Notas iniciais
Olá, pessoinhas! Demorei, mas cheguei! Perdoem a demora, tenho passado por problemas pessoais, então juntou toda a confusão que está a minha vida com as provas finais e um bloqueio tremendo surgiu. Mas fiz um esforço, botei a cuca para funcionar e agora vocês têm um lindo capítulo saído do forno com quase três mil palavras! Espero mesmo que gostem! Vejo vocês lá embaixo!

Leo

Bati na porta, mas não obtive resposta. Tentei de novo, mas nada. Procurei o vaso onde estava escondida a chave reserva e abri a porta.

Depois que a Fani me contou o que havia acontecido e que a Ana Elisa estava na Califórnia, tentei ligar para o celular do Danilo diversas vezes, mas não resultou em nada, de modo que cá estou eu, a mais de quatro mil quilômetros de L.A. só para checar como está meu amigo.

Adentrei o apartamento, tomando cuidado para não pisar em caixas de pizza e garrafas de uísque vazias que estavam pelo chão.

Encontrei Danilo desmaiado na cama, provavelmente pela bebedeira. Olhei em volta, a porta aberta do closet evidenciava uma total bagunça nos pertences do meu amigo, mas a parte que era usada pela Ana Elisa continuava intacta. Resolvi acordá-lo e tentar dar um jeito no lugar.

– Danilo, acorda! – cutuquei seu braço, sem resposta. Só rezava para que o meu querido amigo não tenha bebido tanto para entrar em coma alcoólico. – Rodrigo! – gritei, sacudindo seu corpo.

Percebi que ele abriu os olhos e soltei um suspiro de alívio. Pelo menos está vivo.

– Leo? – ele perguntou, sentando-se na cama.

– Sim, tive que vir aqui para conferir como você estava, Fani me contou o que aconteceu. Era mesmo necessário morar a oito horas de mim? Isso aqui é longe para caramba!

– Como ela está? – ele perguntou, me ignorando totalmente.

– Está levando. Não está bem, mas também não está que nem você.

– Bom. – foi só o que ele disse

– Que tal você ir tomar banho e me ajudar a arrumar esse chiqueiro? Parece que alguém morreu aqui dentro, cara. – falei, enquanto o empurrava para o banheiro e fechava a porta.

– E morreu. Minha alma. – ele disse, olhando para o nada.

Resolvi não levar a sério e continuei empurrando seu corpo para o banheiro, dizendo:

– Deixa de drama, a gente vai para a Califórnia e vocês vão conversar e se resolver!

Ouvi o barulho do chuveiro e comecei a organizar o quarto, deixei tudo tão limpo quanto possível, minha mãe ficaria orgulhosa.

Passei para a sala e comecei a recolher as caixas de pizza e as garrafas de bebida, Danilo logo apareceu e começou a me ajudar. Passamos para a cozinha, eu lavava a louça e ele secava e guardava.

Tudo isso levou umas três horas e quando acabamos eu estava exausto.

– Vai me contar o que aconteceu? – perguntei ao Dan, que estava sentando no sofá.

– Você mesmo já disse que a Fani te contou.

– A Fani contou o lado da Ana, eu quero ouvir o seu.

– Tudo bem, mas é uma história longa. – ele falou

– Não estou com pressa – respondi, me sentando de frente para ele no sofá. Ele bufou, mas começou a falar.

Danilo

Flashback ON

Saí do estúdio mais cedo para chegar em casa a tempo de preparar um jantar especial para a Ana. Não exatamente preparar, já que eu ia pedir pelo telefone.

Deixei tudo pronto com antecedência e fui tomar banho, colocando uma blusa de botão preta e dobrando as mangas até os cotovelos. Fui receber a comida na porta e arrumei na mesa, sentindo minhas mãos suarem de nervosismo. Acontece que esse não era apenas um jantar, eu planejava pedir a mão da Ana em casamento. Coloquei uma dose de uísque e sentei no sofá para esperá-la, divagando sobra algumas coisas.

Levei um bom tempo para me convencer disso, para ser sincero. A Aninha sempre foi uma pessoa tão livre de amarras que me sinto até inseguro de propor casamento a ela. Tudo bem, já moramos juntos faz um tempo, mas a verdade é que a minha namorada/quase noiva (esperançosamente) nunca teve um relacionamento tão longo quanto o nosso. Isso, é claro, sem contar o ex-namorado morto, o Felipe.

Não que eu tenha rancor do cara ou algo assim, pelo amor de Deus, ele está morto! O negócio é que eu acho que a Ana ainda sente algo, lá no fundo. Remorso, carinho, culpa, não sei. Só sei que sente e isso me mata porque não posso nem consigo competir com alguém que já morreu, esse cara é quase um mártir!

