Faça-me, Quero Ser Tua.

20 Carícias trocadas, Palavras Jogadas.


Notas iniciais
Oi meus amores! Mazaaah, olhem como eu fui rápida desta vez! bem, tem motivos... o primeiro: assim que entrei no Nyah hj... tinha 4 recomendações! sim! 4! grande beijo para a Paulinha, a Vanessa, Nanááh, e a Jakkygiovana, mto obrigadaa! e o segundo... é q amanhã irei viajar, e só volto quarta-feira... espero que gostem desse cap enorme, pq esta cheio de romance... e drama. Beijos Desfrutem...

Ali, parados em frente a minha casa, ele pareceu saber bem o que fazia. Seu pedido para que eu o levasse até lá, deixou-me um pouco assustada, mas no momento em que ele levou sua mão até meu rosto, e colocou uma mechinha de cabelo solta atrás de minha orelha, passou-me segurança. Olhando-o nos olhos, sorri –um pouco tímida e corada depois do que ouve no carro- segurando a mão dele. Ele devolveu-me o sorriso, e assim o levei até a porta de minha casa.
Vi que ele sorriu quando me abaixei e de dentro de um vaso -onde a flor já havia morrido- retirei a chave da casa.
–Muito esperta. –Disse-me com os dedos sobre a boca, e vi que ele continha o riso.
–Não ria... –pedi a ele sentindo meu rosto esquentar.
–Eu não fiz nada. –Disse ele erguendo as mãos em sinal de rendição. E aquele sorriso ainda estava nos lábios dele. Sorri carinhosamente, e com as mãos um tanto trêmulas, abri a porta. Entrei na frente de Carlos Daniel, e logo ele entrou, parando em seguida. Eu, mal o olhei, e imediatamente mirei a cama onde minha mãe costumava dormir. Ela me faz tanta falta... Contive minhas emoções, e acabei segurando o choro na garganta. Penso, que na situação em que estou, se ela pudesse dizer-me algo, diria apenas para que eu me cuidasse, e não fizesse nada que eu pudesse me arrepender. Bem... preciso me recuperar...
Caminhei até Carlos Daniel, e olhando ao redor, disse a ele:
–Esta é minha casa. –Falei com um singelo sorriso.
–É bom conhecer teu mundo. –disse-me olhando ao redor. Vi que ele olhou para uma das paredes, e sorrindo, percebi que estava mirando um dos pequenos quadros. Era uma foto minha e de Célia em nossa formatura no Colegial. Eu estava bastante nervosa, diferente de Célia, que se preocupava em perder a virgindade mais tarde. Senhor amado.
Carlos Daniel caminhou até a parede, e logo vi que seu olhar mudou o rumo. Ele observava uma foto minha com minha mãe. Eu tinha 13 anos, e foi depois da minha vitória no campeonato de matemática. Exatamente... 1 ano antes de minha mãe descobrir sua doença.
–Sua mãe? –perguntou virando-se para mim.
Balancei minha cabeça em concordância, e ele baixou seu olhar, levantando-o em seguida, mirando a casa.
–Bem, tem algo daqui que queira levar para minha casa? –disse-me colocando as mãos nos bolsos da calça. -Por mim, não precisa levar nada. Tudo que quiseres e necessitar, tem lá em casa.
–Carlos Daniel, tens certeza do que estamos fazendo? Conhecemo-nos tão pouco... e... eu sei que...
–Paulina, sei que confias em mim, mesmo que não admitas. E Eu, confio em ti até debaixo d’agua. Apenas mais seis dias, e... Daí em tão, se desejares, nunca mais me verá.
Engoli em seco com suas últimas palavras, e juro a mim mesma, que o que menos desejo é deixar de vê-lo. Carlos Daniel deu exatos dois passos a frente, e com sua mirada junta a minha, levou seus dedos para minhas bochechas. As costas de seus dedos tocaram minha pele, e fechei meus olhos por míseros milésimos, sentindo mais de seu toque.
–Teu jeito inocente... a maneira como vejo que tens medo de mim, e ao mesmo tempo confias cegamente, deixa-me alucinado. Se disseres para que eu te deixe em paz, assim o farei. Mas antes disso, não espere que eu me afaste, por que se depender de mim, não o farei.
