Fault of Boys- Bray

4 Estranho seria se estranho fosse.


Notas iniciais
Playlist: ♥ It will rain- Bruno Mars If you ever leave me, baby Leave some morphine at my door 'Cause it would take a whole lot of medication To realize what we used to have We don't have it anymore There's no religion that could save me No matter how long my knees are on the floor So keep in mind all the sacrifices I'm makin' To keep you by my side And keep you from walkin' out the door Cause there'll be no sunlight If I lose you, baby

O dia amanheceu estranho hoje. Ou foi a noite que não pareceu certa para dormir. Ou fui eu, que estava me sentindo pesado desde que deixei Jess em casa quatro dias atrás. Pesado é realmente a melhor forma que eu posso descrever meu coração neste momento. Eu culpei os dias em que eu não pude vê-la por isso; culpei o estado de dependência em que sua presença tinha me deixado; culpei a falta que sentia dela; culpei o desejo reprimido que estava preso dentro de mim, culpei a distância, e a falta de seu corpo quente.

Culpei o tom de tristeza na voz dela quando falou comigo ao telefone.

Mas, apesar de tudo isso, eu tinha fodidamente muita certeza de que algo não estava certo, e eu não podia dizer o que era. Isso estava me levando à beira do desespero. Fazia dias que eu não via Jess, mamãe tinha alguns negócios da fazenda dos quais eu precisava cuidar, e assim eu fiz, mas ao final do segundo dia eu já me sentia um dependente químico privado de sua merda, e minha droga de escolha era uma garota. As poucas vezes em que eu pude falar com Jess ao telefone ainda estavam me assombrando. Ela parecia cada vez mais distante de mim, e eu não gostava nem um pouco disso.

Também não gostei nem um pouco de saber que ontem à noite Jess estava bebendo ao esquecimento no bar, com o meu fodido irmãozinho. Mark e eu teríamos uma conversa bastante séria, porque ele podia ter sido um bom irmão, ficado sóbrio e levado Jess para casa, a impedindo de ficar bêbada em um bar qualquer, mas, ao invés disso, ele apenas se juntou a ela. E, caramba, se isso não me chocou também. O bom menino estava se rebelando, e, Deus nos ajude, porque ele era o único de nós com um bom temperamento.

Mas enfim, voltando ao ponto, eu sentia falta de Jesse apenas pra caralho, o que me fez dirigir para a casa dela como um maníaco, na primeira infame oportunidade que tive. Eu havia avisado a Jess que viria, que gostaria de leva-la em algum lugar para que pudéssemos ficar sozinhos. Senti sua hesitação quando ela concordou, e isso me trouxe calafrios.

Me mexi desconfortavelmente no me assento quando estacionei e buzinei na porta de sua casa. Baixei os vidros das janelas para recebe-la e cumprimentar sua mãe. Em circunstancias normais, eu desceria do carro para recebe-la em meus braços. Hoje, no entanto, eu tive a impressão de que se eu não a tirasse logo dali, e a levasse em segurança para um local onde só estaríamos eu e ela, algo/alguém/alguma coisa a tiraria de mim.

Levou apenas um minuto, que pareceu longo demais, antes de Jess abrir a porta e caminhar em direção a mim. Mas Jess não foi a única cabeça ruiva a passar pela porta. Allyson Hill literalmente me encarou quando se encostou no batente da porta de casa, observando sua filha caminhar até mim. A mãe de Jess e eu nunca realmente tivemos a oportunidade de conversar, no entanto, ela sempre foi cordial em suas saudações. Mas o aceno de cabeça que ela me ofereceu hoje foi desprovido de simpatias, e, quando Jess ia para alcançar a maçaneta da minha caminhonete sua mãe desviou os olhos de mim e deixo-os cair sobre ela.

— Jess. — Allyson chamou, parando os movimentos de sua filha. Não foi alto, mas a calçada era curta, e o caminho de onde eu estava estacionado para a porta da casa não era longo, de forma que eu podia ouvir.

Jess se virou para ela. — Sim?

Sua mãe suspirou, parecendo quase hesitante, o que realmente ela nunca podia ser acusada de ser. A mulher simplesmente andava, falava, agia, transpirava, fazia qualquer coisa maldita com confiança.

— Eu devo me preocupar com isso? — Ela perguntou, movendo o dedo para mim e então para sua filha.

Jess não respondeu de imediato. E esse foi o momento que eu me preocupei em reparar nela, que estava de costas, e, se a tenção no conjunto dos seus ombros fosse indicação, eu diria que, qualquer que fosse, a merda era séria.