Saio dos meus devaneios e reparo: já faz uma hora e meia que estou esperando a Ana e até agora nada. Preocupado, começo a discar seu número no meu celular, mas a ligação vai direto para a caixa postal.

Meus olhos vão para a mesa, o sushi se desfazendo e mosquitos sobrevoando o prato e a garrafa de uísque pela metade na mesinha de centro. Eu bebi tudo isso? Droga! Levanto irritado e afasto os mosquitos da comida, salvando o que ainda dava para comer e jogando o resto no lixo.

Estava retirando os pratos da mesa quando escutei a porta abrir e a Ana Elisa entrou em casa. Ana Elisa sim, porque estou com raiva dela neste momento.

Mesmo sem olhar, sabia de cor tudo que ela fazia: deixava as chaves penduradas no porta-chaves, largava a bolsa no sofá e tirava os sapatos, carregando-os nas mãos até o quarto.

– Ah, você chegou. – eu disse, enquanto retirava os pratos da mesa, sem conseguir conter a irritação em minha voz – Surpresa. Ou seria uma, duas horas atrás.

Ela olhou para a sala, percebendo as velas acesas que eu havia colocado. Tive que me concentrar muito para permanecer com raiva dela, pois à meia luz minha namorada era ainda mais linda.

– Uau, isso tudo é para mim? – perguntou, boquiaberta.

– Era, mas o sushi estragou.

– Me desculpa, é que hoje não foi um bom dia.

– Eu te pedi para chegar cedo, Ana! Poxa! – reclamei, enquanto me aproximava.

– Desculpa, ok? Prometo que compenso para você depois! Hoje não é um bom dia.

– Ah, é? Posso saber o porquê ou só daqui a duas horas também?

Sei que estava sendo grosso, mas eu estava muito chateado. Havia perdido um bom tempo pensando no que eu ia dizer, em como eu pediria a mão da Ana e ela nem se dignou a avisar que não chegaria a tempo.

– Hoje é o aniversário de morte do Felipe. – falou, com os olhos marejados.

Eu juro que se esse cara não estivesse morto eu mataria ele!

– Ah, o ex-namorado de novo! Eu deveria ter imaginado! – a essa altura a raiva já havia passado e eu me sentia magoado por ter sido, de certa forma, trocado.

Já faziam muitos anos que esse cara morreu e a Ana algum dia teria que superar, e eu juro por minha mãe que se não for logo, eu vou desistir de tudo.

– Não tem um dia que você não fale dele, pelo amor de Deus! Eu já entendi que ele foi uma grande parte da sua vida, mas precisa me lembrar disso a cada minuto? Caramba! – continuei, sentindo meu tom de voz se elevar.

Eu lutava contra mim mesmo para permanecer calmo, mas não estava conseguindo, cheguei a pensar que foi a bebida, mas tenho uma enorme tolerância a álcool.

A Ana continuava parada, seus sapatos em algum momento foram largados no chão e ela agora olha pasma para mim, como quem não acredita no que acabou de ouvir.

– ‘Tá falando sério?

– Claro! Você acha que eu gosto de ouvir todos os dias como ele era perfeito, como fazia de tudo por você, como morreu por você?

– Dan, eu...

– Não! Eu não consigo competir com um cara morto, Ana Elisa, não dá! Para mim já deu! — explodi

– O que? – exclamou, segurando meu braço e me impedindo de deixar a sala.

– Sabe porque eu te pedi que chegasse mais cedo? – falei, ignorando totalmente sua confusão e colocando a mão no bolso, tirando de lá a caixinha preta com a aliança que eu havia comprado, depositando-a em sua mão – Eu ia te pedir em casamento, Ana. Eu demorei para criar coragem, você sempre pareceu tão livre que nunca achei que fosse gostar da ideia de se casar comigo. Bem, parece que no final eu estava certo, mesmo que o motivo seja outro.

– Para com isso, Dan, eu te amo!

– Não dá mais, Ana. Não vou disputar você com alguém que já morreu – fiz questão de frisar essas duas palavras -, não é justo comigo.

– Então é assim? Vai desistir da gente? – ela veio atrás de mim enquanto eu ia em direção à porta, não passava mais um minuto naquele apartamento.

– Eu já cansei de lutar por você e não ter reconhecimento! Será que eu tenho que morrer também para que você me note? – gritei, me arrependendo das minhas palavras quase no mesmo instante.

Antes que eu pudesse sequer pensar em falar algo, seu olhar foi tomado por raiva e eu senti um ardor no lado esquerdo do meu rosto, eu havia levado um belo de um tapa.

