Fault of Boys- Bray
5 Destroços de corações, almas, corpos e carros
Notas iniciais
Eu não ter uma irmã de sangue certamente queria dizer alguma coisa.
Eu não serviria para isso, com toda fodida certeza. Por que eu era ciumento todo o caminho até o inferno e de volta, e sentir ciúmes me forçava no modo asno, e no modo asno, eu fazia besteira pra caralho. Ou seja, se eu tivesse uma irmã, — o que graças a Deus, não tenho — eu iria fazer da pobre garota uma freira.
E então, havia Emily.
Eu fui mais que condicionado a saber como agir perto dela, saber que eu deveria trata-la com respeito e protege-la das investidas dos garotos... Mas quem iria protege-la de mim?
Mesmo constantemente lembrado e forçado a acreditar que ela era nossa irmã, uma parte retorcida de mim sempre se sentiu diferente por ela. Eu não conseguia enxergar Emily como minha irmã. Por mais que dissessem, ela não era isso para mim. Eu era ciumento e protetor com ela? Sim, muito. Mas por razões completamente diferentes do que o pensamento popular dizia.
Meu ciúme por ela nunca foi exatamente saudável ou fraternal.
E o sentimento que eu, involuntariamente, nutria por ela, somente cresceu com o passar dos anos. As lembranças constantes não me impediram de toca-la, ou de fazer o que eu sempre quis, e toma-la para mim. Eu me tornei um homem fodido, querendo mais e mais de uma relação quase incestuosa, mas eu sequer conseguia me importar o bastante. Eu a quis por muito tempo, e quando a tomei, eu tinha a maldita certeza de que ela me queria também.
Se fosse para ser honesto comigo mesmo, diria que, ainda pequeno, eu era bastante fodido. Porque, desde aquela época, eu já acreditava que Emily fosse minha, e eu era irracional a ponto de ter ciúmes do meu irmão mais novo por causa dela. Max e Emily tem a mesma idade, e crescer um ao lado do outro, estudando no mesmo colégio, fez deles amigos inseparáveis.
Isso fodidamente me matava. Porque Max estava sempre com ela, e eu nunca poderia fazer o mesmo sem que as pessoas achassem estranho.
Eu não sabia qual era a droga do feitiço que ela tinha acontecendo sobre mim, mas algo nela, em sua personalidade, no seu olhar, me tinha na porra dos meus joelhos.
Eu amava o quão confiante, e engraçada, ela era. Amava o seu bonito corpo, que amadureceu desde muito cedo, assim como amava sua mente brilhante e língua afiada. Amava que, mesmo que ela fosse uma coisinha quente, ela nunca tenha usado sua beleza para conseguir nada. Amava que ela gostasse de um desafio, e amava que, quando eu empurrava, ela empurrava de volta.
As garotas nunca se opuseram a mim em nada, até que ela veio balançando a porra da minha vida numa noite e me dizendo não. Que não adiantava o tamanho da cena que eu fizesse, ou se eu achava que tinha direitos sobre ela, que eu poderia ir me foder, porque ela merecia mais.
E ela merecia mesmo. Mas não estava indo para obter outro. Ela teria a mim, e eu me tornaria bom o suficiente para ela, nem que isso demorasse o resto a minha vida para acontecer.
Emily sempre teve sobre mim o efeito que nenhuma outra foi capaz de ter. As outras meninas sempre tentaram entrar em um relacionamento sério comigo, mas eu não estava interessado em nada disso com elas. Veja a diferença: Emily me dispensou, mas eu sempre iria correr atrás dela. Porque, não importava o quão chateado eu estava, ou se ela não queria saber do meu traseiro feio, eu nunca poderia deixar ela ir.
Eu empurrava, e empurrava.
E ela empurrava de volta para mim.