Finalmente, se montando em uma postura firme, Jess levantou os ombros e respondeu a sua mãe.

— Não se preocupe, mamãe, eu tenho isso.

. ♥ .

O silencio no carro era esmagador. A mão pequena de Jess, que estava enfiada na minha, era o que estava me mantendo dentro da sanidade. Eu queria questiona-la no momento em que ela entrou na minha caminhonete e me ofereceu um pequeno sorriso tristes.

Meu coração havia se apertado em vários nós, porque a minha garota nunca me deu outra coisa senão sorrisos radiantes. Jess não disse nenhuma palavra, e ela sempre tinha algo esperto a me dizer, em qualquer hora. O fato dela não ter procurado se aconchegar, também foi algo que me teve em parafusos, porque ela sempre se grudava em mim quando andávamos de carro.

Para o meu próprio bem, ela não se importou de eu segurar sua mão. E eu segurei apertado, precisando desse contato como ancora enquanto eu estava nesse mar desconhecido.

O trajeto da casa de Jess até a fazenda foi feito em pouco mais de meia hora, e Jess olhava para qualquer lugar menos para mim durante este tempo. Eu, no entanto, tive que me forçar a ficar concentrado na estrada e transportar minha menina com segurança, por que era quase impossível dirigir quando tudo que eu queria fazer era estudar seu rosto até descobrir o que estava errado e corrigir. Ou então parar o maldito caminhão no meio da estrada e puxa-la em meus braços, apenas para tentar tirar aquele semblante triste do rosto dela.

No começo, eu não sabia para onde estava nos levando, mas me subconsciente me levou no único lugar para onde eu conseguia pensar: o lago.

Ainda não estava quente o suficiente para que pudéssemos nadar, mas apenas estar sentado contemplando as águas cristalinas teria de ser suficiente. Minha mãe diz que este também era o lugar preferido do meu pai dentro da fazenda, e que puxei isso dele. Não sei se é verdade, pois não me lembro muita coisa do meu pai, mas se for, eu era o único dos seus filhos com quem ele compartilhou isso. Meus irmãos não vinham aqui até que fosse verão, e acho que essa foi toda a magia do lugar para mim. Eu sabia que estaria sozinho.

Quando eu puxei o carro a uma parada, Jess proferiu suas primeiras palavras do dia enquanto se mexia no banco do passageiro.

— Bem, olá déjà vu!

O sarcasmo colorindo sua voz quase me fez pensar que ela estava bem, quase. Mas o sarcasmo não era o único elemento em sua voz, ela também veio cheia de algo parecido com mágoa.

Bem, acho que trazer Jess no meu lugar preferido, logo neste momento, não foi a melhor ideia que eu já tive, apenas porque esta não é a primeira vez que nos encontramos nessa situação. Quando Nox recusou meu pedido de casamento, quase três meses atrás, foi para este exato local que eu fiz Jess dirigir.

Apenas fale sobre piorar as coisas...

— Jess, porra, eu sinto muito, — pedi a ela, enquanto esfreguei meu rosto em um claro sinal de frustração.

Jess suspirou. — Tudo certo, Bray. Minha culpa. Eu não deveria lembra-lo disso.

— Lembrar-me? — Perguntei em confusão professa.

Ela não olhava para mim quando calmamente respondeu: — Sim, lembrar da garota que você amava e perdeu. Eu sinto muito, não deveria ter tocado...

— Pare, Jess. — Eu falei em tom duro, cortando sua declaração. — Então isso é sobre o meu relacionamento com Nox?

— Isso?

— Sim, Jess, você sabe do que eu estou falando, não pareça desentendida. Faz cinco dias que eu não te vejo, e eu senti sua falta como um louco maldito, mas a cada vez que eu pegava o telefone e te ligava, você parecia mais distante. Eu praticamente posso sentir você me deixando, e eu não gosto disso. Me diga o que está errado, princesa, para que eu possa corrigir. — Supliquei-lhe.

— Nada disso está certo, Bray. — Ela respondeu, e eu odiei o tom desprovido de emoção que ela usou. — Nós dois não deveríamos estar acontecendo.

Um tapa teria doido menos.

— Que porra é essa, Jess?! Quem disse isso a você? Diga-me, para que eu possa matar! — Exigi.

