaria dentro de pouco tempo.
Bem...Na noite passada, dormi enrolada a coberta de Carlos Daniel. Sim... ele a deixou aqui, e graças a ela não congelei de frio. Realmente, eu precisava achar uma maneira de me mudar. Minha pequena casa, esta completamente condenada, e não há mais condições de morar ali.
Mal percebi eu, quando James aproximou-se de minha casa, e sorrindo, levantei-me para cumprimenta-lo.
–Boa tarde Senhorita. –disse-me educadamente, estendendo sua mão para mim.
–Boa Tarde James, e me chame de Paulina.
–Tudo bem, Paulina. –ele murmurou inseguro.
–E... perdoe-me, mas... como está?
–Bem... levando as coisas. –sorri.
James fez um sinal para mim, e logo seguimos até o carro do meu... chefe.
Antes que eu pudesse entrar no carro, minha mente foi tomada por uma das vezes que estivemos ali...
Seus dedos tocando-me avidamente com as roupas encharcadas... a maneira como ele respirava ofegante de encontro a minha pele... cada segundo que passamos ali foram jogados como flashs de memórias...
–Tudo bem, Senhorita Paulina? –perguntou-me James, tirando-me de meu transe. Ele esperava-me com a porta do carro já aberta.
–Oh, perdão.
Entrei no carro, sentindo minhas batidas cardíacas darem um salto quando senti o cheiro dele me abraçar... Oh que coisa maravilhosa...Sentei-me no banco de couro, afundando-me ali... eu, meus pensamentos, e minhas recordações.
James Deu partida no carro, e depois de seguirmos em completo silêncio, ele estacionou frente a uma clínica particular.
–É aqui? –perguntei enquanto ele estacionava o carro.
–Sim Senhorita.
Bem... eu não tinha muita escolha. Sai do carro, e acompanhada por James fui até a recepção. Uma moça alta com o cabelo amarrado caminhou até mim sorridente, e como se me conhecesse, pegou em minha mão sã.
–Boa Tarde Senhorita Paulina, como se sente?
–Boa Tarde... mas...
–Oh, Desculpe. Sou Daniela, médica particular de Carlos Daniel.
Oh Droga... não sei o que me choca mais... ela o chamar pelo nome, ou o brilho que tem os olhos dela ao chama-lo.
–Oh... Sim. Prazer. –cumprimento educadamente.
Ela sorri para mim, e logo guia-me para um corredor longo.
–Carlos Daniel falou-me muito de você.
O QUE!
–De mim? –murmuro incrédula, travando meus pés no chão. Ela também para, e sorrindo explica-se.
–Sim. Ele saiu daqui a poucos minutos, mas teve ontem por aqui também. –oh meu Deus.
–E... o que ele disse... sobre mim? –questionei insegura. Droga, o que ele disse!
–Não se preocupe, ele disse apenas coisas boas sobre a senhorita.
Ela levou-me para um consultório médico, e sem demoras para uma parte diferente, onde tinha uma maca, uma poltrona de coleta, alguns equipamentos médicos. Pediu-me para sentar-me naquela poltrona de coleta, e assim o fiz. Com ambas já em silêncio, eu dediquei-me a observar o que ela fazia. Ela preparou uma bandeja metálica com alguns objetos de mesmo material, e colocando a bandeja ao meu lado, vestiu suas mãos com uma luva cirúrgica.
–Bem, e intensão é que não doa, devido ao tempo em que já está com os pontos. Mas caso sinta algo, peça e irei parar, ok?
–ok. –murmurei um pouco anestesiada. As palavras dela sobre Carlos Daniel ter falado de mim, deixaram-me atônita.
Dra Daniela pediu-me que esticasse meu braço sobre o equipamento de coleta, e que se eu quisesse, poderia fechar os olhos. Bem, nem hesitei, o fiz.
Fechei meus olhos, e esquecendo do que realmente estava fazendo ali, deixei-me levar para o mundo onde meus sonhos viravam realidade, o sonho o qual eu destruí quando dei um tapa na cara do meu homem das trevas.
...Seu beijo, firme, acelerado, possuindo-me, implorando minha entrega... sua maneira de me tomar, perverso, carregado de desejo, dizendo-me aquele monte de besteiras... Céus... não consigo mais evitar o quanto o desejo. Cada fechar de olhos, mesmo que me negue, meus pensamentos correm pra ele, fazendo-me de refém, obrigando-me mais e mais a quere-lo.
A voz da Da Doutora, dizendo-me que estava tudo bem, e que o corte estava muito bem cicatrizado, me despertou dos pensamentos tenebrosos que acabara de ter com meu homem das trevas.
–Bem Paulina, continue tomando as medicações por mais uma semana, para evitar qualquer dor e possível inflamação.
–Ok, Doutora. Muito obrigada.
Depois de uma despedida breve, e algumas palavras que me deixaram confusa, James levou-me para casa. Assim que chegamos ali, como sempre ele abriu a porta para mim, e com um sorriso encabulado, pronunciou algo que eu realmente não esperava.