Tremi sentindo seu toque, guardando em algum canto de minha alma e coração as suas palavras. Ele tinha toda razão, sim... eu tinha um medo inocente dele... e sim... eu confio nele em qualquer situação.
–Em menos de 48hrs, estás me enlouquecendo. Nunca desejei tanto ter uma mulher como quero ter você. Quando penso que um beijo teu pode saciar-me, é o efeito contrario que recebo. –Ele deu um passo a frente, e suavemente apoiou suas mãos a minha cintura. -Apenas me deixe te beijar, me permita te sentir. Sei que teu corpo vibra quando estás em meus braços. Sinto cada latir teu por minha pele. Sinto... e sei que queres.
Minha razão desapareceu... não consigo falar, apenas sentir. Levei minhas mãos para seu peito, e ali as apoiei, sentindo o mover de sua respiração de encontro a minha pele. As sensações que ele me envia, deixam-me... sem rumo. Ele puxou seu corpo ao meu, e minha respiração mais uma vez acelerou-se, acompanhada de minhas batidas cardíacas.
–Escute-me... Iremos almoçar, e em seguida, irei provar a ti mesma o quanto tua pele me deseja. Se não queres levar nada daqui, vamos. Temos que comer.
Mantive meus olhos fechados, e suavemente balancei minha cabeça em negação. Necessitava de seu toque, e se agora ele quisesse me beijar, eu não recuaria. Não precisando dele como eu precisava. Nesse mesmo instante, senti minha boca secar, e instantaneamente meus lábios fizeram o contorno da pele ressecada, umedecendo-os. Ouvi Carlos Daniel soltar o ar de seus pulmões, e seu toque sobre mim ficou mais firme. Engoli em seco, e a necessidade de senti-lo tocar-me, explodiu de forma intensa em meu interior. Uma de suas mãos, desapareceu de minha cintura, e logo senti seus dedos quentes tocar minha nuca. Ele respirou a procura de ar, e puxando-me contra si, ouvi apenas uma palavra antes do nosso espaço desaparecer.
–Necessito.
Sua boca bateu de encontro a minha, e imediatamente me abri para receber seu toque e sabor, que invadiram-me por inteira. Seu corpo pressionou forte contra o meu, com suas mãos cavando em minha pele, como se pedissem para que o tecido abrisse espaço para ele. Sua mão em minha nuca me puxou mais, e pude sentir seus dentes de encontro a minha pele enquanto sua boca movia-se de encontro a mim. Movi-me em seus braços, e libertando-me de mim mesma, levei minha mão sã para os cabelos dele. Sua língua chocava-se contra a minha, e parecia que o mundo tinha parado. Seu sabor me invadindo, o som do mar tornando-se nossa música, meu corpo clamando por senti-lo... tudo parecia ser criado para se conectar. Carlos Daniel empurrou seu quadril sobre mim, e no mesmo instante afastou sua boca da minha, deixando-me sem ar. Meus olhos se abriram imediatamente, e levei minha mirada para vê-lo. Ele, que estava com os olhos fechados, os abriu com pressa e mirou minha íris, como se desse permissão para que eu mirasse a alma dele. Ele respirou a procura de ar, e eu fiz o mesmo. Seus dedos que estavam em minha nuca correram para minha mandíbula, e seu polegar acariciou as maçãs de meu rosto. Um calor desconhecido começou a aflorar em meu interior, algo jamais sentido. Aquela estranha emoção tomou-me por inteira, fazendo-me respirar ofegante. Céus... eu quero que ele me faça sua... sim... é isso... Meu ventre se contraiu em uma dor aguda, que chegava aos meus pontos mais extremos e corria por minha espinha. Eu quero seu toque. Levei minha mão para o rosto dele, e a descansei ali. Carlos Daniel fechou os olhos, e suavemente, passou a língua por sobre os lábios.
–Cada vez melhor. –sussurrou antes de mirar meus olhos.
Ah... não... não me olhe assim... Esse olhar negro, me dominando...