— Nós terminamos, Cameron! TER-MI-NA-MOS. O que quer que tenha sido aquela merda, acabou. Acabou no momento em que você pensou que era uma grande ideia tocar a prostituta da Megan. Eu não sei o que você pensa que está fazendo, mas você não tem nenhum direito de agir assim. Você não é meu irmão, tão pouco é a porra do meu namorado. Então, COLOQUE-ME NO CHÃO, CARALHO!
Seu monologo pouco fez efeito sobre a nevoa em que eu me encontrava. Seus punhos batendo nas minhas costas, muito menos.
Eu também não tinha ideia nenhuma do que eu estava fazendo, mas eu estava fazendo algo. Eu não poderia passar mais tempo parado assistindo aquele idiota fodido toca-la.
Porque, porra, na minha cabeça, e na droga do meu coração, Emily Hawthorne me pertencia. Mesmo que a cada dia eu tentasse me convencer do contrário. Mesmo que ela tentasse me convencer do contrário. Se tem uma coisa que eu aprendi com o tempo, é que você não manda no bastardo desonesto que é o coração.
E o meu sempre me dizia para ir atrás dela. Para tomar o que é meu.
Ainda que eu tivesse feito a maior merda da minha vida, e estragado o pouco do que eu consegui construir com Emily. Não importava. Eu sempre me levantaria para impedir que alguém a levasse de mim.
Foi por isso que, quando eu vi a caminhonete reluzente do filho da puta do Steven passar todo o caminho até a sede da fazenda da família Hawthorne, e então todo o caminho de volta, eu parei de raciocinar. Roxo, vermelho, laranja, verde, a porra dum arco-íris inteiro de ciúmes. Caso contrário, eu ainda estaria em casa, ajudando meus irmãos a descarregar os caminhões de entrega da fazenda, e não arrastando Emily do meio da porra do seu encontro, como um fodido homem das cavernas faria: jogando-a por cima do meu ombro.
Caso contrário, eu não estaria tão chateado como eu estou agora.
Que porra ela estava pensando?
Como se um encontro com Steven Jackson já não fosse estupido o suficiente, ela ainda tinha subido naquela caminhonete pomposa dele e deixado ele leva-la no desvio de uma estrada vazia.
Para um cara deixar as intenções mais claras do que isso, só faltou a porra do desvio terminar num motel. O que, para a sorte do filho da puta, não era o caso. Se fosse, um soco na mandíbula, um olho roxo e um nariz possivelmente quebrado não seriam as únicas coisas que ele iria receber de mim.
— Não. — Foi a minha simples e curta resposta para o seu protesto. Mas ela me ouviu? Claro que não. Continuou a me bater e exigir que eu a colocasse no chão. — Pare de tentar, não vai acontecer. — Garanti. — Eu vou levar você para casa, de onde você não deveria ter tirado o seu pequeno rabo bonito. Agora, fique quieta, Emy. Você está me dando uma dor de cabeça do caralho. — Eu resmunguei enquanto nos girava para longe do patético Steven, que ainda estava no chão, com uma das mãos segurando o nariz sangrento.
— Bastardo inútil do caralho. — Ela continuou, mesmo depois que lhe falei para calar. — Você não tinha o fodido direito de estragar o meu maldito encontro. O que eu faço, ou deixo de fazer, não é a porra da sua conta, Cameron.
Oh, cara. Ela fica tão insuportável quanto gostosa quando está irritada, no entanto, nenhuma das duas coisas ia enfraquecer a minha determinação de tira-la daqui. A possibilidade do que fodidamente poderia ter acontecido entre ela e o Steven se eu não tivesse aparecido me deixou vendo através duma névoa espessa de ciúme. O único cara com quem ela esteve fui eu, e eu teria a maldita certeza de garantir que permanecesse assim.
Eu não deixaria ela ir por causa de um erro estúpido, ela estava muito enganada se achava que sim.
— Basta ficar quieta e calar essa boquinha suja, Emy. Você pode me agradecer mais tarde por manter a sua virtude intacta.
