Favorite Hero
2 Kerloma
Notas iniciais
— (Olá novamente, não faz tanto tempo assim que a gente se falou não é mesmo? Se você está lendo isso provavelmente leu a primeira história... E ainda voltou pra saber mais? Você é doente haha! Hoje a história nada original é como eu cheguei na terra, se divirta! Ou não hehe.)
Após sair de Aspire eu não sabia muito bem para onde ir, os planetas povoados do nosso sistema eram muito perigosos para mim, pois todos possuíam nações aliadas a Acerlia e isso seria muito perigoso, devido a isso decidi sair do meu sistema solar e vaguei pelo espaço por cerca de dois meses.
Eu havia ficado muito tempo sozinho na nave, já estava começando a questionar minha sanidade quando em um salto por um buraco de minhoca eu decidi ir para uma galaxia vizinha a minha em busca de um planeta comerciante chamado de Kerloma, decidi parar e reabastecer alguns suprimentos e abastecer a nave, mas principalmente para que pudesse ver algumas pessoas.
Decidi pousar em uma região menos povoada, com cidades menores e mais periféricas, para não correr o risco de encontrar caçadores de recompensa ou buscadores do meu reino. – (Sendo sincero eu nem sabia se tinha mesmo gente atrás de mim, mas como já haviam se passado dois meses escolhi não arriscar.). Parei em um centro para naves no fim do dia, por ser mais difícil reconhecer as pessoas achei mais seguro.
O planeta era de um clima meio desértico, seus dias eram extremamente quentes e suas noites muito frias.
Desci da nave vestindo apenas roupas civis, uma calça em um cinza neutro, que era presa por um sinto de cor semelhante, tênis social de cor preta e traços brancos, uma camiseta de manga longa totalmente negra, possuindo também um capuz branco e luvas que me faziam sentir como a pele. Todas as roupas eram feito de tecido sintético que mantinha o calor fazendo com que eu não sentisse frio. Levei também mochila com a minha armadura de Primordium e a espada de minha família do mesmo material enrolada em papel fosco e preto.
O dinheiro que o rei havia me dado era muito, e valia ainda mais pelas galaxias próximas, então não posso dizer que naquele momento estava acabando, mas eu já precisava arrumar alguns trabalhos, pois planejava gastar muito dinheiro naquela parada, — (Calma vocês vão saber com o que.) — porém como ainda era uma galaxia próxima a minha resolvi não passar muito tempo, pedi para que enchessem o tanque e abastecessem os suprimentos com rações básicas e água.
Segui para a cidade em busca de um ferreiro que trabalhasse com Primordium, que era muito raro no meu planeta e ainda mais raro fora dele, então não possuíam muitos lugares que trabalhavam com o metal, mas naquele planeta havia um ferreiro cujo o slogan nas rádios intergaláticas era “desde chumbo até primordium.”, — (Agora vocês devem estar falando, nossa Rádios intergaláticas? Como vocês acham que eu não enlouqueci em dois meses sozinho na Nave? Escutando Rádio!! Dã!) – Minha vinda para essa galáxia não era um mero acaso no fim das contas.
A cidade era pequena, mas possuía um grande fluxo de pessoas, o que tornava perfeito me misturar entre aquela multidão de pessoas indo e vindo, haviam pessoas de diversos planetas, desde aqueles que se pareciam com humanos assim como eu quanto criaturas bizarras, que mais pareciam monstros, mas afinal quem era eu para julgar aquelas pessoas por aparência?
Caminhava por aquele planeta com certa segurança, ao mesmo tempo em que estava muito atento a bolsa que carregava na parte frontal do corpo, o que também era comum naquela região, afim de evitar roubos e batedores de carteira, além de segurar firmemente a espada pela bainha.
Demorou um pouco para que eu pudesse encontrar o ferreiro, como ele trabalhava com diversos tipos de metal ele era muito requisitado e sempre estava aberto até tarde. Entrando em sua loja apenas escutei o bater do martelo, não havia ninguém para receber os clientes, mas havia uma corda pendurada a um sino no telhado. Quando a toquei levei um susto surgiu ao meu lado um holograma em formato de uma mulher muito sensual, mas a qual possuía tentáculos no lugar de seus cabelos e cujo a roupa não passava de um fino biquíni e dizendo com uma voz robótica bem feminina em Interli, uma língua multi-planetária que em Arcelia somos obrigados a estudar durante a escola.