Seus olhos escuros como a noite, me dominaram por inteira, e sentindo seu gosto se dispersar em minha boca, fechei os olhos e me deixei levar.
Movi meu rosto adiante e toquei meus lábios com os dele. Carlos Daniel gemeu empurrando sua boca contra a minha, juntamente com seu quadril ao meu. Nesse instante, foi minha vez de gemer quando o senti firme seu desejo tocar-me. Ele puxou meu corpo contra o seu, e sem demoras, adentrou minha boca com sua língua. Céus... não pare...
Em meus piores –ou melhores?- pensamentos, implorei por mais dele, e ele pareceu ler minha mente. Minha mão correu para os cabelos dele, e no mesmo instante ele levou a mão que estava em meu rosto para meus cabelos, puxando o elástico que o prendia. Meu cabelo caiu sobre a mão dele, e apressadamente, ele enfiou os dedos por ali, agarrando forte meus cabelos. Sua boca se afastou bruscamente da minha, deixando-me queimando em seus braços. Ele envolveu-me completamente em seus braços, deixando seu rosto mergulhar entre meus cabelos. Ele apertou seus braços ao redor de mim, e eu o abracei, sentindo-me pela primeira vez amada, protegida, e realmente pronta para amar.

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Carlos Daniel levou-me para o carro, entramos de mãos dadas e logo seguimos para onde ele me levaria. Andamos em silêncio por alguns minutos, enquanto ele riscava círculos com o polegar sobre minha mão. De repente, o carro entrou em uma garagem subterrânea, e logo estacionou em uma das vagas.
–James, se quiseres, pode ir almoçar, eu e Paulina ficaremos no apartamento. –disse Carlos Daniel abrindo a porta.
Ele saiu do carro, e dei um singelo sorriso para James pelo retrovisor, que me devolveu o sorriso um pouco receoso. Carlos Daniel esticou a mão para mim, e suavemente a segurei. Sai do carro desajeitadamente e ele segurou firme minha mão.
–Vamos, tem algo lá em cima esperando por nós.
Caminhamos pela garagem deserta, e rapidamente entramos em um elevador. O Elevador subiu silenciosamente, e eu, mirando o painel luminoso, escutei o plim quando parou no 16º andar. Descemos do elevador em silêncio, e ele guiou-me pelo corredor. Paramos frente uma das portas, e rapidamente ele tirou do bolso uma chave. Ele abriu a porta, e logo, mirando-me nos olhos, fez sinal para que eu entrasse. Entrei no apartamento, e me surpreendi ao vê-lo vazio. Completamente vazio.
–Bem, não tive tempo de arruma-lo. –disse-me ele fechando a porta, fechando-a com a chave. Engoli em seco ao escutar o som da porta sendo trancada.
Carlos Daniel parou ao meu lado, e logo segurou em minha mão, levando-me para outro lugar. Ele abriu uma porta de correr, e logo entramos por ali. O Cômodo era branco como o anterior. No chão, estava um tapete também branco, e uma cesta de piquenique. Junto, várias almofadas, também brancas. Frente a estas coisas, tinham cortinas longas, tudo em branco, tudo.
–Queria levar-te para um piquenique, mas o clima não esta bom para isso. –disse-me ele levando-me para o tapete. –Sente-se.
Sentei-me sobre o tapete, mirando os movimentos de Carlos Daniel. Ele caminhou até a cortina, e sem demoras a afastou. Uau! A vista daqui é incrivelmente linda. Ao fundo, podemos enxergar o mar. É encantador.
–Carlos Daniel, é maravilhoso. –disse a ele, mirando-o abrir a outra parte da cortina.
–Imaginei que você gostaria. –disse caminhando até mim.
Carlos Daniel sentou-se em minha frente e logo abriu a cesta de piquenique. Dali, ele tirou dois pacotes de papel pardo, e logo, duas pequenas garrafas de vidro com rolhas, que pareciam conter suco de laranja. Logo, tirou um pacote de tortilhas e em seguida, creme de avelã. Hum...
–Não é bem um almoço, mas... Esqueça. Vamos comer? –disse-me ele com um sorriso de menino, e pude ver por alguns milésimos o menino que Cacilda falou-me.