Eu vi um instante de hesitação antes de ela responder. Ela soava tão calma que não se parecia em nada com ela. — Essas são minhas próprias palavras, eu não tenho costume de repetir os outros, Bray. E você tem que saber que eu estou certa. Isto não dará certo entre nós. Eu nunca vou ser como ela. A garota perfeita, que toda a sua família aprova. Eu sou apenas o seu momento rebelde. Você precisava de um passeio selvagem depois de romper com Nox, precisava de uma distração, e acontece que eu estava no lugar e na hora certa.

Merda nenhuma, Jess.. — Tentei cortar seu discurso desconexo, mas ela já estava balançando a cabeça em uma negativa.

— Deixe-me terminar. — Ela pediu serenamente.

Eu não gostei da forma como ela estava agindo. Não é que eu pensava que sempre fosse ser perfeito entre mim e Jess, nós lutaríamos, e eu esperava por isso, por que nós dois éramos pessoas mulas teimosas, mas não foi assim que eu imaginei que seria a nossa primeira briga. Quando o assunto era Jess, tudo que acontecia era intenso, mas hoje estava tão fora disso que eu fiquei inclinado a sacudi-la. Ela parecia um robô em sua própria pele, e a menina por quem eu tinha caído apaixonado, tão rápido e tão fundo, não era nada como um ser inanimado. Ela tinha o fogo dentro de si, e eu o queria de volta.

— Jess...

— Bray. Ouça-me. Eu não estou brava, se tudo, eu fico feliz que fui a escolhida a ter seu momento. Mas eu também entendo que não vai durar. Não nos encaixamos, querido. Sua mãe, ela me odeia e eu tenho certeza de que nunca vai me aceitar por causa de quem é a minha mãe.

Era este todo o maldito problema? Foda-se! E a minha estamos indo para ter uma conversa...

— Caralho, Jess, essa merda não importa para mim. Eu não ligo uma merda para o que a minha mãe pensa de você, amor. — Garanti a ela com ferocidade. Eu precisava que ela entendesse o que ela significava para mim. Que entendesse que, depois dela, não teria mais ninguém. — É comigo que você está em um relacionamento, e isso diz respeito apenas a mim. Você não foi o meu “passeio selvagem”, como você diz. Eu nunca usaria você para nada, Jess, muito menos para substituir alguém. Eu estive e estou com você por causa de você, por que você é uma pessoa incrível e real, eu te admiro, e eu te am..

— Não diga. Por favor, não! — Ela me interrompeu com um grito. Eu observei sua concha de frieza quebrar como se fosse um pedaço de vidro. Lágrimas se formaram em poços nos seus olhos, mas ela não se importou em limpa-las. — Você não pode dizer isso para mim, Bray, não é justo. NÃO É JUSTO, PORRA! Porque eu não posso ter você. E sei melhor do que acreditar que tudo vai dar certo e que os outros não importam. Mas importa, Bray, porque você terá de abrir mão da sua mãe apenas para estar comigo, será que vale a pena, Bray? Não. E mesmo que valesse, em algum momento você seria ressentido disso, e eu me odiaria por fazer isso com você. ME. ODIARIA.

Ela gritou, e parecia dilacerada, e essa merda estava me comendo por dentro. Eu pensei que tivesse sentido medo quando vi Asher retornar para casa e soube que ia perder o que eu tinha com Nox, porque eu achei que a amava. Mas, porra, apenas o pensamento de perder Jess, me fez perceber o que era o medo real, aquele que gela sua espinha, faz suas mãos tremerem e seu coração errar as batidas de seu compasso.

E eu soube que o que sentia por Jess não ia desaparecer, nunca. Eu a amava, como em ‘ela seria a única garotar cuja a perda me destroçaria’. Ela seria insuperável, porque ela era a única para mim.

Guardei em minha mente o lembrete de mandar a Nox um cartão, agradecendo-lhe por aquele sábio ‘eu não posso fazer isso, Bray’, porque agora eu sei o que eu teria perdido. Eu teria perdido Jess. Ao mesmo tempo, eu teria que pedir-lhe desculpas por ser tão idiota, porque se era esse o sentimento que Nox sentia por meu irmão, então eu me arrependia pra caralho de ter tentado mantê-los afastados.

Eu nunca permitiria que ninguém me afastasse de Jess, nem mesmo ela, e ficaria um inferno de muito chateado se alguém sequer tentasse.

Jess levou as mãos para cima e cobriu o rosto enquanto quebrava em grandes e feios soluços, partindo meu coração. Eu tinha me impedido de me aproximar dela para que pudéssemos conversar, mas eu não ia apenas ficar observando-a quebrar desse jeito, então cheguei até ela e a puxei para o meu peito, onde ela ficou dobrada e firmemente apertada contra mim durante um tempo, onde seu choro desacelerou para um choramingar, e ela respirou mais facilmente, no que eu supus que era ela se acalmando.