— Olá, por favor aguarde . O mestre Michi já irá atendê-lo.
— C-certo? Obrigado... Eu Acho?
Quando eu terminei de responder logo eu escutei uma grave risada vindo de dentro do local, ao mesmo tempo que o som das batidas de martelo paravam, em seguida sons de passos se aproximavam da porta, então saiu de lá um enorme ser humanoide, grande e gordo com dentes que mais pareciam presas de um tubarão e o nariz empinado que quase dava para ver dentro. Eu não sou um homem baixo, tenho cerca de 1,85m; apenas olhando poderia dizer que ele teria facilmente mais do que 2,10m e utilizava uma calça preta em trapos, sem qualquer camiseta, apenas com um avental de color cobrindo a parte frontal de seu corpo.
— Hahahaha!! Ela é só um holograma simples que se pode personalizar – disse a criatura, me tirando do meu transe e surpresa ao vê-lo. – não é como se ela pudesse realmente entender você. – ele então apertou um botão fazendo-a desaparecer.
— E-entendo...- (Mas quem é o pervertido que ia personalizar um holograma de tal maneira? Acho que o autor, afinal ele que a descreveu).
— Eu sou o Michi, o que você precisa? – Michi não era um nome que condizia com a criatura, porém ele parecia ser muito mais simpático do que sua aparência grotesca demonstrava.
— É que eu escutei sua propaganda na rádio intergalática de Kerloma e bem... antes de contratar seus serviços eu gostaria de saber se poderia contar com a sua descrição durante o trabalho... – disse aquilo deixando algumas moedas da minha terra chamadas Charge sobre o seu balcão, elas equivaliam duas vezes o valor da moeda utilizada naquele planeta.
A Criatura olhou para mim e olhou para as moedas, pegou as moedas e as olhou por algum tempo, quando me surpreendendo ele jogou as moedas em minha direção.
— Saia daqui agora, eu não trabalho com nobres Acerlianos!! – Disse isso e imediatamente se virando e seguindo até a porta.
— Espere!! Eu preciso da sua ajuda!
Michi então se virou para mim e veio em minha direção pegando pela garganta e me erguendo por cima do balcão , me aproximando daquela narina repugnante.
— Eu odeio Acerlianos, eles quase me mataram uma vez em seu planeta só porque eu era diferente enquanto eu estava visitando seu planeta em busca de trabalho com primordium para me especializar... – ele estava quase me enforcando quando soltei a espada para tentar fazê-lo soltar meu pescoço, a espada então caiu sobre o seu balcão e rolou para o chão se desenrolando do seu embrulho e mostrando-a, a criatura então a olhou como se a conhece-se. Ele então jogou deitado sobre o balcão, soltando a minha garganta e me segurando pela bolsa, ele se abaixou e pegou a espada, vendo o brasão em seu pomo e sua bainha ele se virou para mim mais uma vez. – Quem é você? Onde conseguiu essa espada? Diga-me ou eu vou te matar usando ela mesma para te matar.
— E-esta espada é m-minha... – dizia ainda meio ofegante. — ... o ferreiro que a fez disse que é quase igual a do meu pai... a ...
— A diferença é o pomo em leque. – Disse a criatura antes que eu pudesse completar a frase e ele estava correto, o ferreiro que a havia feito disse o mesmo e ele havia feito a espada do meu pai. – Eu consertei a espada na qual a sua foi inspirada, como está Seraph El? – (É o nome do meu pai é de um digimon, culpe a falta de originalidade do autor.)
-Espere, você conhece o meu pai?! – perguntei surpreso, pois não esperava que aquela criatura abominável conheceria o meu pai.