– Quer saber? – gritou, subindo as escadas, e eu a segui – Você fica, quem está saindo agora sou eu! Não preciso aguentar suas teorias malucas de que eu ainda amo um cara que, e você fez muita questão de frisar isso, JÁ MORREU!

Vendo aquela cena, a Aninha arrumando as malas como se sua vida dependesse de que ela saísse daqui, em vez de me acordar, me deixou ainda mais irado. Ela estava indo embora! Depois de tudo que aguentei e abri mão, ela estava me deixando.

– Isso! Vai embora! – gritei, observando-a pegar seus itens pessoais e enfiá-los na bolsa.

– Adeus. – falou, passando por mim e descendo as escadas, batendo a porta ao sair do apartamento.

E eu? Bem, eu devo ter ficado uns bons cinco minutos parado no mesmo lugar, tentando processar tudo que tinha acontecido. Quando finalmente consegui me mover, ao contrário do que eu pensei que faria (que seria sair correndo atrás da Ana), eu apenas sentei no sofá e virei todo o conteúdo da garrafa de uísque, dando longos goles.

Quando sequei o recipiente, joguei com toda a força na parede, vendo os estilhaços voarem pelo chão da sala.

Ali, sentado no chão com as costas apoiadas no sofá, ligeiramente bêbado e sozinho, chorei. Ela havia ido embora e não havia nada que eu pudesse fazer, eu fui muito grosseiro com ela hoje.

Sem qualquer vontade de me levantar, acabei dormindo ali mesmo, em meio a estilhaços de vidro e, metaforicamente falando, do meu coração.

Acordei no outro dia com uma dor de cabeça vinda do inferno e uma imensa vontade de que tudo aquilo não tivesse passado de um sonho – estava mais para um terrível pesadelo -, mas a dor nas minhas costas por ter dormido no chão me fez perceber que realmente havia acontecido, eu havia perdido a mulher da minha vida por não ter sido capaz de lidar com um falecido ex-namorado. O quão idiota eu sou?

Olhei ao redor, reparando no vidro espalhado pelo chão e decidi limpar, mas no meio do caminho mudei de ideia, afinal, eu duvidava muito que a Ana voltasse depois de tudo que falei (impensadamente) para ela.

Ignorando a bagunça, fui para o quarto me deitar, mas meu olhar acabou desviando para o guarda roupa, mais especificamente as roupas da Ana. Mesmo com toda a pressa de sair, o seu lado ainda estava organizado e tudo se encontrava em seu devido lugar, o que me fez suspirar de alívio. Se ela não tinha levado muitas roupas significava que ela planejava voltar, não é?

Bufei, me jogando na cama e fechando os olhos, adormecendo quase que instantaneamente.

Flashback OFF

– E foi basicamente isso, passei os últimos dias sobrevivendo de pizza e uísque até você chegar aqui hoje.

– Nossa, cara... – o Leo disse, colocando a mão em meu ombro num gesto amigo. – E o que você planeja fazer?

– Como assim, o que planejo fazer? Ela me deixou, cara, não tem mais nada para ser feito.

– Vai deixar por isso mesmo? – ele perguntou, surpreso.

– E o que você acha que eu deveria fazer? Sair correndo para a Califórnia e me acertar com ela? – perguntei, descrente.

– Claro! Foi para isso que eu vim, afinal. Precisava colocar nessa sua cabeça dura que você tem que ir lá se acertar com a mulher da sua vida. Vai por mim, é bem mais difícil encontra-la novamente cinco anos depois.

– Tudo bem, você me convenceu. – falei, sentindo meu peito apertar só de pensar na possibilidade de passar cinco anos sem vier ou ter notícias da minha Ana.

– Então o que está esperando? – perguntou, me fazendo levantar – Vai arrumar as malas que o nosso voo sai às 12h.

– Você já estava com as passagens compradas?

– Claro! Não achou que eu viria apenas só para checar como você estava, achou mesmo?

– Cheguei a pensar que sim. – falei.

– Bom, acontece que eu tenho uma esposa muito persuasiva e que me prometeu que eu não poderia encostar nela por um ano inteirinho se eu não voltasse com você – ele explicou, enquanto fazia uma careta. Dei risada.

– Vai logo arrumar sua mala – ele continuou -, não temos o dia todo!

– Ok, já estou indo! – falei, me levantando e subindo as escadas para o meu quarto e o da Ana.

– Enquanto você arruma as malas eu vou avisar que estamos indo. – ele gritou do pé da escada.

– Tudo bem – gritei de volta, enquanto separava algumas peças de roupa.