Até que ela pôde dizer:

Eu não posso fazer isso... — Mal ouvi quando ela proferiu as palavras, foi fraco e quase como se ela não quisesse dizer isso.

E então mais forte:

— Não podemos continuar com isso, Bray. Por favor — ela suplicou —, deixe-me ir.

Nunca! Gritei em minha mente. E eu queria gritar para ela agora, mas eu entendi que ela acreditava em cada coisa do que me disse, e, se eu não posso enfiar na cabeça dela, a força, que ela estava errada, eu ia ser suave e convence-la. E esperaria o tempo que fosse até que ela entendesse: Não havia ninguém além dela, e seria sempre assim.

Eu a soltei do meu aperto – lutando contra tudo dentro de mim que dizia para que eu a mantivesse tão perto quanto humanamente possível – mas segurei seu rosto na garantia de que ela visse tanto a minha determinação, como todo o meu amor brilhando em cada palavra que eu diria a ela.

— Eu deixarei você ir, princesa — garanti, e ela suspirou em seu choro baixo —, por agora.

Jess me encarou em choque.

Bray, não...

Shh, querida. — Pedi suavemente. — Eu vou levar você para casa, e para sua mãe, para que você possa se acalmar. Mas, Jess, eu não estou desistindo de você. Você foi muito tola se pensou que eu iria desistir com seus fracos argumentos e sua determinação forjada. Aliás, não há argumento para que eu desista do que temos, princesa, não se incomode em tentar outra vez. O único jeito de você se livrar de mim é olhando nos meus olhos e dizendo que não sente absolutamente nada por mim, mas não pode ser uma mentira, Jess. E eu sei que isso está longe de ser verdade. — Enfatizei. Então limpei suas lágrimas e beijei sua testa antes de retornar meu olhar para o seu. — Eu te amo.

Não esperei por sua reação, ou para sua resposta, quando soltei o seu rosto bonito e mudei a alavanca de câmbio para que pudesse levar ela para casa. Eu acho que a choquei, porque, por todo o caminho a frente da sede da nossa fazenda, Jess esteve quieta.

E isso foi quando eu tive que parar o carro. Porra, eu tinha me esquecido!

Me chutei mentalmente enquanto levava o carro a uma parada suave. Havia dois caminhões de carregamentos entre o meu carro e a saída, e, de forma nenhuma eu conseguiria passar.

— Droga! — Murmurei mais para mim mesmo do que para Jess, então me virei para ela. — Espere um pouco, sim, princesa? Eu vou ver se eles podem mover um pouco para me deixar passar.

Jess acenou, me deixando saber que ela entendeu, então eu lhe ofereci um pequeno sorriso e sai.

Estava quase alcançando o motorista do caminhão parado na minha frente quando eu ouvi a voz da minha mãe atrás de mim.

— Já era hora de você aparecer, filho.

Merda!

— Não agora, mamãe! — Eu respondi, soando mais duro do que o necessário, mas porra, eu estava chateado com a besteira dela sobre Jess.

— Droga, cara, não fale assim com a nossa mãe! Qual, porra, é o seu problema?! — Cage disse, me tirando da minha névoa. Eu olhei ao redor um pouco, até perceber que quase todos os meus irmãos estavam aqui.

Ótimo. Fodidamente maravilhoso!

Eu suspirei um pouco antes da minha mãe me alcançar novamente. — Sim, moleque, não fale assim. Eu ainda sou a sua mãe e te criei melhor que isso, Braydan Jacob Henley. — Resmungou, da mesma forma que fazia quando eu tinha cinco anos. — Onde você se meteu, afinal? — Ela perguntou, mas antes que eu pudesse responder, ela emendou com: — Quem é a pessoa no seu carro?

Eu me virei para responde-la, mas ela já estava andando para descobrir por si mesma. Eu tentei para-la, quando chamei seu nome, mas não adiantou. Eu orei para que Jess não tivesse ouvido tudo isso, mas quando ela desceu da caminhonete eu soube que alguém lá no céu estava me cobrando umas atitudes ruins.

Jess deu a volta no carro e parou na frente da minha mãe, que dividia suas emoções entre a raiva e o choque.

— Senhora Henley. — Jess cumprimentou.

— Garota. — Minha mãe praticamente cuspiu de volta. — O que você está fazendo na minha propriedade?