Michi então começou a me contar uma história que aparentemente aconteceu quando eu ainda era um bebê de colo, ele tinha ido a Aspire em um reino próximo a Acerlia para conseguir trabalhos com Primordium em busca de se aprimorar, quando estava fazendo um mês que ele estava trabalhando por lá a nação foi atacada pela minha “amada” nação de conquistadores, tudo havia sido extremamente bem planejado apenas os guardas noturnos da vila em que ele trabalhava haviam morrido, e pela manhã todos os cidadãos e outros guardas haviam sido rendidos, quando um tenente jovem o havia entrado em sua casa e se repugnado com sua aparência e tamanho ele chamou outros soldados que o derrubaram mesmo sem ele expressar qualquer sinal de resistência.
— O tenente decidiu que eu era muito feio para viver e ia desferir um golpe em minha cabeça, como eu estava sendo segurado pelos demais homens eu não consegui nem me defender então fechei os olhos e apenas escutei o som de metal batendo, uma espada havia sido colocada entre o golpe e minha cabeça... era a espada do seu pai, ele era o comandante daquela missão. Ele então retirou a espada do tenente e disse uma frase que ficaria gravada em minha memória “Sem mortes desnecessárias.”
Após dizer aquilo Michi disse que meu pai perguntou a ele se ele iria resistir caso pedisse para que o soltasse e com a cabeça ele havia dito que não, assim Seraph havia feito ele então por respeito a meu pai que havia salvo sua vida cumpriu com sua palavra e ao perceber que a espada de meu pai havia trincado ao segurar o golpe ele ofereceu seus serviços.
— Ele então aceitou a oferta eu não só consertei, como também reforcei a espada do seu pai, sem querer me gabar ela deveria ser a espada mais resistente de todo o seu reino, ele também havia gostado e após o trabalho ele havia me liberado para ir, eu então peguei uma nave para fora de seu planeta, ele era um homem honrado, mas ainda continua guerreando uma guerra que não o merece?
— B-bem ele faleceu em uma missão de conquista, a cerca de sete anos.... – Estava surpreso por aquele homem conhecer meu pai e pela forma que ele falara eu apenas me senti mal, pois por um minuto me senti como o tenente que o queria matar. – Mas continuou tão honrado quanto se lembra até em sua última missão, ele morreu por querer poupar vidas como a sua... mas infelizmente não posso ficar trocando histórias...
— Entendo, mas qual é o seu nome jovem? E o que faz tão longe de casa? – Ele disse isso me devolvendo a espada.
— É uma longa história, o que eu posso dizer é que para manter o legado do lema de meu pai eu tive que trair minha nação e agora estou fugindo do meu planeta, gostaria de pedir que fizesse um trabalho para mim, você é provavelmente o único ferreiro fora da minha galaxia que trabalha com primordium, eu prometo pagar bem. – disse aquilo pulando do balcão e lançando sobre ele a mochila, a abrindo e mostrando a armadura de primordium.
— Heeey, uma armadura inteira de primordium? Eu ouvi que havia uma nação mais fechada a estrangeiros que possuía fontes de primordium suficiente para isso, mas não imaginei que fosse verdade. – Ele tirou as peças da armadura de dentro da bolsa e as olhou uma por uma. – Elas são realmente feitas de puro primordium, mas o cara que fez ela a deixou meio pesadas por causa disso. Você parece bem forte, talvez consiga usa-la bem assim mesmo e ela vai te proteger bem.
— Eu sei, mas eu não consegui me acostumar com a diferença de peso dela para minha armadura antiga, manusear a espada se tornou mais mecânico e não consigo treinar utilizando-a corretamente, eu gostaria que a deixasse mais leve e se possível a tingisse, para que não notassem que ela é feita de Primordium logo de cara, se puder mudar a espada e a bainha também, para que ela não seja tão facilmente reconhecida.
— Entendo,tingir a armadura vai ser difícil nenhuma tinta que eu conheça se fixa em primordium, mas posso tentar e quanto as mudanças, eu acho que consigo retirar um pouco de metal do peitoral, a parte dos bíceps também parece limitar os movimentos com estas ombreiras, posso tirar isso também, a pescoceira está completamente fechada, vamos abrir ela na parte da frente... – ele estava viajando nas alterações as quais faria e eu acho até que ele estava bem feliz em poder mexer com aquela armadura, mas tive que interrompê-lo antes de continuar.
— Eu entendo, mas gostaria de saber se conseguiria terminá-la quando? Como deve saber tenho um pouco de pressa.
