Faça-me, Quero Ser Tua.
23 O Fim de Algo que nem Começou. / Eu Assumo.
Notas iniciais
Carlos Daniel cobriu minha boca com a sua, e mesmo com toda minha resistência, ele consegiu o que queria... fazer-me desfutar de seu tão poderoso sabor. Ele segurava firme meu corpo de encontro a areia, e sua mão apoiava forte meu pescoço, impedindo-me de esquivar. Sua mão deslizou para minha nuca, e aquele toque tão simples, me fez desabar, caindo na perdição de seus lábios. Gemi contra sua boca, sentindo seu sabor me invadindo, sentindo o rítmo de seu coração contra o meu. Sua lingua bailava de encontro a minha, guerreando uma contra a outra.
Ele deslizou os dedos pela minha cintura, envolvendo-a, cavando entre minha pele, o tecido e a areia. Sentia minhas pernas tremerem debaixo das dele, mas eu mal me importava, precisava desfrutar desse pouco toque que ainda me restava, antes de sair de minha doce ilusão.
Afastando sua boca da minha, ele mirou-me ofegante, mantendo aquele sorriso canalha na cara... e ali, me dei conta de tudo o que já sabia. "Você é apenas mais uma, idiota!" — gritou minha mente repreendendo tudo o que eu sentia.
Eu não conseguia dizer palavra alguma. Minha mente girava e girava, e as palavras que eram tão necessarias se desfaziam a cada miléssimo. Sua boca cobriu a minha outra vez, e mesmo relutante, eu não podia evitar de me entregar. Seu toque causava-me estranhas sensações, e a necessidade de ter sempre mais, me possuia de uma forma incalculável... Bati meus punhos contra seus ombros, e foi ai então que ele me soltou, mirando-me com aquele olhar escuro.
Empurrei-o para longe de mim, fazendo-o tombar ao meu lado sobre a areia. Levantei-me desajeitadamente, e pude ver por um resquicio de mirada que ele também levantava. Mesmo com minhas pernas falhas, caminhei para longe dele, sentindo o ar frio do mar acabando com o calor que ele deixou em minha pele.
–Porra Paulina! -gritou ele agarrando-me pelo braço, virando-me frente a si.
As lágrimas que eu segurava, cairam implorando por liberdade, e nesse momento deixei que a raiva me dominasse. Minha mão sã ergueu-se e o som do tapa rompeu o som das ondas do mar. Carlos Daniel apoiou sua mão no local onde bati, olhando-me incredulo, e obriguei-me a por a raiva pra fora.
–Chega! Não pode ficar fazendo isso! Não posso transar contigo! entenda! Nem sempre querer é poder!
–Paulina, mas...
–Nem Mas, mais, nem menos! -gritei cerrando os punhos, sem poder mirar nada mais por culpa das lágrimas.
–Nenhuma mulher se negou a dormir comigo, você não será a primeira! -Ele gritou cortando o som de meus passos, e travei na arreia. Bem, eu tinha razão: Ele apenas queria dormir comigo.
–Pois bem, -gritei virando-me para ele, -Pra tudo tem uma primeira vez!
Dei meia volta, rumando para minha casa sem mirar atrás, e trancando-me no casebre, mergulhei mais uma vez no meu próprio mundo: escuro, solitário, e doloroso. Deixei que o choro cobrisse meu rosto e que as lágrimas lavassem minha alma. Tudo era em vão. Queria que ele ficasse porque estava encantada por ele, mas queria que ele me entendesse, compreendendo os motivos de não entregar-me. Tudo era doloroso, e cair na realidade de estár só outra vez, doia mais que tudo.
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Minha cabeça voltava a doer, e foi assim que despertei, sentindo-me mal. Não aguentava mais sentir dor. Desde o dia que o conheci, todos os tipos de dores começaram a me tomar. Algum som acabará de me despertar, e meu cérebro se recusava a pensar. Fazia dois dias que havia dado as costas a ele, e cada segundo parecia doloroso. Não pareciam, eles eram. Abri meus olhos, relutante, e pelas frestas nas paredes pude ver que o sol já estava alto... droga... acabei dormindo muito tarde.
–Lina!?
Aquela voz em tom alto e familiar me trouxe de volta a realidade. Sim, despertei por que alguém me chamava. A voz soou outra vez, e dei um pulo da cama. Era Manu.
Corri até a porta, abrindo-a rapidamente, e ali estava ela, linda e... uniformizada.
–Manu? O que fazes aqui?
–Oi! -disse-me sorridente. -Estou a trabalho.