Leo

Alô? Leo? – ouvi a voz da minha esposa do outro lado da linha e sorri automaticamente, era incrível seu efeito sobre mim.

– Oi amor, só liguei para avisar que estamos saindo daqui no avião das 12h, tudo certinho.

Ai, que bom! Esses dois cabeças duras precisam se acertar logo, desconfio de algo e eles vão precisar estar juntos para o que virá a seguir. – ela disse, misteriosa.

– E será que eu posso saber o que é?

Claro que não, até porque pode ser apenas coisa da minha cabeça, eu posso estar errada e não quero criar falsas esperanças para ninguém.

– Não vai me dar nem mesmo uma dica? – perguntei.

Tá, tá. Tem a ver com... – pude ouvir uma voz ao fundo e a Fani parou de falar — Ana! Espera um minuto que já vamos, ok? Estou falando com o Leo, mas já estou terminando. Enfim, amor, eu e Ana vamos no shopping hoje, ok?

– Salva pelo gongo, não é mesmo, dona Fani? – brinquei, ouvindo sua risada fofa.

Sempre, amor, sempre. Te amo, beijos!

– Também te amo, chegaremos por volta das oito, tudo bem? – lembrei.

Sim, sim, tudo certinho! Agora tenho que ir, beijos!

– Beijos, tchau! – me despedi, encerrando a chamada.

– Vocês dois são tão grudentos e doces que chegam a me dar diabetes. – reclamou Danilo, do topo da escada, com uma mala em uma das mãos.

– Ia te mandar para um lugar bem feio agora, mas vou me controlar.

– Vamos logo, senhor água com açúcar. – debochou, passando por mim e me dando um tapa na cabeça. Resmunguei um “idiota” e o segui para fora do apartamento.

Danilo

O voo foi tão agradável quanto possível, afinal, estávamos atravessando o país. Desembarcamos no Aeroporto Internacional de Los Angeles, conhecido pelos nativos como LAX.

Seguimos de táxi para o apartamento novo do Leo e da Fani, algumas quadras depois do antigo. Chegamos e não havia ninguém em casa, então nos acomodamos e fomos tomar um banho e procurar algo para comer.

Insisti que deveria ficar no velho apartamento que as meninas dividiam, mas o Leo disse que a Ana já estava lá e que era melhor esperar por elas ali e depois resolveríamos isso. Conhecendo a Fani, resolvi obedecer e não contestei.

Fomos num restaurante qualquer e comemos uma comida simples, apenas para enganar o estômago. O Leo sugeriu uma pizza, mas eu já havia comido todos os sabores do cardápio só nos últimos três dias.

Resolvemos voltar logo para casa, queríamos estar lá quando as meninas chegassem, mas não foi exatamente isso que aconteceu.

Já eram quase nove e meia da noite (horário californiano) e nada das garotas chegarem, então o Leo resolveu ligar para a Fani para saber se estava tudo bem.

Assim que ela atendeu, falou algo muito rápido, que eu não pude entender, eu apenas acompanhava os ruídos que saíam do telefone do meu amigo. O Leo me olhou com uma cara e na hora soube que alguma coisa havia acontecido, mas não consegui definir com qual das duas garotas.

– Sim, já estamos indo – ele disse, encerrando a chamada.

– O que aconteceu, Leo? Alguma coisa errada com a Fani? – perguntei.

– Dan, cara, você vai ter que me prometer que vai ficar calmo depois do que eu te contar. – ele pediu e eu senti minhas mãos suarem.

– Está me deixando nervoso, Leo, fala logo.

– A Ana Elisa foi atropelada.

– O que? Como? Por quem? Já prenderam o desgraçado? Vamos agora para o hospital! – falei, desesperado, pegando meu casaco de indo em direção à porta.

– Danilo, respira. – o Leo segurou meus ombros, me fazendo parar e olhar para ele – Se você ficar nervoso, só vai piorar a situação. Se acalma e vamos pegar um táxi para o hospital, ok?

– Tudo bem – respondi

Saímos do apartamento e paramos um táxi que passava na rua, entrando no veículo imediatamente, meu coração batia acelerado e eu rezava com todas as minhas forças para nada grave ter acontecido com a minha Ana.

Notas finais
E então, o que será do nosso casal? Alguém tem algum palpite? E sobre a teoria da Fani, alguma ideia do que se trata? Mandem suas opiniões! (isso ficou parecendo pesquisa de marketing, mas ok) Não tenho data para o próximo, mas prometo me esforçar para que saia o mais rápido possível e não demore tanto quanto esse demorou, ok? Enfim, não se esqueçam que eu amo muito vocês!