— Ah sim, claro claro, eu vou começar a trabalhar nela agora, mas deve demorar de dois a três dias, mas a espada posso lhe entregar amanhã, com uma bainha nova e um pomo igual sem o brasão da sua família, não há a menor chance de que eu consiga tingir a lâmina sem prejudicar o corte então é o máximo que posso fazer.
— Entendo, fechado então, irei lhe pagar metade agora e metade quando acabar o serviço. – Eu disse aquilo pegando em uma espécie de pochete que estava por baixo da camiseta mais algumas moedas de charge, mas fui interrompido antes de poder entrega-las.
— Não será necessário pagamento, seu pai já pagou todos os trabalhos para sua família quando me salvou. – Eu fiquei surpreso de certa forma, aquela criatura era extremamente honrada, muito mais do que eu que traí meu país e acabei matando minha família.
Eu insisti mais um pouco para poder pagá-lo, mas ele disse que não faria o trabalho e eu continuasse, então passei para ele a frequência do radio que eu usava para nave, era uma quase inutilizada pelo baixo alcance, comparado as mais usadas e disse que estaria próximo a orbita do planeta e iria deixar para buscar tudo de uma só vez, Michi concordou e disse que entraria em contato assim que tudo estivesse pronto.
Coloquei meu capuz novamente e saí da loja, antes de seguir para a nave parei em uma taberna em busca de informações sobre planetas distantes povoados com uma atmosfera parecida com a de meu planeta, ao entrar em um estabelecimento notei que havia o bar e algumas mesas destas juntas a parede e coladas umas ao lado das outras e entre ambos uma pista de dança. O lugar estava bem movimentado, me dirigi ao bar e pedi uma bebida leve, quando o bartender que parecia bem humano, ele possuía um cabelo curto e bem penteado, tinha pele laranja e a falta do nariz era notável, parecia ser bem fraco, entregou a bebida e lhe paguei um pouco mais que seu valor perguntando a ele.
— Amigo eu gostaria de algumas informações, você sabe de algum planeta distante em outras galaxias com atmosferas parecidas com essa ou com Aspire? — perguntei-lhe em Interli.
Ele nada respondeu, apenas apontou para uma mesa onde estava só uma mulher de pele vermelha como sangue, seus lábios estavam cobertos por uma pintura rosa, seus cabelos eram lisos e possuíam a mesma cor dos seus lábios, ela vestia uma roupa que branca que cobria todo o seu corpo, desde o pescoço até suas pernas, a única exceção eram suas mãos, mas nem por isso era menos sexy, pois a roupa era colada em seu corpo como uma segunda pele seguindo pelas ondas de seu corpo, com seios robustos e grandes coxas que acabavam em uma bela bota, rosa como os cabelos e os lábios da mesma. – (Okay tudo bem, talvez eu tivesse ficado encantado com ela, mas e dai? Também tenho líbido!!! Não sou um herói puritano nem nada assim que faz sucesso hoje em dia tá?).
Segui em direção daquela mulher sedutora cujo a aparência embriagou meus sentidos, me aproximando de sua mesa desviei o meu caminho, estava nervoso, como deveria chegar nela? Eu era jovem então rapidamente confundia as coisas e meus hormônios falavam mais alto. Fui ao banheiro e passei água em meu rosto e recobrei a razão, não queria chamá-la para um encontro apenas pedir informações. – (E lá vamos nós de novo...).
Sai do banheiro determinado e segui em direção a mesa dela novamente, mas enquanto me aproximava dois homens com um olho só e com suas orelhas coladas na lateral de suas cabeças e vestidos com roupas de Rantar, um planeta vizinho ao meu, se sentaram junto a mulher, eu então sentei na mesa ao lado, no banco de costas para com as costas da mulher, pois queria escutar o que conversavam, mas não tive muita sorte, mesmo podendo escutar o que eles falavam eles falavam em Rantariano a língua nativa de seu planeta, a qual eu nunca aprendi. O que me impressionava naquele momento era que a mulher respondia no mesmo idioma.