–Foi um grande prazer conhecer-te senhorita. Que meu patrão saiba valorizar-te.
Meus pensamentos travaram com as palavras dele, mas encabulada, pude esboçar um sorriso.
–Obrigada James, e digo o mesmo. É... sobre ambas as coisas.
Ele despediu-se de mim, com o tradicional aceno e fiquei mirando o carro ir embora.
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O Restante dos dias seguiram mais difíceis do que imaginei. As Noites estavam cada vez mais frias, e dormir a noite era algo extremamente horrível – principalmente pelos ataques de Carlos Daniel em meus sonhos.
Tinha noites, que acordava-me com as rajadas de vento por entre as frestas da casa, e acabara por ter alucinações com ele. Diversas vezes, sentia a mesma sensação que ele me causava quando me mirava daquele jeito escuro, cheio de malícia e desejo. Desnorteada com tantas imagens dele, acabara por passar o restante da noite acordada, preocupada com a tempestade que não diminuía, preocupada com meu afeto por ele que aumentava.
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Mais uma manhã fria se iniciava, e com muito esforço, levantei-me da cama. Dentro de duas horas, tinha de fazer minha entrada no hotel, dando adeus aos meus 20 dias de licença. Esses 20 dias foram o suficiente para minha mente dar conta de tudo que se passou em três dias, e eu estava com a certeza de que se ele me tocasse, eu perderia ao rumo.
Sai de casa, com o frio cortando minha pele, e depois de 15 minutos de caminhada, fique a esperar o ônibus. Demorou, mas enfim estava a caminho do trabalho. Dali então, eram 45 minutos a mais, e eu estaria no trabalho...
Minha mente –apenas para dar uma variada- vou para os momentos que passei com Carlos Daniel. Droga! Mas como isso é possível? Tudo que faço, meu pensamento voa diretamente para ele. Isso chega ser... doloroso. Manuela tem razão, e... o mundo tem razão! Sempre esteve bem claro que ele não é um homem que se apaixona, mas... é claro, a burra da Paulina tinha que querer logo ele! Tem momentos que consigo odiar-me de uma maneira fabulosa!
Assim que cheguei ao Hotel, entrei para a sala dos armários, e caminhando em direção aquele que me pertencia, meu coração falhou uma batida quando mirei bem meu armário. Ali estava. Havia entre uma das frestas da grande caixa de metal, uma rosa. Uma Rosa cor de Rosa. Pendurada nela, estava um pequeno pedaço de papel, amarrado a uma fita preta. Imediatamente, meu coração pulou mais alto, e com os dedos trêmulos, agarrei a bela flor entre meus dedos. O Papel, era um pequeno cartão, e ao abri-lo, pensei que teria um troço.
“Bom Retorno! Tenha um bom dia. Atenciosamente, Homem das Trevas.”
Minhas pernas viraram água, e eu quase não podia acreditar no que estava vendo. Sim, ele lembrou... e me deixou uma rosa. Uma rosa que me fez lembrar da primeira a qual ele me deu, e encheu-me de bons momentos.
O Dia estava carregado de tarefas, e entre um quarto e outro, descobri que Carlos Daniel não estava mais na suíte. Por um momento, meus pensamentos congelaram e fiquei por temer sua ida. Logo, Raquel disse-me que ele vinha por ali todos os dias, mas que ao fim da tarde saia com seu motorista – eventualmente James. Depois do almoço, fiquei a tarde inteira na lavanderia, e tinha montanhas de lençóis para serem passados. Fiquei ali, perdida no meio de tantas tarefas até que o telefone tocou. Terminei de dobrar um dos lençóis, e logo apressei-me para atende-lo.
–Lavanderia. –murmurei sem prestar muito a atenção.
–Paulina?
–Sim, sou eu. –Meus sentidos se aguçaram e comecei a dar ouvidos –literalmente- ao que diziam.
–É a Manuela. Bem... o Senhor Bracho quer te ver.
–O que! –gritei sem me dar conta no tom de minha voz, e pude ver Manuela nervosa do outro lado da linha.
–Sim, ele... pediu-me para avisar-te. Ele te espera dentro de 40 minutos na sala dele.
–Mas o que ele quer? –questionei a mim mesma, só que em voz alta.
–Não sei, mas... Lina... ele está Lindo.
–Ah Manuela, por favor! –murmurei enrubescendo.
–Ué!
–Ok, verei o que faço.
–Como assim! –berrou ela. –Se você não for... não sei do que ele é capaz.
–Ok Manu... eu realmente não sei o que fazer, mas ainda tenho muito trabalho por aqui.
–Ok Lina. Até logo.
–Até.
Desliguei a chamada, com as mãos suando frio, os pensamentos completamente confusos e os anseios a flor da pele. Ele queria me ver, e eu teria de agir, achar uma maneira de não expressar o que meu corpo pronuncia. Teria de agir... e logo.
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