Acenei em concordância, e ele esticou um dos pacotes para mim. Agradeci com um sorriso, e logo abri o pacote. Dentro, estava um belo sanduiche –de peru, eu acho- e junto alguns bolinhos, parecidos com empadas. Saboreei o sanduíche mirando a vista maravilhosa do litoral, enquanto ele não tirou os olhos de mim.
–Por que me olhas tanto? –perguntei a ele sentindo o rubor subir por minhas bochechas.
Ele sorriu, mirando-me com o olhar baixo esticando-se para pegar um bolinho.
–Além de você ser linda? Tenho muitos motivos. –disse-me antes de degustar o salgado.
Baixei meus olhos, e senti o rubor crescer ainda mais em meu rosto. Céus, qual o motivo dessa capacidade toda de me fazer ir à morte e ressuscitar apenas em um olhar? Deus...
A partir daí, comemos em silêncio. Os salgados estavam ótimos, e o sanduíche... Divino. Confesso que... comer ao lado dele me faz bem. Ele abriu as pequenas garrafas, e assim que terminamos de ‘almoçar,’ ele aproximou-se de mim, tirando a garrafa de minhas mãos. Carlos Daniel sentou-se em minha frente, e suavemente levou sua mão até meu rosto. Seus dedos fizeram o contorno de minha face, e por um nano segundo, parecia que o mundo havia parado para nós dois. Observei-o, tentando guardar cada traço seu em minha mente. Esse homem me tira as forças, ele me fascina. Sua barba ameaçava nascer, seus lábios estavam um tanto corados, e em seus olhos, eu podia ver o resquício de um menino. Vi cada uma das etapas daquele olhar que eu já conhecia, e logo ele escureceu de maneira rápida, fazendo minha respiração acelerar. Os dedos de Carlos Daniel correram para meu cabelo, e suavemente, o senti segurar o elástico que o prendia. Firmei o peso de minha cabeça, e fechei os olhos enquanto ele soltava minhas madeixas. Meu cabelo caiu sobre os ombros, liso, esparramando-se por minhas costas. Ele levou suas mãos outra vez para mim, e quase parei de respirar. Meu coração começou a bater forte, e de um jeito que não imaginei ser capaz, ele tocou meus lábios, fazendo-me queimar por dentro. Meus olhos se abriram outra vez, e fiquei mirando cada movimento dele. Carlos Daniel ajoelhou-se sobre o tapete, e suavemente foi aproximando-se de mim... Ah Meu...
Ele aproximou-se cada vez mais, e rapidamente sua boca estava a centímetros da minha. Queria esticar minhas mãos e toca-lo, mas evitei. Mirei seus lábios, e rapidamente comecei a sentir o acelerar de minhas batidas cardíacas. Sua mão firmou minha nuca, e suavemente ele me puxou para trás. Tentei evitar, mas quando levei minha mirada de encontro a dele, perdi a noção de tudo. Libertei o peso de meu corpo, e suavemente ele foi deitando-me sobre uma das almofadas. Oh meu Deus. Ele não esperou, e rapidamente apoiou todo seu peso sobre mim. Oh Meu Deus. Meu Deus... Levei minhas mãos por entre nós, e suavemente apoiei uma delas sobre o peito dele, sentindo o latido de seu coração. E ele Batia acelerado como o meu. Meu corpo implorava para que eu o deixasse continuar, mas minha mente e coração, que ambos já sofreram muito, pediam para que eu o impedisse, que o fizesse sumir de minha vida.
Os dedos dele passearam por minha nuca enquanto a outra deslizava por sobre meu casaco. Fechei meus olhos, e ele suspirou, fazendo o mísero som de sua respiração deixar a minha acelerada. Ele pousou a mão que estava entre meus cabelos para a pele de meu pescoço, e suavemente ergueu meu queixo, abrindo o cachecol. O tecido afastou-se de minha pele, e logo em seguida ele depositou sua boca ali, raspando os dentes e me enlouquecendo. Com meus olhos fechados, sem poder ver aqueles olhos escuros que me encantaram a primeira vista, meu pensamento consciente se chocou com os anseios de meu coração, e mesmo sentindo a necessidade de prosseguir, eu afastei-o de mim, fazendo-o rolar para o lado. Sentei-me as presas, sem coragem de abrir meus olhos, sem coragem de falar com ele. Meu corpo tentava se recuperar dos efeitos que seu toque me causaram –a respiração descontrolada, e o peito em pedaços.