–Trabalho? -questionei confusa. -Mas... entre. Não repare na simplicidade.
–Ai Lina, como se fosse a primeira vez que venho aqui! -ela riu, puxando uma das cadeiras da mesa e sentando-se. Sentei-me também, ainda confusa, esperando que ela dissesse algo.
–Bem, aqui está.
Manuela tirou de dentro de seu casaco um envelope branco, com a logo do HOTEL
... Ai meu Deus.
–Ele mandou entregar-te.
Deus do céu. Ela esticou o envelope a mim, e com dedos trêmulos, sentindo o croação bater acelerado em minha garganta, o abri, vendo Manu parada em minha frente, ansiosa.
–Leia! -exclamou dando um tapa a mesa.
A respiração acelerada impedindo-me de dizer nada, fazendo-me tremer, com o coração na garganta... Deus...
Abri o envelope, e dentro encontrei duas folhas. Olhei confusa para Manuela que fez aquela cara de "Não sei de nada" e me incentivou a prosseguir. Abri uma das folhas e la estava: Uma licença médica. Na folha cheia de termos e siglas, dizia que ficaria 25 dias de licença pelo corte em minha mão, e somente poderia retornar na data marcada. Mais abaixo, quase no fim da folha, estava em negrito...
Dentro de 5 dias, James Monrord, -motorista particular de Carlos Daniel Bracho- buscará a licenciada Paulina Martins, em sua residência para revisão médica. Com horário previsto para as 14:00hrs.
–E ai Lina? -Perguntou Manu ansiosa.
–Ele me deu 25 dias de licença. E Daqui 5 dias, James vem me buscar para fazer uma revisão.
–Nada Mais justo. -disse ela séria. -E a outra folha?
Olhei para Manuela e senti meu coração se apertar. Droga.
–Abra! -gritou Manu.
Abri a folha, e la estava... a letra cursiva dele.
"Vejo-te dentro de 25 dias. Cuide-se. Carlos Daniel Bracho."
Essa mísera frase, jogada ao meio da folha, em caneta azul, deixou todos meus sentidos conturbados. Deus... ele... droga! Não consigo entender o porquê de quere-lo tanto... ele é um homem qualquer, que quer apenas levar-me para a cama. Sei de tudo isso, mas mesmo assim, me sinto completa e inteiramente atraída por ele.
–E ai! O que ele disse? -falou Manuela tirando-me de meus pensamentos.
–Olhe... -Estiquei a folha pra ela, que pareceu ler inúmeras vezes.
–Lina, vocês transaram? -perguntou-me ela sem pudor algum.
–É... por que achas isso? -revidei sentindo as mãos suarem, e meu rosto arder.
–Porque você parece caidinha por ele. Lina, está na hora de esquecer o Osvaldo. -murmurou.
–Manuela, -repreendi sentindo o sangue ferver. -Já esqueci o Osvaldo e não, não dormi com o Senhor Bracho.
Salientei a palavra "Senhor" em minha frase, e Manu olhou-me estranhamente.
–Olha Lina, sabe que sempre fui sincera com você, não sabe? -questionou segurando em minhas mãos, deixando o papel sobre a mesa.
–Sim, e eu a ti. -Disse com certeza. Manu tornou-se uma grande amiga, amiga de todas as horas.
–Então... -Ela suspirou. -Não sou ninguém para dar-te concelhos, mas se o deseja, vá, faça, deixe rolar.
–Mas Manu...
–Sem mais Lina. -Cortou-me. -Se desejares, faça. Não fuja de si mesma. Mas... não se apaixone, não antes que ele se apaixone por ti. Você já sofreu uma vez, não deixe que te machuquem outra vez.
Meus olhos já estavam marejados com as palavra dela, e droga, eu já havia jogado-me no mar aberto.
–Obrigada Manu. Obrigada por tudo.
Levantei-me as pressas, sentindo a necessidade de abraça-la, e imediatamente a puxei para mim, sentindo-me realmente com carinho por ela. Manu sempre esteve ao meu lado, em todos os momentos... deve ser por isso que a amo como minha irmã. A irmã que não tive.
Manuela despediu-se de mim entre risos, mas seriamente alertou-me.
–Cuide-se, e se achar que deve fazer... faça. Deixe as consequências pra depois. Mas, peço-te: Não se apaixone.
Dei a ela um abraço apertado, e logo ela se foi, deixando-me na solidão outra vez.
Pobre Manuela. Se soubesse que não tem mais volta... sim. Eu assumo: Desejo, e estou apaixonada por Carlos Daniel Bracho.
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