— Mãe! — Eu gritei indignado.

Eu ouvi os arquejos dos meus irmãos enquanto andei para ficar ao lado de Jess e puxa-la para mim. Asher resmungou um porra em tom de ‘merda está para acontecer’, enquanto meu irmão mais novo, Max, proferiu um ‘oh, cara!’ como se isso fosse ser a coisa mais interessante que ele já assistiu. Ele podia ser um grande bastardo, mas era em momentos como esse que a gente via que tudo que ele tinha era tamanho, ele ainda era um garoto.

— Braydan, comece a me explicar porque a garota está aqui, por favor... — Minha mãe exigiu lançando um olhar duro a Jess.

Ela estava usando o meu nome completo, o que sindicava que ela estava além de puta. Porra, mãe! Por favor, facilite... temos uma plateia...

Eu puxei Jess para mim, sentindo sua postura rígida. E quando olhei no seu rosto, e o vi brilhar com sua determinação de sempre. O momento de calmaria tinha passado, aí vinha o furacão Jess, e eu estaria mentindo se dissesse que eu não estava feliz com isso.

A garota aqui tem um nome, Senhora Henley, é Jessica, então use-o. Eu nunca lhe faltei com respeito, e minimamente a Senhora poderia retribuir sendo civilizada.

Oh, cara.

— Jess! — Eu sibilei, tentado silencia-la para que eu pudesse lidar com isso. Eu não estava chateado com ela, a minha mãe mereceu suas palavras, mas ela também não estava ajudando.

Minha mãe bufou. — Bem, não pareça tão chocado, Braydan. Estranho seria se estranho fosse. A garota se comporta como a mãe. Ela é descontrolada, meu filho. O que você está fazendo andando com ela?

— Mãe! Pare com isso. — Disse, já no meu limite. — É a minha namorada que a Senhora está insultando.

Minha mãe parecia mortificada.

— Não, Braydan! — Ela falou em tom de lamento. — Porque? Eu entendo que você ficou triste depois do que aconteceu com a menina Nial, mas você não precisava sair com qualquer tipo, essa garota aí nuca vai ser boa o suficiente para você, meu filho. Ela nunca vai ser calma e compassiva. Ela nunca vai ser...

Deus me ajude! Eu estava perto pra caralho de bater na minha própria mãe, quando Jess a interrompeu.

— Nunca vai como ser Nox Nial. — Jess concluiu. — Realmente. Porque ela é apenas Jessica, a filha da mulher responsável por metade dos divórcios nessa cidade. Jessica, que nunca será a miss américa perfeita, porque prefere a revolução a paz mundial. Jessica, que vai ser sempre somente isso. Você tem toda razão, Senhora! Eu não sei o que ele pensa que vê em mim, também. Na verdade, eu estava tentando dizer exatamente isso a ele alguns instantes atrás.

Eu estava estupidamente tão chocado com o rompante de Jess, que eu não me mexi quando ela se afastou de mim. Apenas saí do meu torpor quando ouvi a voz de Jess novamente.

— Por favor, me leve para casa? — Ela pediu a alguém, e eu virei minha cabeça apenas a tempo suficiente para ver Asher acenar concordando.

Oh, porra, não. De jeito nenhum. Ele não está levando a minha garota, caramba.

— Jess! Espere! — Eu gritei, mas ela já estava contornando os veículos estacionados e chegando ao carro de Asher, que estava parado do outro lado, em frente a saída.

Não havia nenhuma maneira que eu fosse capaz de segui-los se eles entrassem no carro, então eu comecei a correr atrás dela, quando uma mão no meu braço me impediu.

— Pare, Braydan. Ela vê o lugar dela, porque você não pode ver também? — Mamãe questionou quando me segurou no lugar.

— Porque eu a amo, pra caralho mãe. Porque o lugar dela é comigo. Porque eu vou me casar com essa garota um dia. E porque cada respiração que eu tomo é em favor dela. — Respondi sem perder uma batida, antes de empurrar suas mãos de mim e seguir.

Mas era tarde demais. Jess nem sequer olhou para trás quando subiu no carro e bateu a porta, antes de Asher arrancar, levando-a para longe de mim.

Notas finais
Já chorando, porque eu não escondo de ninguém que Bray é o meu preferido. Enfim. Expectativas? Quem vocês acham que é o próximo irmão Henley a encontrar uns troubles? E, para finalizar, apenas eu sendo capciosa, o que acharam do Bray? (#arrasou!) Responde para mim nos comentários! Beijos!