–O que foi? –disse ele parando em minhas costas, apoiando as mãos aos meus ombros. –O que aconteceu?
–Eu... –O que vou dizer a ele? Dizer que ‘oh, nunca dormi com um homem, então não posso deixar que você prossiga, pois irá tirar minha virgindade e me deixar sofrendo como fez com outras’ seria o mais sincero, mas... eu não podia.
–Hei, o que houve? –perguntou beijando minha nuca.
Desequilibrada e desajeitadamente –uma combinação nada boa- me levantei, e caminhei até a longa janela. Ouvi o som dos sapatos dele sob o chão, então obriguei-me a falar antes que ele me tocasse e enfeitiçasse-me outra vez.
–Eu não posso... não posso fazer isso... entenda-me.
–Não! –murmurou ele entre os dentes cerrados, segurando-me pelos braços, virando-me de frente para ele. Assustei-me com meu coração acelerando. –Por que não? Desejo-te, e sei que me desejas tanto quanto eu te desejo... O que tem de errado?
O que dizer? Ah Meu Deus...
–Carlos Daniel, tudo o que estás me oferecendo, é... errado. Eu... isso, isso que estamos fazendo é errado. Tudo vai contra meus princípios, e... –meus olhos marejaram me entregando. –Vou acabar sofrendo outra vez. Eres meu chefe, e... não posso.
Carlos Daniel soltou-me, passando as mãos pelos cabelos, caminhando ansioso pelo apartamento vazio. Ele parou no meio do cômodo, e olhou-me nos olhos, fazendo-me tremer por dentro.
–Tudo bem, tudo bem. –Disse em tom irritado. –Quando quiseres agir como uma mulher de verdade, obedecendo ao clamor de seu corpo, me chame. Terei prazer em desfrutar de ti.
Eu não podia acreditar nas palavras que saiam da boca dele. Deus... ele... não creio.
As lágrimas desceram por meus olhos sem controle, embaçando a visão que eu tinha dele. Seu tom ríspido e bravo me fez cair em realidade, e sem mais pensar, caminhei com passos largos em caminho a saída do apartamento. Sai sem fechar a porta, e antes que ele viesse atrás de mim, corri para o elevador. Graças aos céus, as portas se abriram rápido, e pulei para dentro da caixa de aço. Apertei o botão do térreo, e quando as portas foram se fechar, eu vi um resquício dele, no meio de meu olhar embaçado. O elevador não demorou a descer, e eu não conseguia controlar minhas lágrimas. De repente, o elevador parou, e quando as portas se abriram, saltei para fora caminhando a passos largos para fora. Quando abri a enorme porta de vidro, um grito assustou-me e obriguei-me a virar para vê-lo. Conheci a voz instantaneamente.
–Paulina! Espere!
Carlos Daniel correu até mim, completamente suado e ofegante. Não creio que ele voltou... e ainda desceu pelas escadas... Santo Cristo.
Meu olhar embaçado chocou-se com ele, e tentei ao máximo manter minha compostura, cessando o choro.
–Qual o problema agora? –perguntei virando-me e saindo do prédio. Ele seguiu-me e parou em minha frente ainda ofegante.
–Você não entende? –perguntou-me respirando aceleradamente.
–Entender? O que? –falei tentando ser o mais fria possível, tentando pensar no mal que ele me faria caso eu cedesse.
–Esqueça... –disse ele ofegante, balançando a cabeça em exasperação. –Tudo bem, não irei mais insistir... chega. Como eu disse, quando quiseres agir como uma mulher, estarei te esperando.