Eles passaram alguns minutos conversando eu quase não entendia nada a não ser uma ou outra palavra até que escutei meu nome em sua conversa, “Mikah El” é um nome de pronuncia única em qualquer galaxia, mas por dizerem o meu nome só podia significar que estavam atrás de mim, decidi então não mais tentar pegar informações com aquela mulher, afinal agora ela sabia que estavam atrás de alguém como eu, provavelmente também haviam me descrito no meio de toda aquela conversa.
Acreditei que sair da mesa assim que disseram meu nome talvez levantasse suspeitas então pedi então mais um drink, já havia acabado o primeiro e apesar de não querer um segundo por ser muito fraco para bebida não tive escolha. A garçonete que vestia roupas quase tão reveladoras quanto o holograma de Michi trouxe outro igual ao primeiro.
Mais alguns minutos se passaram daquela conversa, os dois Rantarians entregaram então um papel que parecia um pergaminho enrolado para a mulher e se levantaram para ir em bora, quando passaram por mim abaixei a minha cabeça para tomar o drink como se estivesse uito bebado, eles seguiram direto até a saída, então me levantei.
— Espera aí docinho – Eu escutei aquilo e por reflexo virei para trás, era a mulher que estava a falar com os dois e desta vez falava em Acerliano. “ – Eles estavam atrás de você sabia gracinha?
— E-eu... – sem saber o que dizer eu simplesmente me virei para correr, mas repentinamente me senti fraco e fui caindo até apagar de uma vez.
Acordei depois de não sei quanto tempo ainda desnorteado no mesmo estabelecimento, olhando para os lados vi que o bartender limpava o bar e era possível ver alguns raios de sol passando pelas janelas, já estava amanhecendo, escutei então uma voz que vinha da minha frente olhei então com uma visão borrada, eram a mulher misteriosa e a garçonete despida. – (Não estou criticando está bem? Eu também gostei do estilo fazer o que) – Ao tentar me mover notei que estava com minhas pernas amarradas, a garçonete então falou algo em Acerliano.
— Relaxa gatinho é só para você não escapar... – Ela disse aquilo em seguida deu uma leve risadinha.
— Então esse é o traidor de Acerlia que aqueles rantarianos estavam procurando ontem- começou falando e me mostrando o cartaz de procurado, com uma foto minha de cabelo mais curto de uns dois meses atrás antes de fugir do meu planeta — você deve ter feito algo muito ruim pela recompensa que ofereceram, mas parece tão novinho, quantos anos você tem garoto? – Perguntou a que tinha pele vermelha.
-E-eu... tenho 17 – Eu estava nervoso, mas a culpa por meus atos também me alcançava. – e eu fiz algo realmente imperdoável.
— Então nos conte o que fez? – disseram as duas em coro.
Então comecei a contar a minha história, aquilo que eu tinha feito e as minhas motivações para tal e o que aquilo realmente havia causado, omiti é claro algumas partes como a morte do meu irmão e de Ehur que eram minha família, também expliquei o porque estava naquele planeta, falei sobre o Michi e o que eu buscava na taberna aquela noite.
Elas pararam por um minuto e ficaram olhando para mim eu fiquei meio desconsertado com aquela situação, mas então elas se olharam e começaram a falar em uma língua em que eu não reconhecia, nem se quer sabia de qual planeta seria, ambas se viraram para mim novamente e a de lábios rosas começou a falar.
— Certo, se o que você diz é verdade, você é realmente um garoto muito idiota por não acreditar que o rei iria retalhar o seu acampamento imediatamente. Segundo você tem muita sorte da gente estar acreditando em você e decidir não te entregar.
— O-okay eu agradeço... mas porque me apagaram? – Perguntei imaginando que haviam colocado algo na minha bebida.
— Eu achei suspeita a maneira que estava sentado sozinho escutando a conversa da minha irmã... – irmãs? Elas nem tinham a pele da mesma cor, enquanto uma possuía a pele vermelha e lábios rosas a outra por sua vez obtinha a pele laranja como a do bartender, e tinha pernas um pouco mais curvas e uma cauda felpuda, era como um coelho. –... e coloquei um calmante forte na sua bebida.
-C-certo, vocês poderiam me soltar?
— A sim, verdade – disse a garçonete que se levantava e ia pegar uma faca para cortar a fita com a qual me amarraram.