— Fala o cara que tomou a porra da minha virgindade num celeiro, a 50 metros da casa dos meus pais.
Foda-se!
— Porra. Você não pode apenas ficar calada, Emy? — Perguntei num tom de resmungar, fazendo muita força para não deixar as lembranças se infiltrarem nos meus pensamentos. Era castigo suficiente reviver todas aquelas memórias quando eu fechava os olhos a noite. Eu não precisava ficar sonhado acordado também, principalmente, não quando eu sabia que ela não estava me deixando passear em qualquer lugar perto dela.
Eu precisava que ela me ouvisse. Urgentemente.
— Não, caralho. Me coloque no chão! — Emily retrucou.
Vendo que não ia adiantar coisa alguma, eu desisti de fazer ela se calar e comecei a somente ignorar seus protestos. Minha caminhonete estava parada a pouco menos de um quilômetro de onde Steven tinha estacionado, porque eu queria ver onde ele estava indo, sem que ele pudesse me ver. Então, eu carreguei Emily sobre o meu ombro por todo o caminho de volta para ela, ignorando seus protestos e xingamentos.
E, quando eu finalmente alcancei a minha caminhonete, foi que eu permitir que ela deslizasse pelo meu corpo, colocando-a sobre seus próprios pés.
Emily bufou, soprando a mecha loira escura de cabelo que caia sobre seu rosto. Então ela estreitou os olhos para mim, no que deveria ser seu olhar assustador, mas que apenas me ligou pra caralho.
— Eu vou matar você. — Declarou.
Eu sorri para ela, torto e indecente. Provocação era uma das minhas melhores características, não adiantava esconder. Emily sabia melhor. — Você pode fazer qualquer coisa, querida, com tanto que seja comigo.
Ela rosnou. E eu ri, por ela pareceu adorável.
Alcancei a maçaneta da porta do passageiro, e então puxei-a aberta.
— Entre. — Demandei.
— Você está louco se pensa que eu vou a qualquer lugar com você, porra. — Ela rebateu. E, tanto quanto eu amava sua determinação, eu fodidamente estava odiando o quão longe ela poderia me empurrar agora.
Foi a minha vez de rosnar. — Entre na porra da caminhonete, Emily, ou, eu juro por Deus, vou coloca-la dentro a força.
— Você não ousaria. — Ela respondeu com ousadia, mas não tão certa disso.
Eu apenas sorri mostrando os dentes, mas sem qualquer diversão real. Predatório.
— Me. Teste.
. ♥ .
Cinco rodadas foi o que levou de discussão para ela por o traseiro bonito dela dentro da porra da minha caminhonete, bufando em resignação forçada e me xingando de todos os nomes no seu dicionário de palavrões. E, cara, ela podia xingar como a droga de um marinheiro, exibindo orgulhosamente tudo o que foi capaz de aprender com seus fodidos pseudo-irmãos.
— O que você estava pensando, Cameron? — Ela perguntou, ainda em tom irritado. — Você poderia ser preso por deixar um homem sangrando na beira duma estrada deserta. — Então adicionou gravemente, como se apenas agora ela tivesse percebido: — E bem aquele, que é o filho da droga do prefeito.
Eu não sorri para não faze-la mais irritada, mas sua preocupação me deixou extasiado. Porque ela não se importava com o cara machucado lá. Ela pensou que eu poderia ser preso, e isso a fez ficar toda louca para cima de mim e das minhas atitudes impensadas.
Ela se importava.
Dei de ombro como resposta, ainda mantendo meu sorriso de vir à tona.
— Eu não ligo, realmente. Mais dia ou menos dia, meu comportamento se certificará de que eu fique do lado errado das grades, querida. É meio inevitável.
— Porra, Cameron. — Ela bufou irritada. — Eu não estou fazendo piadas, seu bastardo idiota.
— Nem eu.