Aquelas palavras dele, atravessaram meu peito como faca, enquanto meu olhar nublava completamente. Ele caminhou até mim, balançando a cabeça, atordoado. Dei um passo atrás, completamente por instinto, e ele parou onde estava, olhando-me fixo. As lágrimas presas em meus olhos escorreram, e pude então vê-lo melhor. Ele tirou o celular do bolso, e iniciou uma ligação. Não estou aqui para vê-lo falar no celular. Chega... esse homem ainda vai destruir minha vida. Dei a volta outra vez, caminhando na direção oposta a ele. Dei alguns passos, e aquela mão firme e quente segurou meu braço.
–Solte-me. –disse entre os dentes cerrados, sentindo todos meus músculos tremerem.
–Pare de agir como uma adolescente Paulina! –disse virando-me de frente para ele. –Porra, você não entende que eu quero cuidar de você?
–Cuidar de mim? –gritei soltando-me do seu braço. Ele segurou-me outra vez, puxando meu corpo junto a ele. Temblei em seus braços, e ele pareceu sentir... ah não... maldita proximidade. –Me solte Carlos Daniel! –murmurei firme entre os dentes cerrados, fechando os olhos.
–Escuta aqui, não tenho culpa de tudo o que passou. Não tenho culpa daquele maldito que te abandonou sem nem te tocar. Não tenho culpa da morte de sua mãe. Não tenho culpa por você estar sozinha nesse mundo fodido. Não tenho culpa de ser seu chefe, muito menos de querer você.
Suas palavras bateram de frente em minha cara, batendo-me forte. Não posso crer que ele tocou no nome de minha mãe... não posso crer que ele possa ser tão baixo. Ele abriu todas as minhas feridas, ateando álcool dentro delas. As lágrimas escorreram sem dó por meu rosto, e rapidamente tentei soltar-me dos braços dele, mas ele segurou-me mais forte, fazendo doer minha pele.
–Cale sua boca para dizer qualquer coisa sobre mim... não me conheces para me julgar. –me debati, levando meu olhar úmido de encontro a ele. –Solte-me! –Gritei fazendo-o me soltar.
–James te levará. –murmurou ele parado frente a mim, ainda mirando-me nos olhos.
–Não precisa. –neguei com a cabeça. E sem me controlar coloquei tudo para fora. –Não preciso de nada de ti.
Virei-me enquanto as lágrimas caiam sem controle do meu rosto, e sem mais pensar, caminhei para longe dali. A passos largos, andei pela cidade, indo em direção ao mar. Droga... não acredito, não acredito! Ah... porcaria! Não posso acreditar que deixei ele me tocar, me beijar... e... que merda! E o pior de tudo... eu o desejo tanto, mesmo não devendo, mesmo sendo errado. Mesmo ele me deixando louca... sim... estou me apaixonando por ele. E isso tem que parar.
Não sei quanto tempo se passou, mas eu ainda estava longe de casa. Que droga. Eu caminhava pela beira da praia, observando o mover das ondas do mar, implorando em silêncio para elas que lavassem toda minha dor, que trouxessem minha mãe, que levassem as memórias de Carlos Daniel embora.
O Vento cortava meu rosto, ficando cada vez mais forte. O Frio começou a aparecer, e para ajudar, o tempo começou a fechar-se, e droga... eu ainda estava longe de casa. Não demorou muito para que as trovoadas começassem a se criar, e em pouco tempo as tempestades de areia tomaram conta da beira da praia. Eu não parei de caminhar, e o frio que eu sentia apenas aumentava. Minha mão começou a doer, e constatei que estava sem tomar as medicações... Não parei de caminhar, eu não podia parar, mas comecei a ficar tonta, dificultando meu percurso. Droga, o que se passa?
Apenas para me ajudar, a chuva não demorou a cair, fria e incessante, agitando o mar, remoendo minhas dores. O Mar não atendeu meu pedido, e a cada segundo que se passava, eu pensava mais nele. Pensava no seu toque, no seu jeito, no seu beijo... e em como suas palavras me machucaram.

Notas finais
E agora? mas q merda foi essa hein gente? :O e agoooooooooooora??? comentem o q acham q vai acontecer... deixem sua opinião... ideia... grande beijo! Escritora Saliente - Dai