— Eu sou Elva e esta é a Suria – disse então a de pele vermelha, com a cujo a pele era azul dando um tchauzinho enquanto pegava a faca no balcão. – Nós somos traficantes de informação por isso conhecemos muitas línguas, inclusive a sua.
— Isso explica muita coisa, mas por que decidiram me ajudar?. – As duas então deram uma risadinha como se tirassem sarro de mim. – O Que é tão engraçado?!
— Não bobinho – disse Suria enquanto cortava a fita. – Nunca dissemos que iriamos te ajudar, só não vamos te entregar, porque se seu pai salvou o Michi temos uma dívida com você também que está sendo paga agora.
— Isso mesmo, Michi era nosso irmão mais velho e sempre cuidou de nós nas ruas enquanto eramos crianças, nenhum de nós tinhamos pais, mas lutamos para sobreviver aqui, quando estávamos adultos já que ele foi em busca do seu sonho de ser ferreiro e fez a viajem da história que nos contou. – Completou Elva. – E o motivo de ter saído vivo e sem nenhum ferimento da tenda dele mesmo sendo acerliano prova que sua história é verdade, mas se quiser a informação sobre o planeta ainda vai ter que pagar, pode pagar o valor da armadura que ele vai fazer para você.
— T-tudo bem eu acho. – peguei então uma bolsa de dinheiro e lhes entreguei por completo – isso é tudo que eu tenho no momento, tenho um pouco mais na nave, mas esse valor é duas vezes o da armadura.
— Duas vezes?! – as duas disseram estranhando, com um tom de surpresa.
— Já que conhecem o Michi eu gostaria de lhes pagar além da informação, para levarem a armadura para minha nave em orbita já que é muito arriscado voltar aqui, com aqueles homens procurando por mim. – as duas então se olharam, olharam para a bolsa de dinheiro e acenaram com a cabeça concordando com a condição. – Certo, eu agradeço, agora vocês podem me contar sobre o planeta cujo a atmosfera serve para seres vivos como eu?
-Tudo bem apreçadinho – Elva parecia ser mais comunicativa quando se tratava de negócios, imagino que Suria fosse aquela que conseguia as informações como garçonete em um local tão movimentado, muitos bêbados deviam lhe contar histórias. – a cerca de seis meses veio um Treoriano que apesar de bem mais feios que você... – (Opa, acho que alguém gostou de mim, cof cof.). – Necessitam de uma atmosfera semelhante, ele estava contando de uma vez que foi a um planeta com tecnologia inferior, eles nem se quer tinham naves que podiam viajar por uma galaxia disse ele, falou que um dos seres que o encontrou gritou e correu, depois ele tinha ficado famoso sendo conhecido como “Pé grande” seja lá o que isso quer dizer e teve que ir embora pois muitas pessoas começaram a caça-lo, esse planeta fica a duas galaxias daqui, sua nave, pelo que contou deve ser capaz de chegar lá sem precisar abastecer de novo.
— Certo, eu irei seguir sua dica... espero por vocês na orbita em quatro dias – Disse isso e ia me levantando, mas ainda estava meio tonto e acabei caindo.
-Espere é perigoso sair durante o dia, os Rantarianos podem te encontrar, temos quartos la em cima, vou te levar. – disse Suria me pegando no colo, ela era realmente muito forte como aparentava.(Eu não sei porque me deu uma vontade de tomar leite na hora...).
Ela me deixou em uma cama no andar de cima e eu apaguei novamente ainda meio fraco, dormi por algumas horas e acordei com um sanduíche estranho ao lado da minha cama, me alimente e tomei um banho, me sentia como novo então peguei um mapa em meu bolso e tracei meu caminho por partes menos movimentadas das galaxias até o planeta desconhecido, quando acabei já era noite e começava a escutar o som vindo da taberna a baixo.
Ao sair do quarto me deparei com as duas estranhas irmãs, Suria carregava um sobretudo preto o qual me entregou para que eu vestisse, aparentemente os homens rantarianos estavam na boate aquela noite novamente pelo que Elva havia dito, ela me levou até a porta dos fundos por onde pude sair, segui diretamente para o porto onde havia deixado a minha nave e decolei fiquei em orbita esperando os quatro dias se passarem.