Era verdade mesmo. Principalmente se ela continuasse a deixar os caras levarem ela a lugares como esse. Então, eu tinha certeza de que uma prisão perpetua era o que eu estava indo para obter. Ela me enlouquecia.
Emily se calou depois disso, ao menos pelo tanto de tempo que pôde. Eu esperei até que sua raiva começou a se diluir junto com o ar que entrava pela janela, e, de bufos de indignação, ela começou a soltar suspiros.
Eu praticamente era capaz ver as rodas girando em sua mente, e eu sabia que ela não entendia. Nada ficou claro depois daquele dia, porque ela me afastou em cada oportunidade que teve. Sendo assim, sem explicações, e com tudo às escuras, eu sabia que ela não entendia nada a respeito do meu comportamento louco.
Mas eu não a forcei a tomar qualquer conclusão. Apenas me concentrei na estrada, e deixei ela ter seu tempo. Ela viria até mim quando ela estivesse pronta, ou quando precisasse de respostas.
Eu estava a apenas alguns quilômetros da fazenda quando senti seus olhos me observando. Sua pergunta foi bastante simples, mas ela não precisava elaborar para mim, eu sabia ler nas entrelinhas quando o assunto era ela. Por isso, eu sabia também que a sua pergunta não tinha sido sobre hoje, mas sobre antes, quando tudo entre nós desmoronou.
— Por que, Cameron? — Ela questionou suavemente. — Por quê?
Eu vinha esperando por este momento há um tempo. Ela finalmente estava pronta para me ouvir, mas eu não pude chegar a responde-la. Quando eu abri minha boca para falar, eu avistei o acidente a minha frente.
A caminhonete azul clara, um pouco desbotada, que eu conhecia tanto quanto a minha própria, estava jogada de lado na estrada, como se tivesse derrapado até ficar estirada na pista, com a frente e a lateral parcialmente destruídas onde um caminhão tinha chocado contra ela.
Os bombeiros e paramédicos já tinham chegado ao local. Eu podia ver o motorista do caminhão sentado na traseira de uma das ambulâncias, e uma pequena aglomeração de curiosos se formando, mesmo que estivéssemos praticamente no meio do nada. Eu podia ver outro homem, esse estava completamente imobilizado numa maca.
Mas eu podia ver também um corpo estendido perto de onde a caminhonete estava, e, mesmo com a multidão de paramédicos ao redor, eu ainda pude ver e distinguir um pouco do cabelo cor de canela da mulher, em meio a todo o sangue que ela estava deitada.
Eu parei o caminhão menos do que suavemente, e ouvi Emily suspirar em angustia ao meu lado. Ela também conhecia o veículo atravessado na pista e completamente amassado.
Aquela era a caminhonete do Asher.
. ♥ .
Mesmo constantemente lembrado e forçado a acreditar que ela era nossa irmã, uma parte retorcida de mim sempre se sentiu diferente por ela, por mais que dissessem, ela não era isso para mim. Eu era ciumento e protetor com ela? Sim, muito. Mas por razões completamente diferentes do que o pensamento popular dizia. Meu ciúme por ela nunca foi exatamente saudável ou fraternal.
E o sentimento que eu, involuntariamente, nutria por ela, somente cresceu com o passar dos anos. As lembranças constantes não me impediram de toca-la, ou de fazer o que eu sempre quis, e toma-la para mim. Porque, porra, na minha cabeça, e na droga do meu coração, Emily Hawthorne me pertencia. Mesmo que a cada dia eu tentasse me convencer do contrário. Mesmo que ela tentasse me convencer do contrário. Se tem uma coisa que eu aprendi com o tempo, é que você não manda no bastardo desonesto que é o coração.
E o meu sempre me dizia para ir atrás dela. Para tomar o que é meu.
Eu não sabia qual era a droga do feitiço que ela tinha acontecendo sobre mim, mas algo nela, em sua personalidade, no seu olhar, me tinha na porra dos meus joelhos.
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