Quando os dias se passaram, recebi uma mensagem de Michi pelo rádio dizendo que sua irmãzinha estava vindo me entregar a armadura e que se eu fizesse qualquer coisa de errado com ela ele faria o mesmo comigo. – (Eu realmente fiquei em choque só de imaginar aquilo, então por favor não imaginem.)
Imginava qual delas viria me trazer a armadura, talvez Elva que era mais entendida dos negócios, quem sabe então Suria que era sem dúvidas mais gentil, mas para minha surpresa quem apareceu foi o bartender. (- Que na verdade era a bartender, que plot twist não é mesmo?) Ela então acoplou sua nave na minha e entrou pelo andar de carga.
— A-aqui e-e-estáa! – Sua voz era bem feminina, mas ela parecia bem nervosa, deixou a bolsa com a espada e a armadura sem mesmo subir para cabine. – C-confere!
— Tudo bem!!. – Gritei para ela na nave e desci até até onde ela havia deixado a mala.
A primeira coisa que retirei da mala foi a espada, sua bainha estava negra, mas o dragão continuava lá em sua cor original e seu pomo não possuía mais o brasão da minha família, somente um dragão solitário em Azul real como o outro, ao desembanhá-la sua lâmina continuava branca e parecia ainda mais afiada.
Em seguida retirei o peitoral da armadura, a pescoceira estava aberta na parte frontal e as laterais haviam sido retiradas, em seu lugar foi colocado um couro preto, que parecia bem grosso, porém muito maleável e as ombreiras estavam mais abertas , sem os encaixes dos bíceps, também substituído pelo couro, as partes de primordium não eram mais brancas e sim azuis como a cor do dragão da espada.
As braçadeiras continuavam as mesmas com a proteção para as mãos sendo mantida e sem a necessidade de luvas, mas a parte das pernas havia sido totalmente modificada, as partes da coxa que antes eram tradicionais foram substituídas por placas laterais em cascata, que cobriam da minha cintura até próximo ao joelho, a parte de dentro havia sido trocada pelo mesmo couro negro.
As botas que antes só cobriam até a canela, agora iam até o joelho e pareciam mais finas ao terminar de tirar as coisas de dentro senti que ainda havia alguma coisa, quando a retirei era um escudo, feito para se encaixar na braçadeira da armadura em formato das asas fechadas de um dragão, era da mesma cor das placas de primordium da armadura, provavelmente foi feito com o material retirado da mesma. Enquanto eu admirava o escudo fui interrompido pela voz fraca da bartender.
— P-presente, c-carta! E-eu ir!! – Ela então saiu para sua navezinha e voltou para seu planeta, eu não havia entendido bem o que ela tinha dito, mas olhando melhor notei que havia uma carta dentro da bolsa, era do Michi.
“Fiquei sabendo que conheceu minhas irmãzinhas, tome cuidado com elas se não vai ter que ser ver comigo hehe! Agora vamos falar de sua armadura, eu retirei algumas partes de primordium e substitui por Couro de Bufufu, um animal de Kerloma, o couro é bem resistente para tal material, quase como ferro, mas é bem elástico então não vai restringir seus movimentos, foi difícil tingir a armadura, mas consegui fazer uma fina camada de aço sobre o primordium, o suficiente para tingi-lo, é quase tão fino quanto o fio de uma espada. Quanto ao primordium que sobrou, espero que tenha gostado do escudo de asas de dragão, foi feito com o metal que sobrou e tingido da mesma maneira.
Tome cuidado em sua jornada, seu pai era um homem muito honrado, seja honrado como ele foi.”
Ao ler aquilo me emocionei de certa forma, alguém que havia acabado de me conhecer me tratando tão bem, mas não podia ficar ali, já haviam pessoas me procurando naquele local. Coloquei as coisas de volta na mochila e as levei para a cabine e me preparei para sair.
-(Chegamos em mais um fim anti-climático não é mesmo? Mas não se preocupem podemos dizer que isso é apenas o prólogo da minha história. A vocês querem saber se o planeta é finalmente a terra? Sim é! Digamos no entanto que minha chegada foi meio turbulenta, mas isso fica para uma próxima história.)
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